Dez coisas que você precisa saber

  1. Estamos ainda longe de um ajuste fiscal que nos leve a um superávit primário de 1% ou 2% do PIB. Mas já estamos muito próximo de perder grau de investimento (ou até já perdemos).
  1. Não há ainda consenso politico algum para ajuste fiscal. Em teoria, todos são a favor. Na prática, não há consenso algum do que fazer nem mesmo de como fazer.
  1. Um bom ministro da fazenda deve ser, por principio, odiado. Um bom articulador politico deve ser amado e desfazer parte do trabalho do ministro da fazenda. O fato de Joaquim Levy ser recentemente tão criticado é um bom sinal que ele está fazendo o trabalho que se espera dele.
  1. Sem Joaquim Levy, o Brasil já teria perdido o grau de investimento. Este governo tem um déficit enorme de credibilidade e o PT se recusa a defender o ajuste fiscal. Não há substituto na Fazenda para Joaquim Levy.
  1. Muita gente ainda não tem a dimensão real da crise. Em uma crise como essa é claro que há oportunidades para compra de ativos. Mas para os trabalhadores o cenário é o pior possível – aumento do desemprego e queda de renda real. Ajuste recessivo clássico para desespero do Ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que acreditava que o governo Lula e Dilma haviam encontrado um novo modelo de crescimento para o Brasil.
  1. Reformas estruturais com governo politicamente fraco não combina. Quem não acredita na agenda Brasil não são os economistas, mas os cientistas políticos.
  1. Alguns empresários (não todos) cospem hoje no prato que comeram. Governo Dilma atendeu a demandas por crédito subsidiado e programas especiais de incentivos. A reversão dessas políticas será confusa e ambígua.
  1. Quando o governo está fraco é o melhor momento para carreiras de funcionários públicos pedirem aumentos salariais para “salvar o Brasil”. Todas as demandas são “justas”, mas não cabem em orçamento que já é deficitário.
  1. Com Joaquim Levy na Fazenda, acredito que a tentativa de emplacar a agenda de reformas estruturais de longo prazo é real. Um esforço legítimo de modificar a dinâmica do crescimento da despesa no longo prazo. Sem Joaquim Levy na Fazenda, desconfio que a agenda de longo prazo se transforme em uma “licença” para gastos maiores no curto prazo.
  1. O esforço fiscal que o Brasil tem que fazer até 2018 é de R$ 200 bilhões. Nunca conseguimos fazer um ajuste desta magnitude em quatro anos, depois da Constituição de 1988, sem recorrer a aumentos da carga tributária. Não espero que agora seja diferente. No entanto, mais carga tributária sem reformas estruturais não resolverá o problema fiscal.

10 pensamentos sobre “Dez coisas que você precisa saber

  1. Caro Mansueto,

    Depois de ler seus posicionamentos, os quais considero relevantes e preciosos e, respeitando o vosso largo conhecimento cultural de economia, nesse momento me sinto na obrigação de fazer algumas colocações.

    Me considero um mero expectador dos diversos momentos econômicos pelos quais pude vivenciar, entre eles o plano collor, no qual tivemos um amargo prejuízo, sem qualquer retorno social.

    Entretanto, acredito na minha humilde vivencia, que a carga tributária já está no limite do suportável pela população; também acredito, que não basta querer implementar mudanças, sem que haja um posicionamento enérgico por parte dos governantes em cortar despesas desnecessárias.

    Se queremos um Brasil alinhado ao crescimento, isto ao longo prazo, temos que investir primeiramente na formação de base, ou seja, na educação, o povo educado assimila uma visão coerente de futuro, mas, transferir para o povo a responsabilidade pelo descalabro politico e econômico, se torna balela. Essa palavra de ordem deve mudar, pois, tudo que acontece de ruim, acabar numa medida do governo em querer aumentar a carga tributária, isso tudo na contramão de um país rico como o nosso.

    Acho que a diminuição da carga tributária a longo prazo e de forma coerente, além de medidas de cortes das despesas na própria carne por todos os poderes seria mais prudente. Aí te faço uma indagação: Será que existe consenso no sentindo de querer cortar na própria carne? Eu, acredito que ninguém, todos querem levar vantagem com corrupção, seja ele A ou B e, digo mais, isso está encrustado no meio social, porque acabou virando modismo. E modismo para a cultura é por demais pernicioso, ainda mais quando essa moda vira vício.

    Não podemos conviver com tantas discrepâncias no momento claro de aperto e recessão, não vejo nenhum consenso em torno de uma liderança, que faça o governo cumprir o dever de casa, se desvencilhando dessa utopia medieval e barrista.

    Somos brasileiros e não burros de carga, estamos cansados e sem qualquer norte por culpa de lambanças irresponsáveis de quem chegou ao poder, sem qualquer qualificação cultural, que me desculpem os analfabetos e semi-alfabetizados, mas, governar um país, bem como, ser representantes do povo no poder legislativo, requer amadurecimento e uma carga de conhecimento cultural.

    Estamos vivendo uma crise de poder sem igual, nenhum poder se respeita, tão pouco se faz respeitar, não podemos mais fazer política pobre com coisas sérias.

    Esse é o meu pensamento, com todo respeito a sua pessoa, pois, sei que és brasileiro e já está cansado de ver esse país ser enterrado ano após ano.

    Assim, concluo com um pensamento meu: “Ilusão é para abestado, viver no buraco é admitir o menoscabo para sempre”.

  2. O ministro Levy está em fase terminal. Não adianta um homem competente mas subserviente a um bando de incompetentes, locupletadores e de uma senhora incapaz de qualquer coisa que faça sentido lógico e prático, cercado por um mafioso chamado Mercadante, entre outros. Estou convencida de que Dilma é também terminal, mas por outros motivos. Levy é a única batata sã no meio desse saco pobre e fedido. “Levy, saia daí, saia rapidinho, Levy!”.

    Falo por que gosto disso? Não. Escrevo porque assim o é.

  3. É curioso o critério para avaliar a competência. Uma pessoa que entra na toca de cobras e lagartos sem o equipamento necessário poderá ser chamado de caçador competente?

    • Pois é, sempre achei isso. Ou ele é bastante ingênuo (idealista?) ou não consegue enxergar o panorama. De qualquer forma, está durando mais do que eu apostava.

  4. Sr. mansueto, gostaria de parabeniza-lo pelos textos abordados em sua coluna. São precisos, preciosos e didáticos. amadeu rezende

  5. Interessante é que nossos políticos querem o ajuste fiscal, mas não fazem a menos ideia de como fazer e nem chegam a consenso algum. O resultado todos nós sabemos: o povo vai arcar com os custos da incompetência de Governo e Congresso em chegar a um acordo.

  6. O governo do PT destruiu em pouquíssimo tempo a economia brasileira. No segundo mandato de Lula e no primeiro mandato de Dilma, foram cometidas as maiores atrocidades em termos de política econômica e política fiscal.

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