A economia brasileira em pausa

Nas últimas semanas, havia uma preocupação do governo na articulação com governadores para tratar da renegociação da dívida dos estados e na tentativa de se chegar a uma agenda comum de encaminhamento para o Congresso Nacional de propostas para o ajuste fiscal.

Canais de negociação da nova equipe econômica com a oposição estavam sendo reestabelecidos. Tudo isso não sinalizava que havia alguma chance para aprovação das reformas econômicas. Mas o governo havia começado a se mexer e todos, situação e oposição, estavam muito preocupados com o agravamento da crise econômica.

Mas reportagem da Revista Isto É, no dia 03 de março quinta feira, com a publicação de trechos da suposta delação premiada que o senador Delcidio Amaral, ex-líder do governo no Senado Federal, parou Brasília. Se apenas 25% do que foi publicado for comprovado (clique aqui), já é uma bomba no meio político com séria consequências judiciais. Tudo ainda pendente de comprovação.

E para completar o cenário de incerteza politica, acordamos nesta sexta-feira com os canais de TV apresentando ao vivo a 24ª fase da Operação Lava Jato no prédio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu filho Fábio Luíz Lula da Silva e com a condução coercitiva para o ex-presidente Lula depor na Polícia Federal.

O que vai acontecer? Do ponto de vista econômico, as negociações para aprovar medidas econômicas e todo o debate que já estava acontecendo sobre medidas de ajuste, que já era muito difícil, entra agora em pausa e fica ainda mais difícil avançarmos na agenda econômica, enquanto o ambiente politico continuar confuso.

A bola está com a justiça e com os políticos. Se os partidos de oposição encarassem esses últimos acontecimentos como algo importante a ser investigado, mas não muito graves, a agenda econômica poderia até ser rapidamente retomada. Mas este não é o caso. As denúncias são graves.

No governo do ex-presidente Collor, o grande ponto de inflexão que levou as lideranças se reunirem e declararem que não havia mais como o governo continuar foi a entrevista do Pedro Collor, irmão do ex-presidente Fernando Collor, à revista Veja. Alguns colocam a entrevista desta semana do senador Delcidio Amaral como de uma gravidade semelhante.

De qualquer forma, a evolução dos acontecimentos desta semana dependem menos da oposição e muito mais de alguns partidos da base do governo, em especial, do PMDB. Ontem e hoje parlamentares do PT criticavam o uso politico que a oposição fazia do episódio das declarações do senador Delcidio Amaral. No entanto, os parlamentares do PT deveriam se preocupar muito mais com a reação dos partidos da própria base do governo e não da oposição, que tem o direito legítimo de criticar o governo quando surge um fato político importante. Isso faz parte do jogo.

Enfim, chegamos a uma situação que eu não esperava. A publicação por uma revista semanal de um Senador da República com denúncias muito sérias (não se sabe se com ou sem provas) contra o ex-presidente Lula e contra a presidente Dilma Rousseff e, nesta sexta feira dia 04 de março, a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depoimento na Polícia Federal.

A única coisa que posso afirmar é que a agenda econômica do governo, mesmo que tenha continuidade no Ministério da Fazenda, ficará “em pausa” à espera da solução política dos acontecimentos recentes e, principalmente, da reação do PMDB.

O risco é que a necessidade de o governo reforçar o apoio de sua base politica leve a um aumento não planejado do gasto público. É essencial que isso não aconteça porque o ajuste fiscal, sem surpresas, já é bastante difícil. Para que o ajuste fiscal ocorra é necessário apoio político para aprovação de medidas e, no contexto atual, é difícil que os políticos sentem à mesa para debater detalhes de propostas do ajuste econômico.

 

2 pensamentos sobre “A economia brasileira em pausa

  1. Qual é o lucro de cada Banco com o empréstimo compulsório e mais o dinheiro “tomado” a título de empréstimo?

    Nossas reservas cambiais de R$ 370 bilhões de reais? Quanto rende mensalmente?

    Sou advogado e professor de direito e gostaria de saber sobre esses temas.

    Grato

    Assis Rondônia,
    Limeira

    • OK. Bancos gostariam que compulsório fosse o menos possível Compulsório elevado não beneficia bancos. Nossas reservas cambiais, sem a desvalorização do rela, rendem muito pouco. Algo como 1 a 2% de juros AO ANO. Por isso que muita gente defende que o país diminua o estoque de reservas, pois o Banco central quando compra reservas emite um titulo publico que pagar 14,25% ao ano. Assim, de cada US$ 1 que o Banco central compara ele tem um custo de pelo menos 12% ao ao ano ou mais para manter as reservas. Se estivéssemos bem e com o ajuste focal avançando, poderíamos nos dar ao luxo de reduzir para dessas reservas. Não é o caso no momento.

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