Efeito Lula?

Não há dúvidas que se o ex-presidente Lula entrar no governo como ministro da articulação política, o governo ganhará uma sobrevida. Mas essa sobrevida tem uma moeda de troca: uma possível expansão do gasto público, pois o próprio Lula tem enfatizar a necessidade de mudar a política econômica (para pior).

No último domingo, por exemplo, a coluna Painel da Folha de São Paulo publicou a seguinte nota (clique aqui)

“Não está nos manuais

O ex-presidente Lula reuniu Nelson Barbosa e sindicalistas na quinta-feira (10) para debater política econômica. Em certo momento, o ministro da Fazenda voltou a defender reformas de longo prazo, como a da Previdência. Os dirigentes das centrais, todos eles críticos à proposta do governo, rebateram:

— Isso é indefensável na porta da fábrica! As pessoas não entendem o que o governo quer! Lula, com bom humor, pontuou:

— Nelsinho, esses meninos estão antenados! Agora é a hora de esquecer esse manual da Getulio Vargas — disse, em referência à fundação onde o ministro é professor.”

O fato mais visível hoje é que o mercado não aceitou bem a entrada de Lula para o governo e está hoje de manhã castigando as ações de estatais –  Petrobras e Banco do Brasil (ver abaixo). Ao que parece, o mercado acha que Lula II (2006-2010) volta para o governo e não Lula I (2003-2006).

Captura de Tela 2016-03-15 às 11.12.01

20 pensamentos sobre “Efeito Lula?

  1. Caro Mansueto,

    O Brasil está à beira de uma tripla falência: política, econômica e institucional.

    Política: faliu o modelo de presidencialismo de coalizão com multipartidarismo crescente. A classe política foi dizimada pela Lava Jato – são raros os que estão em pé e fazendo discursos na Câmara e Senado

    Economia: Nova Matriz Econômica faliu; Brasil está à beira de entrar em depressão (3 anos consecutivos de queda). Nem quero pensar em Lula pedindo mais credito para os bancos públicos.

    Instituições: a eventual nomeacação Lula como ministro, seguido da “entrega” do Governo por parte de Dilma ao Lula é algo absolutamente IMORAL. Instituições nada mais são do que um conjunto de valores e leis. Falência moral. Nota: teoricamente a nomeação de um ministro de Estado deve ser para alguém ILIBADO.

    O Brasil , portanto, está à beira de uma completa desordem. Isso tem nome em sociologia, chama-se ANOMIA (Durkheim desenvolveu esse conceito).

    As consequência costumam ser terríveis: pancadaria, justiçamento e surgimento de “líderes populistas”. Terrivel.

    Nota: POVO no Brasil é igual a NADA. Após uma mega manifestação o povo está sendo ATROPELADO. Povo não foi nada na Inconfidência Mineira; não foi nada na Independência (nem sabia o que estava acontecendo); muito menos na Proclamação da República. Ah, claro, nas Diretas Já foi atropelado pelo Colégio Eleitoral. Resultado: vingou-se do péssimo mandato do Sarney elegendo Collor, que bateu por muito pouco Lula.

    O Brasil não aprende com a sua própria história

    Triste!

  2. Existem rumores de que Lula quer colocar Henrique Meirelles na Fazenda…

    Não seria “positivo” para a política econômica caso isso ocorra???

    • Seria. Mas mesmo Henrique Meirelles não faz milage e so aceitaria com uma agenda ainda mais dura que Levy e com a promessa de ser o proximo candidato a presidente em uma chapa PT-PMDB. Pergunto: o PT e os movimentos sociais topariam? mas sim, seria positivo.

      • Os “movimentos sociais” são os menores dos problemas…em 2003, o PT fez um ajuste fiscal duríssimo e eles nem pestanejaram…

        É tudo jogo de cena da CUT, MST e afins para preparar o terreno para o “Lula Salvador da pátria”

    • Meus caros, só um pequeno pitaco. Em 2003, o Lula tinha capital político para fazer o que quiser (tal qual qualquer político eleito para o executivo). Hoje, ele não tem isto. Mais ainda, sua forte dependência destes grupos sociais não permite que ele fale uma coisa e faça outra. Mais ainda, como fica o congresso se o Lula falar em público que determinadas reformas tiram o direito do trabalhador mas trabalhar nos bastidores por sua aprovação? Ninguém no congresso aceitaria isto.

  3. Mansueto, o que que tu acha de uma expansão fiscal via queima de parte de reservas? O dolar bote desabar no curto prazo e continuar influir negativamente na atividade econômica, ou pode ter efeito contrário pelo fim do colchão de reservas e as pessoas correrem para o dolar, fazendo ele subir?

  4. A alternativa Lula no ministério é um golpe de Estado (Cf. Gabriel Naudé. Considerações Políticas sobre os Golpes de Estado.1640. Disponível em gallica.bnf.fr). Naudé explica que “uma das regras do golpe de estado é justamente que, quando ele aparece, ele já está feito, pois a medida já foi assumida e não há como resistir” (R. Romano)

    Um golpe de Estado palaciano atribuiu a Luiz Inácio da Silva a chefia de fato do poder executivo federal.

    Dilma participa ativamente do golpe fazendo-se de biombo para dissimular uma prática ilegítima. No Executivo, o soberano que decide é Lula. Temos um chefe do executivo não autorizado pelo direito público, em usurpação explícita e confessada da soberania popular.

    E podemos então dizer simplesmente que tal fato é condizente com o que conhecemos por “normalidade institucional”? Pedir o impeachment de Dilma é golpe?

    Por mais que tente, não consigo ver como golpe que colocou Lula na chefia do executivo vai ajudar a resolver a crise política e econômica. Vai piorar ambos.

  5. A presidente Dilma não governa desde que Lula mandou demitir Levy e, depois, Cardozo. Seu governo acabou com o golpe que conduziu Lula para a chefia do executivo. O que veremos de agora em diante não será a sobrevida política da presidente Dilma, mas os efeitos do golpe, sendo o principal a piora da crise.

    • Bom, no passado o cenário era diferente. Na década de 1990 estávamos ainda regulamentado o que havia sido aprovado na constituição. Mas hoje o debate é outro porque governo criou programas novos e promoveu desonerações sem ter espaço fiscal. Se juste hoje o cem;frio econômico irá se agravar até porque teremos que ter mais carga tributo;aria e/ou mais inflação.

      O problema deste governo é que ele está parado, não consegue apoio do PT para fazer as reformas e ainda tem um menor preconceito ideológico contra maior integração com o resto do mundo, abertura comercial etc.

      Nada contra o governo. Mas difícil acreditar em um governo quando o maior critico é o principal partido do governo, o PT, que deveria defender o plano econômico do governo.

  6. Mansueto
    Seria interessante explicar melhor essa questão de usar as reservas do Bacen pelo governo como alguns pretendem. Entendo que as reservas constituem o saldo de moedas internadas no país que correspondem a reais postos em circulação, como os vendidos a exportadores ou comprados dos importadores. Portanto, o saldo das reservas não está sobrando, mas é um ativo em dólares correspondente a um passivo em reais. Se as reservas forem usadas para emitir novos reais, se estará emitindo 2 vezes do mesmo lastro ou seja, gerando inflação, Assim, só poderia ser colocado novos reais no mercado correspondentes ao saldo liquido total de ativos do Bacen, ou seja, ao seu patrimônio líquido e não o total da reserva internacional. Está correto?

  7. Calma, calma, gente! Economia é uma ciência e não deve ser analisada emocionalmente. A análise é técnica e não inclui sensacionalismo ou paixões politicas desenfreadas. O Lula está apenas se protegendo dos inimigos que ele mesmo criou e que, ao meu ver sem razão, dão como certo seu retorno em 2018. Isso nada tem a ver com economia. A bolsa caiu e o dólar subiu por causa da queda dos preços das commodities(petróleo e metais) que no momento pautam os mercados no mundo todo. Isso não tem nada a ver com Lula ou com as aflições dos políticos com seus próprios problemas. Eles estão tão fracos que nem no Congresso conseguem interferir. O Brasil como “estado soberano” está longe de falência ética, moral e muito menos econômica. Poucos países, no atual mundo globalizado, estão na condição de credor líquido como o Brasil está. Nossas reservas internacionais(o verdadeiro selo de bom pagador) são de 372,5 bilhões dólares e representam a oitava maior do mundo em dólares. Estão guardadas(254 bi de dólares) no mais seguro cofre do planeta, os títulos do tesouro americano, o que ajuda a pagar os custo. O Brasil é o quarto maior pais credor dos EUA, só atrás da China, Japão e Irlanda, um milagre para um país que há 12 anos saiu da condição de devedor cronico, insolvente contumaz. Aqueles que dizem que o Brasil não soube aproveitar o bom momento, devem acreditar que nossas reservas internacionais caíram do céu. Não, elas caíram. Foram conquistadas magistralmente! A prova disso é que em 2015 o PIB caiu 3,8%, enquanto as reservas se mantiveram intactas. Parte dos economistas se preocupa com a relação dívida/PIB, da Divida Publica. São mutias vozes com o mesmo brado sugerindo que é preciso ouvi-las. É provável que em 2016 o Tesouro use o colchão disponível(seis vezes os juros) para pagar os juros dívida e para os resgates utilize cerca de 70 bilhões de dólares das reservas. Isso faria a DI cair para 57% do PIB deixando essa parte dos economistas sem discurso. O Brasil não tem problemas nas contas correntes pois os investimentos externos diretos estão cobrindo todo deficit. Segundo o saudoso economista Mário Henrique Simosen “a inflação fere e o desequilíbrio das contas externas matam”. Essas duas ameaças estão sob controle. O momento é de serenidade. A crise hídrica arrefece e a economia do sudeste começa a dar sinais de recuperação. É aguardar para ver.

  8. No meu comentário de terça-feira disse que nada ou quase nada dos ruídos políticos interferem majoritariamente no mercado. O que ocorre no momento na bolsa e no dólar relaciona-se com os preços das commodities. Hoje por exemplo eles subiram. A bolsa subiu puxada pelas ações da Petrobrás, Vale e BB. O dólar ficou até às 15:00 em alta, mas após a decisão do FED em manter os juros começou cair revelando a razão de ter subido. Efeito Lula? nem dele, nem de ninguém. Entendo que as pessoas necessitem de mitos para preencher espaços dentro si, mas acho que quem foi presidente não deverá mais sê-lo, pois considero isso errado. Nada contra o Lula até que gosto dele. Essa prática de atribuir a fatores reais causas abstratas não combina com as leis que regem a “Ciência Econômica e Social”. Esse endeusamento acabará reconduzindo o Lula em 2018 ao poder e isso não é bom para o país. Hoje a economia, para quem quer ver, dá sinais claros de recuperação: Crise hídrica do sudeste arrefecendo, superavit primário de janeiro fora da curva, inflação caindo, primeiro crescimento da industria em 7 meses, dólar caindo, bolsa com o maior ganho do mundo em 2016… nada disso deve ser atribuído a chegada de messiânicos. O mercado brasileiro tanto de ações quanto de cambio estão enxutos e no momento o grosso dos investidores é de estrangeiros o que reduz a volatilidade, exceto, se resolverem sair.

    • Obrigado Marcal!
      Impressionante como você sozinho descobriu algo que ninguém mais falou!
      Você deve ser o investidor mais competente do Brasil, sabendo dessas coisas que quase ninguém sabe.
      Em particular acho interessante como essa coisa da produtividade das empresas brasileiras nao entra na sua anàlise. Mas tenho certeza que isso é algo sem importância nenhuma.
      Jà que a economia da sinais claros de recuperaçao você pode nos iluminar com uma previsao do PIB para esse ano?
      Se a economia està recuperando nao pode ser uma queda grande demais nao? Eu ainda estou
      Além disso, você poderia nos passar algumas dicas da literatura econômica que inspira suas anàlises? Tenho certeza que tem coisa muito boa aì!
      Obrigado,
      Marcelo Alves

  9. Olá Marcelo! obrigado pelos elogios, não tenho razões para supor que você está a fazer ironias. Eu não disponho de informações suficientes para fazer projeções a longo e médio prazo porque neste momento em nenhum lugar do mundo isso é possível. No mercado eu usei a minha experiencia e não perdi o “time”, mas só tempo dirá se serei bem sucedido. Moro em Manaus e costumo acompanhar o Polo Industrial observando o setor de duas rodas, que na minha opinião é um bom termômetro. Em 2015 o deficit total entre o que foi comprado pelo Polo e exportado foi o menor desde a criação da Zona Franca em 1967. Foi surpreendente o crescimento e consolidação do modal aéreo que orientou-se para a Europa com foco na Alemanha. Na minha opinião não é possível analisar a “queda da produtividade” na industria brasileira sem considerar os efeitos da grave crise hídrica(maior em 110 anos) que assolou desde a metade de 2014 até o fim de 2015 a região sudeste. A região concentra 80.364.410 habitantes, dos quais 41.262.199 em São Paulo, estado com a maior concentração industrial do país. Estudos feitos na Austrália e EUA(Califórnia) revelam drásticas mudanças de consumo motivadas por alteração no comportamento de populações que vivenciam crises hídricas severas. Essa aversão ao consumo produz desaceleração acentuada na industria, perda de empregos e etc. Colocando isso na balança frequentemente usada pelos analistas acredito que o consumo começará a subir, pois a crise hídrica dá sinais visíveis de despedida. Uma ajuda considerável virá do aumento dos preços das commodities(petróleo, gás e metálicas) com reflexos na queda da inflação puxando o dólar para baixo. Vejo o dólar a R$ 3,50 e acredito que se mantido os preços das commodities, em torno dos valores de hoje, tudo que estiver acima de R$ 3,50 é “gelo” e derreterá. Nota: A minha opinião não pode ser considerada uma projeção cientifica, pois não está baseada em análises e informações ligadas a Ciência Econômica e Social, mas poderá advir por ser resultado de experiencia já vivenciada.

Os comentários estão desativados.