O desastre do Superávit Primário do primeiro semestre de 2015

No final de novembro de 2014, a equipe econômica atual definiu a meta de superávit primário de 1,2% do PIB para este ano e de 2% do PIB para 2016. Naquele momento, a expectativa do mercado (pesquisa FOCUS) era que a economia brasileira teria crescimento de 0,8% este ano e, segundo estimativas do próprio governo no 5o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas de 2014, que o governo terminasse com um superávit primário de R$ 10 bilhões. Não foi isso que aconteceu.

Ao invés de superávit primário, mesmo que pequeno, o resultado de 2014 para o setor público foi um déficit primário de R$ 32 bilhões (0,6% do PIB) e, atualmente, as expectativas de variação do PIB passaram de um crescimento para uma queda esperada entre 1,5% a 2% este ano. Uma forte queda do PIB se traduz em forte queda de arrecadação –queda real de 2,7% da receita federal até junho- que praticamente inviabiliza tanto o alcance da meta de primário deste ano como do próximo.

Adicionalmente, do lado da despesa, neste primeiro semestre do ano, apesar de todo o esforço de o governo federal sinalizar para o mercado um plano de austeridade fiscal e de alguns avanços na margem de algumas políticas, como os empréstimos de bancos públicos, o resultado até o momento foi um resultado primário de “zero” ou próximo disso. Uma newsletter sobre esse assunto foi enviada hoje para assinantes. Mas se o cumprimento da meta do primário já era difícil no inicio do ano, o cumprimento da meta passou a ser muito mais difícil hoje.

3 pensamentos sobre “O desastre do Superávit Primário do primeiro semestre de 2015

  1. Uma curiosidade que tenho é a seguinte:
    Como pode a previsão de inflação em 2016 convergir para o teto da antiga meta de inflação (6,5%) se a inflação de hoje está quase dois dígitos? Posso estar errado, mas vi relatório Focus divulgando inflação de 5% em 2016. Achei esquisito.
    Se a deterioração fiscal continua e rigorosamente não há perspectiva de melhora, não seria lógico que a inflação do ano que vem estivesse oscilando no mesmo patamar de hoje?

  2. Mansueto, creio que não só a meta foi para o espaço como teremos novamente um déficit primário próximo ao que tivemos ano passado (entre 0 e 1%).

Os comentários estão desativados.