Dez motivos para controlar seu entusiasmo

1. A maior defesa do Ministro da Fazenda no Senado Federal, na semana passada,  veio do Senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Por que não de algum senador do PT?

2. O bombeiro do governo que mostrou apoio ao ministro Joaquim Levy foi o ministro da casa civil, Aloízio Mercadante. Segundo a imprensa, ele foi um dos causadores das confusões na área econômica e política.

3. O  Vice-presidente Michel Temer se diz contra aumento da carga tributária. O que dirá se tiver que aumentar impostos? Que é apenas recomposição de receita?

4. Mercadante reconheceu que o governo exagerou nas políticas anticíclicas e disse que o agravamento da crise veio da queda do preço de commoditties. Passa a impressão de que a crise não foi fabricada pelo governo e, sim, resultado de algo que não era controlável.

5. Governo fala contra créditos subsidiados, mas abriu linhas de empréstimos novos com juros menores via CEF e BB.

6. O Governo, com muito sacrifício, conseguiu reverter em R$ 10 bilhões o custo da desoneração da folha. Mas quer ampliar o teto do SIMPLES com custo anual extra de R$ 11 bilhões.

7.  Governo quer cortar subsídios. Mas a conta de subsídios que mais cresce é a conta de subsídios já concedidos que não foram pagos. Uma herança maldita que não poderá ser reduzida neste governo.

8. Não é clara a disposição do governo de cortar ministérios e cargos comissionados. Além de redução do gasto ser pequena, a medida pode ser mero marketing. Até agora o governo não sabe o que vai cortar. Como pode?

9. Articulação política do governo não melhorou. Com a saída do Temer até piorou. Como esperar aprovação de reformas difíceis?

10. Uma grande parte do PT preferia, no fundo, que o governo hoje fosse do PSDB e que o PT, na oposição, pudesse jogar pedra no telhado dos outros. Mas não é o caso. o PT terá que assumir as reformas.

7 pensamentos sobre “Dez motivos para controlar seu entusiasmo

  1. O governo precisa sinalizar, com clareza, para onde que levar o País. E uma vez feito isso, a sociedade precisa fazer sua parte

  2. Em resumo, estamos na roça. A recuperação da economia e da credibilidade das forças de mercado demorará ainda. Esse cenario penaliza sobretudo a população de menor poder aquisitivo cuja recuperacao de renda ocorrida nos idos dos anos 90 esta sendo corroida pela inflaçao dos produtos essenciais a sua sobrevivencia. Muita pena ver meu Brasil nesse triste caminho. Vamos torcer que haja uma recuperação logo.

  3. O desembargador aposentado Cid Heráclito de Queiroz, que chefiou a procuradoria geral da Fazenda Nacional, publicou dois artigos no jornal O Estado de S. Paulo com “receitas” para reduzir os gastos de governo. Chamaram a minha atenção dois fatos: o ministério do Desenvolvimento tem 793 retângulos no organograma, e o ministério da Agricultura tem uma ONU de adidos agrícolas ao redor do mundo. Assim não dá…

  4. Mansueto, a Lei de Responsabilidade Fiscal não deveria coibir o aumento do endividamento (ainda que a Dívida Bruta)? Como o governo consegue aumentar tanto o endividamento com a LRF ativa? basta aprovar orçamento no Congresso?

    • Claro que não. A LRF não coíbe endividamento. O que coíbe endividamento é o limite previsto na Constituição, cuja aplicação, devendo ocorrer por meio de resolução do Senado Federal, ainda não entrou em vigor. Há um projeto em tramitação no Senado, mas ele é muito ruinzinho.

  5. É mais do que evidente que a proposta orçamentária para 2016 tem propósitos eleitorais. No ano que vem haverá eleições municipais. São mais de 5600 municípios, com seus prefeitos e câmaras de vereadores.
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    Quanto a cortes, não basta acabar com ministérios e cargos comissionados. Essa providência produz impactos tímidos, para não dizer imperceptíveis, sobre as despesas. O que se exige, isto sim, é a eliminação de atribuições, de modo que o governo federal não seja, a um só tempo, União, Estado, Município e cabo eleitoral.
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    Boa parte das despesas elimináveis encontra-se em áreas como a infraestrutura urbana e a assistência social. São programas e mais programas dispendiosos, de parcos impactos positivos sobre a produção e o emprego, que têm servido muito mais a propósitos político-eleitoreiros do que ao de promover o interesse público, em nível nacional ou local.
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    Também está mais do que na hora de discutir a eficiência do setor privado, tanto quanto a do público. É inadmissível que, em pleno século XXI, o setor privado não seja capaz de equilibrar as relações capital-trabalho, de modo que a população, mesmo a que exerça atividade profissional especializada, não se veja na contingência de viver “pendurada” nos programas sociais do governo, particularmente no tocante à previdência, à habitação, à saúde e à educação.
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    É preciso entender que, se, do lado da oferta, o setor público tem-se demonstrado incapaz de prover, eficientemente, os bens e os serviços mais essenciais à vida da população, o setor privado, do outro lado do balcão, não tem contribuído para o arrefecimento da demanda por esses mesmos bens e serviços. Ao contrário, a demanda é crescente, sempre avassaladora, e não se produzem, fora dos limites do Estado, quaisquer soluções para que o cidadão, por seus próprios meios, consiga viver condignamente.
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    Outro aspecto extremamente essencial diz respeito ao crédito. Tanto às condições quanto ao volume de sua oferta. Embora o senso comum apenas alcance os fatos mais superficiais da crise financeira internacional, focando-a a partir do credit crunch, as consequências mais adversas do episódio foram as que se impuseram subsequentemente, em especial o credit freeze. Nenhuma economia moderna pode crescer e desenvolver-se sem as condições certas dos lados da oferta e da demanda. Uma dessas condições é a oferta de crédito em qualidade e quantidade adequadas, de modo que os ciclos financeiro e de negócios, completando-se, permitam alavancar a atividade econômica.
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    Naturalmente, o Brasil, por viver eterno credit freeze, não chega a sentir ou a detectar essa anomalia, tanto quanto o mal que dela advém para os negócios, em geral, e para a expansão econômica, em particular. O crédito, no país, além de encontrar-se aprisionado por paupérrimas disciplinas fiscal, monetária, cambial e creditícia, não é complementado por um mercado de capitais pujante e possível, pois ainda cartorialista e caro, tampouco pelas regras de funcionamento do sistema financeiro, que, parecendo confundir crédito com banco, muito pouco fizeram para o amadurecimento do mercado e dos instrumentos de crédito.
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    Portanto, muita coisa não nos entusiasma. Essas aí, mencionadas por você, Mansueto, são apenas enfadonhas.
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    Grande abraço.

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