Não deixem de ler

Hoje os jornais estão muito bons com chave de ouro para o jornal o Estado de São Paulo, que tem feito uma cobertura excelente dos problemas de ajuste fiscal e da retomada do crescimento. Já falei aqui para todo mundo ler e assistir a cobertura da crise do jornal no especial “por que o Brasil parou” (clique aqui).

No jornal o Estado de São Paulo de hoje você poderá ler o excelente artigo do ex-Ministro da Fazenda Pedro Malan (clique aqui), o artigo sincero e direto do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga (clique aqui), a entrevista espetacular do senador Tasso Jereissati do PSDB-CE (clique aqui), a entrevista do economista José Alexandre Scheikman (clique aqui).

E tem um artigo longo de duas páginas de um grupo de “não economistas”, Marcos Lisboa, Sergio Lazzarini, Bernard Appy e Marcos Mendes com propostas para o Brasil sair da crise. Leitura essencial para o debate independentemente de você concordar ou não com a proposta dos autores (clique aqui).

Sem dúvida, o Estado de São Paulo “botou para quebrar”. Além disso, apesar de todos esses artigos e entrevistas, o jornal foi além e fez ainda um matéria especial sobre o ajuste fiscal e ouviu vários especialistas na área (clique aqui).

Eu dei uma declaração que vai irritar muitos de vocês:

“O esforço fiscal é elevado e de longo prazo: é preciso cortar cerca de R$ 200 bilhões em quatro anos. Nenhum país do mundo conseguiria fazer isso – o Brasil menos ainda – sem aumentar carga tributária. Infelizmente, é com mais imposto. E aqui não tem nada de ótimo. Dado o nosso nível de carga, é ruim mesmo. Poderia ser com impostos sobre LCA e LCI (investimentos de renda fixa isentos de imposto de renda), juros sobre capital próprio, dividendos, e Cide. Os empresários que me desculpem, não tem outro jeito. Mas para pedir mais carga tributária, o governo deve fazer a sua parte. Precisa iniciar rapidamente cortes draconianos nos gastos: reduzir ministérios, cortar de 3 mil a 5 mil cargos de confiança, congelar concursos públicos em todo o segundo mandato do governo Dilma, limitar as despesas com educação e saúde que estão acima do limite mínimo.”

Uma breve observação. Não defendo aumento de imposto e sei que a sociedade está reticente em “aceitar” novos aumentos de impostos em um governo que ela não confia. Como esse impasse será resolvido é imprevisível. Não sei.

Por fim e mudando de jornal, não deixem de ler a coluna dominical do “não economista” Samuel Pessoa no jornal Folha de São Paulo sobre a nossa perda do grau de investimento (clique aqui). Me impressiona como um “não economista” sabe mais de economia do que vários professores de economia que há bem pouco tempo estavam no governo e falavam de um novo modelo de desenvolvimento econômico do Brasil.

Olhando o que escreve os meus colegas não economistas, não sei mais o que faço para me tornar um economista. Não sei se devo cursar engenharia, física ou apenas me registrar em um conselho regional de economia. Voe deixar esse dilema para depois do ajuste fiscal.

22 pensamentos sobre “Não deixem de ler

  1. Dividendos e JCP são discutíveis. LCI e LCA, não. A grande atratividade desses últimos produtos é a isenção de imposto de renda, acabar com isso os tornaria meros CDBs e enfraqueceria os créditos agrário e imobiliário. É mais uma daquelas coisas que se taxar vai perder em captação, então faria pouca diferença em termos de arrecadação e prejudicaria setores-chaves da economia. O que você escreveu sobre os não economistas é interessante. Vejo que os melhores economistas do país fizeram engenharia por aqui e se especializaram, no exterior, em economia. Fica a impressão de que as nossas universidades não formam bons economistas.

  2. Em relação ao IR sobre dividendos, não há uma bitributação? Haja vista que as empresas pagam imposto de renda antes de distribuí-los…

      • Eu já fui da “turma”, pois já tive empresa tributada no lucro presumido. Vc paga IR sobre o faturamento. Emitiu Nota Fiscal, pagou imposto. Não interessa se teve prejuízo ou lucro. É interessante para a arrecadação do governo pq não há incentivo para sonegação, notas frias, etc. Se for para tributar a distribuição de lucro, a opção racional da “turma” será pela tributação pelo lucro real, com apuração de receitas e despesas, e a arrecadação cairá. Simples assim.

  3. Os não-economistas (os que não pagam a contribuição dos conselhos regionais e nem tem graduação em economia) têm desenvolvidos melhores análises e propostas para a saída da crise do que muitos economistas (os que pagam a contribuição e tem graduação). Talvez seja mais um exemplo de como a reserva de mercado oblitera o mercado competitivo levando a baixa produtividade e produtos piores

  4. Mansueto,mas e a curva de Laffer ? A nossa carga tributária já é de 40% do PIB. Segundo estudo de Christina & David Romer, professores de economia da Universidade da California em Bekerley, publicado na “American Economic Rewiew” em junho de 2010 ( vol. 100, nº 3), a curva de Laffer ocorre aproximadamente com uma tributação próxima de 33%. A partir daí, todo aumento de taxação acaba determinando uma queda de arrecadação. Será que aumento de impostos não é um tiro no pé? Um grande abraço.

  5. Que tal privatizar ao máximo para conseguir os 200 bilhões Reais que os governos petistas deixaram de “restos a pagar”, seja por falta de reformas seja por despesas que começarão a aparecer agora e nos próximos anos ?

    Proponho começar vendendo o jato presidencial; Presidentes de vários países viajam em voos de carreira.

  6. Prezado, é lógico que não se vai sair dessa sem sacrifício, mas fazer esses sacrifícios e deixar no governo quem provocou a necessidade desses sacrifícios não dá. Antes de propor esses sacrifícios qualquer pessoa séria pediria a remoção dos responsáveis, caso contrário estaria apenas pensando no bolso e dane-se o país.

  7. Outra coisa, a melhor oportunidade já passou, quando não teria dado motivo para que alguém pensasse em dar calote na dívida, fazer uma auditoria na dívida publica que ninguém sabe do que se trata e que tem como objetivo o fim da independência de qualquer país sujeito a ela, inclusive com o pagamento de juros sobre juros, o que é proibido no país e isso acontece toda vez que os juros são pagos através de novos financiamentos. Uma auditoria desse tipo foi feita no Equador, provocando uma redução de mais de 70% no seu montante. Leia entrevista da auditora aposentada da Receita
    Federal e fundadora do movimento “Auditoria Cidadã da Dívida” no Brasil, “A dívida pública é um mega esquema de corrupção institucionalizado”, publicada, com o perdão da má palavra, Carta Capital que por ser publicada ali deixe de espelhar a verdade o que pode explicar por si só, não ser tratado por outras fontes.
    http://www.cartacapital.com.br/economia/201ca-divida-publica-e-um-mega-esquema-de-corrupcao-institucionalizado201d-9552.html
    Então ficamos assim, cortemos os gastos com a compra de apoio ao governo e o aparelhamento, extinguir os programas que devem equivaler aos gastos com vários “Bolsas Famílias” como por exemplo os programas de moradia em o comprador não paga nem 10% do valor financiado e apuremos a nossa divida para evitar pagamentos de títulos sem valor, como as moedas podres usadas no governo FHC, na privatizações, para só então pensar na saída mais fácil do aumento dos impostos e isso, após o impedimento da “incompetenta”.

    • Auditoria cidadã de dívida = pretexto pra calote. Tô fora.

      Aliás, este veículo que você citou não contribui em nada pro debate democrático. É apenas pena paga do governo pra difamar seus opositores.

  8. Por que ninguém fala em imposto sobre altos salários em escala que poderia chegar a 100% ? Será porque atingiria apenas a elite dominante?

  9. Última chance – Editorial / Folha de S. Paulo
    (…)
    Não há, infelizmente, como fugir de um aumento de impostos, recorrendo-se a novas alíquotas sobre a renda dos mais privilegiados e à ampliação emergencial de taxas sobre combustíveis, por exemplo.(…)

  10. Prezado Helio, será porque neste caso todos iriam parar de trabalhar e mamar nas tetas do estado? Que bizarrice!
    Prezado João Alfonso, como assim faria pouca diferença? Se existe um mega estoque de títulos isentos como tributá-los faria pouca diferença se a alternativa é aplicar em títulos já tributados?
    Independente disto já temos carga tributária de Alemanha com serviços africanos… Será que não existe uma quantidade imensa de desperdícios e/ou fraudes para serem eliminados? E sem essa de direito adquirido no setor público… Acorda Brasil!

  11. Aiza Mansueto, já tá até ministeriavel, segundo alguns sites.

    O que tem que ser feito é parar de dar reajuste anual no Salário Mínimo (40 bi de impacto!!!) e reajuste pra servidor. Tem que congelar 5 anos mesmo. Não tem o que fazer. No valor de hoje colocam o absurdo de 200 bilhões de deficit nas previdencias. A dos servidores publicos, o que o pessoal da ativa contribui mal cobre 30% do que o pessoal da inativa recebe. isso é um absoluto disparate.

  12. Mansueto, li os artigos indicados por você e o que eu sinto é que sempre no Brasil, as pessoas tentam usar os dados de maneira não cientifica, para justificar o que pesam e estas comparações acabam sendo adotadas. Falo isto porque o quatro de comparações, dos rendimentos de um advogado é no minimo tendencioso. Vejamos:
    Um advogado optante pelos simples que consiga ter uma retirada de R$30.000,00/mês, tem que ter um faturamento muito maior que este valor, sobre os quais iria incidir os impostos. Digamos que ele seja um excelente advogado, extremamente eficiente, que os processos que ele defende não levem anos e anos para chegar a um fim e ele consiga ter uma retirada no valor de 30% do faturamento bruto ( pois com toda certeza a empresa dele tem custos). Ele como empreendedor que gera empregos e corre risco, teria ao final de um ano recolhido só de simples R$150.480,00 ( 12,54% ), porém é bom lembrar que existe uma serie de outros impostos e taxas, que é até difícil relacionar e quantificar, pois não sou da área jurídica.
    Isto me lembra um estudo da CUT, sobre trabalho terceirizado, que compara cenoura com abacaxi sem o menor critério técnico.
    Falta estudos sérios para diagnosticar os problemas, sem o viés ideológico.

  13. Vamos partes, acho que algumas áreas não ter concursos complicado, é perda de dinheiro e perde totalmente a eficiência, no caso do INSS é nítido, se você construir uma casa e tomar um golpe de seu empreiteiro ou firma de engenheiro que não pagou o devido, pede o habita-se e espera prescrever, esse é só um exemplo.

    Eu me lembro de ter lido que a Petrobrás tem 3 pessoas para cuidar na CGU, caso não seja notícia “fake”, é impossível você fazer o levantamento de dados, falta pessoal no controle, não apenas vontade política da alta direção de combater a corrupção (bem que poderia dizer que o escasso número leva a conclusão que a alta direção sabota o combate a corrupção);

    O maior problema é que no governo Lula e Dilma tivemos um aumento de 33.000 pessoas em Função de confiança e Cargo em comissão, eu faria um Downsizing sem medo errar, e cortaria boa parte, no caso dos cargos em comissão 75% são servidores públicos, caso o dado seja certo seria um modo de rearrumar, além de também acabar com o empréstimo entre autarquias, ministérios etc, se passou para aquele que fique naquele.

    Agora vi um caso em telejornal era estadual, a aluna até agora não teve aula de matemática, por que o governador não contrata, e nos temos também universidades federais, quer dizer se não tiver professor para calculo I fica sem? Vai ficar como casos na saúde que compra-se o material e não técnico para operar?

    Um congelamento de salários ou aumento menor que a inflação do servidor público para ajustar com o mercado é mais necessário em várias carreiras, talvez seja aí o melhor a se pensar, o próprio Gilmar Mendes já indicou que precisa arrumar a situação, por que muitos já começam quase no salário do teto.

    Aumento de tributos, no caso do Brasil já beirando os 37%, indo para 40%, é muito complicado, por que o empresário pode ir para Paraguai (afinal, estamos inseridos no mercosul) e o ganho já é de pelo menos 30% a menos no custo, irá ser maior, dependendo do tamanho produtiva no caso da CPMF, que afeta toda a cadeia produtiva,e já sabe que terá gastos trabalhistas.

    E além do mais tem o lado segurança hoje, veja quantos tem que pagar seguranças e carros blindados, é um custo que aparece muitos vezes, você ouve pessoas optando por Miami a muito por isso, mesmo em serviços. E mesmo o jovem que normalmente a maioria já teve um celular furtada, em um país estagnado e sem esperança, claro que vai tentar ir embora.

    E ainda falta exemplo, o que é pior em gastos miúdos como viagens ou compras não se poupa nada, muito pelo contrário.

    Abraços,

  14. E ainda no caso do plano do governo fica sem sentido por que retiraram 30% do sistema “S”, assim como no caso de “todos” os concursos públicos, a resposta sobre a efetividade da medida é zero que deve existir muito desperdício, só que o governo apenas tungou e pronto, sem explicação alguma.

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