A luta do impeachment

Segundo cientistas políticos, o impeachment hoje é um cenário provável. Mas vamos lembrar que governo tem R$ bilhões para, legalmente, trocar votos via execução de emendas parlamentares em municípios. Execução de emendas parlamentares em um ano de eleição municipal ainda mais sem financiamento de empresas é uma moeda de troca importante.

E vocês se lembram que o governo vai abater da meta de primário R$ 9 bilhões de investimento pagos  via restos a pagar. Uma parcela grande disso pode ser emenda parlamentar. Parlamentar não faz emenda para custeio. As emendas são para investimento. É claro que o grupo que  quer entrar vai fazer a mesma que o grupo que não quer sair. Vamos ver quem ganha.

12 pensamentos sobre “A luta do impeachment

  1. Mansueto, acredito que a coisa não funcione assim. Vamos respeitar a luta política e aguardar que o legislativo seja “esterilizado” para que esses tristes episódios não acabem criando uma grande turbulência social no país. Tenho um ponto de vista diferente: Vejo o congresso acuado, com seus membros em menor ou maior grau tendo sido cooptados e corrompidos pelo setor privado, ambos agora tentando safar-se. Escapar de ser condenado é um direito de qualquer um que tenha cometido crimes. É possível observar que enquanto fazem barulho as pessoas esquecem as mazelas deles. O cunha passou a ser um ídolo de muitos. Quanto ao impeachment pode até ser que ocorra e o STF depois tenha que derrubar. A aritmética é uma parte da Ciência Matemática e não costuma falhar. A presidente tem a seu favor as ausências, abstenções, todos os deputados da esquerda e os “simpatizantes”. É falso dizer que ela precisa de 171 votos, na realidade são os pró-impeachment que “tem que ter” 342 e aí a conta não fecha.

  2. O STF tem sim a prerrogativa de barrar um impedimento sem ficar caracterizado o crime de responsabilidade do Governante.. E em ultima instancia até as forças armadas têrm essa prerrogativa, se ficar caracterizado como um golpe, visto que até o momento não foi caracterizado o crime de responsabilidade que a Presidente teria cometido, e muito menos foi caracterizado o dolo.

    Mansueto, voce que é da área de finanças, Dilma está sendo acusada porque emitiu decretos suplementares de recursos sem autorização prévia do congresso. Porém é fato notório que esses decretos eram necessários para o andamento da máquina, ela não tinha como agir diferente, sem contar que inumeros outros governantes, inclusive o próprio Temer assinou alguns desses decretos, que eram imprescindíveis. Portanto não foram cometidos crimes, muito menos houve dolo. Qualquer um de bom senso sabe muito bem disso, não vamos aqui ser hipócritas.

    Quanto ao TCU não tem nada a ver. Primeiro que não é um tribunal penativo, é auxiliar do congresso, de tribunal tem apenas o nome, apenas emite parecer. Ainda assim, as contas da Dilma reprovadas lá, foram as de 2014, no mandato anterior, que não pode servir de motivo para impedimento neste mandato. E este parecer do TCU nem foi ainda referendado pelo congresso, que é, de fato, quem aprova ou reprova as contas do Governante.

    A verdade é que o Governo errou muito, mas não cometeu crime. Então o que se forma neste momento, com uma conjunção de fatores, é um GOLPE que visa “encontrar” um crime de responsabilidade para tirar a Dilma do Poder. Até o Ministro do STF Marco Aurélio já disse que se não for caracterizado o crime de responsabilidade é Golpe sim. Os demais ministros que discorreram sobre o assunto apenas disseram que impedimento não é golpe porque está na constituição mas não entraram no mérito do impedimento sem crime de responsabilidade, que até o momento é que há. Foi uma tática da Globo de desinformar a população, apenas isso.

    • Se o Daniel escreveu que é golpe (e o fez com letras maiúsculas!), então com certeza é golpe. Se o Daniel escreveu que não houve crime de responsabilidade então é ponto pacífico que não houve. Como pode a OAB ser tão ignorante e discordar do Daniel? Como é possível que diversos eminentes juristas discordem do Daniel?
      A resposta é evidente: são todos ou ignorantes ou golpistas.

      Eu acredito que o impeachment do Collor também foi um golpe. Era caso do PT e todos os outros partidos fazerem ao menos um pedido de desculpas ao ilustre ex-presidente.

      • Típica tentativa de desqualificação sem nenhuma argumentação, bem ao contrário do meu comentário. Lembrando que a OAB também apoiou o golpe de 64.

      • Aprendi com você Daniel. Afinal de contas você desqualificou o pedido de impeachment sem nenhum argumento. Ou você acha que a frase a seguir é argumento?
        “Porém é fato notório que esses decretos eram necessários para o andamento da máquina, ela não tinha como agir diferente, sem contar que inumeros outros governantes, inclusive o próprio Temer assinou alguns desses decretos, que eram imprescindíveis. Portanto não foram cometidos crimes, muito menos houve dolo.”
        Ignoremos a escrita confusa. Fato notório? Sério? Sério mesmo? Pelo que eu li no Blog do Mansueto esses decretos não eram “necessários para o andamento da máquina” não. Talvez você entenda mais de contas pùblicas do que ele? Argumentação notória!

        Por sinal, você leu o pedido de impeachment? Você sabe se outros membros do executivo, por exemplo prefeitos, jà sofreram impedimento por motivos semelhantes aos invocados contra a Dilma? Conhece a jurisprudência nessa àrea?

        Você parece ter muita certeza do que fala, mesmo sem muita argumentação. Habilidade muito ùtil para atuar o meio polìtico!

        Repito a pergunta: e o Collor?

        Por sinal: Joao Goulart era legalista? Ou também queria dar um golpe?

      • Aqui, até segunda ordem, pode-se TUDO! Principalmente desvirtuar a realidade para que possa caber na narrativa desatinada de quem quer se salvar a qualquer preço, mesmo que seja a vida e o futuro de todos os demais. Mas isso nunca foi problema, pois “nós”, segundo “eles”, somos dignos de nada. E antes que comecem a dizer que estou dividindo o país, isso não é minha obra, mas de vários e vários anos de discursos de lideranças deste governo, mesmo antes de ser governo.

        Nessa narrativa, entre várias coisas, a iniciativa privada é demonizada e os santos políticos profissionais DA SITUAÇÃO aparecem acuados em seus castelos com medo de diabretes que teimam em vir com malas de dinheiro para capturar toda a dignidade e a honra destes senhores que querem nada a não ser o bem do país. Esperta a Odebrecht que, após o escancaramento das entranhas do projeto além de qualquer defesa DE MÉRITO, está disposta a assumir uma responsabilidade, mas segundo suas próprias palavras, “de forma não dominante”, pois eles sabem de onde veio o plano master de tudo que está sendo posto às claras. Isso será dito e redito sem meias palavras, no devido tempo, por quem de direito.

        Mas me surpreende a nova roupagem de certos setores no enfrentamento não através da velha gritaria, autoritarismo e desqualificação, mas no bom mocismo, na tranquilidade e educação de argumento pautado em teorias e verdades que precisam ser repetidas ad aeternum para que tenham qualquer chance de ao menos tentar se tornar história.

        Pensando bem, não deveria ficar impressionado, pois embora nunca pensasse ver esse tipo de comportamento, é claro que o desespero tem a capacidade de mudar estratégias, dar força e mover montanhas. Se já não é possível ganhar no grito, troca-se de máscara para tentar dar nova roupagem a ideias velhas, amparados pela consciência de pessoas que não permitiriam, ao contrário de várias que muitos conhecemos, o cerceamento de ideias, mesmo as mais estapafúrdias ou coloridas, em seus espaços.

        Quanto ao impeachment, é claro que dentro do processo de judicialização da política que vemos hoje e dentro do que já vimos de interferência entre poderes, acho factível uma tentativa de invalidar este processo caso passe na câmara e no senado. Tanto já foi tentado e feito que não me surpreenderia. Até porque o que é preciso é somente ganhar tempo para que tudo entre nos velhos eixos. Não a economia, claro. Esta está além da mera vontade.

        Entretanto, espero estar errado, até porque ainda que não se acredite em crimes, há que se acreditar em leis. “Fiz para garantir o bolsa família e projetos sociais”, ainda que fosse verdade, não invalidaria um crime, embora a Globo e toda a mídia tenha dado bastante espaço para que todos no governo pudessem dar esta explicação a quem quisesse ouvir. O artigo do Wagner Moura, na Folha, exemplifica bem essa linha de pensamento. Segundo ele, embora haja evidências que o PT montou um projeto de poder amparado na corrupção, um governo eleito que tirou tantos da pobreza não pode ser cassado assim.

        Matei, mas foi por amor.

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