A FIESP vs o Povo

Confesso que não entendi absolutamente nada da carta da FIESP com criticas ao Ministro da Fazenda Joaquim Levy (clique aqui). O único efeito prático que a carta pode ter é acelerar a perda do grau de investimento e, consequentemente, o risco de o Brasil continuar com juros muito elevados por um bom tempo.

Recentemente recusei um convite para ir Nova York falar com investidores porque não me sentia à vontade de em um momento de tanta indefinição falar sobre o Brasil para investidores de fora. Mas se há algo que tenho destacado é a perseverança do Ministro da Fazenda e sua equipe de consertar a bagunça que a presidente Dilma 1 deixou para a presidente Dilma 2.

O problema do baixo crescimento hoje não é o ajuste fiscal, mas sucessivos erros de politica econômica cometidos nos últimos seis anos pela equipe econômica anterior, que entre outras coisas, acreditava que quanto maior a divida e subsídios setoriais maior seria o crescimento do PIB.

Essa politica de expansão exagerada da divida pública bruta ocorreu com um agravante. A conta de subsídios decorrente da equalização de juros, quando os bancos púbicos emprestam a uma taxa de juros abaixo do seu custo de captação, criou uma despesa primária anual que, no inicio do ano, representava uma conta não paga de mais de R$ 50 bilhões e há ainda as operações que estão vencendo.

A nota da FIESP fala que o ministro não se preocupa em terminar o ano com 1,5 milhão de pessoas desempregadas. Isso é de uma desonestidade intelectual impressionante porque, qualquer ser vivo, se preocupa com desemprego. O que não dá para acreditar é que, com o mercado de trabalho aquecido, os trabalhadores aceitarão reajustes menores dos seus salários. Sem desaquecimento do mercado de trabalho, os reajustes continuariam acima da produtividade e, assim, o custo para indústria crescendo e a inflação em alta.

Por fim, ajuste fiscal significa duas coisas: (1) aumento de receita e/ou (2) corte de gastos. De janeiro a junho deste ano, a nova equipe econômica já promoveu no um corte real de mais de 10% no custeio discricionário, aquele custeio sem vinculação. Corte de outras despesa esbarra em regras que precisam ser alterada  com a ajuda dos partidos políticos e com ajuda da pressão da FIESP no Congresso Nacional.

Vamos deixar claro o nosso dilema. O Brasil precisa fazer um esforço fiscal perto de R$ 200 bilhões (aumento de recita e/ou corte de despesas) até 2018. Nunca se fez um ajuste fiscal dessa magnitude no Brasil sem aumentar carga tributaria. Se não quisermos aumentar carga tributária, será preciso um corte radial de despesas obrigatórias, inclusive, gastos com educação, pois, em 2014, o governo federal gastou com essa área R$ 13 bilhões a mais do limite mínimo constitucional.

Mas se não conseguirmos o consenso para cortar despesas e aumentar a carga tributária? Há outra opção. Joaquim Levy sai do governo, governo retoma estímulos setoriais via bancos públicos, reduz os juros na marra, perdemos o grau de investimento e, em algum momento, a inflação de mais de dois dígitos por alguns anos e a taxa de câmbio a R$ 5 por dólar faz o ajuste desordenado. No final, o custo para o trabalhador será maior e alguém poderá até sugerir que um novo “Joaquim Levy” seja convidado para o governo ou que o PMDB nos entregue uma “Agenda Positiva” elaborada em uma semana.

6 pensamentos sobre “A FIESP vs o Povo

  1. Caro Mansueto, se procurarmos coerência com uma lógica econômica, acharemos todos doidos. A lógica é política e populista: jogam para a plateia. Imagine se a FIESP iria dizer que querem benesses para aliviar o bolso deles. Ora, quem vai se sensibilizar com a dor no bolso de empresário? Tem que dizer que são solidários e preocupados com a dor no bolso do trabalhador, né? abs Silvia

  2. Mansueto, perdoe-me a arrogância, mas se vc não entendeu é porque você é um excepcional analista econômico, mas precisa lembrar do lado político.
    🙂
    (a carinha devia estar chorando, isso sim)

    Essa é a mesma FIESP que há poucos anos alardeava a genialidade da Presidente Dilma com a MP579 que diminuiria os altos custos de energia para o povo, oprimido e explorado pelas geradoras e distribuidoras de energia, é claro. A mesma FIESP cujo presidente em franca campanha nos obrigava a ver a propaganda deles sobre a MP579 nos aeroportos de SP non-stop!

    Infelizmente, a FIESP parece ter ser transformado no partido do Paulo Skaf, ou ainda pior (ou melhor?), um grupo representando os empresários com a cabeça antiga de Brasil, que acham/esperam que se os subsídios, pelo menos, forem para eles, tudo irá dar certo. É impressionante como ainda encontramos esses tipos pelo Brasil afora.

    Bottom line é, sinceramente, não sei como as agências ainda não rebaixaram o Brasil. É porque elas são muito lentas, mais até do que precisam ser. No fim do dia, a Dilma e os a sua volta não deixaram de acreditar no que acreditam há décadas. Estão só se segurando e esperando a oportunidade de criar a “Nova Nova Matriz Econômica”.

    Dá tristeza.

  3. Cortar e/ou aumentar impostos com esse governo? nem pensar, faça-me o favor. Conclua por si mesmo o que é preciso fazer. Caso contrário que a vaca, não o animal, vá para o brejo em que a população já se encontra e ela não.

  4. O que dá pra esperar de uma instituição que é dirigida por um empresário sem empresa ?
    E de mais a mas, tem muito empresário no Brasil que só quer mesmo é mamar subsídio e nada mais. A indústria automobilística já está se mobilizando pra conseguir redução de IPI de novo. O governo efetua a renúncia e depois quer lascar CPMF no lombo do povão!! Só não vai rolar porque esse pessoal de Brasilia é maluco, mas não rasga dinheiro (ainda).
    E o dr. Levy é um doutor em Economia na Universidade do Canhoto… tem alma de controller e o Brasil precisa de um macroeconomista…estamos danados !!

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