Os muros de Brasília e da FEA-USP

Cursei meu mestrado em economia na USP e tenho um verdadeiro apreço pela universidade. Mas, às vezes, me assusto com algumas coisas escritas por alguns dos professores da USP. (falei alguns, falei às vezes, e falei em “susto” – não quero abaixo assinado contra mim).

Vou hoje comentar um artigo da professora Doutora Laura Carvalho. Não a conheço e tenho simpatia por ela. Mas acho que no artigo de hoje na folha a professora comete alguns equívocos. Aqui não se trata de coisas pessoais, mas sim debate de ideias – isso é bom para o Brasil. Seguem meus comentários em vermelho.

Folha de São Paulo – 14 de abril de 2016

Os muros de Brasília

Laura Carvalho

A independência do banco central e a delegação da política monetária para uma autoridade supostamente técnica e conhecidamente conservadora costumam ser justificadas pelo chamado viés inflacionário dos governos.

Pressionadas por preocupações de cunho eleitoral, as autoridades constituídas teriam uma predisposição a privilegiar o combate ao desemprego em detrimento do controle dos preços, o que elevaria as expectativas inflacionárias.

Isso tem servido também para fundamentar a adoção de um mandato único para o Banco Central do Brasil, que, ao contrário do banco central norte-americano, não inclui o nível de emprego entre os seus objetivos.

Primeiro erro: passa a impressão que um bando de técnicos malucos engravatados definiriam por pura maldade a taxa de juros. Errado. Seja o Banco Central (BACEN) independente ou não, quem fixa a taxa de inflação é o Conselho Monetário Nacional (CMN) formado por três ministros de estado: Fazenda, Planejamento e Banco Central.

Logo, é o Presidente da Republica, legitimamente eleito, quem estabelece junto com os seus ministros, em especial o do planejamento e da fazenda, a meta de inflação.

O problema ocorre quando o CMN sinaliza uma meta de inflação de 4,5% em uma economia que a inflação média estava acima de 6% (2001-2014) e as pessoas esperam, simultaneamente, redução de juros. A culpa não é do BACEN. Sim, o CMN poderia fixar a meta de inflação em 6% ao ano (ou em 10% ao ano) para termos juros menores (será?), mas neste caso criaríamos um outro problema.

Já com a adoção de regras fiscais rígidas, os autonomeados guardiões da sanidade, açodados em receitar camisas de força, buscam impedir que os representantes eleitos tenham espaço para sucumbir a tentações irresponsáveis também no caso das contas públicas.

Segundo erro: achar que as “regras fiscais” atrapalham a execução do orçamento. Errado. A sociedade por meio dos seus representantes legitimamente eleitos criou vários controles no processo de planejamento e execução orçamentária. Alguém na USP deve saber isso. Mas aqui não há camisa de força alguma.

A maior camisa de força são as regras de vinculação de receita, que estabelecem que o governo tem que, obrigatoriamente, gastar um percentual da receita em áreas como educação, saúde, etc. Mas a suposta meta de primário não é camisa de força, porque o governo não é obrigado a fixar meta de superávit primário. Ele pode sim fixar um déficit primário.

O problema é quando governo fixa uma meta de primário e quer gastar muito além do que permite a sua receita. O erro aqui não é a suposta rigidez das “regras fiscais”, mas um orçamento que não é compatível com a meta fixada pelo próprio governo.

No regime de meta de superavit primário adotado no Brasil, essas restrições não se aplicam ao pagamento de juros sobre a dívida, circunscrevendo-se à geração de receitas e à realização de despesas com outras rubricas.

Terceiro erro: acreditar que o setor público poderia dar calote sem consequências. Se há algo que no Brasil o setor público faz muito bem e tem um histórico bem interessante são sucessivos calotes. Esta semana mesmo o congresso está discutindo a regra de pagamento dos precatórios, uma regra para decidir quando os estados pagarão dívidas que têm juto a pessoas físicas. 

Sim, pagamento de juros é despesa obrigatória. E se não fosse? Bom, o governo poderia contingenciar pagamento de juros e, assim, adiaria o pagamento de juros sobre os seus títulos por um ano ou quem sabe dois ou mais anos. Neste caso, os bancos e fundos de pensão passariam a mesma regra para você cotista de fundo e, quanto mais frequentes fossem esses atrasos, maior seria a taxa de juros que eu e você pediríamos para financiar o governo. Será que se ensina isso na USP? Quem é o professor de macroeconomia? 

Apesar da rigidez e do viés pró-cíclico e concentrador de renda do regime fiscal brasileiro, este ainda permitia que o governo, desde que respeitadas as imposições constitucionais e a necessidade de aprovação do Orçamento no Congresso, escolhesse como utilizar seu espaço fiscal remanescente. Isso porque a mesma meta pode ser obtida com menos gastos com saúde, educação e benefícios sociais, ou com menos desonerações de impostos para empresários, por exemplo.

Ainda que o Ministério da Fazenda já houvesse sido delegado, na prática, para os representantes do mercado financeiro e que o ajuste fiscal já tivesse tomado o lugar do bem-estar da população enquanto objetivo central da política econômica, a inclusão da assinatura de decretos de crédito suplementar no processo de impeachment da presidente aponta na direção de blindar ainda mais a política fiscal do processo democrático.

Tais decretos, que, conforme descrevi na coluna “Os Escafandristas virão” de 31/03, foram assinados no ano em que mais se contingenciaram despesas desde a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, serviram apenas para permitir que se gastasse mais com algumas rubricas em detrimento de outras.

Quarto erro: confunde contingenciamento com responsabilidade fiscal. Imaginem que o governo manda para o Congresso um orçamento compatível com uma meta de primário de R$ 30 bilhões.

Mas, no Congresso, para deixar todo mundo feliz, governo e relator do orçamento resolvem aumentar em R$ 100 bilhões a receita esperada para acomodar aumento de despesa de R$ 100 bilhões em relação ao valor original que constava no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA).

Orçamento aprovado. Beleza. Vamos abrir o champanhe. Mas chega Março e um técnico chato do Min da Fazenda lembra que a receita está superestimada em R$ 100 bilhões e, logo, será preciso cortar a receita nesse valor e…….fazer um contingenciamento de R$ 100 bilhões.

O Ministro da Fazenda toma um banho e vai para entrevista coletiva dizer que está fazendo o maior contingenciamento da história do Brasil. De fato, ele está porque fez também o pior orçamento da história do país. Mas ele até agora não houve esforço fiscal algum. O governo simplesmente cortou despesas extras  no valor equivalente ao excesso de receita aprovada. Por favor, não confundam contingenciamento com corte efetivo de despesa.

A criminalização de tais decretos –previstos em lei e utilizados por todos os presidentes desde então– revela a intenção de retirar agora dos governos democraticamente eleitos até mesmo a definição de prioridades na execução da política fiscal.

Quinto erro: Não entendeu o problema dos créditos suplementares. Não vou entrar aqui no debate se isso é ou não motivo para impeachment. Vou apenas explicar porque me parece que a professora está equivocada.

Crédito suplementar permite que o governo faça reordenamento de fontes de recursos. Faltou R$ 100 milhões para terminar um ponte, o governo pode tirar de uma rubrica do orçamento e mandar para terminar a ponte. Aqui não houve aumento de despesa já que se tirou recurso de uma despesa para outra.

Mas o que diz a lei? Aqui vem o problema. O Art. 4o da Lei Orçamentária Anual (LOA) fala que: “Fica autorizada a abertura de créditos suplementares, restritos aos valores constantes desta Lei, excluídas as alterações decorrentes de créditos adicionais, desde que as alterações promovidas na programação orçamentária sejam compatíveis com a obtenção da meta de resultado primário estabelecida para o exercício de 2015…” (ver aqui).

Aqui mora o problema. Os Decretos de Créditos Suplementares foram editados nos dias 27/07/2015 e 20/08/2015, quando a meta de primário em vigor para o governo federal era de R$ 55,3 bilhões fixados na LDO de 2015 (Lei 13.080/2015 – clique aqui).

No dia 23 de julho de 2015, o governo mandou para o Congresso Nacional o Projeto de Lei 5/2015 (ver aqui) para alterar a LDO e permitir uma redução da meta do primário do governo central de R$ 55,3 bilhões para R$ 5,8 bilhões.

Apesar desse Projeto de Lei só ter sido aprovado no dia 02 de dezembro de 2015, o governo fez aberturas de credito suplementar por Decreto em julho e agosto, como se esse Projeto de Lei, meta de superávit primário menor, já estivesse valendo, mas não estava. Sem dúvida infringiu à Lei. Os crédito suplementares poderiam ter sido abertos, mas não por Decretos.

Se não gostamos desse rito é só mudar a lei- se retirar o Art. 4o da Lei Orçamentária Anual e modificar a LRF permitindo que o governo possa, automaticamente, reduzir a sua meta de primário. É exatamente isso que o governo quer fazer agora.

Quando professora Laura Carvalho fala de uma conspiração contra um governo democraticamente eleito, na verdade, a professora está criticando a Lei. Nesse caso, ou se cumpre ou se muda a Lei. Não adianta falar de “conspiração” porque não existe.

O desejo parece ser o de que a política econômica saia de uma vez por todas da alçada dos presidentes da República. De um lado, delega-se para a tecnocracia dos órgãos de controle os rumos da política fiscal. Do outro, delega-se para a diretoria do Banco Central –na maior parte composta por figuras com experiência prévia ou posterior no mercado financeiro– a política monetária.

Já refutei acima.

E o que é ainda mais grave: o muro erguido para isolar a economia da política e eliminar o alegado viés populista dos governos eleitos está sendo construído em um material muito pouco resistente aos empurrões dos financiadores de campanha eleitoral e dos grupos de pressão mais influentes na imprensa e na política nacionais. De grão em grão, os patos da Paulista vão destruindo a nossa jovem democracia.

Aqui não consigo comentar porque não entendi. Meu primo de 18 anos entendeu e tentou me explicar a relação entre a infra-estrutura e a superestrutura no Estado e como a elite controla a minha mente. Também não entendi como a elite controla tanta gente, mas apenas quem discorda do governo.

 

 

48 pensamentos sobre “Os muros de Brasília e da FEA-USP

  1. Este é o problema do pessoal ligado a esquerda, eles não aceitam regras, para eles as únicas leis que existem são aquelas que lhes beneficiam e aquelas que podem distorcer. Apesar de tentarem destruir tudo que foi construido após o plano real iremos nos recuperar, a nossa economia ira se estabilizar. É lógico que num patamar mais baixo, compatível com o valor dos únicos produtos ( agrícolas ) que temos eficiência e competitividade ( apesar do governo e do MST ). O que mais me entristece é que novamente perdemos um janela de oportunidade e continuaremos a ser o pais do futuro e este cada vez mais distante.

  2. Caro Mansueto, bom dia.

    Há muito acompanho seus artigos, tenho aprendido muito com eles. Sou da área de artes visuais, mas adoro economia. Acho que estudei (e muito, conclui meu doutorado em 2008) a carreira errada!
    De qq modo, gostaria de parabeniza – lo pela competência, profundo conhecimento dos assunto que trata e, sobretudo, da forma didática como aborda assuntos tão específicos.

  3. Parabéns Mansueto, pelos comentários e sobretudo pela paciência intelectual em fazê-los. Mas, infelizmente, como sabemos, com essa gente não adianta argumentar, eles são fiéis aos seus dogmas e só enxergam a realidade que eles querem ver.

  4. Mais uma vez a sua clareza ilumina a ignorancia.
    Por que temos tantos “professores” “doutores” com tantos anos de estudo e tanta ignorancia?

  5. Mansueto, é bem difícil ficar discutindo consequências esquecendo as causas como no caso. Da criação de despesas vinculadas em épocas de vacas gordas; da transferência de recursos ao BB, CEF e BNDES a preços 50% do custo e retorno a longo prazo; renuncias fiscais sistemáticas além do possível; represamento de preços dinamitando empresas (públicas e privadas) da área de energia; etc,etc. Daí ter o óbvio resultado, a falta de receitas para honrar as sabidas obrigações constitucionais, buscando mandracarias para resolver a própria desídia e inconsequência. Pior, depois de tudo, assistir “professores” queixar-se da pretensa falta de liberdade dos governos para fixar as politicas públicas. Assim fica difícil…

  6. Quando a ideologia prevalece à razão, acontece o que estamos assistindo. Esse filme a história, exaustivamente, já nos mostrou. Mansueto, mais uma vez, parabéns.

  7. A professora doutora Laura Carvalho confunde economia com ideologia. Com certeza ela sabe dos “erros” do artigo e está adaptando para justificar o discurso ideológico.

  8. Dizem que o Dudu participou da banca no concurso que aprovou a Miss Oak. Dudu, velho, você merece apanhar de vara verde por isso!

  9. Caro Mansueto,
    Sou professor de Macro na USP e não ensino nada disso. Mas também não tenho coluna na FSP.
    Abs,
    Mauro.

  10. É nítido no artigo que a professora divide o mundo em duas classes de indivíduos em luta que não cessa nunca: os que economistas que desejam o bem do Brasil e os economistas que desejam fazer o mal porque lacaios do sistema financeiro.

    E aí fica muito difícil debater com o campo que cultiva como virtude a certeza dogmática de que as ideias sobre economia que defendem estão no caminho do bom, do belo e do justo, enquanto que o “resto” é somente um bando a serviço de interesses espúrios e inconfessáveis:

    “O desejo parece ser o de que a política econômica saia de uma vez por todas da alçada dos presidentes da República. De um lado, delega-se para a tecnocracia dos órgãos de controle os rumos da política fiscal. Do outro, delega-se para a diretoria do Banco Central –na maior parte composta por figuras com experiência prévia ou posterior no mercado financeiro– a política monetária.”

    Tudo se passa como se os economistas que pensam diferente da professora fossem $motivados$ pelo desejo maléfico do “mercado financeiro” de controlar “os rumos da política fiscal” em benefício dos seus nefastos interesses.

    O artigo não visa debater ideias, mas denunciar os agentes [economistas a soldo] da grande conspiração do mercado financeiro contra os reais interesses do povo.

  11. Pregadores, por terem diploma de economia, vestem com véu de ciência asserçoes que afrontam os métodos e os pré-requisitos para serem sequer considerados dignos de algum crédito. A discussão tem que estar na fronteira e não do básico.
    Moramos nos país onde astrólogos possuem certificado de astrônomos.

  12. Mansueto, confesso que não entendi o “quinto erro”. Os créditos suplementares devem ser autorizados por lei e abertos por Decreto. OK! Mas no caso que você descreve, os créditos suplementares abertos por decreto não poderiam se referir à LDO antiga? ou seja, a de superávit primário de 55,3 bilhões? não entendi por que os decretos foram ilegais!
    Obrigado!

    • Quando abriram créditos suplementares por decreto ainda eatava em vigor a meta antiga de R$ 55 bi. Só poderiam ter aberto por lei.

  13. Caro Mansueto, parabéns pelas explicações. Se permite, apenas algo que não me ficou claro: os créditos suplementares abertos durante o ano, ou seja, antes de aprovada a nova meta, compreenderam reordenamento de fontes, ou transposição de verbas, ou novas tomadas de recursos ? O governo alega ter feito os decretos devido à frustração de receitas. Neste caso, faria sentido esperar até 02/12, quando o PL foi aprovado, uma vez que a queda de receitas ocorria continuamente ?

  14. É lamentavel esta fulanização do debate. Uma Universidade deve ter professores que pensam de maneira diferente, é para isso que elas existem, principalmente as publicas.
    Nós vamos ver no comando da economia pessoas afinadas com teses conflitantes com a dos economistas do atual governo. Vamos ver se na pratica eles conseguem fazer as nossas vidas mais prosperas.

    • Mas eu rebati teses. Não afalei nada pessoal até porque a professora é uma pessoal qualificada e ensina em uma das melhores universidades. Discordei de teses no artigo e de maneira educada.

  15. Mansueto, obrigado pelos esclarecimentos prestados. Quanto à coluna da Laura, às vezes eu fico pensando que uns seis meses na iniciativa privada tocando um negócio ou mesmo sendo funcionária de um abririam um pouco a cabeça dela. BTW: Sou formado na FEA também e graças a Deus escapei disso.

  16. Pingback: É melhor que economistas não se entendam | haereticus

  17. Realmente você é muito educado e humilde, o que é fundamental para um intelectual.
    Eu cheguei ao seu blog por uma indicação. Quem indicou pediu para que eu lesse e indicasse seu blog pela importância dos assuntos que você trata na vida de pessoas comuns como nós. Mesmo que não concordasse com algumas de suas opiniões.
    Eu critiquei mais os comentários que parecem conversinha de turminha. Chegam ao ponto de desqualificar a USP e a Unicamp duas das melhores universidades do Brasil. Típico de torcida de futebol. Meu time é melhor que o seu! Não mas minha faculdade é melhor que a sua.
    Uma coisa são as ideias da professora Laura, outra coisa é sua capacidade em ensinar! Um monetarista convicto poder dar um curso sobre Keynes melhor que um Keynessiano e vice e versa. Mas para isso é necessário honestidade intelectual e respeito pelos alunos.
    Infelizmente no Brasil as pessoas estão perdendo a capacidade de respeitar quem pensa diferente. Os ridicularizados nos comentários do seu blog são os ridicularizadores nos blogs divergentes do seu.
    É uma pena porque as pessoas a quem eu indico o seu blog necessitam informação, ideias, explicações.
    Como você tem alertado o que vêm por aí são tempos difíceis e somente com muita paciência, humildade e respeito poderemos criar um consenso sobre o melhor caminho para o nosso futuro.

  18. Mansueto, posso estar equivocado, mas tanto o conteúdo da matéria da professora quanto o que você colocou em vermelho são a mesma coisa, porém analisada com visões políticas divergentes, você e ela estão divergindo de idéias e não de pontos de vistas pessoais. Por exemplo, a respeito da “meta do superavit primário”: Uma meta é para ser perseguida e não necessariamente ela “tem que” cumprida, o que torna desprezível o “time” de uma decisão durante o período planejado.

  19. Boa noite Mansuetto, li o seu post por compartilhamento de uma professora de economia aqui de Brasilia.

    Sou formado em Administração, professor universitario e curso tecnico. Sempre falo aos meus alunos (universos em expansão) que eles devem ler de tudo, ler todos os autores, os artigos, independente da data em que foi escrito, pois acredito que somente assim podemos entender o presente e quem sabe enxergar alguma de um futuro tão curto, como nos dias atuais.

    Vejo que não é ético dentro de uma sala de aula, os professores citarem determinados autores, determinados livros, etc. Pois dessa forma não deixa para a grande maioria de alunos qualquer possibilidade de argumentar de forma contraria sobre determinado assunto. Sabemos que é muito comum nas universidades publicas federais o condicionamento intelectual dos alunos para o viés esquerdista, o que é muito ruim, visto que atrofia toda a qualquer possibilidade daquele futuro profissional ver outras possibilidades de pensar, argumentar, etc. Logo, ele vai ser mais no meio de tantos outros a falar o que todos já falam.

    Gosto muito de economia, mas o que mais me chama a atenção é macroeconomia e economia espacial (minha paixão).

    Nos dias atuais de inflação teimando em não recuar, tenho a seguinte ideia:

    Tornar a caderneta de poupança mais atrativa para a sociedade, pagando 5% mensais de rendimento. Esses 5% sairiam diretamente das taxas bancarias publico e privado cobrada dos correntistas.

    Na outra ponta em combate à inflação a selic seria reduzida em 0,5% a cada reunião.

    Acredito que atacando nas duas pontas, a inflação começaria a reduzir a patamares de 2 a 0,01% mensais. E os juros chegariam a ordem de 3 a 2% ao mês.

    Acredito que estimulando a poupança, as classes C,D e E ficariam tentadas a deixar seu dinheiro rendendo juros, visto que 5% é bem atrativo, ainda mais quando é remunerado pelo proprio dinheiro do correntista quando paga as taxas bancarias. Todos saberiam que estariam sendo remunerados por algo que é seu de forma legitima.

    Com a redução da inflação por conta do ataque nas duas pontas (estimulo à poupança e redução dos juros) acredito que a roda da economia começaria a girar, mesmo que bem devagar, mas iniciaria um novo ciclo.

    Ao observar que até hoje a inflação é sempre combatida com um remedio (que mais se parece um placebo) o já fraco juros, pois ninguem vai deixar de consumir, mesmo estando em crise economica, financeira e politica, e os juros tornando as compras mais caras, ainda assim as pessoas sempre continuarão a consumir, e se endividando.

    Já com a opção da poupança ser rentável e com o proprio dinheiro que se paga de taxas bancarias, acredito que teriamos pelo menos 50 anos de paz, preços baixos, pois com a economia se aquecendo novas oportunidades de empresas, fabricas, lojas, se apresentariam, tornando o famoso desconto, não um desconto maquiado, mas um desconto de verdade.

    Peço desculpas pelos erros de portugues e se falei alguma bobagem sobre arrumar a economia do nosso Brasil.

    abs

    • Nesio, antes de fazer isso é preciso dar segurança a poupança. Hoje é mais seguro ficar passeando com o dinheiro no bolso nas cercanias da Central do Brasil no Rio ou na “Faixa de Gaza” no Parque Dom Pedro em SP do estar com dinheiro em depósito na poupança. Claro que estou exagerando, mas Qualquer “juizinho de meia tigela” bloqueia uma conta de poupança. Fazem isso até para pagar contas de IPTU atrasadas.

      • Boa noite Marcal, e qual a solução? Sou de uma área – Administração- em que temos que fazer a coisa funcionar. ficarmos nas teorias, nos livros, nos debates acalorados (de universidade -unb que não me agregava nada) apenas me tirava do sério, pois o mundo gira e parece que o brasileiro tem prazer em sentar, cruzar as pernas e …. falar do sexo dos anjos, vendo o predio pegar fogo. Temos inumeras industrias fechando, estamos proximos dos 10 milhões de desempregados, o criminalidade extrapolando a tudo que se imagina – eles estão dando as cartas nas ruas-, temos um situação politica que tinha hora e data para desmoronar, e precisa acontecer isso pelo nosso proprio bem enquanto nação, e se quisermos ser respeitados lá fora. Não estou vendo os economistas falarem direto onde que se deve agir. Ou muitos que trabalham no governo estão com medo de cuspir no prato que comem, ou não tem coragem para dizer o que precisa fazer, onde atacar, como, quando e porque atuar dessa forma. Como disse não sou formado em economia, minha área é Administração, iniciei mestrado em economia espacial na catolica e depois na unb onde parei pois era muita conversa, muita balela, muita coisinha teorica que em nada melhoram a vida de um professor, de um soldador, até de um economista que trabalhava em banco e hoje está desempregado depois de dez anos de casa. Eu coloquei a ideia do governo estimular a poupança justamente para dar ao povo outra alternativa, esperança de verem seus esforços enquanto cidadãos ser recompensado. A remuneração da caderneta de poupança sairia diretamente das taxas bancarias cobradas dos correntistas. Logo é dinheiro do proprio dono da conta que vai ser usada para remunerar o proprio esforço de poupar. Se a inflação é o principal problema brasileiro desde 1970 (ano em que nasci), e os juros é o principal remedio (placebo) usado pelos economistas para conter algo que é natural da sociedade (comprar tudo o que querem), porque não atacar a inflaçao nas duas pontas. De um lado a poupança sendo atraente (de 2 a 5% a.m) e do outro os juros em queda a cada reunião do copom a cada 0,5% a.m.
        Faria isso até que se chegaria a um equilibrio normal das tres variáveis. Inflação, poupança e juros. O momento é de fazer, sair do mundo das teorias, dos conceitos e colocar a mão na massa. Posso estar até errado em minha visão, mas acredito que a sociedade como um todo espera que o proximo presidente da republica, seja uma pessoa de pegada, que faça acontecer, não fique de conversas, de rodeio. Me desculpe se fui rude ou grosso com as palavras. Sou de uma linha de pensamento que o fazer é mais importante que o sentar, cruzar as pernas, tragar um cigarro, soprar a fumaça, pensar e pensar…

  20. Caro Mansueto, agradeço e invejo a sua paciência e competência pra refutar este artigo da Laura Carvalho.

    Chamo atenção para a palavra “refutar”, que você mesmo usou. É a mesma palavra que, em meus tempos de adolescência como protestante, usávamos nos para nos referir à defesa de nossa fé contra os argumentos das ditas “seitas” contrárias.
    Isso define bem o tipo desse pessoal: são incapazes de qualquer análise, são cegos e dogmáticos como as mais insondáveis seitas religiosas.

    Na verdade eles estão se lixando para leis ou qualquer outro tipo de regramento democrático. Sabemos qual o objetivo deles, basta olhar pros lados.

  21. Vivemos num país onde o ministro de Fazenda apresenta-se para defender o governo com um papel de pão debaixo do braço e listinha de supermercado. Esperar o quê? Aos poucos vai ficando claro onde é que ele aprendeu economia.

  22. Mansueto,

    Diga-me uma coisa: de onde você tira tempo e paciência para ler esses artigos?

    Nota: o mais triste é ver a decadência da academia brasileira.

  23. Meu caro. A Laura tem um viés Unicamp do velho desenvolvimentismo e que na FEA tem a Leda Paulani, etc. O ponto não são as ideias dela. O ponto é que os economistas ortodoxos que analisam a economia como ela é de fato, se perderam em discussão de modelo econométrico dentro da Universidade e esqueceram de falar com o público fora de maneira simples. A arrogancia ortodoxa, na qual me incluo, não dialoga com o povão. Nos perdemos em números, modelos, etc. Não que isso esteja errado. Pelo contrário, isto está certo, mas tem que ficar circunscrito à Universidade. Fora tem que ser didático, simplista as vezes. Infelizmente isso não acontece, e o viés da Unicamp deita e rola e já quebrou o Brasil com Delfim, Bresser e Dilma-Mantega-Coutinho. Aprendam meu caro: falem para o povo, não para modeladores.

  24. Como economista formado pela FEA-USP, só posso lamentar o artigo da professora Laura. Espero que ela não represente o pensamento atual do corpo docente da nossa querida faculdade.

  25. É inacreditável ler isso de uma professora/doutora pela FEA-USP e colunista da Folha de S. Paulo. É muito esforço dessa gente para levar esse país de volta aos anos 1980…

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