A Demanda do Movimento Passe Livre (MPL)

O MPL é um bom exemplo da dificuldade que o setor público tem para atender todas as demandas da sociedade. O movimento tem todo o direito de pedir e pressionar por transporte público gratuito, uma experiência que a grande maioria dos países ricos não suportam, quanto mais países em desenvolvimento. Infelizmente, não somos ricos.

Apesar de ser legitima a pressão do MPL por tarifa zero, uma pauta que eu não concordo, há vários problemas com essa bandeira. Primeiro, o movimento tem uma visão totalmente deturpada do funcionamento de uma economia de mercado. Alguns representantes do MPL parecem acreditar que, se as tarifas não fossem cobradas, quem sofreria seriam os donos das empresas de transporte urbano que lucram com o serviço.

Na verdade, os donos das companhias que fazem o transporte urbano municipal participaram de uma concorrência para ofertar o serviço e, como é normal, devem auferir lucro nessa atividade. Se todas essas companhias fossem fechadas e os municípios ficassem responsáveis diretamente pela oferta do serviço e cobrassem tarifa zero dos usuários, como o prefeito não tem poder de imprimir moeda, teria que aumentar impostos municipais como ISS e IPTU para custear a manutenção transporte público municipal “de graça”.

Ou seja, um dos resultado do atendimento da pauta do MPL seria cobrar mais por todos os serviços em uma cidade (aumento do ISS que é repassado aos preços) e aumentar o da custo de moradia (aumento do IPTU) para ter tarifa zero para usuários de transporte publico.

Segundo, na sua página na internet, o MPL advoga que o financiamento do sistema poderia ser feito por por meio de um impostos progressivos (clique aqui), o rico pagaria mais para que todos (ricos e não ricos) pudessem ter acesso ao transporte urbano com tarifa zero. Que tipo de imposto progressivo? Imposto de renda? Se aumentaria o imposto de renda e o governo federal decidiria como repartir com municípios e, neste caso, receberiam mais recursos os municípios maiores?

Os contribuintes do Brasil teriam que ser solidários com um serviço ofertado em São Paulo e Rio de Janeiro, apesar das péssimas condições nas áreas de saúde e educação publica em um município do Nordeste ou do Sul? Isso seria socialmente justo? Ou seja o rico de Fortaleza e Recife seria chamado para contribuir com a oferta de serviço de transporte urbano com tarifa zero em São Paulo? é isso?

Terceiro, é impressionante como jovens escolarizados que cursaram bons colégios têm uma visão superficial do setor privado. Não há evidência que empresas de transporte urbano estatais sejam melhores que privadas e/ou que tarifa zero leve a mais eficiência e melhoria no serviço de transporte púbico. Ao contrário. O custo dessa experiência para um município grande pode ser excessivamente elevado e, no final, a falta de recursos para a manutenção do serviço se transformará em queda na oferta do serviço que se quer melhorar.

Se há alguma lição que aprendemos na história do Brasil é que o setor público é um péssimos gestor de empresas e, no nosso caso, o governo federal quase conseguiu  quebrar empresas estatais como Eletrobras e Petrobras.

A nossa carga tributária hoje esta entre 33% e 34% do PIB e a tendência é que, mesmo sem o passe livre, que ela cresça muito mais porque a despesa com saúde e previdência crescerão ao longo dos próximos anos, independentemente da vontade dos governantes. Para o governo atender a demanda do MPL, no âmbito nacional, significa aumentar ainda mais a carga tributária além do aumento que necessariamente ocorrerá.

Quarto, o MPL deveria ter ido às ruas desde 2008/2009 quando o governo começou a expandir os incentivos para a indústria automobilística. Nos últimos anos criamos um setor que tem capacidade de produzir o dobro da demanda atual com vultosos incentivos fiscais. Esses incentivos poderiam ter sido direcionados para melhoria da infraestrutura urbana e até para dar subsídios para usuários de baixa renda do transporte publico.

Quinto, o Brasil e vários países do mundo já têm experiência municipais de transporte publico com tarifa zero. Mas aqui e no resto do mundo essas experiências se restrigem a  municípios pequenos com menos ou com um pouco mais de 100 mil habitantes. No Brasil, os dois maiores que adotam passe livre é Paulínia (SP) e Maricá (RJ). Um regime deste em um município como São Paulo teria um custo excessivamente elevado para o setor público e não há paralelo no mundo.

No caso do municipio de Maricá (RJ) (clique aqui), a linha municipal de transporte gratuito compete com dois concessionários de serviço público que cobram tarifa e o prefeito financiou a empresa de ônibus municipal com royalties do petróleo que, em 2014, alcançou mais de R$ 200 milhões. A questão essencial agora é saber se o prefeito conseguirá manter o serviço apesar da queda dos repasse de royalties do petróleo.

Em resumo, em um país que já tributa muito e com enorme carência de saneamento, serviços de educação e saúde, tarifa subsidiada no transporte público deveria ser restrita a usuários de baixo poder aquisitivo e sujeito a disponibilidade de recursos do orçamento municipal. Quando tivermos avançado muito nas áreas de saúde e educação, poderíamos até começar em municípios pequenos projetos pilotos de “tarifa zero” para ver o custo-benefício e avaliar os que já existem como Paulínia e Maricá.

No momento, a proposta de tarifa zero me parece um loucura. Em um contexto de carência de recursos financeiros que será o novo normal do Brasil pelos próximos dez anos, o mais justo e progressivo é cobrar de quem pode pagar por serviços de concessão pública. A proposta de tarifa “zero” para o transporte urbano é uma ideia que parece simpática e moderna, mas é totalmente inviável e de elevado custo para municípios grandes como é o caso de São Paulo. A não ser que voce esteja disposto a pagar muito mais  impostos. Está?

67 pensamentos sobre “A Demanda do Movimento Passe Livre (MPL)

    • Bernarducs, entendo sua questão. Transparência e eficiência não são marcas registradas de nenhuma gestão no Brasil, pública ou privada. Menos transparência ainda temos na relação das empresas privadas com o setor público. Dito isso vamos à questão. Discutir o tamanho do subsídio que o estado dará ao transporte público não é o mesmo que questionar o valor das tarifas. Tarifa zero pressupõe 100% de financiamento estatal. Lembrando que hoje o principal uso do transporte público é a ida e volta ao trabalho, veremos que o financiamento já é meio que feito em grande parte pelas empresas. Se você quer maior transparência nas planilhas, você quer discutir se o custo médio por passageiro está bem avaliado, essa é sim uma preocupação para lá de importante. Mas atrelar essas questões não ajuda muito na solução. Só facilita a criação de um espantalho a ser queimado pelos que supostamente estaria lucrandonmais que o razoável com o sistema.
      Acho que o Mansueto foi brilhante ao tocar no subsídios a indústria automotiva, essa sim tem sabidamente lucros bem acima da média mundial e tem transparência zero em sua composição de custos, principalmente os insumos importados de suas matrizes.

  1. Mansueto, você vai me desculpar, mas este post mostra tudo o que há de errado no Brasil. Perder tempo de rebater as demandas do MPL é só um sinal de como o debate econômico está completamente fora do eixo. O MPL não é sério, não se leva a sério, não tem propostas sérias. É só uma cortina de fumaça de revindicação pseudo-popular, que qualquer pessoa com um mínimo (mas bem pouco mesmo) de bom-senso veria não ter qualquer cabimento.

    Que nós (você, eu, nós todos) estejamos aqui assistindo materias jornalísticas laudatórias e discutindo isso é um sinal claro do nosso atraso como nação e de como é difícil ter qualquer esperança de evolução.

    • Luis Oliveira, não creio que aja menos conhecimento por parte do MPL do que da grande maioria da população. É um grupo que faz uma reivindicação legítima, porem equivocada. Tanto quanto o exército de revoltados que exige menos impostos e mais e melhores serviços públicos. E se incapacidade de compreender economia fosse um problema do mundo periférico, não teríamos hordas de conservadores com medo do efeito de imigração nos seus países.
      Acho interessante essa molecada ir para Rua, exigir dos governantes não somente em tempo de pleito é um exercício democrático que deveríamos nos obrigar.

      • 1- Eu também não acho que o MPL e a população em geral sejam muito diferentes em reconhecer os limites das coisas. Este é o país da meia-entrada, afinal.

        2- Não entendi o termo “reivindicação legítima”. A discussão não é sobre legitimidade e não sei como julgar a legitimidade ou dizer que esta é mais ou menos legítima que aquela. A dicussão é sobre meios de atender as reinvidicações.

        3- Não vejo diferencça entre os dois exércitos de revoltados. São ambos adolescentes economicos, sem noção dos limites práticos para seus desejos.

        4- O exemplo com a imigração é descabido. Supoem que exista sobre este assunto, complexo, o mesmo consenso que existe sobre a inexiquibilidade do passe livre.

        5- A molecada pode ir à rua (qualquer uma, não precisa ser a Rua, com maiúscula) o quanto quiser, pedir isso ou qualquer outra coisa. Isso não torna seus desejos e reinvidicações menos estapafurdios e suas soluções menos merecedoras de ridículo.

      • Pelo que fica subentendido, tanto os conservadores dos países centrais (ricos) quanto os progressistas dos países periféricos (subdesenvolvidos) têm dificuldade para entender os conceitos de economia. Como apesar de tudo são ricos, quem sabe a hipótese para esse sucesso resida no fato de serem conservadores. Talvez o asseio dos progressistas não encha o prato de comida de ninguém.

  2. Uma minoria organizada causa mais barulho que uma maioria desorganizada. Esse pessoal do MPL, é visível, se trata de comunistas de DCE. Gente que ainda não compreende o mínimo do funcionamento da economia do mundo, mas já sai dando palpite e criando soluções mágicas para todos os problemas mundiais.

  3. Mansueto, dei olhada no site do MPL e quando falam em imposto progressivo (seu segundo ponto) estão falando de IPTU… Sugestão de artigo: as dificuldades dos municípios brasileiros para aumentar sua arrecadação de IPTU.

  4. Sobre a questão do imposto progressivo para financiar a tarifa zero, parece evidente que é de IPTU que eles falam. Sendo assim, toda a argumentação do segundo problema fica sem sentido.

  5. Esse movimento MPL não passa de um bando de socialistas que querem que o Estado proveja tudo, e quando você for perguntar com que dinheiro isso iria ser feito sempre vem aquela velha resposta “podemos resolver isso tributando mais os ricos”.

    Embora a luta deles pareça ser realmente por melhores condições de vida na verdade a batalha acaba sendo ideológica, tudo que eles fazem é impregnado da ideologia marxista.

    O pior é ter que ver o fantástico fazendo reportagem alimentando (dando espaço) para esses monstrinhos evoluírem.

  6. O MPL tem muitos motivos para ser criticado. Mas há alguns equívocos importantes neste texto. O principal deles é que transporte gratuito ao usuário implica necessariamente num aumento da carga tributária. Claro, a tarifa zero queria de ser compensada por outros impostos. Mas, por outro lado, globalmente falando, os mais pobres deixariam de pagar tarifa (em São Paulo, seria um “imposto” de R$ 160 por pessoa que deixaria de se pago pelo usuário, em geral, repito, os mais pobres). Então, antes de calcular quanto a carga aumentaria, seria necessário adicionar esse “imposto” que é pago hoje.
    Talvez, no fim, haja um aumento global. Mas por conta de um provável aumento de demanda. O que seria, também, uma consequência desejável (mais pessoas usando o sistema público de transporte).

    Mas, claro, é preciso pensar “fora da caixa” para buscar financiamento. No atual configuração, claro, o passe-livre é uma utopia, só viável (e nem tanto) em municípios pequenos e ricos. Mas, de novo, é preciso pensar fora da caixa para debater seriamente o passe-livre.

    Por exemplo, uma maneira relativamente progressiva (e que não gera pressão inflacionária, como sugere Pessôa) seria municipalizar a Cide para constituir um fundo. Outra fonte poderia ser a de empresas, que já pagam vale transporte aos seus funcionários, mas que poderiam pagar o equivalente a esse fundo público de transporte gratuito. Muitos outros esquemas, inclusive com cofinanciamento federal, poderiam ser pensados para TODAS as cidades que decidirem aderir (e cumprir requisitos) ao passe livre. O que é o Fundeb? Ou o SUS? Por que não tratar transporte público como tão essencial quanto Saúde, Educação? A lógica seria a mesma. Passe-livre tão absurdo quanto Educação ou Saúde pública, gratuita e universal.

    • Haveria muita coisa a criticar no seu comentário. Mas basta irá para a última parte e ver a evidência empírica do RETUMBANTE FRACASSO do Estado em prover qualquer coisa que se assemelhe com saúde e educação pública, gratuita e universal e que tenha um mínimo de compromisso com qualidade.

      Em tempo, existem poucos cacoetes mais irritantes do que a insistência com grafar com maiúsculas palavras que não descrevem nomes próprios, na tentativa de dar profundidade conceitual onde existe uma poça d`agua.

      • Evidências empíricas colhidas na Suécia, Noruega, Finlândia, França, Alemanha… de fato, é impossível o Estado (que não é nome próprio!) prover Saúde e Educação gratuitas e de qualidade… Sua profundidade empírica é comovente.

        Aliás, o que tem de escolas e hospitais privados de péssima qualidade por aí não tá no gibi (por outro lado, as melhores universidades do país são… públicas e há excelentes hospitais públicos… o SUS tem muitos méritos, apesar de todos os problemas). Ser público ou ser privado não é a priori garantia de má qualidade ou boa qualidade (e vice-versa).

      • Caro MAV, quer comparar as universidades públicas brasileiras (que voce diz serem tao boas) com as de Suecia, Dinamarca, Alemanha, etc… Nao esta a merecer a mortadela.

      • Luís, você está com sérios problemas de interpretação de texto. Releia o que você escreveu e depois releia o que eu escrevi em resposta e verá que sua tréplica não faz nenhum sentido.

        Você atacou a instituição Estado. Disse que há Estados que fornecem ótimos serviços públicos, gratuitos e universais. No caso do Estado brasileiro, há muitos problemas, mas há alguns serviços que são muito bons. Enfim, mas isso muda o foco do debate.

        Aliás, existem poucos cacoetes mais irritantes do que a insistência de não debater serenamente com quem diverge de você sem ataques pessoais, em vez de refutar o argumento com consistência e evidências. É esse clima de Fla-Flu político que rebaixa o nível do debate e nos impede de avançar (nas nossas próprias posições, sem pretensão de mudar a opinião do interlocutor).

      • São ótimos segundo a sua ótica acostumada ao atendimento subdesenvolvido. Para o padrão deles, de país avançado, os sistemas tem inúmeros problemas e gente reclamando. Tal como cá.

    • Enrico

      “Por que não tratar transporte público como tão essencial quanto Saúde, Educação?”

      Já ouviu falar de zika virus e de como está a epidemia no país?

      O maná estatal, ao contrário do que apregoa essa lenda urbana, não cai do céu e é finito. E, veja só, é exatamente essa peculiaridade que impõe que o debate sobre o que fazer com os impostos tenha a sua métrica aferida pelo critério do que é prioritário.

      Falta aos defensores dessa opinião do passe livre o indispensável senso do que é prioridade, do que vem antes da utopia do passe livre.

      Mas obrigado por escrever. Seu comentário é ilustrativo da atualidade de Diderot

      Na juventude Diderot sustentou-se com aulas particulares de matemática. Ao longo de sua vida ele foi um defensor do ensino das matemáticas também como um poderoso corretivo da linguagem e do raciocínio.

      A retórica livre do corretivo da linguagem e do raciocínio, é “a arte de falar antes da arte de pensar, e a do bem dizer antes que a de ter idéias”, alerta Diderot.

  7. Falam em bom senso econômico, mas são incapazes de pensar em termos de custo de oportunidade. Quanto se perde economicamente todos os dias com trânsito e engarrafamentos nas grandes cidades? Um transporte coletivo eficiente e amplamente utilizado não aumentaria a produtividade geral de uma dada região? Por que então nunca se considera esse fator nas análises que se faz para refutar a ideia de tarifa zero?

    • Caro MAV, seu argumento não se sustenta, pois faz falsas equivalências. Por exemplo, transporte público eficiente não significa que o trânsito deixe de existir, como pode ser facilmente observado em Londres, NY ou Tokio. Da mesma forma, o ônus da prova de que tarifa zero traria um transporte público eficiente ou mais eficiente do que um em que a tarifa não seja zero.

      • E eu lá falei em extinção do trânsito? Ou que a tarifa zero traria um transporte mais eficiente? Leia outra vez meu comentário. É sobre a não consideração dos custos de oportunidade na equação.

    • Como usuário do transporte público de São Paulo, posso dizer que o passe-livre não diminuiria o trânsito, não porque as pessoas não o usariam, mas porque há uma limitação de capacidade em várias linhas, especialmente em horários de pico. É uma restrição operacional. Quem usa carro vai continuar usando porque se os ônibus ficarem ainda mais lotados (e demorados, devido ao aumento do tempo das paradas), ficarão piores do que já são… Nossas linhas inacabadas do metrô também não ajudam. As baldeações costumam ser infernais em horários de pico. Ou seja, além da economia paulistana continuar perdendo por causa do trânsito (custo de oportunidade), ainda irá perder devido a uma alocação ineficiente de recursos (mais uma), já que quem não usa (e nem irá) deixará de alocar seu escasso capital em outros setores da economia. Você irá aumentar a dependência de um setor por subsídios destinados a abater despesas operacionais, sendo que ele precisa de folga de caixa para investimentos. Como o passe-livre melhora este problema operacional? Vai cobrar mais ainda de quem não usa, ajudando a reduzir mais ainda o já deprimido consumo privado e sua capacidade de poupança?

  8. Protestem final de semana sem quebrar nada ou atrapalhar ninguém e vão às comunidades carentes (onde as eleições são decididas) no período eleitoral fazer propaganda para o PSOL, PSTU e PCO. E, se forem derrotados, aceitem. Se ganharem, o resto vai ter que aceitar.
    O SUS e a Educação Pública são bons exemplos de como o transporte público e gratuito pode dar certo.
    Enquanto quebrarem as coisas e atrapalharem a vida das pessoas, devem ser denunciados, julgados e punidos.

    • os movimentos pelo voto feminino, pelos direitos civis dos negros, por condições dignas de trabalho, etc etc, todos usaram de meios ‘que atrapalhavam a vida das pessoas’. greves, bloqueio de vias, sabotagens, até quebra-quebras propriamente ditos. o filme “As sufragistas” que está em cartaz mostra bem como as vezes ‘atrapalhar a vida das pessoas’ é o único meio para se promover mudanças significativas..

      • Atrapalhar a vida das pessoas. Sem aspas.
        Outros que atrapalharam e atrapalham a vida das pessoas: camisas negras fascistas, juventude hitlerista, fanáticos religiosos terroristas… Todos objetivando promover mudanças significativas. Isso os legitima?
        Mudanças significativas pra quem? Pra toda a população? Ela concorda? Então por que essa população não se manifesta num sábado em algum lugar público sem prejudicar os demais? Parece que fizeram isso recentemente… Você acha que a manifestação pacífica não pode trazer resultados?
        Os exemplos citados por você viraram realidade quando democraticamente a população os apoiou.
        Talvez essa pauta prospere nas próximas eleições. Quem sabe.
        Mas enquanto depredar o patrimônio e fechar vias públicas para prejudicar o trânsito não for legalmente permitido, os culpados precisam ser denunciados, julgados e punidos.
        Minha crítica é ao método. Discordo do pleito, mas não posso negar o direito de a proposta ser defendida. Gostaria que os dados fossem bastante transparentes, mas nunca os procurei para saber se são.
        Mas não compactuo com violências aos direitos dos outros. E isso está acontecendo atualmente.

  9. A tarifa em SP já é subsidiada em R$ 1,9 bi ao ano pela prefeitura, inclusive o subsídio explodiu depois da revogação do aumento em 2013. O Haddad sempre fala que isso tira dinheiro de outras coisas que seriam mais prioritárias, inclusive o investimento em corredores de ônibus. E ainda assim a tarifa é sim bem cara, se pesada de acordo com a renda, vi outro dia a comparação com outras grandes metrópoles do mundo e em SP é a mais cara. Buenos Aires, pra pegar um exemplo próximo, é menos da metade. Também acho que seria inviável estatizar o transporte com a prefeitura tendo que arcar com compra dos ônibus e terrenos para as garagens, salário dos motoristas, etc etc. Mas como está não dá pra continuar. O transporte nas grandes cidades brasileiras é uma caixa preta. Não temos como saber se as empresas lucram muito pq não temos acesso aos dados. Ao que parece, lucram muito sim. Houve uma auditoria em SP que apontou um monte de irregularidades como partidas de ônibus não realizadas mas que eram cobradas, etc. Está em andamento uma nova licitação que é de uma complexidade absurda. O MPL teve o mérito de trazer o assunto ao centro do debate e mobilizar. Transporte é uma pauta que “pega” pq é algo que impacta muito a vida das pessoas, diretamente, é uma relação sentida na pele todos os dias. Agora o MPL tem que ser responsável “por aquilo que cativas”, trouxe a discussão pro centro das “questões nacionais” e agora tem que explicar como de fato pretende implantar tarifa zero, ou pelo menos num patamar inferior ao atual (meu “chute” é que a tarifa devia custar metade do que custa hoje, R$ 1,90 é razoável), e investir na qualidade, expansão, absorver a demanda das pessoas que hoje usam carro, etc etc. A proposta da gestão Erundina era subsidiar a tarifa com aumentos progressivos no IPTU, a velha história de taxar de quem tem mais pra subsidiar quem não tem. A princípio, não vejo pq isso não seria possível. Mas a questão levantada do subsídio à indústria automotiva talvez seja ainda mais interessante. É um absurdo o que o governo dá às empresas sem contrapartida, apenas pelo fantasma das “demissões em massa” no setor. Enfim, o debate está apenas no começo, precisa se aprofundar muito mais mas parece que os personagens (tanto o MPL quanto o governo) não parecem muito dispostos a isso. O Haddad já aventou coisas como o aumento da CIDE para financiar o transporte público, até um ensaio de remunicipalização do transporte por ônibus em SP (com financiamento via BNDES) mas foi ignorado pelo governo federal.. e como alguém responsável pelas contas da cidade, é obrigado a aumentar a tarifa e arcar com o ônus eleitoral disso..

  10. O que eu sempre me pergunto também é se os que protestam são os empregadores. Sim, porque o peso do aumento da tarifa recai sobre eles.
    Se do salário do empregado é deduzido 6% de seu salário básico para participação do custeio do vale-transporte, esse estardalhaço todo tira o foco de problemas maiores.
    Se um empregado ganha mil reais, serão descontados 60 reais.
    Vamos supor que o custo mensal com vale-transporte para esse empregado seja de 208,00, levando em conta o vale-transporte no valor de 4,00 o trajeto e 26 dias trabalhados no mês ( 8,00 X 26 dias).
    O empregado vai custear os 60 reais e o empregador o restante, os 148,00.
    Se a tarifa aumentar para 5 reais, o custo mensal passará a ser de 260,00.
    O empregado continuará tendo descontado do seu salário básico os mesmos 60,00.
    Portanto, o ônus em decorrência do aumento da tarifa fica a cargo do empregador.
    Mas eu sempre vejo nos noticiários os trabalhadores sendo ouvidos para tratar desse assunto.
    Ou eu não entendo nada de direito do trabalho e estou dizendo bobagens ou realmente o pessoal sai gritando sem saber o motivo.
    E vai um monte de gente atrás…

    • Não duvido que muitos empregadores estariam dispostos a aumentar significativamente suas despesas com IPTU para não ter que arcar com vale transporte. É só fazer a conta.

      • Concordo com você Astolfo! É tão verdade o seu comentário, que diariamente várias empresas deixam de se instalar no interior do Estado ou em outros estados e se instalam em São Paulo.
        Mas temos que tomar cuidado com só uma coisa, como há também isenção de IPTU para imóveis com menos de 60m² na cidade de São Paulo, temos que tomar cuidado para a Prefeitura, com a desculpa de financiar o transporte, começar a cobrar IPTU desses imóveis.

  11. Mansueto,

    Alguns pontos adicionais:

    (a) São Paulo já teve uma empresa estatal municipal de transporte público, a CMTC (Compannhia Municipal de Transportes Coletivos), que provia serviços péssimos, era cabide de empregos e faliu.

    (b) São Paulo ainda tem mais de 10% da população sem esgoto em casa (parcela muito menor que a vasta maioria das cidades do Brasil, que têm números muito piores). Parece-me um gasto bem mais prioritário que o passe livre.

    (c) São Paulo tem uma rede de transporte público muito boa. Existe uma rede de metrôs e trens urbanos interligados a ônibus e hoje pode-se cruzar a cidade em muito menos tempo, com muito mais conforto, do que 20 ou 30 anos atrás (ou no tempo dos ônibus caindo aos pedaços da CMTC).

  12. Dr.Mansueto esqueceu de calcular o quanto as falcatruas, lobbys e roubalheiras encarecem as passagens e engordam contas bancárias dos políticos.

  13. Como seria o transporte público no livre-mercado?
    Jônatas Rodrigues da Silva | 19 de junho de 2013

    O objetivo do texto de hoje é imaginar como seria o transporte público no livre-mercado. Ou seja, sem o Estado detendo o monopólio da concessão.

    Usei o verbo imaginar porque desde sempre o transporte público é um serviço ofertado pelo Estado no qual ele é monopolista e não permite uma concorrência privada.

    Impostos

    A primeira conclusão é que pagaríamos menos impostos. O transporte público é oferecido por uma ou mais empresas privadas que ganharam a concorrência através de uma licitação pública, porém o Estado custeia parte da passagem, caso contrário o valor pago pelo cidadão seria expressivamente maior. A empresa ou empresas ganhadoras da licitação detém o monopólio (ou oligopólio) do transporte público na cidade.

    O lado moral

    Moralmente também seria mais justo, uma vez que somente o usuário do transporte pagaria por ele. No modelo atual de concessão todo “contribuinte”, faça uso ou não do transporte público, “contribui”, pois parte de seus impostos é usado para custear uma parcela da passagem.

    Técnico

    A concorrência comprovadamente aumenta a qualidade de um serviço e barateia o preço. Sem o monopólio estatal qualquer empresa poderia oferecer transporte público ao cidadão, seja através de apenas um único veículo realizando um único trajeto, seja por meio de dezenas, centenas ou milhares deles.

    As empresas iriam “brigar” para atrair clientes oferecendo alguma vantagem adicional quando comparadas com as concorrentes: menor preço, assentos mais confortáveis, ar condicionado, trajetos mais curtos, horários flexíveis…

    Você poderia optar, por exemplo, por pagar mais e ir confortavelmente sentado e no ar condicionado, ou pagar um preço menor e ter menos conforto durante a viagem.

    O mercado sendo soberano iria oferecer serviço para todos os bolsos e gostos, assim como hoje fazem, por exemplo, os restaurantes, serviço onde o Estado não detém o monopólio.

    Tempo

    Muitos que fazem uso do carro para irem ao trabalho, com um serviço de qualidade iriam escolher o ônibus, com isto teríamos menos carros nas ruas e o translado seria mais rápido e assim ganharíamos (ou melhor, não perderíamos) tempo.

    Ambiental

    Com menos carros menos poluição. Isto é sustentável e saudável, pois passaríamos a respirar um ar menos poluído.

    Financeiro

    Com menos dinheiro para administrar – lembre que pagaríamos menos impostos por não ter que custear o transporte – os governantes teriam menos uma fonte de roubo em licitações fraudulentas.

    • laercio, ônibus tem slot fixo. Não cabe concorrência ampla, é sistema fechado. O usuário não pode ficar esperando um ônibus mais barato e muito menos o ônibus encher para sair. Não é como companhia aérea que leva do ponto a ao b com um influxo previsível

      • ônibus tem slot fixo. Não cabe concorrência ampla, é sistema fechado.

        Por quê?

        O usuário não pode ficar esperando um ônibus mais barato

        Porque não?

        muito menos o ônibus encher para sair

        Porque esperar o ônibus encher para sair, não seria melhor sair quando se chega ao destino desejado?

        Não é como companhia aérea que leva do ponto a ao b com um influxo previsível

        A razão de existir do transporte público não é levar o usuário do ponto A até o ponto B?

      • O taxi também não tem uma “influxo previsível”. Mas todos os dias milhares de taxistas saem as ruas e seus clientes os escolhem e eles aos seus clientes. E o modelo, até pelo barulho que eles têm feito com os “ubers da vida”, tem dado resultado.

      • > ônibus tem slot fixo. Não cabe concorrência ampla, é sistema fechado
        O que você quer dizer com slot fixo e por que não caberia concorrência?

        > O usuário não pode ficar esperando um ônibus mais barato
        Os que poderiam esperar, esperariam, os que não poderiam, pagariam mais. Hoje os que não podem esperar um ônibus vão de carro ou taxi.

        > ficar esperando […] o ônibus encher para sair
        Esperar o ônibus encher não é a única estratégia que existiria para as empresas. Pode-se usar micro ônibus ou vans se há pouco movimento, pode-se estabelecer uma tabela de horários fixos como hoje para atrair usuários que necessitam/querem pontualidade, há diversas alternativas para tentar oferecer um serviço que atenda o máximo de pessoas e seja lucrativo.

        > Não é como companhia aérea que leva do ponto a ao b com um influxo previsível
        Não é previsível na mesma granularidade assento, mas em geral é sim previsível. E mesmo em eventualidades imprevisíveis, a empresa que busque lucro vai elaborar mecanismos para se adaptar à demanda (como dito antes: mais ônibus para lucrar mais, trocar ônibus por van para diminuir custo).

        Além de diversas estratégias para lidar com a demanda, ainda há estratégias para lidar com preços, como pagamentos mensais, diferenciação de valores por distância entre zonas, etc. As empresas que teriam que descobrir qual estratégia é melhor para cada linha, para cada horário, para cada região, ou seja, o transporte se adequar às pessoas e não o contrário. Fora possíveis inovações com uso de tecnologia. As possibilidades seriam diversas com um livre mercado.

    • Laércio, estou contigo!
      Vamos sair fechando ruas e quebrando tudo para defender nossas ideias?
      Ou vamos respeitar a democracia e tentar implementá-la gradualmente?

    • Transporte público é um serviço essencial, tal como saúde. Não é um serviço para “livre mercado”, principalmente quando se fala de serviços de comunicação entre regiões.

      Vamos as respostas como colocadas pelo sua dúvida ao Fernando:

      “Por quê tem slot fixo?”

      Slot fixo é a tabela de horários a ser seguida. Toda empresa de ônibus é (ou deveria ser) obrigada a segui-la para atender a população e assim a pessoa ter seu transporte pontualmente regulado, assim sendo previsível a saída e o tempo de percurso, para então chegar onde deseja com total pontualidade.

      Como uma empresa trabalha com uma quantidade de ônibus, esta quantidade é baseada:

      – Na quantidade de viagens feitas por dia naquela linha
      – Na possibilidade de veículos reserva.
      – Na demanda possível.

      Por exemplo, uma linha que tenha 10 km entre os pontos, e é feito o trajeto aproximadamente por 30 minutos (contando paradas, cruzamentos e demais itens que possa atrasar).

      Dependendo da demanda da linha, pode ser ofertada uma viagem a cada 30 minutos (assim precisando de dois ônibus, sendo um para ir e outro para voltar), uma a cada 15 (mais dois ônibus) e por aí vai.

      Na verdade, isso tudo é bem mais complexo, pois há as demandas em horários de pico (entrada saída de trabalho, ida e volta de estudantes, etc…), as demandas de fim de semana e tudo mais. Isso tudo que está sendo discutido com a nova regra de licitação e operação de ônibus em SP.

      “Porque um usuário não pode esperar outro ônibus mais barato?”
      Isso se chama previsibilidade. Um usuário quer que o ônibus esteja em tal horário, com tal preço no lugar que ele pega o ônibus.

      Todo cidadão sabe que ônibus e trens são os serviços mais razoavelmente previsíveis que existem. Se operar de forma “perfeita”, como os londrinos, um usuário sabe que pode pagar um ônibus por 3,80 todos os dias, nos horários estabelecidos pela tabela. E um cidadão sabe também que este valor é fixo, não é variável oscilante.

      Na verdade, há alguns extras nisso:

      – Falamos de tarifas municipais. Os governos municipais paulistanos procuraram sempre manter padrões para equalizar o valor para o cidadão paulistano. Se trabalhasse com valores discrepantes, como ocorre com a EMTU por exemplo, uma viagem de Cidade Tiradentes ao Centro sairia muito mais caro.

      – Há a possibilidade de tarifas mais baratas por horário, no caso “Tarifa Madrugador”.

      – Existia em SP pela CMTC os “Serviços Executivos”, que eram mais caros e operados por ônibus mais confortáveis. Se houvesse demanda por isso, pode ter certeza que já estaria funcional. Esta demanda hoje é atendida por serviços de fretamento.

      “Um usuário não pode esperar o ônibus sair”.

      Novamente isso se chama “previsibilidade”. Ninguém quer esperar muito tempo só porque faltou uma pessoa para cumprir o valor mínimo de saída do ônibus. Por isso os cálculos das prefeituras são feitos justamente para equilibrar o custo entre os períodos vazios e de pico.

      Como já dito, há diferença entre uma operadora de serviços aéreos (que tem custos altíssimos e margens de lucro baixas, além de riscos e oscilações extremas de preço – inclusive de combustíveis) e os serviços de veículos de transporte público (que tem custos quase fixos e razoavelmente baixos, porém trabalha com lucros baixos conforme acordos com prefeituras).

      Além disso, o transporte público é feito para atender toda a população, inexpressivo ser de classe alta diferente ou qualquer outra condição preconceituosa.

      Indo de encontro a outro usuário, um serviço de transportes público deve atender a padrões estabelecidos. De horário, de tipo de veículo, de segurança e valores. Isso tudo conforta os usuários, não fazendo transformar o serviço em uma “bolsa de valores”, tal como infelizmente o Uber vem fazendo nestes últimos tempos.

      Quanto a taxistas, lembremos que eles atendem como serviço individual e de outro formato. Porém são obrigados a atender por lei quando estão em serviço (letra L do taxímetro ligada). E os custos de manutenção, seguro e demais são do próprio taxista conforme serviços prestados. Por isso que não há incidência de IPVA e há alguns descontos em concessionárias. Em compensação há os custos de licença, habilitação e outros.

      • Transporte público é um serviço essencial, tal como saúde. Não é um serviço para “livre mercado”

        Livre mercado entenda como um sistema de trocas voluntárias, onde o consumidor é livre para escolher os produtos e serviços que melhor atendam suas necessidades levando em consideração aspectos como preço e qualidade. Para que isso funcione é necessário que haja uma livre concorrência, ou seja, nenhuma barreira de entrada para novos concorrentes no mercado como por exemplo as impostas pelos órgãos reguladores municipais.

        Como isso invalida a oferta desse “serviço essencial”?

        Slot fixo é a tabela de horários a ser seguida.

        Por quê alguém ofereceria seus serviços em horários e trajetos randômicos? não seria mais inteligente ter horários e trajetos previsíveis e informar isso para seus possíveis clientes para aumentar suas receitas?

        Na verdade, isso tudo é bem mais complexo, pois há as demandas em horários de pico (entrada saída de trabalho, ida e volta de estudantes, etc…), as demandas de fim de semana e tudo mais. Isso tudo que está sendo discutido com a nova regra de licitação e operação de ônibus em SP.

        Por quê um planejamento centralizado feito por pessoas que sequer utilizam os serviços no conforto de seus escritórios é mais eficiente que o sistema de lucros e prejuízos que diz os horários e trajetos mais demandados pelos clientes?

        Isso se chama previsibilidade. Um usuário quer que o ônibus esteja em tal horário, com tal preço no lugar que ele pega o ônibus.

        Como dito faz muito mais sentido ter horários e trajetos definidos, mas um empresário que queira se diferenciar poderia utilizar o sistema de GPS e disponibilizar um aplicativo em que o usuário saberia exatamente onde o ônibus está e a que horas chegará ao ponto, bem como diversas outras inovações tecnológicas.

        Novamente isso se chama “previsibilidade”. Ninguém quer esperar muito tempo só porque faltou uma pessoa para cumprir o valor mínimo de saída do ônibus.

        Não seria mais interessante o consumidor exercer seu poder de escolha e andar somente em empresas que aceitem que ele desça do veículo quando quiser?

        Além disso, o transporte público é feito para atender toda a população, inexpressivo ser de classe alta diferente ou qualquer outra condição preconceituosa.

        Indo de encontro a outro usuário, um serviço de transportes público deve atender a padrões estabelecidos. De horário, de tipo de veículo, de segurança e valores. Isso tudo conforta os usuários, não fazendo transformar o serviço em uma “bolsa de valores”, tal como infelizmente o Uber vem fazendo nestes últimos tempos.

        Posso estar enganado, mas um sistema que oferece somente um serviço enlatado “padrão” é que mais se assemelha com o termo preconceituoso.
        Ao invés de oferecer diversas opções como ônibus, vans, carros, carros de luxo, helicópteros, motos, bicicletas e qualquer outro tipo de veículo, desde que atendam as demandas legítimas dos consumidores que os escolherão de forma voluntária.

        Se operar de forma “perfeita”, como os londrinos, um usuário sabe que pode pagar um ônibus por 3,80 todos os dias, nos horários estabelecidos pela tabela. E um cidadão sabe também que este valor é fixo, não é variável oscilante.

        Até uns dias atrás o preço não era outro? o preço realmente não é “oscilante” como na “bolsa de valores”?

    • “Livre mercado entenda como um sistema de trocas voluntárias, onde o consumidor é livre para escolher os produtos e serviços que melhor atendam suas necessidades levando em consideração aspectos como preço e qualidade. Para que isso funcione é necessário que haja uma livre concorrência, ou seja, nenhuma barreira de entrada para novos concorrentes no mercado como por exemplo as impostas pelos órgãos reguladores municipais.

      Como isso invalida a oferta desse “serviço essencial”?”

      Trocas voluntárias é uma coisa. Oferecer serviços essenciais é outra. É deixar uma oferta mínima viável de algo necessário à sociedade (saúde, transportes, comunicações) a quem precisa, a um custo acessível socialmente.

      “Por quê alguém ofereceria seus serviços em horários e trajetos randômicos? não seria mais inteligente ter horários e trajetos previsíveis e informar isso para seus possíveis clientes para aumentar suas receitas?”

      Não é horários e trajetos randômicos, mas estabelecidos conforme demanda regional. São previsíveis e calculadas de forma a ter a demanda social atendida e as receitas contabilizadas de foma justa.

      “Por quê um planejamento centralizado feito por pessoas que sequer utilizam os serviços no conforto de seus escritórios é mais eficiente que o sistema de lucros e prejuízos que diz os horários e trajetos mais demandados pelos clientes?”

      Quem disse que quem fez o planejamento fica no escritório parado sem estudar a demanda? Você trabalhou com empresa de ônibus? Você conheceu empresários de ônibus? Novamente: os horários e disponibilidade de veículos são estabelecidos conforme demanda. Isso já está previsível e calculado para dar um custo justo e social.

      “Como dito faz muito mais sentido ter horários e trajetos definidos, mas um empresário que queira se diferenciar poderia utilizar o sistema de GPS e disponibilizar um aplicativo em que o usuário saberia exatamente onde o ônibus está e a que horas chegará ao ponto, bem como diversas outras inovações tecnológicas.”

      É meio interessante sua ideia, mas estamos falando de todas as possibilidades, não só em grandes cidades com receitas suficientes para custear tecnologias novas, mas sim cidades pequenas, ligações regionais e tudo mais. Pode ser que uma hora você acerte nisso e as tecnologias futuras de transporte peguem o conceito do Lyft (não do Uber), de atendimento por demanda. Isso na verdade varia conforme cada sociedade. E o Brasil não é o Estados Unidos, definitivamente.

      “Não seria mais interessante o consumidor exercer seu poder de escolha e andar somente em empresas que aceitem que ele desça do veículo quando quiser?”

      Isso é ter um veículo próprio. E vemos nestes últimos tempos que ter um veículo próprio prejudica toda a cidade.

      “Posso estar enganado, mas um sistema que oferece somente um serviço enlatado “padrão” é que mais se assemelha com o termo preconceituoso.
      Ao invés de oferecer diversas opções como ônibus, vans, carros, carros de luxo, helicópteros, motos, bicicletas e qualquer outro tipo de veículo, desde que atendam as demandas legítimas dos consumidores que os escolherão de forma voluntária.”

      Não, não é preconceituoso, mas a frase seguinte é: Filho, tu é profissional ou defensor do Uber, né? Um bando de pessoas que pensam que o transporte é bolsa de valores, e aumenta ainda mais a desigualdade social.

      “Até uns dias atrás o preço não era outro? o preço realmente não é “oscilante” como na “bolsa de valores”?”

      O preço ficou fixo por 2 anos, oscilou por causa de pessoas como você que pensam que dinheiro é capim. Se não se dá o valor de lastro ao dinheiro, o dinheiro desvaloriza, cria inflação, que dá lucro para alguns, mas desfavorece socialmente outros.

      Entenda uma coisa: se o tipo de atendimento de tranpsorte atual não fosse funcional, não seria este o padrão a ser usado nem no Brasil e nem em outras partes do mundo. O sistema atual de atendimento de ônibus é padrão em quase todo o mundo. Atende sem desigualdes sociais, com preços feitos para atender a toda população e com todas suas caracteristicas para que uma pessoa possa usar o transporte sem surpresas na conta. Eu posso ir para Tokyo e antes de chegar lá, saber que vou gastar 300 ienes para pegar um ônibus ou trem no centro para outro bairro por exemplo. Eu posso ir para Londres e gastar 1 libra para ir de uma cidade a outra. Não que estas sejam as tarifas, só estou lhe mostrando que os sistemas de transporte público trabalham com tarifas padronizadas para atender a toda uma cidade, a deixa-la com possibilidade (e dependência) total do serviço, tirando veículos particulares poluentes e ineficientes das ruas,deixando estas livres para bicicletas, ônibus, veículos de serviço e de emergência.

      Se o transporte público é ruim do jeito atual, isso é um ponto de vista subjetivo. Se grande parte da população acha que o transporte é ruim, mude, corra atrás. Se o estilo de cobrança é errado, que se mude.

      Porém, se fosse assim tão fácil e se tuas ideias fossem realmente possíveis, pode ter certeza que na verdade já teria sido aceito e atualmente usavel.

      Não é.

      “Livre Mercado” supõe-se que as pessoas tenham itens infinitos para ofertar e demandar, conforme seu discurso e de muitos outros. Não, o mundo e os recursos não são infinitos. E por isso também que são regulados. Combustível, itens veículares, saúde do trabalhador, etc… Tudo tem seu limite. E ofertar via “livre” é pensar que tudo pode oscilar para melhor e que não há padrões e limites.

      E mesmo em questão de “livre mercado”, no final isso me parece soar falacioso. Pois em um “livre mercado”, quem no final mandaria seriam justamente àqueles que tem condições financeiras de quebrar a concorrência e forçar um cartel ou outra situação. Por isso existem regulações e tudo mais, para que qualquer oferta de serviço seja feita para não prejudicar um consumidor.

      Pare com essa de “livre mercado” para cima de mim.

      • Trocas voluntárias é uma coisa. Oferecer serviços essenciais é outra. É deixar uma oferta mínima viável de algo necessário à sociedade (saúde, transportes, comunicações) a quem precisa, a um custo acessível socialmente.

        Não consigo pensar em um produto mais essencial que alimentos e é justamente esse que vem sendo produzido em quantidades cada vez maiores e com preços cada vez mais baixos pelos grandes produtores brasileiros. Enquanto houver demanda por uma produto ou serviço essencial vai ter alguém que vai suprir essa demanda e para isso não é preciso nenhuma regulação além do próprio poder de escolha dos consumidores.

        Não é horários e trajetos randômicos, mas estabelecidos conforme demanda regional. São previsíveis e calculadas de forma a ter a demanda social atendida e as receitas contabilizadas de foma justa.

        os próprios ofertantes do serviço sabem em que horários e em quais trajetos há uma maior necessidade de transporte por parte dos consumidores, não há como um grupo de planejadores saber mais que todo o conhecimento disperso na sociedade.

        Quem disse que quem fez o planejamento fica no escritório parado sem estudar a demanda? Você trabalhou com empresa de ônibus? Você conheceu empresários de ônibus? Novamente: os horários e disponibilidade de veículos são estabelecidos conforme demanda. Isso já está previsível e calculado para dar um custo justo e social.

        Não trabalho e nunca trabalhei em empresa de ônibus e você?.
        Contanto que os próprios empresários estipulem as rotas e horários de suas linhas de acordo com a demanda dos consumidores e em um ambiente sem restrições de entrada para novos concorrentes não vejo problema.

        E o Brasil não é o Estados Unidos, definitivamente.

        Acho que deu pra perceber

        Isso é ter um veículo próprio. E vemos nestes últimos tempos que ter um veículo próprio prejudica toda a cidade.

        Fiz o comentário em resposta ao que você disse: que os empresários obrigariam os consumidores a descer dos ônibus somente se atingisse uma quantidade mínima de pessoas. Obviamente para se diferenciar apareceriam aqueles que ofereceriam a “facilidade” de o consumidor descer em qualquer parada mesmo que seja o único.

        Eu tentei, mas não conseguir descobrir a relação da frase Filho, tu é profissional ou defensor do Uber, né? com Um bando de pessoas que pensam que o transporte é bolsa de valores e ainda por cima desvendar como isso pode aumenta ainda mais a desigualdade social.

        O preço ficou fixo por 2 anos, oscilou por causa de pessoas como você que pensam que dinheiro é capim. Se não se dá o valor de lastro ao dinheiro, o dinheiro desvaloriza, cria inflação, que dá lucro para alguns, mas desfavorece socialmente outros.

        Eu não penso que dinheiro é capim, porisso estou defendendo uma concorrência ampla porque quero preços mais baixos e melhor qualidade.
        Sou a favor do padrão ouro ou outra forma que retire do estado o controle da oferta monetária.

        Entenda uma coisa: se o tipo de atendimento de tranpsorte atual não fosse funcional, não seria este o padrão a ser usado nem no Brasil e nem em outras partes do mundo. O sistema atual de atendimento de ônibus é padrão em quase todo o mundo.

        Esse tipo de argumento é usado desde os tempos do feudalismo e mesmo assim houveram aqueles que desafiaram o status quo e inovaram, o que trouxe grande progresso e bem estar para toda a humanidade.

        Se o transporte público é ruim do jeito atual, isso é um ponto de vista subjetivo. Se grande parte da população acha que o transporte é ruim, mude, corra atrás. Se o estilo de cobrança é errado, que se mude.

        Estou fazendo isso ao propor “novas” ideias para o debate.

        “Livre Mercado” supõe-se que as pessoas tenham itens infinitos para ofertar e demandar, conforme seu discurso e de muitos outros. Não, o mundo e os recursos não são infinitos. E por isso também que são regulados. Combustível, itens veículares, saúde do trabalhador, etc… Tudo tem seu limite. E ofertar via “livre” é pensar que tudo pode oscilar para melhor e que não há padrões e limites.

        O fundamento básico do estudo da economia é que os recursos são escassos. E quem aloca de forma mais eficiente esses recursos escassos é a economia de mercado.

        Pois em um “livre mercado”, quem no final mandaria seriam justamente àqueles que tem condições financeiras de quebrar a concorrência e forçar um cartel ou outra situação. Por isso existem regulações e tudo mais, para que qualquer oferta de serviço seja feita para não prejudicar um consumidor.

        É mesmo verdade que órgãos reguladores que protejam as empresas estabelecidas contra a entrada de novos concorrentes é o melhor para o consumidor?

        O sistema atual protege os ricos da concorrência dos pobres e mais, nenhuma empresa duraria muito se vendesse seus produtos com prejuízo para quebrar os concorrentes, e mesmo que durasse não acho que os consumidores iriam reclamar de comprar produtos por preços baixíssimos, tão logo todos os concorrentes estivessem quebrados e a empresa resolvesse aumentar seus preços para tornar seu negócio lucrativo novamente os concorrentes iriam aparecer de novo em um ambiente de livre mercado.

        Pare com essa de “livre mercado” para cima de mim.

        Não estou “indo pra cima” de você, estou apenas debatendo ideias e não pessoas.

    • “Não consigo pensar em um produto mais essencial que alimentos e é justamente esse que vem sendo produzido em quantidades cada vez maiores e com preços cada vez mais baixos pelos grandes produtores brasileiros. Enquanto houver demanda por uma produto ou serviço essencial vai ter alguém que vai suprir essa demanda e para isso não é preciso nenhuma regulação além do próprio poder de escolha dos consumidores.”

      Alimentos, “qualquer um” pode fazer com as devidas condições. A regulalção aqui acaba sendo natural: as pessoas buscam alimentos de alguma forma, mas no fundo sabem que é algo fácil de adquirir por ai. De qualquer forma, existem regulações para este mercado também. Estes impedem abusos economicos que prejudicam a população quanto a isso. Vide: empresas de leite que adulteram o produto para baratea-lo, empresas e pessoas que trabalham com agrotóxicos para evitar perda de “produtos bonitos”, e como consequencia, lucro… etc… Nem isso é 100% livre.

      “os próprios ofertantes do serviço sabem em que horários e em quais trajetos há uma maior necessidade de transporte por parte dos consumidores, não há como um grupo de planejadores saber mais que todo o conhecimento disperso na sociedade.”

      Para quê existe pesquisa, estudos e planejamento então? Origem e destino, Censo, estudos demográficos, etc?

      “Não trabalho e nunca trabalhei em empresa de ônibus e você?.”
      Conheci diretores de empresas ferroviárias e pessoas que trabalham com mobilidade urbana. E pode ter certeza: a grande maioria não defende um “oba-oba” no transporte. Até porque quando teve, houve problemas (perueiros há 20 anos atrás em SP é um belo exemplo).

      “Contanto que os próprios empresários estipulem as rotas e horários de suas linhas de acordo com a demanda dos consumidores e em um ambiente sem restrições de entrada para novos concorrentes não vejo problema.”

      Sugiro ler mais sobre a história da mobilidade urbana e rodoviária no Brasil e ver como infelizmente é o mercado de transportes e suas sujeiras por detrás dos panos. Quando o mercado era mais livre (isso há uns 30 anos atrás), empresas que não tinham capacidade de manter a concorrência foram falindo ou sendo adquiridas por outras empresas. Isso criou-se cartéis, que começaram a aumentar os valores do transporte de forma maior do que antigamente. No transporte rodoviário, os aumentos de valores são bem maiores a cada ano, infelizmente. E isso significa menor possibilidade social de mobilidade.

      E a entrada de uma “concorrência” aberta não significaria qualidade melhor, ao menos no Brasil. Serviços “piratas” por exemplo são operados por veículos em mal estado de conservação. E empresas oficiais tem problemas de custos dependendo das linhas atendidas. E “liberar o mercado” não resolve nada. Pelo contrário, facilitaria a ação de cartéis que aumentariam o valor dos transportes de forma artificial, prejudicando a população.

      “Fiz o comentário em resposta ao que você disse: que os empresários obrigariam os consumidores a descer dos ônibus somente se atingisse uma quantidade mínima de pessoas. Obviamente para se diferenciar apareceriam aqueles que ofereceriam a “facilidade” de o consumidor descer em qualquer parada mesmo que seja o único.”

      Isso é táxi ou “jitneys” (nos Estados Unidos).

      “Eu tentei, mas não conseguir descobrir a relação da frase Filho, tu é profissional ou defensor do Uber, né? com Um bando de pessoas que pensam que o transporte é bolsa de valores e ainda por cima desvendar como isso pode aumenta ainda mais a desigualdade social.”

      Do jeito que defende a abertura de mercado para o transporte, é como defender que abra as pernas para o Uber.

      “Eu não penso que dinheiro é capim, porisso estou defendendo uma concorrência ampla porque quero preços mais baixos e melhor qualidade.”
      Como se uma concorrência ampla fosse significado de preço baixo e melhor qualidade em serviços essenciais. Novamente: procure saber mais sobre a história do transporte da mobilidade. Procure o “Blog Ponto de Ônibus” por exemplo.

      “Sou a favor do padrão ouro ou outra forma que retire do estado o controle da oferta monetária.”
      Isso é fácil: use dólares, use alguma moeda que use o padrão ouro e não dependa do Estado. Simples. Salvo engano, o “padrão ouro” não é mais usado por um simples fato: o valor hoje dado não é à coisas, mas a pessoas.
      Dica: tentaram isso com o Bitcoin, e viram que foi uma furada. As pessoas levam a economia de forma séria demais… :\

      “Esse tipo de argumento é usado desde os tempos do feudalismo e mesmo assim houveram aqueles que desafiaram o status quo e inovaram, o que trouxe grande progresso e bem estar para toda a humanidade.”

      Falou de feudalismo e inovação alguém que defende o livre mercado, que muitas vezes quem opera age como um feudo, e se diz alguém que inovou. Os primeiros capitalistas reais foram acusados de monopólio, e se diziam inovadores. Toda vez que vi alguém atuando como “livre mercado”, depois virava um monopólio. Isso é histórico.

      “Estou fazendo isso ao propor “novas” ideias para o debate.”
      Ideias que talvez não sirvam para este tipo de situação. Isso não é só economia. Se alguém quisesse investir mesmo em transporte de forma competitiva, já o faria. Ninguém o faz não porque não é lucrativo, mas porque não o interessa. Não é um mercado que as pessoas gostam de investir ou trabalhar.
      E ao menos no Brasil, quem trabalha no mercado de transporte público, já o faz por antes ter trabalhado de alguma forma dentro dele. Novamente: procure ler as histórias sobre a mobilidade e as primeiras empresas de transporte no país.

      Quando o governo tentou fazer as licitações para o transporte ferroviário, poucos investiram nisso. Infelizmetne a malha ferroviária ficou “largada”, perdida. E esta forma de transporte é uma das mais eficientes e baratas existentes.

      “O fundamento básico do estudo da economia é que os recursos são escassos. E quem aloca de forma mais eficiente esses recursos escassos é a economia de mercado.”
      Não me parece. É como “dar um pirulito e depois tomar a força”. (Vide os casos de excesso de valores das “tarifas multiplicadas do Uber”).

      “É mesmo verdade que órgãos reguladores que protejam as empresas estabelecidas contra a entrada de novos concorrentes é o melhor para o consumidor?”
      Depende da situação. Se a concorrência for prejudicial a situação social em um todo, um órgão regulador tem total direito de intervir na entrada de concorrentes. Há uma diferença entre uma Netflix (que interfere em concorrências globais) e um Uber (que interfere em concorrências regionais). Netflix concorre com grandes empresas de comunicação. Uber concorre com táxis, sendo que alguns realmente eram ruins, mas boa parte nem conseguem pagar as contas direito dependendo do mês que trabalha.

      “O sistema atual protege os ricos da concorrência dos pobres e mais, nenhuma empresa duraria muito se vendesse seus produtos com prejuízo para quebrar os concorrentes, e mesmo que durasse não acho que os consumidores iriam reclamar de comprar produtos por preços baixíssimos, tão logo todos os concorrentes estivessem quebrados e a empresa resolvesse aumentar seus preços para tornar seu negócio lucrativo novamente os concorrentes iriam aparecer de novo em um ambiente de livre mercado.”
      Mito, mito e mito.

      De fato, o que protege os ricos da concorrência de pobres não é “o sistema”, mas sim a influência, a manutenção da situação social (esta feita pelas relações políticas das pessoas), etc… Os grandes empresários, que tem conexões com a política, que fazem de tudo para influenciar o mercado, seja de forma “livre” ou não.

      “Não estou “indo pra cima” de você, estou apenas debatendo ideias e não pessoas.”
      Pessoas produzem ideias, e ideias fazem as pessoas. Então quando você debate ideias, você debate também com pessoas. E você se põe no debate, com sua personalidade. E usa alguma forma de violência (desvalorização inclusa) para diminuir uma ideia que você não a aceita. No caso aqui, a regulação do transporte.

  14. Tenho um amigo médico (e de esquerda) que é favorável à cobrança de um valor mínimo por consulta do SUS – digamos, uma passagem de ônibus – porque, sendo gratuito, há uma tendência à utilização além do razoável. Por exemplo, pessoas solitárias que vão diariamente ao médico para ter com quem conversar.

    Esta discussão toda é absurda. Que tal se, em vez de nos dar transporte gratuito, que tende a favorecer só quem precisa de transporte público (por exemplo, pessoas que trabalham perto de casa não precisam), o governo nos desse casa, comida e roupa lavada, que são necessidades universais?

    • Já ouvi falar de países que tem políticas sociais que dão “subsídios minimos”. Salvo engano, os “países baixos” (Suécia, Noruega, etc…) são assim.

      Via de fato no Brasil mesmo, é possível viver ao menos com um canto para dormir todas as noites, no caso, os albergues municipais (em locais onde existem).

  15. Brasil uma naçao de mamadores que só busca o bem próprio. Na atual conjuntura a população deveria estar pensando em formas de diminuir gastos e não em aumentar os mesmos. Mas um motivo para creer que a população não tem noção da gravidade da situação econômica que atravessa o país. Se o PSDB não ganhar as eleições em 2018, perderei totalmente a esperança no nosso país.

  16. O transporte público em Paulínia ainda é gratuito? Salvo engano ele é subsidiado mas a tarifa não é zero. Houve um tempo em que era, mas a população pega o ônibus num ponto para descer no próximo e daí instituíram uma tarifa mínima para evitar este “desperdício”.

  17. Mansueto, discutir as pautas desses movimentos esquerdistas é total perda de tempo. Para o MPL pouco importa se oferecer transporte “gratuito” beneficia os pobres ou não. O que eles querem é alguma ideia que ajude na “mobilização do povo” para a sua revolução . MST, MTST, MPL e afins seguem todos a mesma recita de bolo. O nível do nosso atraso é deprimente.

  18. Mansueto, maravilhoso o seu post e mais ainda a discussão que promoveu. Li os comentários, e todos riquíssimos. O Brasil tem jeito sim, e acho que você está dando sua contribuição provocando esses debates, assim como todos os que comentaram aqui. Acho que as faculdades de economia poderiam explorar cada uma das propostas e comentários e debater, fazer as pessoas pensarem, os jovens principalmente, porque falta censo crítico a muitos, por falta de contraponto. DCE é só esquerda, todos que estudaram nas federais sabem disso. O mundo é visto como um complô capitalista terrível, e tudo que foi conquistado em termos de liberdade e democracia é esquecido, não é falado ou não é associado a ascensão do capitalismo. Não estou defendendo o capitalismo, tenho minhas críticas ao sistema, como qualquer um. Mas estou esperançosa com o debate promovido. Um grande abraço!

  19. Pingback: Acontecendo agora: Mansueto Almeida sobre a demanda do Movimento Passe Livre (MPL) via /r/brasil | alinegarciadias

  20. A única coisa que me deixa feliz é que, a tal “tarifa zero” não passa de “wishiful thinking” com um bando de “morons” transformando as terças e quintas de Sampa em um inferno!

  21. Bobagem esta definição: Transporte público. É transporte privado sem concorrência. Uma coisa dessa, previsto para ter lucro, não tem como dar certo.
    Os donos das empresas maximizam seus lucros. Operam nas margens.
    Em algumas prefeituras, eles ganham por viagem e são as prefeituras que maximizam seus lucros. Consequência: só tem ônibus lotados, com horários feitos para que eles operem com o máximo de sua capacidade.
    Quer fugir do horário de pico? Desista! Os horários são reduzidos, sua espera é maior, a lotação não diminui e o conforto vai embora. E sair de carro compensa.
    É a mesma coisa que um leito vazio em um hospital da Unimed (não vou citar o SUS porque dá canseira) Se está vazio, falta um paciente ali. Um enfermeiro está “a toa”, esperando um paciente? Ele pode ser demitido. O mercado maximiza esta alocação de forma muito eficiente. Não dá para ter qualidade quando não há concorrência efetiva, o que temos é lucro. Liberem as vans para ver o mercado funcionar.

  22. O problema é justamente esse. Pessoas inteligentes como você querem levar esse bando de moleque mimado, comunistas sustentado pelos pais que não sabem o que é trabalhar um dia na vida, comandar um negócio, a sério. Eles querem tudo de graça. Eles não entendem uma economia de mercado porque eles não apoiam uma, eles desejam a estatização de TODOS os meios de comunicação. O que tem que ser feito é acabar com todo e qualquer subsídio dado ao transporte (público e privado) e acabar com essa história de meia passagem ou passagem gratuita.

  23. Caríssimo Mansueto,

    Em visto o fechamento das contas de 2015 do governo, você pretende lançar algum artigo explicando onde principais buracos nas contas e orçamento do governo para este ano?

    Pergunto pois gostaria de entender melhor onde que estão os principais problemas estruturais das contas do governo. As vezes para nós super leigos é difícil explicar para as outras pessoas onde e como chegamos nesta situação…

    Grande abraço.

  24. Dilmas, Jessés, MPLs… que tristeza. Estamos ainda discutindo se 1+1 é 2 ou isso é apenas um consenso forjado pelo capitalismo financeiro internacional. É louvável a sua disposição, Mansueto. Parabéns.

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