Três excelentes artigos

Meus amigos reclaman que não respondo e-mails. Meus leitores reclamam porque diminui o ritmo do blog e meus filhos reclamam quando não os deixo mais escutar as musicas irritantes da “family finger”. De qualquer modo, ainda que atrasado, quero recomendar a leitura de três excelentes artigos publicados recentemente nos jornais.

O primeiro artigo é do colega, que cursou economia mas não é economista porque não é registrado no Conselho Regional de Economia, Marcos Mendes. Ele fez uma excelente artigo mostrando algumas das nossas mazelas. Artigo leve e divertido com uma mensagem importante: as regras nos levam a escolhas que prejudicam a eficiência e não são socialmente ótimas. Não dá para criticar quem quer se aposentar com 52 anos de idade. ë para criticar o fato de não pressionarmos os políticos para rever estas regras.

Não dá para criticar o fato de uma brilhante aluno de uma universidade publica ou privada não poder dar aula de química em uma escola média. Precisamos criticar a lei que proíbe que um estudante brilhante possa dar aula em escola publica ou um salário muito alto de servidor publico que pega um rapaz com mestrado para as vezes para trabalhar em uma posição que exigia ensino médio. Leiam e se deliciem com uma fábula de improdutividade (clique aqui) do colega Marcos Mendes publicado no jornal o Estado de São Paulo.

A proposito, em recente debate que tive com Marcos Lisboa e Samuel Pessoa no Estado de São Paulo pedimos para sermos identificados como pesquisadores e não como economistas. Samuel já foi processado por se identificar como economista sem ter graduação em economia (ele só tem doutorado) e não ser registrado no Conselho Regional de Economia. Eu tenho graduação em economia, mas também não sou registrado. Mundo louco esse que para se identificar em uma profissão precisa de ser registrado em um conselho.

O segundo artigo é de outro colega meu, professor de economia da USP, mas não sei se ele seria economista. Depende se ele é registrado no Conselho Regional de Economia. O nome dele é Carlos Eduardo Gonçalves, economista sênior do FMI (sênior não significa velho). Ele escreveu de uma forma extremamente educada para mandar um recado para outro professor ou professora da USP que andou falando algo sensacional: “o Brasil precisa baixar os juros e aumentar o gasto para crescer mais rápido”.

Carlos Eduardo fala exatamente o contrário e adverte: “Apegar-se ferrenhamente a uma teoria, ainda que tudo a seu redor sinalize que ela não condiz com os dados, é absolutamente infantil –ainda que incrivelmente comum.” Tem muito keynesiano professor titular que acha que é so gastar mais que a economia vai crescer sempre. Sei que parece brincadeira, mas é o que escuto. E tem ainda alguns que se autodenominam “keynesiano jurássico” como se isso fosse motivo de orgulho.

Leiam o artigo do Carlos Eduardo: “Gastar mais e baixar juros agora não faz o menor sentido” na Folha (clique aqui). Ele vai escrever algumas verdades que não gostaríamos de ouvir e das restrições do lado da oferta. Yes!, we can learn economics without being naive.

Por fim, leia o sensacional artigo do Fernando Gabeira hoje no Estado de S!ao Paulo que desde que deixou de ser Deputado cada vez mais me surpreende com o seu programa de televisão e com os seus artigos impecáveis. O artigo de hoje, corda em casa de enforcado (clique aqui), mostra a enorme capacidade de o governo criar o seu próprio abismo e a dificuldade de criarmos um consenso politico com a liderança de uma presidente que não é uma política. Mas torço para que o governo consiga convencer ao seu próprio partido da necessidade de reformas e que o ex-presidente Lula deixe de ser o líder da oposição.

Boa leitura a todos. E no domingo tem artigo do economista Arminio Fraga (não sei se ele é economista) e um outro artigo de outros grupo de pesquisadores (Marcos Lisboa, Bernard Appy, Sergio Lazzarini e Marcos Mendes) que tem conhecimento de economia (não sei se algum deles é economista). No domingo tem também a coluna do Samuel Pessoa que hoje não gosta mais do PT apesar de já ter frequentado as festas maravilhosas da ECA na USP, um reduto tradicional de esquerda na década de 90 que eu também curti.

Pena que não tem nenhum artigo meu. Fui excluído. Meus amigos me abandonaram. Só me resta escrever aqui no blog ou fazer as minhas newsletters que poucos de vocês recebem. Boa leitura.

16 pensamentos sobre “Três excelentes artigos

  1. Parabéns Pesquisador(kkkk)!Tenho acompanhado sua luta nos debates públicos,sempre conciso e esclarecedor.Ouvi do amigo dizer que cortar ministérios seria simbólico!!?Queria se possível que comentasse essa reportagem-http://www.istoe.com.br/reportagens/411245_A+INSUSTENTAVEL+MAQUINA+DO+GOVERNO.E se não for pedir demais,onde conseguimos ver os reais gastos do orçamento?Por exemplo, na reportagem fala-se em mais de 100bi gastos com saúde,vou na transparência brasil aparece:ministério da saúde 34bi(será que é a diferença são os gastos de estados e municípios?).Valeu!

  2. Valeu Mansueto! Nossa, o artigo de Mendes é a historia do Brasil. Bom, a gente fala em ajuste, mas qual seria a sequëncia de passos fiscais nesta conjuntura dada a situação do governo, congresso, em fim, a falta de governabilidade? Pensando nos EUA, tinha a ARRA, e anos depois o sequestro de orçamento para abaixar o deficit. Obrigado, Mark de Washington.

  3. Não é crível que Levy aceitou ser ministro sem antes ter dito com todas as letras para Lula e para Dilma que o ajuste teria de ser feito com cortes substantivos de gastos e aumento de impostos.

    Ocorre que para Lula, Dilma e para o PT as condições políticas para o ajuste neoliberal proposto por Levy não estariam dadas. Ou seja, o lulopetismo ( (sindicatos, MST, “unicampers”, etc) não aceitou o ajuste neoliberal proposto por Levy.

    Contra os céticos que desconfiaram do sucesso de Levy, muitos analistas argumentaram que Dilma e o PT, movidos por instinto de sobrevivência política, teriam de aceitar o ajuste e ponto final.

    Não foi isso o que vimos ao longo deste ano.

    Na lógica maniqueísta dos nossos esquerdistas desenvolvimentistas, a conta do ajuste teria de ser endereçada aos ricos.

    Por tudo o que vimos desde a posse do Levy, parece claro que os céticos (ou a turma do “quanto pior melhor”, no dizer de Dilma) têm razão.

    Tarso Genro vaticinou: o PT acabou. Por isso seria urgente a criação de uma frente popular, talvez embrião de um novo partido de esquerda.

    Neste governo não havia e não há liderança política para a implementação do plano original de ajuste do Levy.

    Gostaria de estar enganado, mas o melhor seria mesmo que Dilma renunciasse, abrindo caminho para uma concertação política entre os partidos representados no Congresso, claro que oposição incluída.

    Mas Dilma não vai renunciar.

    Lula requentou o conhecido blablablá

    E as privatizações, que poderiam ser de enorme ajuda, simplesmente não andam.

  4. Mansueto, não sou economista, mas tenho dois irmãos acadêmicos e que o serão (caso registrem-se no Corecon). Enfim, gosto da área, mas já tenho outras graduações (Administração e Contábeis) e, apenas aproveitando o seu ensejo de indicações de artigos, gostaria de saber se você poderia indicar-me alguma leitura que mensure os desperdícios e/ou o péssimo uso do dinheiro público?

    Acompanho o blog a cerca de um ano e tenho muito a parabenizar-lhe. Quanto a economia, só o blog do Prof. Roberto Ellery é tão bom quanto o seu.

    Parabéns!

  5. Caríssimo…como já participei como conselheira (suplente) do Corecon, posso te ajudar em como se identificar…vc tem problemas de identidade – não precisa procurar um psicólogo…kkk…vc pode se identificar como bacharel em economia, pois de fato, segundo a legislação a denominação economista é apenas aos registrados no Conselho ( e para isso precisa ser bacharel em economia)…se a profissão é regulamentada, é melhor seguir as regras…pesquisador é muito amplo, então pode se identificar tb como pesquisador e bacharel em economia…sempre acompanho suas falas…e confesso que prefiro sua visão às do Samuel e do Marcos…apesar de terem um perfil semelhante, acho que vc toca em questões de finanças com mais propriedade…abre os dados com cuidado…gosto disso…

  6. O melhor seria a extinção do inútil Conselho de Economia. Como pode uma profissão cujo livros-texto são contra a existência de conselhos de profissão possuir um tal conselho.

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