Envelhecimento da população brasileira

A questão do envelhecimento da população brasileira é bem simples. Primeiro, o Brasil ainda é um país jovem, mas já gasta com previdência (inclui LOAS) a mesma coisa que o Japão que tem uma razão de dependência (% das pessoas com 65 anos ou mais anos de idade em relação as pessoas com 15-64 anos de idade) que três vezes maior que no Brasil.

Previdência – Aposentadorias e pensões – 2009

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FONTE: OCDE e Banco Mundial

Em 30 anos teremos a mesma estrutura demográfica que tem o Japão hoje. Assim, se não reformarmos a previdência, a despesa com aposentadorias e pensões crescerá muito independentemente do crescimento do PIB. Estuo que iríamos para algo como 18% do PIB em 2050.

Envelhecimento da População Brasileira – Pop. com 65 ou mais anos/População de 15-64 anos

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Fonte: IBGE

Segundo, hoje no Brasil, há 8 pessoas em idade ativa para cada pessoa com 65 anos de idade. Daqui a 25 anos essa relação vai cair para 4. Ou seja, para que o nosso crescimento não seja afetado, os quatro trabalhadores em idade ativa terão que produzir o mesmo que antes era produzido por oito trabalhadores. Assim aumentar a produtividade será cada vez mais importante.

Quantas pessoas trabalham para cada pessoa com 65 anos ou mais de idade?

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Qual o risco? adiarmos por muito tempo a reforma da previdência, produtividade crescer pouco e em 30 anos sermos um país que não cresce, ainda de renda média abaixo de US$ 20 mil. O Japão deixou de crescer quando já era rico corremos o risco de deixar de crescer ainda sendo um país de renda média.

Não escaparemos de uma reforma da previdência ou, como alguns diriam, de uma reforma do nosso modelo de seguridade social. E sem reforma da previdência não teremos recursos para aumentar gastos com saúde que será necessário. Assim, além do problema de curto prazo do desequilíbrio fiscal de curto prazo, tem um problema que vai afetar o nosso crescimento de longo prazo para resolver. Há consenso político hoje para mudar essa situação? Não.

Ministro da Fazenda, Advogado e Pedaladas

Acho legitimo que o Ministro da Fazenda Nelson Barbosa tenha ido a Câmara dos Deputados para fazer a defesa do governo federal no caso das pedaladas fiscais, um dos motivos para a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma.

O que não entendi foi o final da fala do ministro quando ele veste a camisa de jurista e fala que: “não há base legal para impedimento da presidente (ver aqui)”. Ou seja, se Nelson Barbosa tem condições de ser ministro da fazenda e ministro da AGU,  os dois ministérios poderiam se transformar em um único ministério em eventual  reforma ministerial. Sorte dos funcionários do Min da Fazenda, pois os salários dos funcionários da AGU são maiores.

Não tenho a mínima condição de dar opinião sobre a legalidade ou não desse tema. Não tenho conhecimento jurídico para me manifestar sobre isso. Do ponto de vista econômico, é claro que o governo Dilma 1 (2011-2014) usou e abusou das medidas e truques fiscais de forma bem planejada.

Os truques fiscais começaram, em 2009, foram interrompidos em 2011, e voltaram com tudo  a partir de 2012. Pelo que sei, e isso não é segredo de estado, o atual ministro da fazenda, Nelson Barbosa, deixou o governo em meados de 2013 justamente por discordar do forma heterodoxa que o ex-Secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, administrava as contas públicas.

Nelson voltou para o governo para tentar consertar erros da gestão passada, da qual ele participou até 2013. Estranho escutar dele uma defesa das pedalas. O que se pode contestar é se isso é ou não base para a abertura do processo de impeachment, mas defender as pedaladas é uma agenda que não combina muito com a agenda de transparência fiscal. Acho que hoje o próprio governo federal reconhece isso.

 

Desoneração da Folha Salarial

De janeiro a março de 2015, o Tesouro teve que compensar a Previdência em R$ 5,4 bilhões (valor atualizado pelo IPCA) pela perda que o INSS teve com a redução dos encargos sobre a folha salarial. No ano passado essa conta foi de R$ 25 bilhões, equivalente a um Bolsa Família.

E para este ano? O governo espera que o custo da desoneração da folha se reduza para R$ 18 bilhões, pois o governo aumentou as alíquotas sobre o faturamento das empresas que participam do programa no ano passado.

No entanto, essa conta nos três primeiros meses do ano foi de R$ 5,7 bilhões, muito semelhante ao que foi no mesmo período do ano passado. A conta do governo pode estar errada. É possível que a conta para o Tesouro seja novamente de R$ 25 bilhões . Neste caso, o governo federal terá que ir atrás de mais R$ 7 bilhões.

O quadro azul do Centre Pompidou (Paris)

Confesso que não entendo nada de arte moderna. Na última vez que fui ao Centre Pompidou, em Paris, me deparei com esse quadro abaixo em azul. Havia alguma coisa profunda nas tonalidades do azul que o tornavam uma admirada obra de arte, com o azul evocando o Mar e o Céu, a passagem do material para o imaterial. Para mim, que sou leigo em arte, era apenas um quadro azul.

Será que a Nova Matriz Econômica tinha alguma coisa profunda que apenas pessoas versadas em arte e economia conseguiriam entender? Para mim, se tratava apenas de um conjunto de medidas de expansão da demanda e de proteção comercial. E diferente do quadro azul, não havia nenhum sentido mais profundo por trás daquele conjunto de medidas que ocasionou a pior recessão desde a década de 1930.

Para resolver nossos problemas econômicos não precisamos de arte moderna e nem de mágica. Precisamos tomar decisões, por mais difíceis e impopulares que sejam.

 

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Yves Klein IKB Monochrome Blue, 1960

 

O que é chocolate?

Adoro chocolate. Sei que comer muito chocolate não é saudável, que estou gordo, etc. Mas não quero que uma Lei passe a definir o que é chocolate e se o que como é ou não chocolate. Mas há esse risco? Claro que sim.

Há um projeto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal (cliquei aqui), o PLS 93/2015, que estabelece um percentual mínimo de cacau puro de 35% para que um bombom possa ser denominado de chocolate.

E se o seu chocolate não tiver esse índice mínimo? Neste caso, o seu chocolate pode ser tudo menos chocolate. Mas fique feliz porque o seu bombom adocicado de hoje era chocolate no passado.

De volta ao futuro, qual a intenção dessa proposta de Lei? Aumentar a produção de cacau no país pelo aumento da demanda. Não vou comentar. Precisa? Por favor, deixem meu chocolate em paz!

A luta do impeachment

Segundo cientistas políticos, o impeachment hoje é um cenário provável. Mas vamos lembrar que governo tem R$ bilhões para, legalmente, trocar votos via execução de emendas parlamentares em municípios. Execução de emendas parlamentares em um ano de eleição municipal ainda mais sem financiamento de empresas é uma moeda de troca importante.

E vocês se lembram que o governo vai abater da meta de primário R$ 9 bilhões de investimento pagos  via restos a pagar. Uma parcela grande disso pode ser emenda parlamentar. Parlamentar não faz emenda para custeio. As emendas são para investimento. É claro que o grupo que  quer entrar vai fazer a mesma que o grupo que não quer sair. Vamos ver quem ganha.

Minha Casa Minha Vida-3

O Governo Federal lançou hoje o Minha Casa Minha Vida-3. Há um grande problema com o que foi divulgado. O governo cortou os subsídios e aumentou as metas do programa e ainda criou uma faixa adicional. O volume de subsídios não é suficiente para viabilizar as metas divulgadas. Mas quem se preocupa com consistência neste momento? O importante é prometer.

Seguem abaixo os dois slides que mostram que alguém no governo está fazendo as contas erradas. Não há como essas metas serem cumpridas com os subsídios divulgados para 2015-2018: R$ 41 bilhões do orçamento da União e R$ 39,7 bilhões do FGTS.

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