Carga Tributária no Brasil: 33% do PIB

Tenho escutado diversos amigos meus falarem que a carga tributária no Brasil é de 36% do PIB. Este dado está errado. Primeiro, no ano passado, o IBGE fez revisão de toda a série do PIB desde 1995 e, assim, o calculo da carga tributária (% do PIB) foi reduzido. Segundo, a receita está em queda nos últimos dois anos e, assim, a relação arrecadação como proporção do PIB também foi reduzida.

A última edição do Boletim do Tesouro Nacional Ver p. 23 e 24 do Boletim do Tesouro Nacional – clique aqui) trouxe uma conta do tamanho da carga tributária. Segundo o Tesouro Nacional, a carga tributária do Brasil foi de 32,71% do PIB em 2015, ante 33,40% do PIB, em 2011.

 

Carga tributária

Fonte: Tesouro Nacional

Quer uma boa noticia? A carga tributária do Brasil é menor do que pensávamos, mas ainda maior do que a média dos países da América Latina que é, segundo a OCDE, de 21,7% do PIB (2004) – ver aqui. A média da OCDE é de 34,4% do PIB. Ou seja, nossa carga tributária é mais próxima da média dos países ricos do que dos Latino Americanos.

Quer uma noticia ruim? Bom, se a carga tributária, pelos dados do Tesouro Nacional, caiu apenas 0,7 pontos de percentagem do PIB de 2011 a 2015, isso significa que mais de 3 pontos do PIB de piora fiscal neste período veio do lado da despesa: aumento da despesa primária do setor público como porcentual do PIB.

É isso. Por favor lembrem ao seu economista favorito que nossa carga tributária não é mais de 36% do PIB. Ela está por volta de 33% do PIB. É alta, mas um pouquinho menor do que pensávamos. Sei que não é motivo para comemoração, mas vamos citar o dado correto.

 

 

35 pensamentos sobre “Carga Tributária no Brasil: 33% do PIB

  1. Ótimo texto professor. O Sr. acredita que caso o ajuste fiscal seja feito por completo haverá espaço para uma redução da carga tributária brasileira já no próximo mandato?

  2. Excelente, de novo.

    Um povo é supersticioso e afeito a narrativas imaginárias? “Ensinem geometria às crianças”

    Na vida “tudo se conta, tudo se mede. O exercício de nossa razão com freqüência se reduz à uma regra de três (…) creio ser mais fácil aprender aritmética e geometria elementar do que a ler.” (Diderot, Plano de uma Universidade).

    As matemáticas corrigem o raciocínio : “a geometria é a melhor e a mais simples das lógicas, a mais própria para fornecer inflexibilidade ao juízo e à razão. Ela é a lima surda de todos os preconceitos populares (…) um povo é ignorante e supersticioso ? Ensinem geometria às crianças”. (idem)

    Lembrando que nos meados do século XVIII a geometria praticamente reinava absoluta nas matemáticas.

    importante na passagem citada é perceber que Diderot concordaria com o que você escreveu:

    “Por favor lembrem ao seu economista favorito que nossa carga tributária não é mais de 36% do PIB. Ela está por volta de 33% do PIB. “

  3. Revisões mais revisões… acha confiança na burocracia Estatal.
    Mas, fora isso, derivando das ciências sérias, qual seria a imprecisão embutida nestes cálculos econômicos.

  4. Professor e na sua opinião qual seria o melhor imposto a ser colocado neste momento para aumentar a arrecadação e ajudar no ajuste das contas publicas?? A CPMF, a CIDE ou algum outro?? E qual o percentual de aumento de imposto necessário? Uma parte do ajuste deve vir através de corte nos gastos e outra parte via aumento de impostos?

  5. E tem outra coisa: a carga tributária brasileira é altamente regressiva. Conforme este relatório da Receita Federal, mais de metade da nossa carga é composta de impostos sobre bens e serviços (51,02% – vide página 14: http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/receitadata/estudos-e-tributarios-e-aduaneiros/estudos-e-estatisticas/carga-tributaria-no-brasil/29-10-2015-carga-tributaria-2014)

    Essa participação é muito superior à dos países da OCDE, inclusive os latinos – vide o gráfico 10 da p. 18 do mesmo relatório…

    • Esse assunto da carga tributária regressiva é tabu para os liberais brasileiros. Também, um dos nossos principais liberais, PS, vive de dinheiro público e preside uma federação de indústrias sem ser dono de indústria alguma.

  6. Em 1994 foi aprovado o Plano Real, saindo de uma inflação mensal absurda para inflações menores que 2 dígitos, até chegarmos aos 10,67% de inflação oficial para 2015.
    Não sou economista, mas será que o Plano Real não deveria ter desindexado totalmente a economia brasileira? Esta atitude não reduziria a inflação futura neste momento de crise extrema? Não reduziria a taxa de juros da economia? Não ajudaria no déficit da previdência?
    Att,
    Renato

  7. América Latina, realmente, um grande termo de comparação. Países com alto grau de desenvolvimento humano, excelentes sistemas de educação, saúde, bons níveis de segurança…

  8. A CPMF é altamente regressiva, além de ser um tributo idiota, assim como outros que incidem igualmente sobre desiguais. Quanto à comparações, realmente seria melhor comparar nossa carga tributária (apenas 50% superior à média Latino Americana), com a da Escandinávia, que tem carga tributária de 42% e serviços públicos quase tão bons quanto os nossos! Onde o SUS já foi comparado ao serviço público de saúde sueco por quem prefere o Sírio Libanês.

  9. Conclusão da burocracia: se eles já têm 36% do PIB na cabeça, podemos aumentar 3% do PIB que ninguém vai chiar! rs

  10. Prezado Mansueto.
    Discordo da metodologia.
    Os impostos não se dão apenas pelo IR que pagamos na fonte, mas em produtos/serviços que compramos, o valor global total é muito maior do que 33%.
    Sugiro a leitura da curva de laffer.

    “https://www.youtube.com/watch?v=zxo_Ivy5RKw

    E não tentem aprovar a CPMF, nem impostos para LCAs.
    Brincadeira, os senhores precisam cortar é de benefícios para as pessoas que NÃO trabalham.
    Chega se sustentar “mimozinhos” que não trabalham.

    Cuidado com a fome, o Temer pode não durar muito.

    • Loxa, sugerir ao Mansueto “a leitura da curva da curva de laffer” me soa um tanto ridículo, e na indicação do vídeo você deu um passo a frente nisso.

      Se fosse pra mim, que tenho conhecimento tosco da teoria econômica, tudo bem. Mas, para o Mansueto acho que não, né?

      • Sim, seria rídiculo.
        Contudo, foi necessário, ante indicações de que desejam aumentar os impostos. Já estamos no limite, não aceitaremos mais impostos.
        Mansueto, solicito a gentileza de encaminhar tais sugestões do pessoal da classe média, que não aceitará pagar CPMF, entre outros impostos.
        A única saída será cortar benefícios de quem não trabalha, essas pessoas parasitam o estado.
        A classe média chegou no verdadeiro limite.

  11. Existe aí alguma inconsistência (talvez o Tesouro não tenha interesse na explicitação de certas parcelas) em relação aos dados publicados pela OCDE e pelo IBPT (responsável pelo Impostômetro em parceria com a ACSP).

    Por exemplo, em 2013, segundo a OCDE, a carga tributária representou 35,7% do PIB; já para o IBPT, a carga tributária nesse mesmo ano foi de 35,04% do PIB.

    Em lugar de ficarem preparando as mentes para mais imposto, que tal pensarem em reformas que levem a desengessar o orçamento (é que por aqui existem iluminados que querem ditar as regras para as gerações futuras). Irredutibilidade de salários, direitos adquiridos e outras cascatas do gênero são esgrimidas como proteção aos mais desfavorecidos, mas aproveitam mesmo às classes mais abastadas (no Brasil, a classe desprotegida é manipulada e ainda paga a conta).

    http://www.valor.com.br/brasil/3946654/brasil-tem-maior-carga-tributaria-da-america-latina-diz-ocde

    http://libra.ibpt.org.br/campanha-impostometro/docs/EstudoImpostometro20150505.pdf

    • Veja o link para o travão da OCED que tem no post. Na pagina da OCDE fala que: “The report shows a wide variation across countries. The tax-to-GDP ratios in LAC countries range from 12.6% (Guatemala) and 14.1% (Dominican Republic) to 32.2% (Argentina) and 33.4% (Brazil).”

      Link: http://www.oecd.org/ctp/tax-policy/latin-america-and-the-caribbean-tax-revenues-rise-slightly-but-remain-well-below-oecd-levels.htm

      A carga tributária do Brasil não é 36% do PIB. Isso não significa que tenhamos que aumentar imposto. Mesmo um pais com a carga tributária de 25% do PIB ou menos pode não querer aumentar imposto.O intuito o posto foi apenas mostrar um dado que todo mundo cita errado porque ainda é baseado na serie antiga do PIB e na arrecadação de 3 ou 4 anos atrás.

      A proposito, a OCDE corrigiu os dados para o Brasil baseado na serie nova do PIB. Assim, a matreira do valor acima está desatualizada entre na pagina da OCDE e cheque quanto é a carga tributária do Brasil. Link acima, Abs.

  12. Mansueto, diversos economistas e a própria presidente Dilma sempre afirmaram isso. A queda da carga tributária em 2015 foi amplamente divulgada. Ocorre que algumas pessoas, se enchem de autopiedade e para se sentir mal adoram piorar os dados do país. Quem morou na Europa ou EUA sabe muito bem o que é carga tributária alta. Nossa carga tributária é de 32,71% e não 33%, pois qualquer décimo representa bilhões em razão do valor gigantesco do PIB. Na minha opinião ela é bem menor se levarmos em conta a altíssima taxa de sonegação. Basta observar os dados da operação “Zelotes” da PF. Agora num passe de mágica pessoas que se sentiam como se estivessem vivendo na Angola, Bolívia, Honduras….começam a acreditar que estão no paraíso. Na realidade vivemos na sétima maior economia do planeta, que não é melhor mas não é tão ruim quando comparada às suas nove congêneres. Espero que essas pessoas não contrariem princípios para ser simpático ao governo temer defendendo impostos como a CPMF e etc, que tanto repudiaram.

  13. A carga tributária pode ser 32%-33% mas os gastos ano passado foram 11p.p. maiores que isso é isso que importa. No fim o que não é carga tributária direta, vira imposto indireto através da inflação.

    felicitações pela secretaria na sae. mesmo sabendo da magnitude ímpar do desafio que é a área economica, sua indicação dá a certeza que teremos alguém com conhecimento de causa e pés no chão, e não os lunáticos que até esse dia povoavam brasilia.

  14. Não seria interessante medir a carga tributária como % da renda líquida ao invés de PIB? ou talvez renda + lucro líquido das empresas – dividendos (caso os dividendos já estejam na renda). Qual você acha que é a melhor medida de renda que temos no Brasil?

  15. Gostaria de deixar registrado minha expectativa de melhora da situação econômica com a nomeação da nova equipe, que está em andamento. Muito trabalho pela frente!

    Proponho uma discussão: porque não aliviar a carga tributária começando por uma medida que estimula o consumo ao mesmo tempo, não cobrando imposto daquela renda proveniente de horas extras do trabalho formal?
    Creio ser válido um estudo urgente nesse tema.

  16. Esses dados do PIB incluem o setor informal? Pois como esse setor tem tamanho estimado fica dificil chegar num valor exato para o tamanho da carga tributaria em relacao ao produto.

  17. Parabéns professor que alegria ver alguém como o senhor no governo analisando as contas publicas, acredito que sim agora vamos melhorar a economia!

  18. Tributos, taxas e multas, colocam a carga em dinheiro transferida ao poder público pelo povão bem mais acima. Várias publicações do setor colocam a carga tributária em torno de 37% do PIB; inclusive o Valor Econômico citava esse total já em 2002. No site do BC temos: Receitas milhões de reais 14 1.952.583 2.013.429 (hoje). Considerando nosso PIB esses R$ 2 trilhões valem bem mais de do que 32,7%/PIB. E para mim, o PT aparelhou o site do BC; podemos descobrir agora.

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