O quadro azul do Centre Pompidou (Paris)

Confesso que não entendo nada de arte moderna. Na última vez que fui ao Centre Pompidou, em Paris, me deparei com esse quadro abaixo em azul. Havia alguma coisa profunda nas tonalidades do azul que o tornavam uma admirada obra de arte, com o azul evocando o Mar e o Céu, a passagem do material para o imaterial. Para mim, que sou leigo em arte, era apenas um quadro azul.

Será que a Nova Matriz Econômica tinha alguma coisa profunda que apenas pessoas versadas em arte e economia conseguiriam entender? Para mim, se tratava apenas de um conjunto de medidas de expansão da demanda e de proteção comercial. E diferente do quadro azul, não havia nenhum sentido mais profundo por trás daquele conjunto de medidas que ocasionou a pior recessão desde a década de 1930.

Para resolver nossos problemas econômicos não precisamos de arte moderna e nem de mágica. Precisamos tomar decisões, por mais difíceis e impopulares que sejam.

 

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Yves Klein IKB Monochrome Blue, 1960

 

6 pensamentos sobre “O quadro azul do Centre Pompidou (Paris)

  1. Essa obra me lembra que no início do século XX, por volta de 1913, surgiu um movimento de arte abstrata chamado Suprematismo, liderado por um russo chamado Malevitch. Como todos, ou a maioria, dos movimentos de vanguarda desse período, ele era acompanhado por um manifesto. Seu quadro inicial foi “Quadrado preto sobre um fundo branco” (1914-1915) e no seu manifesto, Malevitch defendia uma arte abstrata calcada em formas geométricas básicas e pequena gama de cores, se libertando de imagens que imitavam a natureza, em busca de uma outra dimensão que não a do “mundo objetivo”, isto é, aquele percebido pelos sentidos. Em suma, uma arte que tentava, pelo sentimento, revelar uma verdade superior abstrata por detrás do mundo impregnado da “concretude” que provoca os nossos sentidos, mas nem por isso menos real.

    Pronto, Mansueto, agora vc entende um pouco de arte moderna. E sua analogia da nova matriz econômica com o quadro é perfeita. O descolamento da realidade objetiva em busca de uma verdade superior que está além do mundo percebido. Talvez possamos batizar a nova matriz econômica (100 anos depois!!!) de Economia Suprematista, uma escola que desconsidera o mundo concreto, coisas chatas como oferta, demanda, receita, despesa e regra de três, que só atrapalham os sonhos de um mundo melhor. Nela, o que vale “é o puro sentimento”, onde o essencial é a sensibilidade, nesse caso as boas intenções de “um outro mundo é possível”, como defendem as esquerdas. Só que não, e ai de quem questionar os iluminados…

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