O ajuste Inevitável -3: Repercussão.

Já comentei sobre o longo artigo, o Ajuste Inevitável, que eu, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa publicamos na Folha de São Paulo no dia 19 de julho- clique aqui. O artigo teve uma boa repercussão. Algumas destaco abaixo.

O jornalista Geraldo Samor da VEJA mercados fez uma excelente matéria sobre o artigo no dia 21 de julho com o titulo: “O paper sobre economia que está chocando quem o lê”. O posto faz um bom resumo do texto – clique aqui.

O jornal o Globo fez matéria de uma página com o debate suscitado pelo paper no dia 29 de julho de 2015. A matéria pode ser lida aqui.

No dia 01 de agosto de 2015, o competente jornalista Guilherme Fiuza escreveu uma coluna no O Globo no qual acusa eu, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa de defendermos os erros do governo do PT ao mostra o problema estrutural do gasto púbico – clique aqui.

Achamos que o jornalista teve uma leitura equivocada do nosso artigo. Apesar da existência de um problema estrutural no crescimento da despesa pública, essa tendência estrutural foi fortemente agravada pelos erros do governo do PT desde 2009.

Hoje escrevemos no jornal o Globo uma resposta ao jornalista Guilherme Fiuza. – clique aqui. Acho que houve um mal entendido pelo jornalista. Quando falamos que nem todo mal vem do petismo não significa que estamos defendendo o governo do PT. Ao contrário. Eu, Marcos e Samuel temos escrito há anos alertando sobre os erros sucessivos de politica econômica do governo do PT desde 2009. Tem dúvidas? Basta ler os posts deste blog.

O editorial do jornal O globo do dia 02 de agosto de 2015 captou bem o espirito do artigo que escrevemos na Folha. Com o título “A necessidade de um Plano Real para os gastos públicos” o jornal consegue captar de forma correta a tendência de desequilíbrio das contas públicas e a necessidade de um ajuste estrutural, mais profundo que um ajuste rápido e de curto prazo – clique aqui.

Por fim, o jornalista Fernando Dantas no seu blog publicou no dia 03 de agosto uma coluna também sobre o artigo que publicamos na Folha de São Paulo – clique aqui.

O artigo foi citado por vários jornalistas, colunistas e teve também boa repercussão nas redes sociais. Ficamos felizes por ter conseguido sintetizar o debate de uma forma um pouco mais clara e acessível ao grande público.

Não vamos nos iludir. Se as regras atuais continuarem em vigor, como mostramos no artigo, as regras atuais de gastos com saúde, educação e previdência apontam para crescimento da despesa de seis pontos de percentagem do PIB até 2030, qualquer que seja o partido ou partidos políticos no poder.

15 pensamentos sobre “O ajuste Inevitável -3: Repercussão.

  1. creio que houve mal entendido de parte a parte. No seu estilo contundente, o excelente Fiuza vislumbrou que os petistas tentariam, como sempre, distorcer o artigo, procurando fazer crer que de fato receberam uma herança maldita ou pelo menos que os autores abonariam a tese de que a origem de todo o problema se se localiza em período anterior. Já os não menos brilhantes autores interpretaram essa preocupação de Fiuza como uma não percepção de que sua crítica alcança acentuadamente a gestão petista. enfim, creio que ambos estão certos e errados, em certa medida. e eu provavelmente também.

  2. O texto também foi citado na entrevista concedida pelo economista José Alexandre Scheinkman, ao Jornal O Estado de SP, no último dia 2 de agosto, domingo. Vejamos:
    “O governo deveria atuar em dois lados. No primeiro já está trabalhando – reduzir o déficit primário. Mas há outras questões, de longo prazo. O problema foi relatado no trabalho feito por Mansueto, Samuel e Marcos (os economistas Mansueto Almeida, Samuel Pessôa e Marcos Lisboa). Eles mostram que as contas públicas, independentemente das confusões fiscais criadas no quadriênio passado, estão indo numa má direção, e isso foi escondido por aumentos de impostos.”

  3. Nunca perco tempo lendo esse cara (uma espécie de Reinaldo Azevedo piorado), mas abri uma exceção por causa de seu post.

    Claramente ele fez uma leitura equivocada do texto. Boa parte do artigo é dedicada a explicar como o governo do PT agravou a situação — e Fiuza parece simplesmente ter ignorado isso, como se não tivesse lido o texto inteiro.

    O problema é que, na interpretação dele, o artigo “alivia” um pouco a barra do PT — o que, em sua singular e estreita visão de mundo, é inaceitável. Essa postura algo tosca compromete qualquer leitura e análise que ele tente fazer.

    Infelizmente, esse tipo de opinião parece contaminar cada vez mais o jornalismo brasileiro, pois tem apelo para boa parte dos leitores. Isso independe de preferências partidárias ou ideológicas, mas naturalmente a visibilidade é maior para aqueles que se concentram em atacar o PSDB ou o PT. (Todos atacam o PMDB, mas ninguém liga, o apelo é minimo.)

    O negócio está tão feio que isso é perceptível não apenas para experientes jornalistas brasileiros, como Miriam Leitão, mas também para estrangeiros, como Helen Joyce, correspondente da Economist no Brasil até 2013.

    PS. Por favor, avise-nos se traduzirem o texto. Obrigado!

  4. O Brasil é administrado fazendo contas de padeiro. Não importa o partido político.Mas muito me estranha que certas números nunca sejam citados em artigos, por exemplo: A seguridade social deixou de arrecadar R$ 250 bilhões devido a política de desonerações tributárias entre 2009-2014. Nunca li isso em artigo nenhum. Trata-se de um estudo “escondido” no fundo de uma prateleira de um “armário abandonado” lá da FGV do Pastore.
    Os R$ 250 bilhões que a seguridade deixou de arrecadar entre 2009-2014 é uma dinheirama estratosférica. É grana real. Não é “projeçãozinha dos R$ 300 bilhões de benesses previdenciárias que serão pagas até o ano de 2030”.
    Não discutir desoneração, corrupção, sonegação apenas implicará em maiores custos e redução de direitos previstos em lei para uma sociedade que precisa carregar um estado paquidérmico que nada lhe devolve em termos de saúde e educação.

    • Todos os dias só o que se faz é discutir corrupção. Todos os jornais impressos e TV só falam isso. Desonerações são fruto do que abordamos de grupos de interesse que se organizam para ter acesso a sua meia entrada ao custo de outros.O Brasil tem diversos regimes especiais, várias desonerações não justificáveis, etc. Mesmo assim, o problema do financiamento da seguridade social continua.

      • Fazer o que se a corrupção é endêmica?
        Desonerações são na grande maioria benesses que o estado concede a quem de fato não deveria ter direito. Sem falar na estratosférica dívida ativa previdência que chega a R$ 275 bilhões. A dívida ativa fiscal (sem seguridade) passa de R$ 1 trilhão. Não é preciso “Plano Real pra Seguridade”. O que é preciso é aplicação da lei. O que é preciso é o fim da leniência do Estado com a sonegação que passa de R$ 100 bi todos os anos. Creio que essas cifras extraordinárias ajudariam no “financiamento da seguridade”. Não discutir isso e ficar falando reiteradamente em artigos que é preciso mudar leis para reduzir benefícios previdenciários, sociais, educacionais ou qualquer coisa que seja e continuar não expondo para a sociedade esse ambiente onde grandes sonegadores ganham benesses do Estado é como dar um “cheque em branco” para que essas condutas delitivas e lesivas ao Brasil continuem. Você não abordou isso.

      • Temos visão diferente. Os grandes sonegadores inclui também o Estado que deve também bilhões de créditos tributários. Por que governo não cobra essa divida ativa? por que os auditores da receita não fazem nada? acha que alguém pede a eles para não cobrar? por que a UNAFISCO não convoca uma entrevista coletiva para falar porque os auditores, a PFGN etc não conseguem cobrar essa divida ativa? Estranho funcionários públicos serem tão passivos e não explicarem porque o estado não arrecada um recurso tão fácil que poderia ser arrecadado.

      • Outra coisa que esqueci de dizer vendo a sua peroração sobre desonerações tributárias é que na vastíssima maioria das vezes elas incidem justamente em tributos que servem para o custeio da seguridade como: PiS/PASEP/COFINS/CSLL.
        É óbvio que se as desonerações focam em redução de alíquotas ou isenção desses tributos provocará um “problema de financiamento da seguridade”, não é mesmo?

      • Sim. mas ai está o problema da meia entrada. O estado dá diversas desonerações e cria diversas situações injustas. Empresas semelhantes no mesmo setor muitas vezes têm carga tributária diferente.

      • Ainda bem que temos visões diferentes.
        Primeiro: Não estou dizendo que os estados e municípios não sejam devedores do INSS.
        Segundo: Nem toda dívida que estados e municípios têm com o INSS estão inscritas na dívida ativa. Lembrando que só estará inscrito em dívida ativa aquele ente público ou privado que foi condenado pela justiça, porém não pagou o valor do tributo devido. A maior parte é discutida judicialmente e, se houver, algum estado, município ou ente público inscrito na dívida ativa esse montante, certamente, é inexpressivo. Portanto, há ações na justiça cobrando pendências trabalhistas do Estado. Toda a cobrança é feita após trânsito em julgado do processo. O valor cobrado pode ser depositado judicialmente ou após a ação ter transitado em julgado convertido em precatório. Há estados que não repassam o PASEP o que me fez lembrar que certo estado da federação criou lei para simplesmente não recolher o PASEP. De brinde foi condenado no STF e obrigado a pagar R$ 1,1 bilhão após mais de 20 anos de batalha judicial. Que não se tente dizer que auditores fiscais prevaricam, que deixam de fazer seu trabalho ou que a justiça não está funcionando. Quem diz isso não conhece a montanha de recursos e manobras jurídicas que podem ser feitas para atrapalhar processos.
        Terceiro:Fazendo um histórico sobre o assunto em tela a Medida Provisória 190 de 2004 garantiu repasses de verbas federais mesmo para estados e municípios em dívida com o INSS, desobrigando a apresentação de Certidão Negativa de Débitos ao INSS. Em 2005, conforme o próprio Ministério da Previdência, o setor público devia R$ 14 bilhões ao Instituto. Uma quantia interessante, porém não chega aos R$ 114 bilhões de reais em débitos na época de entidades privadas, totalizando R$ 128 bilhões. Se não me falhe a memória propuseram um refinanciamento dessa dívida nesse mesmo ano e foi materializado com a edição da lei 12810/2013 que possibilitou aos estados e municípios refinanciarem suas dívidas com entes federais.
        Em 2015, a Previdência mostrou o valor das dívidas dos grandes sonegadores que chegou a R$ 153 bilhões. O que chama a atenção nos números de Berzoini é a “benesse” chamada Refis e outros parcelamentos R$ 48 bilhões (aquele favor do governo em detrimento da sociedade para as empresas pagarem seus débitos com o INSS de forma parcelada, sem juros e sem multa, que não é problema para o financiamento da seguridade social, apesar de ser perda de recursos certa para o sistema rsrsrs). Tomando por base o valor de 2005 me parece bem crível que estados e municípios continuem devendo alguma coisa próxima a 10% desses R$ 153 bilhões, talvez até menos pelo refinanciamento proposto pela lei de 2013.
        Quarto: Qual a lógica em conceder desonerações de PIS/Cofins para setores como Telefonia ou de Agrotóxicos, dois setores oligopolizados? O “problema da meia entrada” concedida a quem não precisa e que definitivamente prejudica o financiamento da seguridade. Só em 2011, o mercado de agrotóxicos movimentou quase US$ 10 bilhões só no Brasil. As desonerações tinham como única justificativa “redução de preço ao consumidor pra girar a roda da economia.” Não deu certo, pois até onde eu sei, apesar da minha vasta ignorância em economia, o que reduz preço de produto ou serviço é a concorrência, são vários ofertantes em um mesmo segmento de mercado. Se o governo reduz imposto e se eu sou hegemônico em um mercado ou há outra empresa grande no mesmo segmento nós combinamos preço para ampliar nosso ganho ampliando nosso lucro. Uma ou outra teve um desempenho modesto.
        Creio que há gente que realmente acredita que a iniciativa privada é “santinha”, não sonega e que isso não influencia o financiamento da seguridade, assim como creio que falar em desoneração é meio assim: “Pois é! Fizemos desonerações, mas não deram certo. Agora a sociedade que se vire.”
        Francamente falar em reforma da Previdência sem falar em desoneração, em sonegação e corrupção não é falar de reforma. É simplesmente criar discurso para dizer que brasileiro não trabalha, fica rico após a aposentadoria e que o Estado de Bem Estar Social do Brasil é sueco, com boa saúde e educação de qualidade gratuita para todos.
        A questão não é entre direita e esquerda, não é entre Estado e Iniciativa Privada é de respeito a lei. Todos devem obedecer a lei, o que é uma dificuldade no Brasil (já que é um estado a margem da lei), principalmente se as pessoas são próximas ao rei e é essa a questão importante. Se um empresário deve, que se cobre. Se um governante deve que se casse o mandato dele, o TCE reprove suas contas e que as câmaras municipais e assembleias legislativas tomem vergonha na cara e comecem a rejeitar as contas desses caras restando ao Judiciário condená-los por improbidade e cassando direitos políticos.
        Aposentados marajás do Brasil!
        Aposentados que curtem suas férias do trabalho lá em Punta del Este com a exorbitância de um salário mínimo como benefício social uni-vos!

    • Jovem, você precisa entender que não pode se aposentar aos 50 anos. É inviável. O resto é groselha.

      Temos um problema grave na previdência e ele só vai se resolver quando a previdência social brasileira for equiparada à dos países desenvolvidos.

      • Amigo
        Você não leu os meus comments ou não entendeu o que eu disse. Há um debate permeado de achismos e chutômetros e, sem dúvida, cheio de interesses.
        Temos um problema previdenciário sim. Ele piora devido a complacência do governo em não aplicar a lei. fornecer benesses em demasia para o empresariado com desonerações tributárias que afetam o financiamento do sistema e sonegação que bate na casa dos R$ 100 bi por ano. Não falar disso é fazer samba de uma nota só. Não se deve penalizar quem contribuiu 35 anos convocando-o para consertar o estrago que não fez e ao mesmo tempo conceder prebendas a quem sonega. A adoção da métrica 85/95 é uma medida menos pior, porém espero que muita coisa seja rediscutida. Caso contrário, daqui uns 4 ou 5 anos será a mesma cantilena de “insustentabilidade na previdência”. Já que falou em países desenvolvidos a idade pra se aposentar na Alemanha é de 63 anos e a expectativa de vida deles é de 81 anos. Um francês se aposenta aos 62 anos e uma francesa se aposenta aos 57 e possuem expectativa de vida de 83 anos. Creio que esses europeus, conforme tua argumentação, não sejam muito trabalhadores.

  5. Salve, salve Mansueto. Financiamento da SEGURIDADE SOCIAL e não previdência. Até que enfim alguém apontou para o olho do problema.

  6. O artigo de Ricardo Fiuza é absolutamente delirante e, portanto, sem relevância para o debate proposto pelos três economistas. O artigo é o que é: opinião de qualidade sofrível.

    Geraldo Samor foi certeiro nesta síntese:

    “O ‘paper’ de Almeida, Lisboa e Pessôa destrói a análise superficial que diz que o problema fiscal brasileiro é apenas uma questão de ajustar a rota depois de alguns anos de gastos exorbitantes.

    Se o desafio conjuntural chega a ser paralisante, o problema estrutural das contas públicas é mortal.”

    O diagnóstico do problema estrutural está muito bem apresentado pelos autores e em linguagem acessível a não especialistas.

    A questão ainda sem resposta é fundamentalmente política:

    Se este governo não se apresenta como liderança para o enfrentamento dos desafios conjunturais, conforme o que foi proposto por Levy, por que deveríamos apostar as nossas fichas num pacto com Dilma e com o PT para levar avante as “reformas estruturais que interrompam a trajetória de crescimento do gasto maior do que a da renda” ?

    Teremos de esperar 2018 e eleger uma liderança com “coragem e visão de Estado para o País fazer o que tem que ser feito” ?

  7. Mansueto, desculpa, mas eu não tenho culpa nenhuma dessa crise, me inclua fora dessa. Tenho um irmão que era apto a receber pensão do INSS que complicou e travou tanto o processo que eu mandei pro colo do capeta e banco ele do meu bolso, assim como pago plano de saúde e escola particular pros meus filhos. Desisti há anos de exigir qualquer coisa do Estado a não ser aquilo que e próprio Estado é o principal fornecedor, como a segurança. Não me culpe.

Os comentários estão desativados.