O medo do FMI

Uma vez conversando com o porteiro do meu prédio, ele me confessou que tinha muito medo do FMI. Assim, na primeira chance que tive, o apresentei a um amigo que trabalhou no FMI e, meu amigo, o porteiro, ficou surpreso com as coisas que meu amigo ex-FMI e agora analista de banco privado falou sobre o que pensava sobre desenvolvimento.

Mas para a minha supresa, ainda tem professor de economia que morre de medo do FMI. Professor de economia da USP. O artigo da professora da USP Laura Carvalho hoje na folha (clique aqui) aborda um bom assunto -se é ou não positivo reduzir o volume de reservas- mas, no final, a professora da USP escorrega com um parágrafo horripilante:

“Se o objetivo é mesmo o de estabilizar a dívida bruta e supostamente criar espaço para a retomada dos investimentos públicos, melhor seria se o Banco Central não continuasse a elevar a taxa de juros em meio a uma economia deprimida e com taxa de inflação que já sinaliza uma desaceleração. Mas, se o objetivo é nos deixar reféns do FMI e forçar novas privatizações em um futuro próximo, queimar as reservas é um bom começo“.

Nem vou rebater. vou deixar isso para um outro professor da USP, Carlos Eduardo Gonçalves, que atualmente é pesquisador do FMI. Cliquem aqui para ler o excelente artigo do professor da USP Carlos Eduardo Gonçalves. 

13 pensamentos sobre “O medo do FMI

  1. Que um leigo diga essas asneiras sobre FMI até se aceita, mas um professora de economia da USP não para aceitar. O professor Carlos Eduardo deu a resposta certa. O que o FMI faz é o que qualquer um faz quando um parente se aperta e vem lhe pedir dinheiro emprestado. Só emprestamos se mudar seus hábitos de gastar demais.

  2. Muitos dos nossos famosos professores e intelectuais colocam a ideologia partidária acima de tudo, daí a falta de racionalidade, de isenção nas opiniões.

  3. Quando funcionário do BB ouvia queixas dos clientes sobre as exigências do Banco. Garantias, etc. A CEF abandonou seu slogan “mão que economiza é mão que não pede”. Elementar. Até um leigo entende. Já ouvi coisas piores de economista que está no governo.

  4. Artigo, no mínimo, ingênuo. Parte do pressuposto que o FMI é uma instituição completamente neutra, livre de pressões e se baseia apenas em critérios técnicos, quando na realidade é um sistema fortemente baseado na politicagem e respeito ao establishment.

    Um exemplo do que me refiro: Os EUA antes da crise dos títulos podres em 2008. Tinha um rating excelente e poderia emprestar quanto dinheiro fosse, pelos juros que quisesse pagar. Outras economias muito mais sólidas nos critérios técnicos não poderiam fazer o mesmo, porque não tinham o mesmo “renome” e a mesma “grife” de ser o “país dono do mundo”.

    • As maluquices que o governo fez desde 2008 não tem a ver com FMI. Tem a ver com um bando de pessoas incompetentes e/ou mal intencionados e arrogantes. FMI não tem culpa das nossas mazelas.

    • Rafael

      O artigo do Carlos Eduardo não é um texto acadêmico, o qual, de fato, não pode cair em superficialidades. É texto escrito na forma do que se pode chamar de “texto de combate”.

      E o nome do blog diz tudo: Prosa Curta. Minicontos e minicrônicas.

      E o que o texto do Carlos Eduardo combate? A mania teimosa e tosca de ativar jargões no debate da economia. E ele fez isso muito bem.

      No mais, atente para o seguinte: numa conversa entre adultos, deve-se evitar a mania ridícula e arrogante de iniciar uma conversa apontando no outro ingenuidade.

      Laura Carvalho, Carlos Eduardo, Mansueto (a lista é grande) não são ingênuos.

      E sendo o assunto o “pecado” da superficialidade, aqui um texto que espanta, porque me revelou o que desconhecia: é possível, num texto de economia, ir de Mankiw a Sêneca. Mas o cara tem de ser muito bom. 🙂

      ENTRE A INSCIÊNCIA E A LITERATURA
      Rodrigo Peñaloza. PhD in Economics from UCLA, MSc in Mathematics from IMPA, Professor of Economics at the University of Brasilia. Greatly devoted to Latin and Classical Greek.

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    • Desde quando “asset forfeiture” significa “títulos podres”? Essa crise dos republicanos, como a de 1929, resulta de confiscos praticados pelo fanatismo proibicionista revestido do poder coercitivo da lei. Sejamos honestos!

    • Rafael, a crise de 2008 não chegou nem perto de ameaçar a capacidade do tesouro americano de honrar seus compromissos, ou seja, não tem nada a ver com a história. Quando houve a polêmica entre a Casa Branca e o congresso relacionada ao aumento do teto de endividamento, aí sim um default pôde ser aventado, e as agências de rating responderam da forma esperada.

  5. Laura nao foi a professora da FEA incensada pela FSP, como uma mulher “pode” enfrentar um ambiente academic machista? FSP nunca ouviu falar de Ana Alice Canabrava, e ao led o artigo da Laura, achei que estava mostrando um lado mais fetichista sado-maso: entreguemo-nos a sanha do FMI. Zeina Latif, nao volte para a USP!

  6. “tem algumas teorias, mas não estou com paciência para enumerá-las” .
    Ah como acompanhar meu colegas economistas hoje em dia eh muito mais divertido do que ha 15 anos atras ( quando me formei pela Puc Rio). Hoje escreve-se de forma tao mais simples, relaxada e acessivel ao leitor que nao tem formacao na area. Parabens a este blog. Que conceitos basicos de Economia possam ser compreendidos por todos!

  7. Ainda há o desprendimento, ou seja lá o nome que tenha, de enfrentadores do império. Seja lá o que se faça aqui, o império tem de aceitar, afinal somos soberanos, temos pré-sal, Amazônia, população, chikungunha, zika, dengue…
    Oras, a hora é a de enfrentar os problemas e antes entende-los e não o contrário. Esses sopros de bazófias, hoje, estão em calhamaços de processos de malversação de recursos públicos. E o FMI tem alguma coisa a ver com o vetor aedes egypt?
    Já passou da hora de pensar na potência do hemisfério sul e fazer a lição de casa.

  8. Mansueto atualmente o seu blog é um dos melhores, mas mesmo assim nota-se nos comentários que muitos ainda insistem em desqualificar quem pensa diferente. Este foi um dos principais motivos pelo qual o PSDB perdeu a eleição, pregar para os convertidos.
    Muito bom os comentários do Rafael. Ser contra o governo não é sinônimo de estar certo. Reúna um grupo de economistas de oposição mas com origens diferentes, indústria, bancos e comércio, cada um terá uma saída para a crise e todas diferentes.
    Mas a questão não é essa, só sairemos da crise apontando para o futuro e para isso vai ser preciso debater, debater e debater até gerar um novo consenso na sociedade. E hoje de manhã um ex-professor me lembrava que economistas não são muito bons em consensos.
    Eu devo estar muito errado porque para mim o que esta por traz de toda esta discussão é o velho conflito distributivo, ou seja quem vai pagar a conta? Temos a saída pelo corte dos gastos sociais, pelo aumento seletivo da carga tributária, pelo aumento não seletivo da carga tributária, pela redução da renda do trabalho, pela mudança na previdência.
    Ontem conversava com um grupo de amigos e todos concordavam em que o governo precisava gastar mais. Como vários ali eram funcionários públicos perguntei onde o governo deveria cortar. Não preciso falar o mal estar que a pergunto criou.
    Obrigado pelo blog. A possibilidade de comentar é muito boa, mas poder ler outros pontos de vista é melhor ainda.

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