Entrevista Sen. Lindbergh Farias (PT-RJ)

Hoje vou sugerir apenas uma única matéria de jornal que para mim é um sinal muito importante para nos preocuparmos. A entrevista do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) no jornal o Estado de São Paulo (clique aqui).

Vale a pena ler a entrevista porque, infelizmente, mostra uma forte separação das ideias da presidente Dilma do PT. O problema disso tudo é que os outros partidos não toparão ajudar uma presidente do PT fazer um ajuste fiscal, aprovar uma reforma fiscal difícil com medidas duras, sem que o principal partido do governo abrace essa agenda e seja o seu grande defensor.

Política é assim. Governar tem sim o custo de dizer a verdade, mostrar para a população que os recursos são limitados, e o custo de dizer não para demandas legitimas da sociedade devido à restrição orçamentaria. E o partido do governo tem que sim que arcar junto com o governo com o custo político de explicar os problemas difíceis para a sociedade. Mas o PT, por enquanto, não parece disposto a isso por não acredita que o programa de ajuste fiscal proposto pelo governo seja correto. Ponto.

Quando a receita real do governo central crescia 7% ao ano, crescimento médio que foi quase o dobro do crescimento anual do PIB de 1999 a 2012, havia espaço para atender diversos pleitos. Isso acabou. A receita vai crescer muito pouco até 2018 e o governo precisa aumentar o seu primário para, no mínimo, 3% a 3,5% do PIB até 2018 se quiser estabilizar a relação divida bruta/PIB. Como isso não acontecerá, o ajuste fiscal, infelizmente, será ainda a pauta do próximo governo (2019-2022).

A pauta de ajuste fiscal é difícil e vai além da reforma da previdência. O problema é acreditar que uma pauta difícil possa ser aprovada no congresso quando se ler essa entrevista do senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Destaco um trecho da entrevista:

“Minha tese é que a pauta que a Dilma está escolhendo vai contra a gente. É um movimento, na minha avaliação, consciente por parte da presidente de se afastar das nossas políticas, dos nossos programas. A reforma da presidente colide diretamente com o movimento sindical, com as nossas bases. Estamos no meio de uma guerra, a guerra do impeachment. E tem uma luta nas ruas inclusive. A presidente escolheu uma pauta que vai contra os nossos.”

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8 pensamentos sobre “Entrevista Sen. Lindbergh Farias (PT-RJ)

  1. Não entendo porque entrevistar o senador, que vocaliza um pensamento petista já bem conhecido. Tudo o que ele disse na entrevista é bem sabido por quem acompanha o noticiário.

    Novidade seria ouvir em alto e bom som de algum prócer petista a defesa dos ajustes propostos pela equipe econômica da presidente. Novidade seria saber quem no PT defende os de Dilma.

    Será que não há no PT (economista, intelectual, político) gente para defender Dilma dos ataques que ela sofre no PT?

  2. A reforma da “previdência” que seri melhor dizer da assistência social pode ter impacto político agora, especialmente num ano de eleições. Economicamente terá reflexos a longo prazo. O que precisa fazer são reformas no Estado brasileiro: política (parlamentarismo); redução do do tamanho e municipalização da gestão. Quem pode defender que a União seja responsável por creches, ambulâncias, pelo meio ambiente e muito mais assuntos que estão diretamente ligados aos municípios.

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