Série Especial: Entenda a Despesa do Governo Central.

Vou começar hoje algo que pensava fazer algum tempo atrás, mas não consegui por absoluta falta de tempo. Quando sai do serviço publico de licença não remunerada, pensava que teria mais tempo livre, mas foi justamente o contrário. No entanto, não tenho do que reclamar pois gosto do ritmo forte de trabalho e de viagens que tenho. Dito isso, o que pretendo fazer?

Muita gente corretamente quer que o governo reduza o gasto publico. O que vou fazer nos próximos 5 ou mais posts é, a partir  da despesa primária (despesa não financeira) paga pelo governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central), em 2014, tentar mostra como se divide o gasto publico por função, o que é pessoal, o que é custeio, investimento, etc.

Uma vez que toda despesa do governo central de 2014 esteja detalhada, vamos tentar ver o que pode ser alterado rapidamente de um ano para o outro, o que pode ser alterado ao longo do tempo via maior controle administrativo (gestão) e o que precisaria de mudanças de regras para controlar a despesa. Estava pensando fazer isso via algum jornal, mas resolvi fazer aqui mesmo com 100% do controle do texto final.

O objetivo é que voce leitor que acompanha esse blog possa ter uma clara compreensão da estrutura da despesa publica federal não financeira e que voce possa formar sua opinião de ajuste fiscal. Eu tenho a minha, mas quero que vocês entrem em um debate que é, por natureza, político. Não existe nível ótimo de despesa pública como % do PIB.

Quando terminar essa série vou fazer um post para falar apenas da taxa de juros e da conta de juros do setor público. Mas não quero misturar os assuntos.

Os posts que farei são informativos e refletem minha opinião pessoal. Não sou o dono da verdade é há milhares de bons economistas no Brasil. Assim, nunca forme sua opinião apenas lendo este blog. Utilize-o para ajudá-lo na compreensão de alguns problemas, mas sempre consulte o seu economista preferido.

Hoje à tarde começo o primeiro post da série: “Entenda a Despesa do Governo Central”. Vou ver se no final desta série coloco o depoimento de alguns politicos, economistas amigos e até de pessoas que não são economistas sobre o assunto. Vamos ver se tenho fôlego. Esse será o meu projeto de outubro para o blog e vou tentar acabar até o dia 20 de outubro quando inicio uma “longa” férias de 7 dias.

Vamos ver se tenho a capacidade de transmitir o que pretendo ao longo deste mês. Se alguém não conseguir entender o erro será meu por não ter me esforçado o suficiente para que as pessoas possam entender os dilemas do ajuste fiscal do ponto de vista da estrutura da despesa do governo central.

Abs, Mansueto Almeida – 02 de outubro de 2015

28 pensamentos sobre “Série Especial: Entenda a Despesa do Governo Central.

  1. Bom dia Mansueto,
    Apenas uma sugestão: acrescentar o WhatsApp em “Share this:”
    Seria muito útil se pudessémos compartilhar seus posts por WhatsApp também.

  2. Mansueto, ontem estive ouvindo o economista Pedro Paulo Silveira, economista analista da TOV, discorrendo acerca do cenário macroeconômico, sobretudo os resultados do Governo Central recentemente divulgados.
    Ele falou, em certo momento, à guisa de sugestão, que o Banco Central poderia usar parte das suas reservas em dólares para amortizar parte da dívida pública, reduzindo a sua participação em p.p do PIB, mantendo a perspectiva de bom rating e aliviando o rombo fiscal.

    Me parece uma medida algo simplória, e inclusive me parece não haver incentivo para que o BACEN faça isso. Contudo, eu ainda não havia visto surgir essa ideia no debate que se desenrola. O que você acha?

    (se preferir responder-me ao longo dos posts da série que pretende, so be it. Obrigado.)

    • Quem primeiro sugeriu isso foi o economista Carlos Kawall do Banco Safra que escreveu um bom texto sobre o assunto.. A ideia conta, em circunstância normal de temperatura e pressão, com a simpatia de vários economistas. Mas no cenário atual há um problema. Como não estamos ainda avançando no ajuste fiscal, poderia ser interpretado lá fora como o truque para reduzir da divida bruta em 6-7 pontos do PIB sem fazer esforço fiscal algum. Assim, seria uma boa ideia se estivéssemos avançando no ajuste fiscal estrutural e uma ideia perigosa de alto risco se adotada de forma isolada. Quem me convenceu que essa ideia de troca de swap por venda de reservas adotada de forma isolada não seria uma boa política foi o Ilan do Itau e o Afonso Celso Pastore

    • Bondade sua. Tem muita gente competente para ser nomeada que já participa do governo e vamos torcer para que o governo, com essa reforma ministerial, consiga apoio de sua base para as reformas. Abs,

  3. Exelente , Mansueto!! Como aluna de graduação em Economia só tenho a te agaradecer tamanho esforço!! Ansiosa pelos próximos posts!!

    Obrigada, Laura.

  4. Sem dúvida, Mansueto, seus posts não só ajudam a sociedade entender um pouco mais sobre a real situação econômica brasileira, mas também ajuda todos aqueles alunos que querem conhecer mais a Economia.

  5. Excelente iniciativa. Orçamento público é ferramenta de cidadania, mas ele está muito distante da população em geral. Parabéns pela iniciativa de trazer o orçamento mais perto da compreensão, e espero que seu exemplo seja seguido!

  6. Mansueto sou fã incondicional de seu trabalho, sempre com muita sensatez e sem traços ideológicos nos debates econômicos. Continue firme!

  7. Isso deveria ser imitado pelos economistas do país inteiro para alcançar os orçamentos municipais e estaduais. Para ser eleitor o cidadão deveria ter o mínimo conhecimento sobre o Orçamento Público. Que seu trabalho sirva de exemplo. Sua iniciativa merece elogios.

  8. Fantástico Mansueto… Sou economista também e já estudo os gastos públicos há alguns anos, mas ainda tenho dificuldades de “achar” alguns números que são citados em análises sobre o assunto. Como faço isso nas horas fora do expediente, não tenho tanto tempo para me dedicar ao assunto, por isso acho que vai ser de grande valia. Eu, que já era fã do seu blog, vou ficar mais ligado ainda. Vou indicar o link para os colegas do trabalho que também acompanham as contas do país… boa sorte, na tarefa, tenho certeza que vai ficar ótimo. Abraços.

  9. Mansueto, parabéns pela iniciativa. Faz pouco tempo comentei com amigos que o Mansueto poderia desenvolver um material que explicasse despesas do Governo para “não-economistas” (ou para leigos). Certamente ajudaria a colocar um pouco de racionalidade em um debate caloroso em que muitos opinam, mas poucos entendem. E aí você aparece e faz isso. Fantástico!

    Se me permite uma sugestão: para o futuro, considere contratar um designer/programador e um analista (peça doações para fund esta empreitada) que possam te ajudar, sem tomar o seu precioso tempo, a criar e publicar outputs visuais (gráficos, gráficos animados, info-gráficos, etc) dos dados que você levanta, organiza e analisa, assim como de possíveis cenários. Eventualmente, deixar em domínio público (website) para consulta. Em suma, utilizar inteligentemente recursos visuais e tecnologia para fazer uma ponte com o público maior. Trazer um pouco do approach do estatístico sueco Hans Rosling (https://www.ted.com/talks/hans_rosling_shows_the_best_stats_you_ve_ever_seen / http://www.gapminder.org/).

    Um abs!

  10. Acompanho seu blog há algum tempo e gosto das informações que você trás, apesar de não concordarmos politicamente sobre como deve ser feito o ajuste fiscal. Agradeço desde já pela iniciativa de explicar o gasto público.

  11. Cumprimentos pela iniciativa. A grande vantagem desta crise é o fato de que estamos chegando no limite. Chegou a hora de se discutir o orçamento como uma coisa séria, algo que tem que ser debatido e respeitado.

  12. Seria possível definir níveis do gasto publico comparando com outros países com mesmo nível de desenvolvimento?
    Também não damos pouco valor ao gerenciamento em um nível mais básico. Muitas vezes quando comentamos o desperdício de recursos em cada escola, posto de saúde, etc somos tratados como ingênuos, que devemos discutir previdência, mas existe algum estudo que procurou levantar quanto custa a ineficiência e o desperdício de recursos públicos.

  13. Mansueto, parabéns pela iniciativa, pois parece que finalmente despertamos para entender as contas do condomínio público que custeamos.
    Em tempo: com relação ao ajuste fiscal, que aponta para a necessidade de aumentar receitas tributarias devido a restrições estruturais que limitam a redução de despesas, gostaria de insistir em duas outras possibilidades:
    – venda parcial de ativos e/ou gestão de concessões na prestação de serviços como você ouviu em seminário recente em Brasília;
    – é factível no médio prazo, se houver vontade politica, alterar a concepção da administração pública ainda estruturada nos moldes burocráticos dos anos 50. Se redesenhada com base na TI é perfeitamente possível obter imenso ganho de produtividade que mudaria toda a realidade dos custos operacionais. Se não estaremos condenados a custear barnabés pelo resto dos tempos.
    Alberto Figueiredo

  14. Mansueto: Parabens pela iniciativa, muito boa! Acho, contudo, que V. nao so’ exagerou o numero de bons economistas no pais, como esqueceu de mencionar que h’a sim, milhares de maus economistas, sempre muito atuantes…

Os comentários estão desativados.