O golpe. Mas que golpe?

Pelo que sei, as instituições no Brasil estão funcionando plenamente. Isso é fruto de anos de evolução institucional e não o resultado da ação de um ou dois presidentes, ou deste ou daquele partido político.

Nós estamos passando por uma conjuntura difícil. O governo foi eleito baseado em conjunto de promessas que não poderá cumprir. Prometeu um conjunto de politicas que sabia que não seria possível entregar depois das eleições.

E aqueles que questionavam as promessas do governo do PT na campanha eleitoral, em 2014, eram tratados como vassalos de banqueiros cuja missão era tirar o pão nosso de cada dia. A campanha negativa em cima da ex-senadora Marina Silva foi até mais feroz do que aquela em cima do senador Aécio Neves. Mas isso são águas passadas.

No entanto, a fragilidade política do governo em conjunto com a recomendação para não aprovação das contas da presidente Dilma, em 2014, levaram a possibilidade de abertura de processo de impeachment que, segundo pesquisa do Datafolha, conta com apoio de quase 70% dos brasileiros (clique aqui).

Não saberia dizer algo quanto à da legalidade ou não deste processo, mas confio na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, inclusive, estabeleceu o rito para abertura do processo de impeachment na Câmara e no Senado. O embasamento jurídico para o processo de impeachment foi dado por professores de direito e, recentemente, até mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se posicionou a favor da abertura do processo de impeachment. Assim, não há golpe. 

Não obstante todo o marco legal por trás do processo de impeachment, que sempre pode ser questionado no STF, qual não foi a minha surpresa ao saber que não apenas um funcionário do Itamaraty como também diversos reitores de universidades federais estão disseminando a ideia de um “golpe de estado” ou de riscos à democracia.

Tenho a mais absoluta certeza que diversos professores nas universidades federais não concordam com a posição dos reitores dessas universidades ou mesmo da associação dos docentes dessas universidades. Eles têm todo o direito de defender o governo e se posicionar contra o que eles acham que se trata de “um golpe”. Todos nós temos esse direito.

O que me surpreende, no entanto, são reitores de universidades federais utilizarem a página institucional da instituição para lembrar que é dever dos brasileiros “respeitar a Lei, o Estado de Direito e a Democracia consagrada nas urnas”. Olhem, por exemplo, esse manifestou ou desabafo do reitor e vice reitor da Universidade Federal do Ceará (clique aqui) na página oficial da Universidade Federal do Ceará, uma atitude, a meu ver, de profundo desrespeito com o corpo docente e discente da instituição.

A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Ceará (ADUFC) faz nota semelhante a do reitor e vice-reitor da universidade, alertando sobre a tentativa de golpe em curso, uma nota com o sugestivo titulo de “em defesa da democracia e da ordem constitucional” (cliquem aqui).

Esses casos não são restritos ao Ceará. Diversas Associação de Docentes de universidades federais e reitores têm usado meios institucionais para alertar para um “golpe de estado”.

Sugiro que os professores das universidades federais comecem a reagir contra esses manifestos dos seus sindicatos e dos seus reitores. Se não reagirem poderão passar a impressão que concordam com essas teses polêmicas.

Mas o que mais me preocupa é que, depois de mais de 30 anos do fim da ditadura militar e de enormes avanços no Brasil, a nossa “elite intelectual” parece ainda se confundir com militantes de um ou de alguns partidos políticos.

Novamente, todos têm o direito legitimo de expressar sua opinião sobre o processo de impeachment que, no final, o STF dirá se é legal ou não. O que não é desejável e correto é a forma que essas opiniões são divulgadas, passando para o público a impressão que existe um consenso no meio acadêmico quanto ao risco de um golpe de estado quando, na verdade, não há esse consenso.

Eu estudei na UFC e aprendi no meu tempo de faculdade, nos anos 80, que a academia é “isenta e pauta sua atuação pela razão e rigor cientifico”. Será que ainda é assim? Talvez ainda seja para alguns e não para outros.

32 pensamentos sobre “O golpe. Mas que golpe?

  1. Caro Manuseto, a raiz deixada no pós ditadura congelou o pensamento acadêmico, por sorte isso está mudando e não são todos os professores como bem dito no seu texto.
    Abs

  2. Caro Mansueto,

    Discordo veementemente da expressão no primeiro parágrafo de que as instituições brasileiras estejam funcionando plenamente. Reitero a palavra “plenamente”.

    Seguem alguns pontos:

    1) O Juiz Sergio Moro e alguns funcionários do MPF são exceções à regra. Não podemos transformar um desvio padrão numa média de atuação do judiciário. Prova disso são a capacidade de inquirir e acusar com provas quase que de materialidade absoluta. Não à toa, STF está acatando quase tudo que a Lava Jato julga ou pondera.

    2) O Brasil é um país mister em “abafar” casos investigativos, a década passada foi cheia de escândalos que facilmente teriam devastado a classe política, mas que foram desbaratados antes que chegassem aos ouvidos e ao entendimento da opinião pública. Sanguessugas foi um caso; Castelo de Areia em 2010/2011 foi outro exemplo notório disso. Repito: Lava Jato ainda é uma exceção, bem fora da curva.

    3) Pode-se dizer também que nossas instituições não estão plenamente funcionando, quando verifica-se a atuação do Conselho de Ética da Câmara no caso Eduardo Cunha. A Câmara não está funcionando como deveria. Poucas vezes na história se viu tantas chicanas e manobras para trancar a pauta do Conselho de Ética, principalmente num processo que trata do Presidente da Casa.

    4) As atas do BACEN há muito tempo não conseguem ancorar como deveriam as expectativas dos agentes econômicos – é notória a perda de credibilidade do BACEN. Há outros institutos públicos, principalmente de pesquisas, que também estão bastante desfalcados, sofrendo recorrentemente críticas sobre seus desempenhos.

    5) Considero o Planalto como uma instituição, no caso a instituição da Presidência da República. Mansueto, o teor da delação do senador Delcício, ex líder do Governo (PT), mais os grampos de Lula que flagraram a presidente Dilma, mais o audio de Mercadante mostram que o Planalto foi desvirtuado. O própio convite de Lula para ssumir a pasta da Casa Civil foi uma afronta a Nação e diminuiu imensamente a instituição da Presidência da República.

    6) Os audios do escândalo Cerveró/Delcídio e depois o audio do Mercadante sugerem que o Governo tem capacidade de influenciar o STF. Isso é um escândalo monumental, que em qualquer outro país minimamente desenvolvido, com midia forte e instituições robustas já teria selado completamente o destino do Governo. É incrível ouvir isso de pessoas que frequentavam o Planalto (Delcídio – lider do Governo e Mercadante, braço direito, ex chefe da Casa Civil).

    7) Mídia. Há uma revista famosa brasileira que há mais de 10 anos publica capas fazendo alusão ao PT e seus escândalos, algumas edições com indícios bastante robustos que, num país sério e com fortes instituições facilmente a justiça e o MP teriam aberto investigações para apurar tais condutas/denúncias. A mídia também teria ido a fundo nas investigações. Atualmente, nossa mídia vem noticiando quase tudo da Lava Jato, mas se compararmos a capacidade editorial da mídia britânica em apontar que o Brasil está à beira de uma crise institucional gravíssima e de valores (constitucional) vis a vis o que se lê na mídia brasileira, veremos que nossa mídia nos editoriais ainda está bastante cautelosa quando comparada a britânica – vide FT, Economist e The Guardian.

    8) Vide o que aconteceu no Itamaraty – nota emitida de que haveria risco de “golpe”. O que fizeram com o Itamaraty? Qual sua política interna de publicação? Quais são seus controles, processos administrativos e de relações públicas/assessoria?

    9) Outro aspecto relevante, é que uma sociedade com fortes instituições dificilmente chegaria ao ponto de ebulição que encontra-se o Brasil . De maneira geral, as instituições são edificadas justamente para evitar o desarranjo social e manter o pleno cumprimento Constitucional – capacidade de evitar crises agudas – por isso o impeachment é um julgamento político-jurídico que cabe a Câmara e ao Senado. A tal da judicialização no STF mostra como nossas instituições ainda são frágeis, não conseguindo sanar ou debelar as crises. Em uma perspectiva normativa, a Suprema Corte não deveria ser acionada recorrentemente para judicializar processos políticos, já que sua função fundamental seria a de guardiã da Constituição (aplicação positiva e não normativa/legislativa). A avalanche de ações, recursos e liminares que se sobrepõem na atual crise formam uma batalha jurídica quase que sem “fim”. Uma bagunça total – anomia.

    Em suma: as instituições brasileiras não estão funcionando plenamente, há exceções à regra como a 13 Vara de Curitiba e funcionários do MPF etc. Mas, o tamanho da crise em que o Brasil está metido é prova cabal de que nossas instituicões ainda são frágeis, dificilmente uma crise dessa envergadura teria acontecido num país maduro e com suas instituições democráticas funcionando plenamente.

    Nota: o restante do post eu concordo.

    Um abraço

    • Gouveia, concordo. Bom resumo.

      A crise no Brasil é um fundamentalmente uma crise do Estado. A máquina do Estado brasileiro é totalmente ultrapassada, com privilégio de foro e outros privilégios que só existem no Brasil.

      Leio muita gente hoje que tece cenários para os possíveis desdobramentos da crise. Francamente, acho-os muito parecidos com previsões astrológicas e certas previsões meteorológicas.

    • Gouveia, concordo em absoluto. Triste ver que os papas da ciencia politica como um tal de Limongi vem falar que a crise é culpa do Cunha. Serio: a academia faliu. Virou braço de partido. Dá pra pegar meia dúzia de teses em humanas e o resto jogar no lixo. Outro cara q nao me desce é o reinaldo Azevedo com papinho de marcha doa pacificos. Pelo amor de deus, o PT não vai largar o osso sem combate. O Brasil caminha para uma intervenção sim e nenhum academico ou jornalista no Brasil fala isso. Só os gringos. O fato é: se tem mensalao na política, nas artes com a Rouanet, não tem mensalão na academia e na midia? Só quem é ingenuo ou não entende nada do Brasil.

      • A web quebrou o monopólio de pensamento único da esquerda. Isso desnorteia as redações, a academia, etc. a velha ordem está sucumbindo por não entender que hoje vc pode ter acesso a muitas coisas fantásticas sem passa pelo filtro da esquerda doutrinária. As instituições caducaram pq a sociedade mudou. E será irreversivel a mudança. Pode levar tempo, mas não tem como frear.

      • Carlos, o Cunha já deveria ter sido defenestrado da Câmara. Mas concordo contigo que culpá-lo pela crise é criar cortina de fumação para não entender que a tese do presidencialismo de coalizão como conhecemos colapsou (vitima também do multipartidarismo crescente). O Cunha é tipo scapegoat para esquerda (bode expiatório). Lamentável ouvir da academia que Cunha seja culpado pela crise atual – isso é exagero.

        Nota: O que temo é que o impeachment que tá correndo na Câmara não teve o adendo da delação do Delcídio, justamente para não atingir também a oposição e até o PMDB. Logo, o impeachment seria feito sobre as pedaladas fiscais e os decretos leis. Porém, há uma brecha jurídica para a presidente Dilma apelar ao STF, caso a Câmara aprove impeachment e Senado diga que o processo foi correto, o que implicaria em seu congelamento/afastamento até Senado julgar o impeachment. Minha preocupação é que a presidente Dilma alegue que as contas dos ex presidentes e dela ainda não foram analisadas pelo Senado, e o parecer do TCU não é suficiente para incriminá-la, apenas é um forte parecer que balizará a decisão dos senadores. Mais: o Temer também assinou alguns desses decretos, embora na condição de VIce-Presidente do Governo Dilma. Meu temor é que o STF aprove liminar que suspenda o afastamento da Presidente Dilma até que o Senado julgue todas as contas. Outro aspecto é que os decretos tratam apenas de ~2,5 bilhões em liberação de verbas (o que é pouco levando em conta o tamanho do Orçamento e da dívida pública). Ou seja, a crise política poderia se arrastar por mais tempo, deixando o país numa situação de completa paralisia decisória (anomia).

        Nota2: todas essas judicializações via STF de processos políticos me preocupam, mostram como nossas instituições estão frágeis. Cheiro de anomia.

        Obs: o impeachment deveria ter levado em conta a delação do Delcídio – anexo deveria ter sido feito. A OAB vai entrar com ação “completa” na Câmara. A ver.

  3. É hora de o povo brasileiro saber da verdade. A Universidade tem compromissos que vão além do ambiente acadêmico, afinal, o vigor do saber consiste no cotejar da realidade.

    Creio que a Universidade é comprometida com todo progresso social e atenta aos retrocessos.

    FHC praticou atos que o diabo duvida.

    Lula, além de erros de ordem administrativa, cedeu muito aos Partidos em geral. Agora, na hora de frigir os ovos, cada qual se defende.

    É isto que se está vendo suceder.

    Impedimento da Presidente pode ocorrer e novas eleições, ou será que PMDB aliado ao PSDB vão superar isto também.

    Estamos assistindo a uma “Direita” se preparando para fazer uma “marcha da família com deus….”.

    Portanto, as Universidades têm o dever patriótico de se manifestar para afirmar sua preocupação acadêmica.

    Porquê não!

    Assis Rondônia.
    Limeira, 25.março.2016

    • A verdade está na delação do Senador Delcídio, e nos depoimentos dos empreiteiros , o resto é reles posição política ditatorial, hoje a academia não aceita debate, tenta impor sua posição ….. Ou sempre foi assim?

  4. Mansueto, reitores sao muito comprometidos com o governo. Alem disso, professores adoram fazer palanque na sala de aula defendendo teses particulares sobre este ou aquele assunto. Ciencias Sociais entao é uma militancia. E sao sempre intimidatorios. Fiz uma pos em politica e sociologia na Puc Rj e determinado professor constrangia alunos que divergissem. Sua critica nao vai ter eco….

  5. Nada do que um dia após o outro, quando o PT liderava pedidos de impeachment sem nenhuma fundamentação jurídica, não vimos os reitores das Universidades se manifestando contra. Eles precisam entender que representam a instituição, portanto, não têm poderes para expressar a sua convicção em nome dela. Ninguém é proibido de se alinhar ao pensamento esquerdista, o que não entendemos é o comportamento dessa gente diante de fatos irrefutáveis. Será que agem assim na criação dos filhos? No Brasil há dois “bandidos de estimação”.

  6. As instituições funcionam plenamente? Pode ser, há argumentos contra e a favor. Mas o fato é que várias dessas instituições são muito RUINS, na base. E decorrem da brilhante Constituição Cidadã de 88, outra “instituição” horrível e que já precisava ter sido enxugada e passada a limpo há muito tempo! O presidencialismo à brasileira, como foi desenhado, é uma delas. Não deixa saída suave para um problema que pode acontecer: esquecendo a corrupção, um governo tornou-se disfuncional, toma medidas erradas, coloca figuras horríveis, de baixo padrão ético e pouca inteligência nos postos chaves do gabinete e no segundo e terceiro escalões. Um governo passou a priorizar sua sobrevivência e a permanência no poder sobre toda e qualquer outra consideração. Um governo já mostrou que trabalha no princípio do “fim justifica os meios” e lança mão de somas imensas de dinheiro desviado de estatais e de propinas para financiar campanhas milionárias, e explora o populismo com programas de benefícios de curto prazo para as grandes massas votantes. E agora? Ah, tem o Congresso que pode tirar o Presidente. É, mas pelas regras tem que ter um “crime”, e o crime tem que ter “provas”. Na época do Collor ouviu-se inúmeras vezes que o julgamento do impeachment era sobretudo político, e que provas no sentido que a justiça confere não eram tão importantes assim. Deve ter sido assim mesmo, porque em julgamento posterior à sua cassação Collor foi absolvido por … falta de provas. De certa forma a deposição de Collor foi uma forçação de barra, assim como será a de Dilma, se acontecer. Aconteceu depois de forte campanha de opinião pública, com direito a manifestações e discursos inflamados do … PT. Isso é golpe? Certamente não no mesmo sentido do golpe de 64.

  7. Promessas de campanha não cumpridas e baixa popularidade não são justificativas para impeachment. Impeachment não é recall político.

    As contas do governo Dilma já foram aprovadas pelo TCU. Quem quer insistir na tese de crime de responsabilidade que apele da decisão desse tribunal, mas quem acata as decisões chanceladas institucionalmente deve pelo menos reconhecer e levar em conta as manifestações desse tribunal. Se não o faz, o faz fora das instituições e trama um golpe. Vale lembrar também que contas do mandato anterior não podem reverter em crime de responsabilidade do atual mandato.

    Impeachment sem justificativa é golpe sim.

    • As contas foram aprovadas? Quando? Ademais, esse alegado isolamento entre mandatos é uma interpretação da Constituição, do parágrafo 4o do Art.86, que diz que”O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”. Cabe lembrar que quando esse artigo foi escrito não havia chance de reeleição. Achar que o Presidente está protegido de um ilícito cometido no cargo de Presidente, só porque foi em um mandato anterior, sem solução de continuidade, é no meu entender uma interpretação que definitivamente não atende ao espírito da Lei.

    • Tá maluco, Vinicius, onde as contas da Dilma foram aprovadas ?
      Não foram.
      Concordo quando diz que baixa popularidade e promessas não cumpridas não são justificativas para impeachment, mas a coisa vai além disso,está amplamente documentada e o crime de responsabilidade está configurado, pelos artigos 85 e 86 da Constituição Federal. E já caberia mais um pedido por obstrução da Justiça naquela conversar cavernosa flagrada pela Lava-Jato.
      Não tente defender o indefensável.

  8. Infelizmente, algumas universidades publicas se tornaram verdadeiras jardins infantis onde brincam “docentes” que sao crianças prolongadas. Ai, essas crianças têm espaço para brincaram durante a vida toda. Em vez de ajudar a sociedade a crescer funcionam como clubes de pessoas que nao querem entrar na idade adulta…..Eu fui docente. Conheço essa turma….. Abraços e parabens pelo trabalho.

  9. Mansueto acredito que quando alguém diz “não vai ter golpe!” se refere ao fato do congresso estar com a maioria dos seus membros envolvidos em corrupção, muito dos quais denunciados e réus e por essa razão não ter escrúpulo em lançar mãos de meios escusos para afastar a presidente. O presidente da câmara não possui condições morais ou legais para presidir a Instituição neste momento. Veja o que já ocorreu: antes eram as “pedaladas”, depois os “decretos”. Uma vez concluído serem essas alegações “fracas e inconsistentes” tentaram a mando do “cunha” aditar as citações feitas a presidente na delação do delcídio que nem sequer foram investigadas. O impeachment não é golpe, porém quaisquer tentativas de atropelamento da lei para afastar um presidente é “um golpe” sim. É preciso identificar e punir todos os que tentam atropelar a lei em benefício próprio ou de outrem. Numa grande manifestação a favor do impeachment o governador Alckmin e o Aécio foram expulsos sob todos os tipos de apupos e ameaçados de agressão, ora os dois são lideranças conhecidas e favoráveis ao impeachment. Quem são essas pessoas e quais os seus líderes? Em todo o país, nas manifestações pró-impeachment, políticos foram vaiados, expulsos e ameaçados de agressões. A única manifestação em que eles falaram e foram ovacionados foi na manifestação contra-impeachment. Na aba desses acéfalos golpistas surgem membros do poder judiciário como se este poder fosse composto só de impolutos. Quando? onde? no poder Judiciário tem tanta corrupção quanto no Legislativo e Executivo, quem já precisou algum dia dele sabe muito bem do que estou falando. A lei é para ser respeitada por todos!

  10. Mansueto, eu sou reamente descrente da imparcialidade dos sindicatos professores e acredito que nos ultimos 25 anos assistimos uma infiltração de militantes com seus ideias socialistas, nas instituições de ensino do nosso país, conseguindo posiçoes chaves de gerência, utilizam o poder de seus cargos para inibir e oprimir pensamentos e ações que não lhe agradem.

  11. Tive de desistir de duas pós-graduações porque não me dobrei a doutrinação. Nada disso me surpreende. Tenho amigos que escreveram contrariamente a suas convicções e hoje são cobrados por alunos e empregadores o porquê de defenderem algo contrário ao que acreditam.

  12. Fazendo analogia a um seriado antigo, creio: “a verdade está lá fora”. Sempre existe um outro lado da questão que, quando disponível à análise de todos, deve ser levado em conta. Seja lá como for, todos nós, brasileiros ou naturalizados, somos acionistas do governo brasileiro e merecemos resposta aos nossos questionamentos.
    Tenho certeza de que as nossas instituições ( materializadas nos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário) detém capital humano suficientemente preparado para dar um rumo certo às questões que se colocam e são capazes de ouvir o que a população reivindica.
    O certo, para mim é isso aí: ir para as ruas e manifestar-se, mesmo que isso represente apenas um estágio de democracia.
    Na posição de “contadora” e “classe média”, estou cansada dos retóricos: “contabilidade criativa” e “pedaladas fiscais”. Na posição de cidadã, desejo algo melhor para o meu país e isso nos beneficia a todos diretamente e em todos os sentidos.
    A tolerância a opiniões divergentes é necessária. As nossas posições avançam a partir dos fatos.
    Obrigada pela oportunidade de opinar.
    http://www.msn.com/pt-br/noticias/crise-politica/le-figaro-questiona-m%c3%a9todos-do-juiz-s%c3%a9rgio-moro-na-lava-jato/ar-BBqV3Zt?li=AAggXC1&ocid=mailsignout

  13. Quero complementar a opinião que postei:
    O juiz federal Sérgio Moro tem sido ovacionado pela sua atuação ao comandar o julgamento dos crimes identificados na Lava-Jato enquanto que, o ministro do STF ,Teori Zavascki, vem sendo execrado. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, faz parte do governo atual e tem feito um trabalho exemplar. Acredito que o STF não se resume a um foro privilegiado. Tem plena capacidade para julgar com a imparcialidade que esperamos, como ficou comprovado na decisão proferida sobre o rito do processo de impeachment.

  14. Creio que sua opinião tem um problema de fundo: se tudo estivesse funcionando bem, não estaríamos nesta situação. São os equívocos das nossas instituições que nos trouxeram aqui. Além disso, como cidadão, acho eticamente absurdo que não haja a mesma pressão para derrubar Eduardo Cunha. Temos que tirar da política todos que compactuam da corrupção, da presidente ao vereador. Abraços

  15. A tese de que não seria um golpe porque o impeachment é instrumento legal previsto na Constituição é um argumento falacioso difundido com muita força pela mídia em geral. Ninguém argumenta haver um golpe em curso porque disparou-se um processo de impeachment. Quem diz haver um golpe crê que o impeachment é apenas a forma legal do golpe. Um golpe pode ocorrer perfeitamente dentro da lei.

    A possibilidade de abertura do processo de impeachment não se deu pela não aprovação das contas de Dilma, somada a sua baixa popularidade, mas pela fragilização da base de sustentação da presidente, devido a escolhas equivocadas de formação de coalizão, razões conjunturais e da exposição de membros do executivo e do legislativo ocasionada pela Operação Lava-Jato, que levaram a um cenário de incerteza que afetaria qualquer que fosse o governo. Assim, os agentes políticos estão apenas se aproveitando da situação para refazer seus cálculos de ganho político.

    Docentes, assim como membros do judiciário, ainda mais se tratando de reitores e juízes, devem agir com certo recato, por respeito aos próprios cargos. No entanto, o mal estar que existe na academia tem várias origens, além da doutrinação, que aliás acontece para diversos posicionamentos políticos.

    • Essa é uma tese interessante. Ou seja, a queda do governo poderá se dar não necessariamente por corrupção mas sim pela fragilidade política. Será que neste caso o STF poderia reverter o processo de impeachment? ou não? não gosto de pensar que o STF poderá pautar sua atuação pelo clamor das ruas. Não é bom para segurança jurídica.

      • Se o atual processo de impeachment derrubar o governo, a queda não será por corrupção, mas por manejo ilegal de verbas, pelo que entendi.

        O papel do Supremo é dizer se a tese do processo procede ou não. Só não sei se o papel do STF se aplica para determinar um golpe, pois até a sair o posicionamento da suprema corte já teríamos meses – ou anos – de outro governo constituído.

  16. Gente, um juiz que vaza informações, ligações grampeadas, uma polícia federal que vaza depoimentos, e voces acham mesmo que está tudo indo como manda a lei? que isso não é golpe? Não sou a favor e PT, mas como não ver o abuso de poder do judiciário e da polícia? E essa onda messiânica como se um homem juiz fosse o salvador da pátria? e as pessoas sendo hostilizadas na rua por usar camisa vermelha? tenho medo de tudo isso virar ódio pelo ódio. E nada mudar, e outras pessoas sofrerem muito injustamente.

    • Juiz algum pode nos salvar. As decisões que precisamos ou não tomar, as nossas escolhas, dependem do debate politico. É ruim ver essa briga porque alguém apoia partido A ou B.

      Vamos precisar de calma para termos um debate aberto sem preconceito. E no caso da justiça, espero que eles cumpram o papel sem se deixar influenciar pela cor do partido e que o STF siga a Lei e não o clamor das ruas.

  17. Na linha do expresso pelo post, fui ontem à UnB e a Faculdade de Direito, a mesma que dá guarida a Aragão, realizava um ato “em defesa da democracia”. Na verdade, esses atos já traduzem a essencia da estratégia pós-PT, estão preparando os próximos jihadistas… tal e qual fizeram nos 80. A diferença é que a sociedade brasileira não conhecia a verdadeira face da esquerda. Hoje, ela está escancarada.

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