Todos contra a CPMF

Acho legítimo e compreensível a sociedade se revoltar contra qualquer aumento de imposto, ainda mais um imposto ruim como é a CPMF. O Brasil tem uma carga tributária elevada para o seu nível de desenvolvimento e, assim, aumentar impostos parece um contra senso.  Não há muito o que discutir aqui.

O que me parece supreendente é que muitos que hoje criticam o aumento da carga tributária tenham sido coniventes com a criação de novos programas e aumentos de subsídios desde 2009/2010.

Muitos se lambuzaram na festa e agora se recusam a pagar a conta que será dividida tanto por aqueles que comeram pouco quanto por aqueles que comeram muito. O que fazer?

O esforço fiscal (aumento de impostos e/ou corte de despesa) para o próximo ano é de cerca de R$ 65 bilhões, mas pode ser de R$ 90 bilhões a depender do crescimento do PIB e do resultado fiscal deste ano. Eu não vejo como se fazer ajuste dessa magnitude exclusivamente do lado da despesa em um ano. Se alguém souber me diga que quero aprender.

Se o governo cortasse todo o MInha Casa Minha Vida (15 bi), o PRONATEC (3 bi), o ciência sem fronteira (3 bi) ainda assim não seria suficiente. E não dá para cortar todo o minha casa minha vida porque há ainda muita conta atrasada para ser paga.

O governo federal este ano cortará o seu investimento (sem estatais) em valores reais por volta de 40%. O investimento do governo federal, incluindo o  MCMV, foi de R$ 77 bi, em 2014, e este ano será perto de R$ 50 bi. Dá para cortar mais? Dá para cortar, mas é ruim. Há alguém que defenda investimento “zero” do governo federal?

E despesas com pessoal? A grande maioria tem estabilidade e não há como cortar em 12 meses. Poderia se livrar de 5.500 cargos comissionados (DAS) ocupados por funcionários sem vínculo. Mas a economia seria de R$ 350 milhões por ano. Relevante, mas pequena dado o buraco fiscal.

E o custeio? 85% do custeio são com cinco programas : (1) previdência pública e INSS, (2) LOAS/Bolsa Família, (3) seguro desemprego e abono salarial, (4) saúde, e (5) educação.

Alguém imagina a possibilidade de se aprovar uma reforma da previdência que é mais da metade do custeio para vigorar já a partir de 2016? É impossível.

Cortar seguro desemprego e abono salarial ? Será que congresso que diminuiu o impacto da proposta do governo este ano estaria agora disposto a tornar as regras de concessão desses programas ainda mais rígidas?

Há espaço para cortar saúde e educação. Governo já está cortando investimento, Ciência sem Fronteira e PRONATEC. Pode cortar ainda mais. Mesmo assim, nada que evite aumento de impostos. Até ano passado não havia espaço para cortar despesas com saúde agora com a mudança da regra de vinculação há espaço, mas acho MUITO difícil fazer cortes nessa área. Depois detalho isso.

Assim, se tem algo que posso me orgulhar é que, desde 2009, quando criei este blog, “fiquei de fora da festa” gritando sobre a conta elevada que todos teriam que pagar. Muitos me chamavam de pessimista.

E aqueles que falam que economistas sempre erram deveriam lembrar que há diversos tipos de economistas. Os do governo erraram e os de fora do governo simpatizantes do PT também.

E continuam errando aqueles que acham que a crise atual decorre das medidas do ministro Joaquim Levy. Não é verdade. A crise atual foi gestada no Lulopetismo e vai se agravar. Não está descartada que a “solução”, se não houver consenso político, seja mais inflação, pois será muito difícil convencer a sociedade a pagar a conta de uma festa que no convite havia escrito “free lunch”. Como agora todos sabem e já deveriam saber, “there is no free lunch”.

39 pensamentos sobre “Todos contra a CPMF

  1. Mesmo que demore, a revisão das aposentadorias é o passo mais urgente.
    No caso dos celetistas, a tabelinha 85-95 aparece como racional, e com a progressão até 90-100 ajusta-se mais às tabelas de idade de que se valem os atuários.
    As aposentadorias do setor público merecem duas atenções:
    1 – é preciso atenuar o critério de aposentadoria integral com o programa de previdência complementar que já existe legalmente. O Roberto Campos dizia, anos atrás, que o Estado como mantenedor podia transferir para o fundo de pensão as suas participações acionárias em empresas estatais (ele disse isso bem antes deste desastre da Petrobrás). Mas é o que tem que fazer, regulamentar isso e fazer funcionar, se possível sem desvios de fundos pelos amigos do rei:
    2 – do ponto de vista fiscal, os custeios das aposentadorias públicas devem ser separados das aposentadorias celetistas.

    • Não existe mais aposentadoria integral no serviço público. A regra 85/95 não vai resolver o problema, porque as pessoas preferem se aposentar aos 54 anos e continuar trabalhando, mesmo com o redutor do fator previdenciário.

  2. Mansueto. Houve uma grande farra na concessão de empréstimos pelo BNDES, que custarão uma grande soma em subsídios implícitos ao Tesouro. Não seria interesse diminuir o custo desses subsídios com um aumento ainda maior da TJLP? Isso não ajudaria no ajuste fiscal? Ou isso poderia ser visto no mercado como mais uma alteração nas regras do jogo por parte do Governo?

  3. Poucos não sabem quem são os causadores de tudo isso. Fizeram festa com o dinheiro público, privilegiaram alguns amiguinhos com as benesses. Agora, a festa acabou e a conta chegou para ser repartida com quem nem foi na festa. Mansueto, se o seu blog não existisse a gente ia ter que inventá-lo. Parabéns pela sua coerência.

  4. Muito se falou sobre o plano real e as medidas que se seguiram. Mas pouco se disse sobre como foi fundamental dar apoio político ao grupo de economistas que pensou e implementou o plano.

    O que nos falta hoje é liderança política em apoio firmemente decidido ao ajuste fiscal necessário.

    É o que falta ao ministro Levy: apoio político firme.

    Foi demonstração de ingenuidade e de ignorância da política a defesa da tese de do apoio ao Levy como uma imposição do instinto de sobrevivência política, o qual por si só se encarregaria de fazer com com que Lula, Dilma e o PT saíssem em franca defesa do ajuste.

    Hoje, a mesma visão equivocada da economia, cujos representantes também espernearam bastante contra o plano real, e cujo esperneio que foi contido politicamente, vocifera contra o “ajuste neoliberal recessivo”.

    A revista Época fez um especial sobre os 20 anos do Plano Real com entrevistas. Há nesse especial uma fartura de elementos factuais (históricos) muito interessantes para o aprendizado da política.

    http://20anosdoreal.epocanegocios.globo.com/index.html#home

    A jornalista Marcela Bourroul escolheu o depoimento de um empresário para relembrar o que hoje nos pareceria uma cosa totalmente absurda:

    “Nós vendíamos os produtos a preço de custo e aplicávamos o dinheiro. O overnight era a ferramenta de trabalho. Era até mais que o cliente. Era a aplicação que fazia o resultado do negócio”. […]

    “Naquela época eu estava condicionado a viver do lucro financeiro. Não pensava em como ganhar dinheiro vendendo o meu produto. Hoje, a preocupação é com o cliente e com alternativas de vendas”, diz Alves.

    A leitura das entrevistas do Ricupero e do Gustavo Franco atestam claramente que sem o incondicional apoio político a história da aprovação do plano pelo Congresso teria outro desfecho.

    Ricupero:

    “Eu era amigo do Fernando Henrique na época e conhecia bem a equipe, mas eu não tive relação com o período de elaboração do plano. Eu cuidei mais desse lado político e psicológico. Político porque eu era o intermediário entre o Itamar e a equipe econômica. A equipe não tinha acesso ao presidente. Por uma razão ou outra, pelos instintos populistas do ex-presidente, pelo fato de algumas pessoas que cercavam o Itamar serem esquerdistas e desconfiarem da equipe. Um precisava do outro, mas os lados não se gostavam. Eu tive que suportar os choques entre eles, o que foi muito difícil.”

    Gustavo Franco:

    “O Fernando Henrique era o quarto ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco, então era razoável esperar que a gente fosse também ter uma experiência curta. Mas já começamos com a postura de ou a gente vai fazer a coisa certa ou a gente não vai ficar lá. Isso até acabou nos ajudando a obter diferentes concessões e apoio do presidente e de outras pessoas em Brasília. Era como se a gente tivesse a chave para resolver o problema, mas não abríamos mão de ter as condições. Colocávamos os nossos interlocutores em Brasília meio contra a parede – se o cara não nos deixa fazer o que a gente tem que fazer para resolver o problema, então tá bom, eu vou embora e você que fica aí e é o responsável. Funcionou muito bem.”

    • Para que fazer a reforma ministerial? Para fortalecer politicamente o ajuste proposto pelo Ministro Levy (ainda mais virtual do que real) é que não é.

      Lula, Dilma e o PT movimentam-se para continuarem num jogo que já perderam.

      Não pensaram duas vezes em fazer o diabo para reeleger a gerentona, e não pensarão duas vezes em fazer o diabo para se manterem no poder.

      • Do Ricupero

        Por que havia esse choque entre a equipe e o Itamar?

        Embora o Itamar quisesse o final da inflação, ele nunca aceitou perder a sua autoridade. Ele tinha instintos populistas. Eu sempre tentei defender as posições da equipe. Em geral, eu ganhava. O mais grave é que o Itamar queria tomar medidas que desfigurariam o plano. Uma vez, ele se entusiasmou pelo projeto do Fernando Gasparian que tabelava os juros em 12% ao ano. Ele tentou implementar e até me chamou para debater o assunto. Ele também queria levar o salário mínimo ao equivalente a US$ 100. Na época, isso teria explodido o plano e toda a equipe teria ido embora. Ele queria dar aumento para os funcionários militares. Cada vez que acontecia uma coisa dessas, era uma guerra. PARA DISCUTIR AS SUAS IDEIAS, ELE REUNIA TODOS OS MINISTROS A FAVOR DA SUA OPINIÃO E EU ERA O ÚNICO NA MESA QUE TINHA QUE ARGUMENTAR CONTRA E QUANDO O MEU ARGUMENTO PARECIA O MAIS FORTE, QUANDO EU MOSTRAVA QUE NÃO HAVIA CONDIÇÕES, ELE RECOMEÇAVA TUDO DE NOVO. UMA COISA ABSOLUTAMENTE TORTURANTE. NO FINAL, EU GANHAVA PORQUE QUANDO A COISA FICAVA MUITO DIFÍCIL EU FALAVA QUE NÃO IA TER NEM PLANO E NEM EQUIPE. (desculpem a caixa-alta. A intenção é grifar)

  5. Dado que 70% do gasto primário é social + funcionalismo, o congelamento integral do salário mínimo e do salário dos servidores por uns 3-4 anos é o mínimo que deveria ser feito nesse momento pra segurar o crescimento assombroso do déficit fiscal. Mas, obviamennte, não será feito por questões políticas.

    Meras reformas ”daqui pra frente” não vão resolver o grave problema dos 9% de deficit nominal, sendo uns 2 de primario, quando, com PIB em queda, sequer deveríamos ter qualquer tipo de déficit se pensarmos em estabilizar a divida.

    A pergunta que fica me martelando é, como, em tempos de crise profunda/redução do PIB/redução de receitas, será fechado esse buraco de 5-6 pontos do PIB a tempo necessário de evitar que a dívida bata nos 100% do PIB e o país vire a Argentina de 1997-2001. Com a natimorta CPMF e mais CIDE e o que mais inveteram é que não será.

    Até quando vão negligenciar a realidade dura, que impõe medidas de drasticidade gregas, enquanto o barco continua a afundar em ritmo acelerado?

  6. Mansueto,

    Em sua próxima análise por favor considere a venda de estatais, concessões, participações e patrimonio público não essencial como fonte de receita para cobrir todos esses saldos devedores.

    Outros países eliminaram a “estabilidade do funcionalismo público”; Qual o percentual que se ganharia com essa medida ? É absurdo ter dois trabalhadores, um no setor público e um no setor privado, em que o do setor público além de ganhar mais na maioria dos casos, ainda tenha o benefício da estabilidade.

    Talvez seja melhor um Estado enxuto e com menos carregamento de dívida, visando o equilíbro de contas sem majoração de receita via impostos.

    • Mas aí já seria 8% a mais de gasto de FGTS com o servidor público, além de 40% de multa no caso de demissão imotivada. Sem contar, é claro, a obrigatoriedade de dissídio anual.

    • Caro PB,

      Concordo contigo em relação as privatizações, concessões, participações e outros ativos que devem ser vendidos e também em relação ao fim da estabilidade do funcionalismo público. Também sou favorável que se congele os salários dos funcionários públicos (incluindo os salários dos políticos) durante anos para que os mesmos se equiparem aos salários pagos na iniciativa privada.

      É um absurdo a maioria da população (75% a 80% dos 202 milhões de habitantes brasileiros) que NÃO é funcionário público sustentar um elite de funcionários públicos (concursados ou não, eleitos ou não) pagando ALTÍSSIMOS SALÁRIOS maiores do que os de mercado e ainda COM ESTABILIDADE!

      ISTO NÃO SÃO DIREITOS! ISTO SÃO PRIVILÉGIOS DE UMA ELITE DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS QUE DEVE ACABAR!

    • Seria bom que acontecesse, mas com este governo, o mais provável seria tentarem estatizar a previdência privada. Resolve (será?) o rombo da previdência passando a conta para uma minoria de classe média. Não vejo ninguém ventilando esta possibilidade… ainda. Mas não me surpreenderia.

    • Minha opinião é que você não pode ter altos salários + estabilidade + aposentadoria integral para ninguém. Inclusive, perdemos bons talentos para o serviço público sem que haja um real aproveitamento dessa capacidade laboral na esfera pública, todos sabemos por quê.

      Dessa forma, da tríade salário, estabilidade, aposentadoria, dois tem que ser eliminados.

      A aposentadoria integral está em vias de ser abolida (municipal, estadual e federal), embora o custo ainda tenha que ser carregado por algumas décadas, mesmo que em ritmo decrescente. Como não se pode confiar na lisura política dos nossos governantes, a estabilidade é essencial (mais que o alto salário) para manter um servidor em condições de trabalhar bem.

      Acho mais esdrúxulo, por exemplo, o fato de que um arquivista, que ganharia um salário mínimo (ou o piso estadual) na iniciativa privada, ganhe dez ou mais salários (mais outras benesses) em algumas esferas do serviço público, como o judiciário, sob o título de técnico disto ou daquilo.

  7. A estabilidade do funcionalismo do setor público tem que ser discutida. Não é possível a sociedade pagar salários nababescos para porteiros que ganham 10mil mensais, etc, etc… e que vão ganhar aumentos reais até o fim da vida. Não entendo por que as regras do INSS são mutáveis e as aposentadorias públicos são quase cláusulas pétreas.
    O fato é que o setor publico paga salários muito superiores aos da área privada. É só olhar a indústria de concursos que se gerou no país que se tem um indicador disto.

    • Um caso exemplar: existem mais 3.000 funcionários da Infraero ociosos e a sociedade está pagando tudo isto(“Infraero tem legião de empregados sem função” – http://www.valor.com.br/brasil/4031930/infraero-tem-legiao-de-empregados-sem-funcao ).
      O Estado Brasileiro é vítima das corporações, que são como piranhas a morder uma baleia exangue. Não são só empresários, não. Há os sindicatos mamadores, as ONGs de p. nenhuma, os municípios que não conseguem autonomia e que tem “direito” ao FPM, a máfia de preto do Judiciário, etc etc
      E tem gente que vem falar em mais impostos….
      Tenham a santa paciência. !!!!!

      • E no caso dos funcionários da Infraero, eles foram retirados dos aeroportos, pois já estavam atrapalhando. Foram alocados em um prédio AAA no Centro do Rio de Janeiro, ocupando nada mais do que 6 andares.

    • Caro Ed Deffe,

      Concordo contigo em relação ao fim da estabilidade do funcionalismo público. Também sou favorável que se congele os salários dos funcionários públicos (incluindo os salários dos políticos) durante anos para que os mesmos se equiparem aos salários pagos na iniciativa privada.

      É um absurdo a maioria da população (75% a 80% dos 202 milhões de habitantes brasileiros) que NÃO é funcionário público sustentar um elite de funcionários públicos (concursados ou não, eleitos ou não) pagando ALTÍSSIMOS SALÁRIOS maiores do que os de mercado e ainda COM ESTABILIDADE!

      ISTO NÃO SÃO DIREITOS! ISTO SÃO PRIVILÉGIOS DE UMA ELITE DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS QUE DEVE ACABAR!

    • Tô eu aqui de novo. O Valor publica hoje uma tabela que deveria ser mostrada aos brasileiros quando aparece um ministro do STJ, ou um cutista da Justiça, ou grupo de funcionários da Justiça, a reivindicar salários. Como não dá pra colar a tabela, eis alguns dados:
      Custo da Justiça como % do PIB:
      Brasil: 1,3%
      Alemanha: 0,32%
      Argentina: 0,13%
      USA: 0,14%
      Espanha: 0,12%
      Chile: 0,22%
      Itália: 0,19%
      Fontes: CNJ 2014, European Commission for the Efficiency of Justice 2014, et ali – Valor Econômico – 30-09-15 in “Justiça do Brasil é uma das mais caras do mundo”

      A um PIB de uns $ 6 tri, dá pra daria pra pensar em reduzir no mínimo R$ 30/40 bi. Um bolsa-família jogado fora.

  8. E se promovesse uma agressiva política de privatização,de todas estatais,um plano de concessões moderno,atraente e confiável?
    Acho que resolveria o problema fiscal a curto prazo e ganharíamos escopo,para poder implementar reformas,que nos assegurasse um futuro sem percalços,do tipo que vivenciamos hoje.
    Dizer que hoje não compensa,por causa dos preços de mercado atuais,é pura bobagem,porque só o anúncio de um plano desse porte,com regras definidas e discutidas com a sociedade,já alavancaria todos os ativos,gerando receita robusta para o estado.
    Há algum contraponto a essa ideia,afora a discussão política?
    Acho que o povo iria gostar,pois todos já entenderam que as estatais são fontes de corrupção e não agregam nada ao bem estar da população.

  9. Não tem porque, não criar CPMF, apesar deles terem para saúde e não ter feito isso. Vejo que seja realmente necessário, porém ressalto, q este tipo de imposto é efeito cascata na rede produtiva do pais. Minha sugestão tentar adaptar esse imposto percentuais por faixa de renda

  10. Uma única frase de Milton Friedman (1912 – 2006), resume o desempenho dos petistas, Lula em seu segundo mandato, e Dilma no seu primeiro mandato, à frente da Presidência da República:
    “Se colocarem o governo federal para administrar o deserto do Saara, em cinco anos faltará areia”.
    O PT conseguiu a proeza de desconstruir o Brasil. Todo o esforço desprendido para manter os fundamentos econômicos e fiscais estáveis foram jogados ralo a baixo.
    O que este dois petistas fizeram com a economia do país e com as contas públicas caracterizam crimes de lesa-pátria.

    • Analise simplista. Essa taxacao tem um efeito em cadeia, pois todo mundo ira repassar esse custo, que sempre chega no bolso do consumidor final.

  11. A única ressalva que faço em relação a este artigo é que este renomado e competente economista, infelizmente, não citou como soluções possíveis para o ajuste fiscal à venda de muitos ativos, incluindo a privatização de muitas estatais.

  12. É até compreensível que, no curto prazo, não existem soluções que não envolvam mais impostos. O duro não é aceitar isso. Duro é perceber que um aumento de impostos virá para enxugar o gelo, pois nada será encaminhado em termos de soluções permanentes. Daqui a 1-2 anos estaremos diante do mesmo problema novamente ou até bem pior. Primeiro, deveria vir uma proposta consistente para resolver as questões estruturais e depois disso, aí sim, poderia ver aumentos de impostos no curto prazo para resolver o curto prazo. Não vejo competência, liderança ou vontade política para isso.

    • Mansueto, desejo externar meus respeito à sua pessoa e ao intelectual que eis. Digo a favor da CPMF como castigo às multinacionais suecas, francesas, inglesas, americanas, holandesas e outras tantas. Mas 0,0038 x R$30.000,00, salários dos magistrados+ R$ 114,00, fala a verdade, não é problema nosso; além do quê, pode esse imposto servir para auferir transações, você sabe.

      De qualquer modo, é verdade qie a merda já foi feita. E daí? Para onde correr? Foda-se o grande capital, desde de que, salvemo-nos da desgraça maior.

      O Brasil é maior que tudo isto. Agora, fazer a cabeça do povo, como se fosse uma desgraça maior a CPMF, não é verdadeiro.

      Francisco Assis dos Santos
      ME. em Direito

  13. Prezado Mansueto,

    Aprecio bastante suas análises e gostaria de oferecer o meu ponto de vista sobre a questão que você apresenta nesta sua nota.

    Você coloca: “Acho legítimo e compreensível a sociedade se revoltar contra qualquer aumento de imposto, ainda mais um imposto ruim como é a CPMF.”

    “Muitos se lambuzaram na festa e agora se recusam a pagar a conta que será dividida tanto por aqueles que comeram pouco quanto por aqueles que comeram muito. O que fazer?”

    No meu entendimento o cerne e a chave para resolução do problema resume-se a uma única palavra que em inglês chama-se “accountability”.

    Há anos que se sabe que as gestões PTistas vinham corroendo as bases do equilíbrio fiscal construído pelo Plano Real durante as gestões FHC. A Presidente Dilma conseguiu reeleger-se nas últimas eleições por uma maioria mínima e desde então a maioria daqueles que votaram pela sua reeleição descobriram que este governo mentiu descaradamente durante a campanha eleitoral; que este governo roubou bilhões de Reais de recursos do setor público (ou seja, dos nossos impostos); e que este governo manipulou e adulterou as contas públicas para viabilizar e financiar ilegalmente os seus projetos de poder e sua campanha de reeleição.

    Agora, depois de tudo isto, este governo quer que o povo simplesmente aceite um novo aumento de carga tributária para cobrir o rombo da sua roubalheira, das suas gestões temerárias e que tudo fique por isto mesmo?

    Acredito que haverá o momento em que o povo aceitará que um novo aumento de carga tributária será inevitável para cobrir o rombo criado por este governo PTista. Mas, antes disto, este governo terá que ser “held accountable” e pagar com o impeachment da Presidente Dilma.

    Depois disto, e somente depois disto, tenho confiança que o congresso poderá encontrar a compreensão e o necessário apoio popular para submeter e aprovar as dolorosas medidas necessárias para corrigir esta imensa lambança fiscal e econômica criada pelas gestões do PT.

  14. Olhando o presente não existe solução para a crise, apenas com um projeto para o futuro poderíamos ter um apoio na sociedade para as reformas necessárias, que na verdade trariam prejuízos pontuais para todos.
    A experiencia de que os filhos tinham um padrão de vida superior aos seus pais e os ajudavam foi substituída pela realidade de que os pais e os avós complementam hoje a renda de seus filhos e netos.

  15. Por que não se fala sobre o fim dos favores fiscais, como isenção na tributação de lucros distribuídos, juros sobre capital próprio, remessas de lucro ao exterior?
    Por que não se tributa a propriedade de iates, jatinhos e helicópteros?
    Por que não se tributa as grandes fortunas?

    • Com todo respeito ao contrários, imaginado Os donos do poder, de Raymundo Faoro, digo, 0,0038 x R$ 30.0000,00 = R$ 114,00. Qual é problema? Do povo em geral ou das Mercedes bens do brasil, Voksvagem do Brasil, Ford do Brasil, GM do Brasiçl, Jhonson dop BraSL, Scania do Brasil, de quem afinal. George Soros dis nãi brincar mais de calunga aqui. E aí?

      A merda é tão grande que, imposto a mais ou a menos, desde que não seja o povo a pagar diretamente(indiretamente paga, mais é uma merreca), fodam-se os membros do sistema capitalista, afinal, eles inventaram essa merda toda(Fiesp, Federações do cacete e coisa e tal)!

  16. Mansueto, boa tarde.

    Eu aceitaria participar desse esforço com duas condições:

    1) Com um novo governo que não fosse do PT (não aceito pagar um centavo a mais pra eles)

    2) Qualquer proposta de aumento de impostos que venha acompanhada de uma reforma estrutural séria, que rendesse frutos num espaço máximo de 4 anos.

    Sem isso acho que não tem conversa.

    Abraços.

  17. Caro Sr. Mansueto,
    Trata-se apenas de uma questão de moralidade. O Governo não pode ir ao cidadão para que ele pague a conta antes dele ter feito o máximo para enxugar a perda. Enquanto houver um programa de investimento público, enquanto houver uma isenção fiscal, enquanto houver um Ministério além do mínimo necessário é imoral pedir mais dinheiro. É um caso semelhante a uma empresa em concordata que pede injeção de capital do acionista, sem ter feito um plano de reestruturação. Para que servem os Ministérios de minorias se não há perspectivas de retomada de investimento no social nos próximos 3 anos?

  18. Caro Mansueto,

    Sou leigo em Economia, mas acompanho seu blog com certa frequência e gostaria de parabenizá-lo por escrever sobre tão complexo tema de um modo que até eu consigo entender.

    Também gostaria de tirar uma dúvida sobre aumento de carga tributária e suas consequências:

    Dia desses assisti um vídeo sobre a Curva de Laffer e nele é mostrado que, segundo estudos recentes feitos por Christina Romer e seu marido David Romer, a “corcova” formada pelo ponto de descendência dessa curva ocorre na taxa de 33% aproximadamente, ou seja, quando a taxa da carga tributária ultrapassa esse limite a arrecadação de impostos começa a cair.

    O que eu gostaria de saber é se você concorda com o limite dos 33% apontados por esses estudos e, se concorda, qual pode ser a consequência do aumento de impostos que o governo pretende fazer para arrecadar mais, visto que a carga tributária brasileira já ultrapassou esse limite? Isso não teria o efeito contrário do desejado?

    Grato pela atenção.

  19. “A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.”(F. Pessoa).

    A necessidade por tornar-se uma ordem superior dentro da inteligência horizontal e vertical, exclui-se de per si, aquilatar sua pertinência social.

    Ademais, não somos GEORGE’S SOROS! R$ 30.000,00 x 0,0038 = R$ 114,00. Quem ganha isto ! Além dos Magistrados e membros dos Tribunais Superiores?

    Foi ruim deixarem ter-se feito a necessidade.

    Não temos saída, mas a CPMF é coisa menor para nós. É ruim para os bancos e as empresas de participações financeiras e as empresas suecas, suíças, americanas, alemãs, inglesas e outras mais. Também “Os donos do poder”, lembrando Raymundo Faoro, que moram e habitam os paraísos existentes dentro deste país, tão magnânimo de Sul ao Norte e Nordeste, como excelência da beleza.

    A necessidade nasceu, com ela um solicitação irretorquível.

    Assis Rondônia,
    Limeira, 30.9.2015, 8:23 horas.
    BLOG: assisrondonia.blogspot.com

  20. Acho tua conta de corte de Comissionados, muito restrita – hipotetizando uma média de 6mil cada comissionado – quando Sabemos pelo Senso-comum, que a média deve ser maior, e que há inúmeras regalias que deixariam se ser utilizadas, gerando economia indireta.

    O que me desagrada em tua matéria que tenta (corretamente) ser mais (real que o rei – ultra-realista), é que você não cita que o corte mais significativo pelo lado das despesas é uma questão MORAL – de mostrar que não é lícito o Governo sempre pensar em tungar o bolso alheio.

    E por isto não vejo como profícua esta matéria, porque embora a questão seja bem explicada do ponto de vista fiscal, a questão NÃO é fiscal – é MORAL – mostre ao povo que o Governo deseja a decência (aquela velha decência de cortas os luxos e apaniguamentos, antes de empobrecer mais os que o bancam), e ai a População não precisará sequer ser educada para anuir com CPMF etc..

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