A dívida do Brasil é pequena? Não 

Há pessoas que insistem em falar que a dívida bruta do Brasil de 67% do PIB não é um problema. Isso está ERRADO. 

Primeiro, O Brasil para se financiar paga juros reais de mais de 6% ao ano e ninguém que comprar títulos longos de 30 anos. 

Segundo, dívida bruta média dos países emergentes – alô o Brasil não é desenvolvido – é de 40% do PIB. Nossa dívida já é alta e está em uma rápida trajetória de crescimento .

Assim, olhem os dados. No dia em que o Brasil conseguir vender um título de 10 anos ou 3o anos com juros reais negativos você pode falar que a dívida não é problema. 

Mas em um país que paga mais juros que a Grécia – % do PIB- na sua dívida e quase 25% da dívida é financiada em até  3 meses falar que dívida é baixa e não preocupa é, me desculpem, sem sentido. Uma tolice. 

10 pensamentos sobre “A dívida do Brasil é pequena? Não 

  1. Bravo!

    Só assim para rebater os “politicamente corretos” e alguns “especialistas” que cometem desonestidade intelectual por aí.

  2. Sempre chamo a atenção para o fato de que o problema não é tanto o tamanho da dívida, mas o perfil.
    A um tempo atrás li em algum lugar que 80% da dívida brasileira venceria em 5 anos. Esse é o grande problema do endividamento brasileiro, por isso que a dívida tem um custo tão alto. Não só os juros mas as parcelas de amortização levam uma boa parte do orçamento.
    Aí me vem a esquerda acéfala comparar o Brasil com o EUA, que deve 100% do pib, mas que paga juros baixíssimos sobre sua dívida, que tem perfil de longo prazo.

  3. Há uma diferença fundamental em relação à Grécia: lá, eles não podem emitir euros e, aqui, nada impede o BC de colocar as máquinas para rodar dia e noite. É uma saída suja com a contrapartida da inflação, mas uma solução de recurso à falta de política econômica consequente.

    Já os juros estratosféricos decorrem da falta de poupança pública e privada. Este é um assunto recorrente nos estudos de Samuel Pessoa, cujo último artigo na Folha de SP analisa justamente a situação inversa presente na economia japonesa: excesso de poupança incentivada pela precaução de riscos futuros. Talvez parte de nossos problemas tenham relação com a prodigalidade do estado paternalista.

  4. Caro Mansueto, a resposta está no ótimo texto do Hélio Gurovitz publicado no website g1.globo.com, nominado “o plano do pt é político”.

    • O artigo é muito bom. Mesmo não concordando com tudo, a mensagem central é perfeita: o debate central é político – traduzindo, reflete a luta pela obtenção e manutenção do poder, em um regime de democracia representativa em que ter votos é fundamental, e onde a massa votante tem discernimento médio muito baixo. Gosto quando ele diz que não basta ter razão para vencer o debate. Quantas vezes eu mesmo não caí nesse erro !!

  5. excelentente artigo Mansueto,
    Depois de ler seu artigo, li uma matéria falando do programa do PT para se eu não me engano 2016, de aumentar o gasto público e diminuir o taxa de juros, você conseguiria imaginar esse cenário para o Brasil, deixo a sugestão para um futuro artigo em seu blog.

  6. Mansueto,

    O que você acha da trajetória do IPCA para este ano e 2017? Sei que fazer previsão é um negócio complicado, mas os grandes bancos (Itau e Bradesco) publicaram que o IPCA cai bem neste período; já algumas consultorias acham que vai haver um surto inflacionário bem pesado, da ordem de 11% a 15%.
    Socorro, são caminhos muito diferentes pra um assunto tão sério.

    Grande abraço.

    • Há muita divergencia no mercado. As pessoas acham que caem em relação ao ano passado quando foi de 10,7%. Mas a grande maioria do mercado estima inflação média acima de 7,5% ao ano até 2018. E há alguns que não publicam que falam que govern pode terminar com inflação em 15% se não fizer ajuste. Uma coisa é certa, a recessão já deveria estar derrubando a inflação e não está. No mais, ninguém que eu conheço acredita em inflação no cento da meta neste governo. Se ficar em 7% neste ano e nos próximos dois já seria um grande “sucesso”. Mas quase todo mundo espera mais.

      • Obrigado Mansueto.

        Como o colega Gabriel, tb sugiro um artigo explicando o que acontece se os juros forem baixados na marra. Seria mto lucido, e com ctz iria haver discussoes interessantes: com o tamanho do endividamento geral, sera que haveria mais pessoas e empresas que iria tomar mais emprestimos? Sera q algum banco iria baixar seus juros visto que todo mundo iria renegociar as dividas? E os investidores, alguem iria topar comprar titulos do governo com um juro baixo?
        Haaaja pano pra tanta manga.

  7. Boa noite Mansueto, como chego nesse cálculo de 25% da dívida ser financiada em até 3 meses? No site do tesouro, consigo ver apenas o que vence em até 12 meses, e dá pouco menos de 25%.

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