O Brasil que dá certo. Será?

Alguém me mandou um link para um apresentação dos professores de economia  Bresser Pereira (FGV-SP), Leda Paulani (USP) e Guilherme Mello (Unicamp) – clique aqui. O que mais me assustou, além das teses  equivocadas dos três (eles devem achar a mesma coisa da minhas),  foram várias coisas.

(1) Bresser: saudades do passado: Bresser insiste olhar para o crescimento médio do Brasil de 1930 a 1980 para tentar justificar um modelo falido. Se fosse assim,  a União Soviética que cresceu 6% ao ano de 1928 a 1960 e depois entrou em uma longa estagnação seria também um modelo de sucesso e o socialismo lá deveria voltar.

O problema é que tanto no Brasil como na União soviética, o processo inicial de industrialização leva necessariamente a taxas elevadas de crescimento com a migração do setor rural para o setor urbano (industria). Mas esse tipo de crescimento sem inovação, sem educação  de qualidade e sem instituições inclusivas, o crescimento não se sustenta. Repetir o passado não nos levará a crescer mais rápido.

E sobre os nossos juros altos? o professor Bresser tem uma resposta: ‘Diz a direita que isso decorre do mercado, da necessidade de combater a inflação, tolices desse tipo, mas decorre fundamentalmente do controle que eles têm sobre o BC, sobre a mídia e o pensamento brasileiro”, disparou.”

(2) Leda Paulani: Não há caos na economia brasileira

A professora Leda Paulani da USP falou que: ” não há caos na economia brasileira. Pelo contrário, o país teria hoje uma economia estruturada, que viabilizaria uma capacidade de reagir a momentos como o atual. “Essa capacidade de reação, ao meu ver, só pode ser minada por fatores estranhos e aleatórios, que acontecem pelo caos que se passa hoje, não na economia, mas na política e nas instituições. É aí que tem caos”, opinou.”

Mas continua e fala que: “Terrorismo econômico é você exagerar tudo que é ruim: ‘a economia está indo para o caos, há deficit primário, isso nunca aconteceu desde 2002!’. E quando você compara com outros momentos ou outros países, você vê que não há motivos para o tamanho do escândalo e da gritaria que se fez”, disse. A professora citou, como exemplo, a relação dívida-PIB, que chegou a 62% no Brasil, mas, no Reino Unido, é de 90% e, no Japão, de 230%. “Esses 62% não é caos, não é barbárie. É terrorismo econômico”

Como é que uma professora de economia da uSo compara o nosso endividamento com aquele de países desenvolvido que pagam juros reais negativos? o endividamento médio dos países emergentes é 40% do PIB. O Brasil com uma divida bruta de 66% do PIB já tem um endividamento  muito acima dos países emergentes e tudo indica que romperemos a barreira dos 80% do PIB de dívida bruta em 2018 ou antes. Mas isso não é o caos. Talvez seja indicador de crescimento sustentável para a professora da USP.

(3) Guilherme Mello: ajuste fiscal forte em 2011 e captura

O professor da UNICAMP fala que: “Mas em 2011,  ela (Dilma) faz uma besteira, quando mais que dobrou o superavit e cortou o PAC. Havia uma série de investimentos planejados, que de repente desapareceram do horizonte. Fez isso para conter a inflação, mas também como estratégia: ‘eu vou entregar o fiscal, para poder baixar os juros’.” Para o professor, tal estratégia não deu certo, uma vez que os juros de fato baixaram, mas logo tornaram a subir.”

Se ele olhasse os dados viria que o aumento do primário, em 2011, veio do forte aumento da arrecadação em decorrência do efeito defasado do crescimento de 7,6% de 2010 na arrecadação. Para comparar os dados, tem que retirar de 2010, a capitalização da Petrobras. Não houve corte forte de investimento que passou de 1,1% do PIB, em 2010, para 1% do PIB em 2011.

Ainda tem essa: “Segundo ele, Dilma não produziu uma política econômica tresloucada, como alguns apontam. “Você tinha três motores: consumo, setor externo e investimento. O ciclo de consumo ia acabar, o setor externo estava dando marcha a ré. Sobrou o quê? O investimento. Aí a Dilma tomou uma decisão de apostar no investimento privado”, destacou o professor, fazendo críticas a esta escolha. Para ele, houve um erro de avaliação de Dilma.”

Bom, se apostou no investimento privado fez de forma errada com marcos regulatórios que afugentaram os investidores. Além do mais, no seu primeiro mandato, a presidente apostou  na Nova Matriz Econômica que herdou do Lula e aprofundou e que teve impactos negativos na Petrobras, setor elétrico, aumento de proteção e aumento do gasto publico que transformou um superávit de 3,1% do PIB, em 2011, em um déficit primário de 0,6% do PIB em 2014.

Resumo: Respeito opiniões divergentes. Mas não concordo com o diagnóstico dos três professores de três universidades importantes do Brasil: FGV-SP, USP e UNICAMP. Escuto muita gente falando mal de politicos que não são economistas, e o que podemos falar de economistas de universidades importantes que colocam como causa dos problemas do Brasil a direita e a burguesia?

O mais interessante é que, quando o governo que eles gostam erra várias vezes, falam em captura do setor público pelo setor privado que engana, corrompe e, porque não dizer, “mata”. É isso. Da para ser otimista? Não. “Maldito setor privado”.