O que será 2016?

Não estou otimista com 2016. Alguns dos meus amigos me falam que as previsões são mero exercícios imprecisos de futurologia e, assim, 2016 poderia nos surpreender. Não é bem assim. Primeiro, é verdade que o PIB pode não cair 3%, mas ninguém espera crescimento algum porque o resultado ruim deste ano já leva para o próximo uma queda do PIB de perto de 2%.

Segundo, quem acha que as teses liberais venceram o debate está, na minha opinião, equivocado. É muito provável que um debate sobre ajuste estrutural no longo prazo, com temas como reforma da previdência, ocorra, simultaneamente, com a defesa de uma expansão da despesa pública e de empréstimos para estados no curto prazo. A tese é a de sempre: expansão da despesa no curto prazo ajudaria o crescimento. A mágica fácil do crescimento.  O resultado liquido disso para mim é incerto.

Terceiro, quando se olha a composição da equipe econômica do governo, as pessoas que lá estão (sem demérito algum) não têm simpatia pelas teses de ajuste do mercado, confiam excessivamente no papel indutor do Estado na economia e sofrerão enorme pressão por parte do Congresso Nacional para serem mais flexíveis. Não surpreende o debate publicado nos jornais de um possível aumento da meta da inflação para 5,5% (ver aqui), o que seria um verdadeiro desastre.

Quarto, tenho escutado de alguns a tese que nenhum governo é suicida. Isto seria o mesmo que dizer que os governos sempre corrigem a rota da politica econômica a tempo de evitar crises agudas. A evidência empírica nos diz o contrário. Em geral, governos sempre pensam que podem “ganhar” do mercado com algum plano mágico que, no final, leva ao agravamento da crise econômica. Isso vale para o Brasil bem como para outros países.

Quinto, a crise da saúde no Rio de Janeiro será algo cada vez mais frequente em vários outros estados que continuarão com problemas sérios de caixa em 2016. Não vamos nos esquecer que, em 2015, quase todos os estados tiveram ajuda de depósitos judiciais para “equilibrar” as contas. Essa fonte de receita acabou. O que fazer para evitar colapso de alguns serviços públicos no próximo ano? problemas na oferta de serviços públicos irá continuar e a demanda será para relaxar o esforço fiscal.

Assim, por favor, me coloquem, por enquanto, no grupo dos pessimistas. Torço para estar errado. Acho que até março teremos uma boa ideia do que será 2016 e, repito, para mim, o primeiro teste da nova equipe econômica será a posição do Ministro da Fazenda e do governo quanto ao PLC 125/2015 que trata da ampliação dos limites de enquadramento do SIMPLES. O Governo precisará encaminhar voto contra e, a oposição, deve deixar para o governo e para a nova equipe econômica o ônus de convencer a todos porque não há como aprovar este projeto no próximo ano.

14 pensamentos sobre “O que será 2016?

  1. O Ministro Nelson Barbosa é um dos formuladores da proposta do simples. Fez o trabalho encomendado pelo Afif à FGV e entregou pouco antes de voltar ao Governo pra assumir o Planejamento. Será que ele vai voltar atrás da sua própria proposta?

  2. Eu também acho que o ano de 2016 será ruim, se não for pior que 2015. A dívida continuará crescendo, porque acumulará os juros que crescerão com a Selic alta e com a não formação de superávit primário. A inflação continuará alta e é bem provável que aumentem o teto da meta, sim. Alguns estados, com a queda continuada da receita e a rigidez da despesa, formarão enormes déficits, pressionando o governo federal por recursos.

  3. Mansueto, antes de mais nada um Feliz Natal.
    Também faço parte do grupo dos pessimistas.
    O ignóbil do estelionatário e safado do Lula e a incompetente e idiota da Dilma, aliada com a abjeta classe política brasileira são os únicos responsáveis pela gravíssima crise econômica que afeta o país.
    Para ser muito franco, torço para que a crise seja bem maior: inflação elevada, desemprego em alta, severa recessão econômica, perda dos graus de investimentos, deterioração dos já péssimos serviços públicos, etc e etc, pois só assim este bando de políticos achacadores, corruptos e até mesmo bandidos tenha consciência dos estragos que vem produzindo na economia do país.
    O Partido dos Trabalhadores é a lepra e o câncer da política brasileira.
    Tenho fé em Deus que a sua principal figura, Sr. Luis Inácio Lula da Silva, morra antes que este vire uma Venezuela, ou melhor uma BRAZUELA.

  4. Caro Mansueto, no item 3. referiste que: ” Não surpreende o debate publicado nos jornais de um possível aumento do teto da inflação para 5,5% (ver aqui), o que seria um verdadeiro desastre”. Todavia, tenho lido que está sendo cogitado o aumento na meta da inflação para 5,5%, com de tolerância de até 2%; ou seja, o teto admissível seria de até 7,5% – o que é muito pior.

  5. Solidarizo com sua opinião caro colega, também sou ortodoxo e pragmático em economia, não veja melhoras no curto prazo, não sinpatizo com esses desenvolvimentistas, vão levar o Brasil mais para o buraco. Uma pena. feliz natal e um 2016 espero que seja bom.

  6. Mansueto, formo com você no time dos pessimistas. O voluntarismo econômico vai continuar prevalecendo, porque essa gente não vive no mundo real, acha que tem uma cornucópia de dinheiro ilimitado, Mesmo com a incrível resiliência desse país, acredito num 2016 dificil e num 2017 talvez menos pior.

  7. Todos os indicadores apontam para o inevitavel : mais do mesmo.

    Além disso , existem os precos dos serviços de energia e derivados do petróleo que continuarão subindo, pressionando a inflação.

    Selic chegara a 14,75 e a divida publica estourara , sem nenhuma duvida.

    Divida da Petrobras aumentara para 600 bilhoes com a alta do dólar.

    So Existe 1 Saída : Dilma renunciar ou ser impichada.

    Sem isso , 2016 é mais 1 Ano Perdido da nossa Historia e , se Dilma permanecer , o quinquenio 2015 a 2020 sera perdido.

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