Boas Festas

O ano de 2015 não foi um ano propriamente para se comemorar. Do ponto de vista pessoal foi um bom ano para mim. Nada a reclamar. Do ponto de vista do pais, não conseguimos fazer o ajuste fiscal prometido, a recessão se agravou e entramos em 2016 com muitas indefinições e com um novo ministro da fazenda. Será mais um ano difícil.

Mas este último post do ano não é para gerar polêmica, mas sim para agradecer a todos que tiveram paciência de acompanhar este blog, de ler os meus artigos, de enviar comentários, de concordar e não concordar comigo.

Em especial, me alegra muito quando alguém fala que acompanha o blog e que consegue entender mesmo não sendo economista. Vou tentar escrever ainda mais claro e de forma mais didática. nem sempre tenho sucesso.

Em 2015, o post mais popular deste blog foi um que comentei um artigo terrível do professor André Singer que trazia uma pérola impressionante (ver O bode expiatório e a burguesia) – vale a pena ler o post novamente.

“…Com apoio passivo da classe trabalhadora organizada, Dilma tentou efetivar o anseio rooseveltiano por meio de uma política desenvolvimentista em 2011/12. Mas foi derrotada pela reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade.”

No mais, o ano terminou com 768 mil visualizações, crescimento de 17% ante 2014, quando o blog teve 654 mil acessos. Não tenho do que reclamar. Quando o blog começou, em 2009, o número de acesso foi apenas 350! Mas começou a crescer muito a partir de 2013. Em 2015, o numero de acessos representou um média mensal de 64 mil visualizações e de 2.134 acessos diários. Isso me deixa muito feliz.

Número de Acessos a Este Blog – 2009 a 2015

Blocg acessos

Desejo a todos Feliz Ano Novo. O ano de 2016 será difícil, mas vamos nos preparar para bons debates. Não vou parar. Vou tentar melhorar e espero contar com a visita de vocês em 2016. Aproveito também para pedir desculpas pelos excessos que cometi nos debates. Volto a escrever no próximo ano.

Abraços, Mansueto Almeida

Controvérsia-2: porcos, ovelhas e outros bichos

Dando continuidade a polêmica que surgiu com a publicação do artigo do economista Alexandre Schwartzman, o Porco e o Cordeiro (ver aqui), o economista Luiz Gonzaga Belluzzo escreveu um texto longo sobre o assunto no qual fala, entre outras coisas:

“…..Não sou valentão: apanhei e bati, mas jamais fugi do pau. Assim, os Mansuetos da vida, os Alexandres da morte podem preparar o lombo. Os Carlos Eduardo vou deixá-los entregues aos ressentimentos de suas nulidades. Seja como for, não vou desistir e muito menos apelar para grosserias e maledicências.”

Leiam o texto completo do professor Belluzzo aqui. Mas a passagem acima me parece um pouco arrogante. Ou não? Que eu me lembre, nunca xinguei a pessoa do professor Luiz Gonzaga Belluzzo. Apenas o citei baseado na sua própria declaração que algumas pessoas que saem das universidades são “idiotas funcionais” e me solidarizei com Alexandre Schwartsman. Por que não posso ser solidário ao meu colega Alexandre Schwartsman? Para isso tenho que “preparar o lombo” para levar pancada?

Pode bater em mim à vontade. Não posso fazer nada, pois o professor Belluzzo tem o direito de bater (nas minhas ideias), mas não em mim. Também não sou valentão. Até hoje tenho medo de espíritos, principalmente, quando alguns querem despertar o “espírito animal” a qualquer custo.

O mais engraçado é que o professor Belluzzo escreve que não vai “apelar para grosserias e maledicências”, mas faz justamente isso ao escrever, por exemplo: “Os Carlos Eduardo vou deixá-los entregues aos ressentimentos de suas nulidades”.

Muitos de nós chamamos Carlos Eduardo de Dudu, um excelente professor de economia da USP que está licenciado para trabalhar como pesquisador no FMI. É um economista bem conhecido e respeitado na academia com uma lista grande de publicações em revistas de economia no exterior. Será que, mesmo assim, ele tem “ressentimentos de suas nulidades”?

Dado que estamos em uma democracia, que permite o contraditório, vários economistas e não economistas resolveram encaminhar uma petição pública ao Jornal Folha de São Paulo se solidarizando com o economista Alexandre Schwartsman, que foi alvo de uma nota de repúdio que comentei em post anterior.

Não concordamos que Alexandre Schwartsman tenha passado dos limites, como dizem alguns, ao escrever um artigo em forma de fábula e queremos evitar que se crie um mal estar entre o economista e o Jornal Folha de São Paulo. Será que em uma democracia algumas pessoas têm o direito de achar que Alexandre Schwartsman não foi grosseiro como muitos afirmam? Será que eu e outros temos o direito de discordar  “preparando  ou não o lombo” como sugere o professor Luiz Gonzaga Belluzzo?

Quem tiver interesse, pode assinar a petição pública aqui. Vários colegas começaram a petição no sábado dia 26 de dezembro e, em dois dias, a lista já tinha mais de 650 assinaturas.  Há vários nomes de economistas e não economistas, “com e sem ressentimentos de suas nulidades”. Entre eles:

Edmar Bacha (PUC-RJ), Gustavo Franco (PUC-RJ), Carlos Vianna (PUC-RJ), Carlos Eduardo Gonçalves (USP e FMI), Irineu Carvalho (FMI), João Manoel Pinho de Mello (INSPER), Vinicius Carrasco (PUC-RJ), Tiago Berriel (PUC-RJ), Paulo Picchetti (FGV-SP), Roberto Ellery (UNB), Mauricio Bugarin (UNB), Marcos Fernandes (FGV-SP), Mário Ribeiro (UFPA), Gustavo Maia Gomes (UFPE), Giacomo Balbinotto Neto (UFRGS), Bruno Cara Giovannetti (FEA-USP), Mansueto Almeida, etc. – A lista completa dos que assinaram a petição pode ser acessada aqui.

Por fim, da mesma forma que disponibilizei no inicio desse post o artigo do professor Belluzzo, três outros economistas escreveram artigos duros sobre essa polêmica. O professor da USP Carlos Eduardo Gonçalves, que foi citado por Belluzzo, escreveu mais um texto (clique aqui); Irineu Evangelista de Carvalho Filho (FMI) também resolveu escrever sobre o assunto (clique aqui) e o também professor da USP Sérgio Almeida escreveu sobre o assunto (clique aqui).

Controvérsia: porcos, ovelhas e outros bichos

Não tinha prestado atenção a essa polêmica. O economista Alexandre Schwartsman escreveu um texto na sua coluna semanal na Folha de São Paulo, “O Porco e o Cordeiro”, uma fábula econômica com um diálogo entre animais (ver aqui).

Um grupo de economistas e não economistas ficou irritado e enviou uma “Nota de Repúdio” contra Schwartsman à Folha de São Paulo (ver aqui). Pelo que entendi, o grupo de 154 profissionais que assinam a nota  reclamam da linguagem cifrada e, segundo eles, desrespeitosa, com que Schwartsman trata as pessoas de quem discorda.

Ao que parece, Schwartsman poderia ter “agredido de forma respeitosa”, chamando essas pessoas idiotas, mas jamais usando uma fábula, comparando as pessoas a animais. A crítica é essa? Pelo amor de Deus.

O interessante é que muitos dos que assinam a Nota de Repúdio não são também muito educados no debate público e costumam usar adjetivos bastante fortes para descrever ideias com as quais não concordam, seja em artigos, seja nos posts nas redes sociais.

Por exemplo, em entrevista em abril de 2015, o professor Belluzzo disse que muitas pessoas que saíam da USP eram “idiotas fundamentais”, como dizia Nelson Rodrigues (ver aqui), porque não aprendiam história e sociologia. Isso não seria uma ofensa para alguns ex-alunos de economia e engenharia da USP? Será que os físicos da USP seriam idiotas fundamentais? Será que quem discorda das ideias do professor Belluzzo seria um idiota fundamental? Ou só idiota?

O professor licenciado da USP, Carlos Eduardo Gonçalves, escreveu um post sobre essa polêmica no seu Blog no Estadão (clique aqui). O post é  curto e vai direto ao ponto. Concordo com Carlos Eduardo.

Schwartsman escreve bem, em geral está correto e muita gente, eu inclusive, aprende com seus artigos. É um grande economista que contribui MUITO para o debate. Ele tem um estilo agressivo como Paul Krugman, que, aliás, muitos dos que assinam a Nota de Repúdio adoram.

A Folha de São Paulo tem dado bastante espaço para ideias divergentes, algumas das quais  bastante malucas na minha opinião. Nem por isso há um abaixo assinado pedindo para que a Folha não publique certas ideias malucas.

O ideal é que no debate de ideias houvesse respeito de ambos os lados. Mas talvez uma parte dos economistas mais ortodoxos esteja cansado de ser chamado de idiota neoliberal, defensor de banqueiro, etc. por algumas pessoas que se auto denominam “intelectuais” e que se acham de esquerda porque defendem aumento do gasto público. Seriam “idiotas fundamentais” como fala o professor Belluzzo?

O nível do debate no Brasil é tão superficial  que, se você defende aumento da despesa pública, juros subsidiados, forte intervenção do governo na economia, proteção comercial, etc. é visto como uma pessoa boazinha, mesmo que quebre o país.

Mas se você prega austeridade, fim de subsídios para ricos, maior abertura comercial, aponta vários erros de politica econômica, etc. é taxado de entreguista, neoliberal burro, pessimista, etc.

Dada a maior exposição dos nossos jovens ao que vem lá de fora e um maior intercâmbio com o resto do mundo, com o tempo, teremos a chance de melhorar o debate aqui dentro. Enquanto isso, talvez não seja recomendável esperar  que os economistas liberais baixem a cabeça e aceitem ser xingados por se manifestar contra ideias que consideram equivocadas.

O que será 2016?

Não estou otimista com 2016. Alguns dos meus amigos me falam que as previsões são mero exercícios imprecisos de futurologia e, assim, 2016 poderia nos surpreender. Não é bem assim. Primeiro, é verdade que o PIB pode não cair 3%, mas ninguém espera crescimento algum porque o resultado ruim deste ano já leva para o próximo uma queda do PIB de perto de 2%.

Segundo, quem acha que as teses liberais venceram o debate está, na minha opinião, equivocado. É muito provável que um debate sobre ajuste estrutural no longo prazo, com temas como reforma da previdência, ocorra, simultaneamente, com a defesa de uma expansão da despesa pública e de empréstimos para estados no curto prazo. A tese é a de sempre: expansão da despesa no curto prazo ajudaria o crescimento. A mágica fácil do crescimento.  O resultado liquido disso para mim é incerto.

Terceiro, quando se olha a composição da equipe econômica do governo, as pessoas que lá estão (sem demérito algum) não têm simpatia pelas teses de ajuste do mercado, confiam excessivamente no papel indutor do Estado na economia e sofrerão enorme pressão por parte do Congresso Nacional para serem mais flexíveis. Não surpreende o debate publicado nos jornais de um possível aumento da meta da inflação para 5,5% (ver aqui), o que seria um verdadeiro desastre.

Quarto, tenho escutado de alguns a tese que nenhum governo é suicida. Isto seria o mesmo que dizer que os governos sempre corrigem a rota da politica econômica a tempo de evitar crises agudas. A evidência empírica nos diz o contrário. Em geral, governos sempre pensam que podem “ganhar” do mercado com algum plano mágico que, no final, leva ao agravamento da crise econômica. Isso vale para o Brasil bem como para outros países.

Quinto, a crise da saúde no Rio de Janeiro será algo cada vez mais frequente em vários outros estados que continuarão com problemas sérios de caixa em 2016. Não vamos nos esquecer que, em 2015, quase todos os estados tiveram ajuda de depósitos judiciais para “equilibrar” as contas. Essa fonte de receita acabou. O que fazer para evitar colapso de alguns serviços públicos no próximo ano? problemas na oferta de serviços públicos irá continuar e a demanda será para relaxar o esforço fiscal.

Assim, por favor, me coloquem, por enquanto, no grupo dos pessimistas. Torço para estar errado. Acho que até março teremos uma boa ideia do que será 2016 e, repito, para mim, o primeiro teste da nova equipe econômica será a posição do Ministro da Fazenda e do governo quanto ao PLC 125/2015 que trata da ampliação dos limites de enquadramento do SIMPLES. O Governo precisará encaminhar voto contra e, a oposição, deve deixar para o governo e para a nova equipe econômica o ônus de convencer a todos porque não há como aprovar este projeto no próximo ano.

Novo Ministro da Fazenda e o PT

Não tenho nada contra o novo ministro da fazenda Nelson Barbosa. As minhas dúvidas são duas: (1) se o PT mudou e estaria disposto a adotar medidas que o partido não concordava apenas porque o ministro é alguém que o partido simpatiza; e (2) a independência do economista Nelson Barbosa de comprar briga com deputados e senadores do PT e com a própria Presidente da República. Essas duas dúvidas serão esclarecidas ao longo dos dois primeiros meses do ano.

Mas para deixar claro o problema, vale a pena ler a coluna Painel do jorna Folha de São Paulo hoje. De acordo com a coluna Painel da jornalista Natuza Nery. (clique aqui):

Prazo de validade Embora seja visto como “um dos nossos” pelo PT, Nelson Barbosa terá pouco tempo de lua de mel com o partido do governo. Petistas afirmam que, em janeiro, cobrarão do novo ministro da Fazenda “alguma novidade” para reanimar a economia. Caso Barbosa não entregue a encomenda, a pressão será pública. Integrantes da legenda e do Instituto Lula se queixam de que o Palácio do Planalto ainda não deixou claro o que Dilma Rousseff pretende fazer em 2016 para ressuscitar o PIB.

 Errou rude Petistas reprovaram a fala de Barbosa sobre a reforma da Previdência na sua estreia como ministro. “Tem de sinalizar para o nosso povo, não contra nós. É um erro achar que ele vai agradar ao mercado”, diz um veterano da sigla.”

Outro ponto importante será a votação do PLC 125/2015 que trata de mudanças no Simples nacional, aumentando o limite de faturamento de R$ 3,6 milhões para R$ 7,2 milhões e para R$ 14 milhões (empresas industriais). Esses seriam os novos limites para empresas participarem desse regime tributário especial.

Essa matéria será uma das primeiras a ser apreciada no plenário do Senado Federal após o recesso. De acordo com informações do Senado Federal: “a tramitação do projeto encerrou-se no dia 17 de dezembro. Foram apresentadas as Emendas nºs 10 a 15 – Plen. A matéria encontra-se em regime de urgência e está incluída na pauta da Ordem do Dia do dia 3 de fevereiro de 2016.

O problema com o Simples é que esse regime já é muito amplo com o teto de R$ 3,6 milhões. Do total de 3,74 milhões de empresas optantes do Simples, em 2014, 3,64 milhões, 97,5% das empresas, tinham faturamento de até R$ 1,8 milhões. Ou seja, o teto atual de R$ 3,6 milhões já é mais que suficiente para pegar pequenas empresas.

Adicionalmente, o maior efeito da ampliação do teto do Simples não é a criação de novas empresas, mas mudança de regime tributário: empresas saem do regime de lucro real ou lucro presumido para o Simples. Segundo estudos internos da Receita Federal, as mudança propostas no PLC 125/2015, se aprovadas, significarão uma perda líquida de arrecadação para o governo federal de R$ 13 bilhões, em 2017, e de R$ 16,1 bilhões a partir de 2018. Essa perda anual é metade da arrecadação da CPMF que o governo quer criar.

Assim, para mim, o primeiro grande teste do novo ministro da fazenda será se ele conseguirá ou não barrar a proposta de mudança do Simples e , claro, como o PMDB e a base do governo votarão essa proposta. Sei que é impopular dizer não, mas o governo não tem como aprovar esse projeto nas circunstâncias atuais. Esse será o primeiro grande teste do novo Min da Fazenda no Senado Federal.

O Ministro da Fazenda saiu?

Noticia de hoje do reporter da Folha Valdo Cruz, sempre bem informado, diz que na última reunião do ano do Conselho Monetário Nacional o ministro da fazenda, Joaquim Levy, se despediu e disse que não estará presente no próximo encontro no final de janeiro (clique aqui).

O episódio é triste, mas já era esperado. Joaquim Levy fez o que podia para tentar convencer o governo da necessidade de adotar um plano de ajuste fiscal que mostrasse algum resultado no curto e no longo–prazo. Não deu certo porque ele foi, desde o inicio, boicotado pelo PT e, muitas vezes, atacado pelo ex-presidente Lula. Além disso, não teve o apoio necessário de seus colegas ministros.

Joaquim Levy foi corajoso o bastante para colocar no debate temas extremamente inconvenientes para muitas pessoas. Não se furtou de defender limite para divida publica do governo federal e mostrou que o nosso sistema previdenciário não é sustentável. Tentou mostrar a população nossas anomalias, mas esse trabalho caberia a Presidente da República.

Confesso que o admiro. É um excelente economista e foi sempre boicotado. Lutou muito. Construiu pontes com a oposição para aprovar medidas de interesse do país e ganhou respeito de muitos senadores da oposição.

Se a saída do ministro for confirmada, e tudo indica que será, começa a especulação quanto ao seu possível substituto. As opções são duas. Primeiro, qualquer um que tente implementar a agenda do ministro Joaquim Levy sofrerá forte oposição da ala do PT que quer crescimento da despesa pública e da dívida. Ou seja, o seu sucessor, terá os mesmos problemas.

Segundo, se o novo ministro for alguém que conta com a simpatia do PT, será um grande desastre. Se for alguém que não tenha o poder de dizer não para a presidente e para o PT, esse ministro não terá força politica e nem tão pouco credibilidade para fazer nem metade do que Joaquim Levy fez. E vou arriscar um palpite. Se Joaquim tentou arrecadar R$ 32 bi com a criação da CPMF, o seu sucessor tentará arrecadar o dobro: R$ 64 bilhões.

A situação econômica do Brasil se deteriorou muito rápida. Não há perspectiva hoje de equilíbrio fiscal. O Governo não quer mais cortar gastos, não conta com apoio politico para aprovar medidas difíceis no Congresso, e nem tem convicção da necessidade de reformas estruturais. Enquanto isso, os indicadores econômicos e as expectativas do mercado vão piorando.

Muita incerteza. Lava Jato ainda pode implicar muita gente. Difícil saber agora quem está do lado negro da força. O Brasil já está em uma trajetória de crescimento da divida que é insustentável. Governo e parte da classe politica passam a impressão que há tempo para estudar alternativas. Não há tempo nem alternativas.

Mercado olha com ceticismo e fica à espera do que irá acontecer. Brasil é comparado com tudo de ruim que outros países fazem ou fizeram. Estrangeiros têm dificuldade de entender como brasileiros aceitam passivamente um “equilíbrio” ruim que poderá agravar a crise.

E assim vamos terminar o ano com elevada incerteza, mas torcendo para que alguma mudança positiva ocorra no futuro próximo. Mas, por enquanto, é apenas esperança.

Curiosidades

Tenho uma pergunta. Algum país no mundo, não vale Coreia do Norte, Cuba, Afeganistão e outros países não democráticos, já bloqueou o WhatsApp? Se sim quais e por que? será que até nisso o Brasil vai tentar “inovar”?

É normal ministros da fazenda serem demitidos, caso do Mantega,  ou anunciarem que sairão, caso atual, e continuarem como ministros por vários meses?

Será que os brasileiros têm noção do que se fala do Brasil hoje em dia no exterior. Ontem, em uma das minhas reuniões aqui em New York, o gestor teve que sair para explicar para um investidor enfurecido porque o seu dinheiro aplicado no Brasil havia tido uma perda no ano de 30%!

Por que antes do banqueiro André Esteves ser preso ninguém me falou dos sonhos dele?

Nas minhas palestras em NY, gestores de renda fixa não se assustam muito. Já sabiam o tamanho do problema. Gestores de renda variável apertam minha mão com medo de mim. A única turma hoje bem disposta a “comprar Brasil” é a turma que aposta nas flutuações da moeda e juros.

Por que 9 entre 10 bons economistas ortodoxos falam que o Banco Central não deve mais aumentar a taxa de juros, mas esperam que o Banco central aumente a taxa de juros? Essa história diverte a turma aqui fora.

Por que mercado foi tão comportado esta quarta feira? FED começou  subida de juros, procuradoria pede afastamento do presidente da Câmara dos Deputados, ministro da fazenda não nega sua saida e perdemos o segundo grau de investimento. Mercados até que reagiram bem e sem stress.

Para terminar, por que todos os estrangeiros e brasileiros aqui em New York me contam tanto sobre o caso recente da África do Sul? presidente Jacob Zuma  nomeia um ministro da fazenda sem credibilidade que leva a uma desvalorização de 16% da moeda local, o Rand, em poucos dias.

O novo ministro da fazenda durou quatro dias dos quais dois eram final de semana. Há algum risco de o governo brasileiro tentar fazer algo parecido, i.e testar alguém pouco conhecido e sem credibilidade na Fazenda se Levy sair?