Indicações de leitura

Para quem não leu, sugiro a leitura e reflexão sobre três entrevistas, uma reportagem e uma coluna nos jornais do fim de semana e desta segunda feira. 

A primeira entrevista é do economista José Roberto Mendonça de Barros ao jornal Folha de São Paulo edição do domingo. José Roberto mostra que a crise será longa, recuperação muito lenta e que não temos ainda o que se poderia chamar de agenda positiva (clique aqui).

A segunda entrevista que recomendo é a do presidente do IEDI, Pedro Passos, ao jornal Estado de São Paulo. Pedro Passos tem se destacado no debate como uma das vozes mais sensatas entre os empresários do setor industrial (clique aqui). Ele fala entre outras coisas que deixamos de viver no mundo de fantasias e passamos a conviver com limites da realidade. Mas ainda não vê também uma agenda positiva clara. 

A terceira entrevista é com o Presidente da Mercedes Benz do Brasil que explica o momento difícil para as empresas e o que ele chama de o pior momento dos últimos 20 anos. (clique aqui)

A minha quarta indicação de leitura é uma reportagem sobre previdência com uma excelente entrevista com o economista Fábio Giambiagi. Segundo ele, o Brasil mais cedo ou mais tarde terá que estabelecer uma idade mínima para aposentadoria (clique aqui para reportagem e aqui para entrevista com Fabio Giambiagi). 

Quase esquecia. Um bom complemento no mesmo tema é o artigo de sexta do economista Marcelo Abi-Ramia Caetano na Folha de São Paulo. (Clique aqui).

Por fim mas não menos importante, a coluna do Samuel Pessoa no último domingo na Folha. Samuel, que é muito calmo, já vê indícios de uma grave crise fiscal. (Clique aqui) 

Depois de todas essas leituras, não quero que você leitor fique pessimista. Meu desejo é que tenhamos consciência dos desafios que temos pela frente e possamos começar uma debate mais profundo e construir politicamente as soluções. 

21 pensamentos sobre “Indicações de leitura

  1. Mansueto, quando leio sobre um assunto gosto de estar certo de ter lido opiniões de todos os lados, eventualmente contraditórias. Algum artigo, que valha a pena ler, de um economista em uma posição digamos mais “otimista”, ou mais alinhada com o governo?

    • Este é um bom ponto. Ainda não encontrei mas se voce encontrar um nessa linha antes de mim por favor indica aqui. Acho que seria bom ver ter algo nessa linha – um bom artigo ou artigos mostrando exatamente quais as apostas do governo para criar uma agenda positiva.

    • Mas este ano aconteceu uma coisa interessante.

      Mais pro início do ano, apareceu o inevitável manifesto da ala “heterodoxa” da profissão (que na verdade é uma ortodoxia inabalável) apoiando o projeto do PT (a especificidade do seu suposto conteúdo programático, que não é nem comunista nem social-democrata). Semana passada, saiu um outro manifesto, de economistas bem mais “centristas” apoiando o governo em face aos impasses colocado pela rebelião no Parlamento: eu mesmo fui acusado de dilmista outro dia (no ônibus Flamengo-Cosme Velho) por dizer casualmente que a extinção tout court do fator previdenciário não era viável, e precisava mesmo ser vetada.

      Na verdade, as exigências de uma certa ética profissional no que se refere a apoiar ou não medidas emergenciais de estabilização (e “apoiar ou não” tem graus variados de eficácia, mas acaba permeando toda a atividade profissional da gente, mesmo que não sejamos todos pundits ou influentes de alguma forma) acabam levando ao que venho chamando de “mutismo metapolítico”: muitos querem, sim, se opor ao governo, mas da mesma forma que um médico não pode fazer oposição recomendando tratamentos médicos equivocados à presidente, um economista não pode recomendar um derretimento catastrófico do que restou da capacidade de policy-making.

      Ou seja: essa coisa de “dois lados” é sempre engraçada, mas costuma ser por uma razão mais doce — pela dança entre o positivo e o normativo, entre o limite do conhecimento e o limite da objetividade. Quando mais jovem, inflexível, eu já defendi positivismos insustentáveis; mas o problema é diferente agora. O ponto onde eu fico tão em cima do muro que prefiro nem pensar sobre o assunto é a rejeição das contas: uma cólera moral em mim quer exigir imputabilidade já, mas temo também pela exacerbação da crise. Gregory Bateson chama de “double bind”; e desconfio que eles vêm manipulando isso de propósito. Como fizeram com a esquerda ideológica por anos a fio.

      Mansueto: se precisar que eu me identifique pra publicar o comentário, é só deixar um aviso na área de comments mesmo; eu volto em algum ponto da semana.

  2. Mansueto, gostaria de uma ajuda, se possível. Estou atrás do conceito de refinanciamento de dívida. Porque? Estava olhando a prestação de contas e orçamento da união e verifiquei que existem duas rubricas diferentes: 1. Serviço da Dívida e e 2. Refinanciamento da Dívida. As duas são consideradas despesas. Me questionei então: Se serviço da dívida é, em resumo, pagamento de juros e amortização, o refinanciamento seria o que? Claro que a primeira coisa que pensei sobre refinanciamento é o óbvio, rolagem da dívida, substituição de dívida velha por nova, mas aí não deveria ser despesa, certo? Mas está lá: DESPESA POR FUNÇÃO E SUBFUNÇÃO. etc e tal. Como pode então o refinanciamento ser despesa? Minha conclusão, como sempre, é: cadê a transparência verdadeira? Eu, que estudo isso, e revirei o Manual de Contabilidade Pública e livros de finanças, e tudo o mais que consegui, não encontrei. Imagina só quem não estuda isso.

    • Vou checar. Em geral não muito olho para isso porque a despesa financeira agente retira do calculo do primário. Deixa eu responder depois, Vou checar.

  3. Mansueto, parabéns pela bela participação no último sábado, no programa Painel, da Globo News, apresentado pelo grande jornalista William Waack. Infelizmente o Paulo Rabelo, involuntariamente, atropelou um pouco a sua exposição, mas não o impediu de demonstrar que você é craque no assunto. Precisará retornar ao programa.

  4. Parabéns pela participação na GloboNews! Você foi muito didático e falou com clareza. Isso é muito importante para que não-economistas também se sensibilizem com o tema. Continue com este excelente trabalho!

  5. Mansueto, me parece que o Governo está desenhando o aumento de impostos sobre herança e sobre doações, chegaria a 25% a aliquota máxima. Sei que não é tema do post, mas teria alguma consideração a fazer ? Obrigado.

    • sim teria, Mas vou fazer depois com mais clama Como j;a falei diversas vezes, não acho errado aumentar imposto sobre herança. Não gosto que venha na forma de mais um novo imposto. Eu esperaria essa discussão muito mais no âmbito de uma reforma tributária do que no âmbito do pacote fiscal. No âmbito do pacote fiscal eu esperaria que eles fossem primeiro reverter várias das desonerações. Situação muito complicada.

  6. Boa tarde Mansueto. Por que no Brasil sempre que se debate a falência da previdência se refere apenas ao
    Regime Geral de Previdência (INSS), jamais se toca no Regime Próprio de
    Previdência dos servidores público, nesse campo há um silêncio abissal de
    todos, sejam políticos, imprensa, grupos de debates, estudiosos,
    intelectuais? voce nao acha que seria interessante falar sobre isto?

  7. Bom dia Mansueto, qual e’ o percentual que os funcionalismo publico contribui para o INSS?
    No setor privado uma parte e’ do funcionário e a outra do empregador.
    Como e’ no setor publico?

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