Frases que me incomodam

Dias puxados. Muita reunião, muito debate a a sensação incomoda que não estamos saindo do lugar. Tento ver saída para crise, não consigo e vejo muita incerteza. Na correria do dia a dia algumas frases ficam na minha cabeça. Compartilho com vocês.

1- De um grande investidor externo: “Mansueto, o Brasil ficou muito barato. Mas pode ficar ainda mais barato. Vou esperar”.

2 – De um Secretário da Fazenda de um estado: “preciso de mais impostos. Tenho medo de chegar na situação grave de caixa de não ter recurso para pagar minha folha.”

3- De um político: “como posso ajudar o governo se o próprio PT hoje criticou fortemente o pacote de ajuste fiscal do seu governo?”

4-  De um economista amigo: “estimo que sem a aprovação do pacote fiscal perderemos o grau de investimento das outras agências de risco no primeiro semestre do próximo ano e a taxa de câmbio vai para R$ 4,70 no final de 2016”.

5 – De outro amigo economista: “queda do ICMS tem sido muito intensa. Empresas estão preenchendo guia de recolhimento do ICMS mas não pagam. Estados estão desesperados”

6 – De  outro amigo economista que senta em conselho de administração de empresas: “Algumas empresas grandes vão começar a mostra problemas de caixa neste final do ano. Risco grande de aumento de inadimplência”.

7 – Tombini do BACEN na CAE no Senado Federal: “Nas ultimas semanas juros de títulos púbicos cresceram sem alteração de SELIC”.

8 – De um analista político: “meu cenário está piorando. Vou aumentar a possibilidade da presidente Dilma não terminar o mandato nas minhas análises. Não tem como não falar isso agora”.

9 –  De uma reporter: “como podemos sair dessa situação? o que fazer? não quero pagar mais impostos”.

10 – De um investidor externo: por que a presidente não faz uma reforma ministerial e dá mais poder para o PMDB para recompor a sua base política?

Enfim, esse tem sido o meu dia a dia. Cheio de reuniões, sem tempo para escrever,  assustado com o que escuto de amigos e com a certeza  que estamos longe de dar uma solução política para a crise econômica que pode piorar MUITO mais. O mais frustrante é que tudo isso poderia ter sido evitado.

30 pensamentos sobre “Frases que me incomodam

  1. De um amigo que se foi: “Cara, eu deveria ter vindo mais cedo para a Florida!”. Eu digo: se a Dilma sair, não vai adiantar nada nos próximos 10 ou 12 meses. A luz no final do túnel é a mesma… a de um trem vindo!

  2. Podia ser diferente. Lembrar que ainda existem pessoas fazendo defesa desse governo indefensável. Na minha visão, temos que encontrar uma saída para extirpar a presidente do cargo, o povo não aguenta mais, a esperança sumiu com ela. Acho até que podemos/devemos fazer sacrifícios para recuperar a economia, mas não com esse governo.

  3. Prezado Mansueto , Bom dia.

    Adiciona o item 11 no seu post.

    11 – De um servidor público cearense, estudante de doutorado: ” – Preparai os vossos bolsos!”

  4. Alguns dos comentários denotam uma vontade de agentes do mercado de impor um tipo de ditadura, na medida em que só aceitam pagar tributos para um governo a que se alinhem ideologicamente.
    Se as investigações e possíveis punições à corrupção foram e estão sendo possíveis, o incômodo apontado parece decorrer muito mais de uma discordância ideológica.
    O povo pode até vir a não aguentar mais o governo; mas isso será decorrência de uma insatisfação de parte da elite, especialmente econômica.

    • Claro, 40% do PIB de carga tributária não é nada! Malditos agentes que só aceitam pagar impostos para governos com os quais estão ideologicamente alinhados!!!

      • Segundo cálculos do José Roberto Afonso, a carga tributária atual está perto de 32%. Contudo, a composição da carga importa mais do que seu nível. Em vez de tributar os lucros, no Brasil prioriza-se o faturamento das empresas e a folha de pagamentos. Esse é o grande problema!
        O pacote anunciado pelo Levy decepcionou nesse sentido ao optar por uma super tímida revisão na dedução das “despesas” de juros sobre capital próprio. Se nem o nosso setor mais lucrativo da economia se compromete com uma possível saída, realmente fica difícil.

  5. Mansueto, você que é ligado ao PSDB me responda. Por que o partido até o momento não apresentou ao congresso um plano alternativo????

    • Converso com deputados e senadores de diversos partidos e mais do PSDB. Hoje dou palestra em evento do PSDB e daqui a duas semanas em evento do PPS. No ano passado dei em evento do PMDB. Politica é para politicos. Não me meto nisso porque não entendo. Não é minha área. O que posso fazer humildemente é dar minhas contribuições para analise econômica e compartilhar alguns pontos de vista de maneira didática. Abs.

      • Obrigado pela resposta. Mas acredito que falta protagonismo as oposições. Por que pelo lado do governo fica claro que não acreditam no que estão propondo e nem na necessidade de reformas. E estou acreditando que só esta restando um caminho a este governo e é a emissão de dinheiro, infelizmente viveremos uma coisa que quem menos de 40 anos nem imagina.

  6. Poderia ter sido evitado sim, mas falta ao brasileiro massa cinzenta para não escolher sempre o candidato mais populista. Como dizem os americanos, eleições tem consequencias.

  7. Agora vai…

    Jornal Valor de hoje

    Lula pressiona Dilma a mudar política econômica
    Por Claudia Safatle e Leandra Peres

    O Instituto Lula e o PT estão formulando uma política econômica que, para se viabilizar, exigiria a saída do governo do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

    Essencialmente, o que está sendo concebido pelo ex-presidente Lula, que hoje se encontra mais uma vez com a presidente Dilma Rousseff, é uma flexibilização das políticas monetária e fiscal, com redução da taxa de juros “na marra” e o afrouxamento do gasto público, para criar as condições de retomada da atividade econômica ainda que por um período limitado, de dois a três anos. O que se almeja é conseguir obter uma taxa de crescimento do país pelo menos até a sucessão presidencial de 2018.

    • Essa seria interessante, ver os juros baixados na marra.

      Se a taxa de juros SELIC no momento não representa o custo real de captação do governo (o mercado está cobrando 14,98% ao ano, enquanto o BC “estipulou” 14,25%) e, por conseguinte, o taxa de oportunidade Brasil, o que acontece? O custo do dinheiro cai ou não cai?

      Do pouco que entendo, se o governo é, em última instancia, o credor nacional, e no momento não goza de confiança para honrar pagamentos… alguém aí cai querer emprestar seu dinheiro pela SELIC do tal governo, definido numa canetada apenas?

      Agradeço respostas bacanas e cordiais =)

  8. É curioso mas meu otimismo tem aumentado! O governo atual fez tanta besteira que uma eventual mudança no executivo (com o Temer assumindo a presidência) pode ser muito benéfica. O novo presidente poderia articular rapidamente um ajuste fiscal decente de longo prazo, dar credibilidade á política monetária e começar processo de reformas microeconômicas (com o desmonte das distorções geradas nos últimos anos), inclusive relacionada aos investimentos privados em infra-estrutura. Ele é político, sabe fazer política e o congresso conhece a atual situação delicada do país, o que indica que ele conseguiria articular isto. O novo choque positivo nas expectativas poderia reverter rapidamente a situação econômica atual. É muito otimismo? Acho a situação atual tão ruim e resultado direto da péssima política econômica adotada que qualquer melhora (que é relativamente simples, não é necessário reinventar a roda) pode ter um impacto econômico positivo muito forte!

  9. “Tento ver a saída da crise”. Eu também, e todas elas passam pela adoção de algo semelhante a um estado de sítio, um “governo de guerra”.
    Um economista declarou outro dia que não se pode conceder aposentadoria a jovens de 52 anos. Concordo e adiciono: não se pode conceder aposentadoria integral a servidores cujo salário médio extrapola consideravelmente as médias salariais da população.
    Não se pode manter um governo onde o Ministério do Planejamento abriga 793 retângulos no organograma. É preciso rever toda a estrutura de administração do governo federal.
    Não se pode manter uma empresa estatal onde funcionários têm regalias inimagináveis, como informou o sr. Murilo Ferreira, ao abandonar a presidência do Conselho de Administração da Petrobrás.
    Não se pode pagar mais de US$ 100 bilhões de juros pela Dívida Pública Federal de US$ 750 bilhões, enquanto se obtém menos de US$ 30 bilhões pelas receitas das reservas internacionais de US$ 370 bilhões. O peso desses juros SELIC é de tal ordem que exige uma comparação com o custo da dívida pública de outros países.
    Meu toque final: não se pode ter, como servidor público, cidadãos que exercem função idêntica na atividade privada, com salários e vantagens nitidamente inferiores. O serviço público devia ter o que se chama “funções de estado” (diplomatas, militares) com salários e vantagens especiais, e manter todo o restante debaixo da legislação trabalhista normal. Não se justificam ascensoristas, motoristas, contínuos, advogados, engenheiros, economistas, como empregados de governo na forma atual.
    Para arrematar, deixar as secretarias parlamentares como encargo dos políticos e de seus partidos.
    Como disse, algo que precisa de um verdadeiro estado de sítio.

    • Prezado Luiz, comentário excelente. Sou funcionário público de autarquia federal e concordo com tudo o que disse.
      Precisaríamos de uma reforma total da previdência: contas individuais e seguros contra acidentes, doenças e invalidez. Uma reforma tributária (impostos simplificados e iguais para todos) e administrativa (simplificação total de processos burocráticos). Corte fortíssimo de gastos públicos (congelamento de salários superiores a 10 mil reais, redução de 80% das despesas com terceirização, extinção de todos os subsídios).
      Mas sejamos honestos, nada disso acontecerá. Ninguém está disposto a ceder e entramos num ciclo populista que impede qualquer mudança política.
      Mas um ponto abordado por você é muito importante e pouquíssimo discutido (inclusive pelo Mansueto, infelizmente, mas a abordagem dele sempre foi da política fiscal não financeira): SELIC.
      Por que nossa Selic está tão elevada? Inflação. Então a Selic alta reduziria o ritmo de crescimento dos empréstimos. Mas os empréstimos já não têm crescido em ritmo tão elevado. Todos sabem por que os preços subiram (administrados e, agora, câmbio).
      Mas ainda temos um problema: bancos públicos. Eles continuam emprestando em ritmo não condizente com a situação econômica. Apesar do ritmo ter diminuído um pouquinho, deveria diminuir muito.
      A dúvida é: com a Selic menor, os bancos privados passariam a emprestar mais, gerando mais inflação?

  10. Mansueto, algo que não estão comentando muito é o ambiente de negócios (uma das causas do baixo crescimento).

    A economia está mal e ano que vem o E-Social vai ser adotado. É algo que pelo que muitos vem falando vai aumentar os custos das empresas (seja por contratar mais pessoas para essa área ou por ter que pagar mais a escritórios de contabilidade) e a complexidade do envio de dados. Um site de notícias que leio disse por exemplo que “Também exigirá esforço do contribuinte para dar conta de todas as obrigações acessórias trazidas por ele. Para incluir um funcionário nesse banco de dados a empresa precisará preencher 1.480 campos.” .

    Na minha visão, não acho que isso seja bom para a economia. Uma fonte de ineficiência da economia brasileira é que as empresas são obrigadas a gastar um alto montante de tempo e dinheiro com esse tipo de coisa. Somos campeões mundiais nisso, com folga. Dinheiro gasto com burocracia é dinheiro não gasto em investimento produtivo (que é o que efetivamente gera o crescimento econômico que todos queremos) ou em distribuição de lucros (que é o que faz com que mais pessoas queiram investir).

    Na sua opinião, é possível uma simplificação pelo menos no médio prazo ou isso vai continuar a atrasar o país para sempre e vamos continuar a ter mais e mais burocracia (que é o que vai acontecer no curto prazo)?

  11. Joaquim,
    Espero que vc nao seja o Levy, que, imaginamos, deve estar cuidando de coisa mais séria. O Mansueto nao respondeu, mas eu vou me arriscar. A oposição nao apresenta um plano alternativo por uma razão simples: Em 2014, os eleitores escolheram o governo de turno para governar e nao escolheram a oposição. Assim, o papel que cabe à oposição é o de fiscalizar, cobrar e opor-se ao que considera errado – o que hoje é quase tudo. Quem tem que apresentar saídas é quem nos trouxe para o buraco, ou seja, quem nos governa há 13 anos.

    • André, concordo com você. Porém também é tarefa da oposição mostrar que existe caminhos, até para que se amanhã caso aja um impedimento da presidente, já esteja sinalizado um caminho a fim de acalmar o mercado e sociedade. Que tal mostrar que é possível fechar o orçamento de 2016 com criatividade e negociação.

      • Joaquim, o mercado conhece o PSDB. Conhece as bandeiras econômicas deles. Basta ver o quadro técnico econômico.
        Quanto ao PSDB chegar agora e propor todas as “maldades” que vão salvar o Brasil no longo prazo seria um idiotice política, não?
        Pragmatismo político. É preciso chegar ao poder para tentar fazer as “maldades necessárias”.

  12. Crises são também oportunidades. Esta deveria servir para que nós amadurecêssemos para pensar que Estado queremos, partindo de dois pressupostos: 1 – o Estado não gera recurso, só realoca; 2 – nada é gratuito, alguém sempre está pagando a conta. A partir disso creio que seja necessária uma releitura do nosso pacto social, uma releitura de até onde o Estado deve estar. O duro, penso, será incutir essa ideia no cidadão comum, pois até entre os mais esclarecidos os pressupostos 1 e 2 não parecem claros. A falta dessa visão deixa margem para projetos populistas de poder, que nas eleições prometem um mundo maravilhoso financiado com dinheiro público, a realidade, porém, chega!

    Exemplo da nossa imaturidade e inocência: em meio a uma crise fiscal, causada pelo excesso de gasto público, três dias atrás foi aprovada uma Emenda Constitucional introduzindo o transporte como direito social. Se o transporte é um direito social, de quem é o dever de garantir esse direito? Quem vai bancar/pagar esse direito? Alguém fez a conta de quanto dinheiro público foi gasto para que essa emenda fosse aprovada? Some as horas trabalhadas de deputados, senadores, assessores, funcionários da Câmara, além dos custos de energia, gasolina, viagens, etc. para que esta emenda fosse aprovada. É isso mesmo que queremos?

  13. Acho que o começo do fim da crise será quando o dólar chegar perto de 5. Mantendo-se a inflação sob controle, nesse patamar o setor externo vai começar a puxar a economia para cima.

  14. Vi uma declaração atribuída a você hoje, de que países com mais de 70% do PIB de dívida bruta não se desenvolvem. É verdadeira? Como ficariam os EUA e o Japão? E a Inglaterra em várias períodos?

    • O que falei foi que não existe nenhum pais EMERGENTE com divida bruta de 70% do PIB com grau de investimento. O Brasil precisa se comparar com países emergentes e não com Alemanha, EUA e Japão. Se fossemos desenvolvido com juros baixos ou negativo, poderíamos ter um divida de mais de 100% do PIB e não seria um problema.

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