Recuperação? ainda não.

Hoje, o jornal Valor Econômico publicou um quadro com a expectativa de várias consultorias e bancos sobre o comportamento do IBC-Br para janeiro. O IBC-Br é uma medida antecedente da evolução da atividade econômica, um índice que busca refletir o comportamento do PIB.

O que o mercado esperava? que o IBC-Br de janeiro tivesse crescido 0,1% em relação à dezembro, interrompendo 10 meses de quedas consecutivas. Mas isso não ocorreu. O resultado foi mais um vez negativo: queda de 0,61%.

A projeção mais pessimista  levantada pelo jorna Valor Econômico era uma queda de 0,5%. Mas a grande maioria das consultorias e bancos esperavam um pequeno crescimento que não ocorreu. Em resumo, vamos esperar um pouco mais por alguma recuperação que ainda parece distante e incerta.

Quadro das projeções do IBC-Br de janeiro de 2016 – Valor Econômico 

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O mais preocupante é que, por enquanto, a indústria ainda não vê mudança de cenário. Pesquisa recente do IBRE-FGV (clique aqui) mostra que: “O Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria da Fundação Getulio Vargas recuou 12,3 pontos no primeiro trimestre de 2016 em relação ao trimestre anterior. Com o resultado, o índice atingiu 72,6 pontos, mínimo da série iniciada no terceiro trimestre de 2012″.

Indicador de Intenção de Investimentos – FGV – % das empresas prevendo aumento menos diminuição do investimento nos 12 meses seguintes – 3 TRIM 2012 – 1 TRIM 2016

INvestimento

 

 

 

 

4 pensamentos sobre “Recuperação? ainda não.

  1. Acho difícil a economia volta a crescer com tantas incertezas.
    O grau de imprevisibilidade está muito alto, com cenário externo desfavorável e um caos total no cenário interno.
    Não há mais condições da presidente Dilma governar. A discussão agora é saber como ela irá sair.

  2. Mansueto, por favor me esclareça uma duvida:

    O dado com ajuste sazonal caiu 6.7%. O sem ajuste sazonal caiu 8.1%, ambos na comparação janeiro contra janeiro. Não deveriam ser valores identicos ou muito similares, dado que a sazonalidade é quase completamente anulada por ser uma comparação entre mesmo mes?

    tem umas coisas estranhas nesse ibc-br, como por exemplo ano passado o ibc-sul e sudeste terem caido na casa dos -2% mas o nacional ter dado -4%. a ponderação não fecha.

  3. Há uma ilusão de se achar que crises políticas ou dos políticos, contribuem de forma decisiva para piorar fatores econômicos. Talvez o inverso é que seja verdadeiro. Em épocas passadas instabilidades politicas geravam forte desconfiança nos credores internacionais pela fragilidade dos fundamentos da economia brasileira resultando em cortes de investimentos. Porém no momento não parece ser o caso. O Brasil continua entre as seis economias do mundo que mais recebe investimentos diretos(74 bilhões em 12 meses). Não há nada, na minha opinião, que o Congresso aprove e seja capaz de mudar o ambiente econômico da noite para o dia. O mercado mundial passa por ajustes e o Brasil faz parte do mundo, pois está inserido nele como a 7ª maior economia. Esses ajustes demandam medidas operacionais multifatoriais o que também demanda tempo. Outra ilusão é acreditar que em uma Federação o Presidente mudará com uma canetada os fundamentos de uma Ciência como Econômica e Social e os governadores, prefeitos, cadê não levados em consideração? A CCE vendia 120 mil notebooks e agora está vendendo 7 mil, culpa de quem? de ninguém, as pessoas estão comprando Smartphone. A cada 18 segundos a Honda em Manaus produzia uma moto, agora reduziu a produção elevando para 22 segundos. Culpa de quem? de ninguém. As ruas estão cheias de motos. A industria automobilística reduziu em 21% a produção. Culpa de quem? de ninguém. As ruas estão cheias de carros e ninguém compra carros, motos, fogões, geladeiras, máquinas de lavar, TVs….todos os dias. A recuperação é gradual e o tempo necessário é menos longo, ao meu ver, do que os alarmistas, muitos comuns nessas épocas apontam. O Sistema Canteira diziam os “expertos” só se recuperará daqui há 10 anos. Pois bem, o Cantareira hoje em meados de março, está com 61,9% o que dá 32,7% acima do volume útil. Cadê os catastrofistas, alarmistas, os donos da verdade de plantão? sumiram todos deixando na Internet um rastro horroroso de registros fotográficos que nada tem a ver com a robustez, a funcionalidade e a beleza do maior manancial de água potável do mundo, que com apenas 3,8% da sua capacidade alimentou uma das maiores áreas metropolitanas do planeta.

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