Dez pontos para pensar

1- É sempre fácil defender um superávit primário maior. Mas seria bom que a defesa viesse  acompanhada de como elevar o primário – qual imposto aumentar e/ou qual despesa cortar.

2- Contingenciamento não é corte real de despesa. Contingenciamento é limite de empenho. O governo economiza mais não pagando o que foi empenhado.

3- Aumento de receita para estados e municípios aumentam a despesa com saúde e educação porque se trata de gastos vinculados. Assim, esforço maior de arrecadação desses entes aumenta despesa.

4- Até agosto o governo terá cortado toda a expansão real do investimento público do governo federal (sem estatais) dos últimos quatro anos. O maior corte da despesa será corte de investimento.

5- Investimento em educação e saúde já tiveram corte real de 46% neste ano até maio frente ao mesmo período do ano passado. Ajuste fiscal afeta também investimento social.

6- Nao é caro construir hospital. O problema é o custeio de um hospital público que em apenas uma ano equivale ao valor do investimento.

7- O Brasil não cumprirá a meta de gastar 10% do PIB com educação como está previsto no PNE até 2022. Ninguém gosta de falar no assunto, mas não iremos cumprir.

8- Maiores transferências para estados e municípios, uma demanda legítima de prefeitos e governadores, poderá ter o efeito adverso de aumentar a despesa pública e carga tributária. 

9- Governo Central se apropriou mais do que estados e municípios do crescimento da carga tributária pós-1988 porque as despesas que mais cresceram foram com programas de transferência de renda que são programas do governo federal – INSS, LOAS, Bolsas e despesas do FAT (seguro desemprego e abono salarial).

10- A carga tributária no Brasil crescerá nos próximos anos.

13 pensamentos sobre “Dez pontos para pensar

  1. Sobre hospitais, é a história do PSB na era Eduardo Campos em PE, na última década. Temos mais de 15 UPAs, uns 10 hospitais de grande porte na região metropolitana do Recife, mais uns dez pelo interior. Obras na área de saúde é uma baita propaganda política. Entregou administração das upas e da metade dos hospitais na mão de empresas privadas, cujo o secretário de saúde era também dono de uma dessas empresas. Costumo dizer que o estado tem não só uma arena da copa, mas umas dez porque manter esses hospitais é tão inviável quanto manter um estádio padrão FIFA com o contrato unilateral que fizeram para essas unidades.

    • Qual a sugestão? Não ter saúde pública e só quem paga pode ter? O modelo de saúde privada é falido, ele multiplica o custo da saúde. Vide EUA comparado a europa e Canadá

      • Modelo de saúde baseado na porta de entrada do SUS, atenção básica. A principal causa mortis em PE vem de doenças hipertensivas. Brasil idem. Quando um enfermo chega em um desses hospitais pra ser estabilizado, é o seu início do fim. Ele deveria estar sendo acompanhado bem antes. É o mesmo caso de outro grande problema de saúde pública, acidentes de trânsito. Assim como não evitam infartos, hospitais não evitam acidentes. Não digo que hospitais são inúteis, mas eles não andam evitando nossas principais problema da área. E PE se tornou um péssimo caso exemplar.

  2. Mansueto,

    10% não é um número muito arbitrário, digo, tirado da cartola e sem fundamento (ainda mais 10% em cima do PIB).

  3. Boa Tarde

    Com todas essas dificuldades p/ se cortar despesas e mesmo com os futuros aumentos de impostos , pendo que dificilmente atingiremos os valores previstos de 1.2 % de superávits primários p/ esse ano.
    Com os juros elevados que temos no Brasil não estamos entrando numa rota de elevação da dívida bruta , p/ valores impagáveis ? Qual a previsão p/ a dívida bruta p/ os próximos anos , levando em conta o baixo crescimento da economia? Tenho a impressão que estamos somente adiando o problema p/ os próximos anos ou p/ um novo governo em 2018.

  4. Bem genio qual é a solução pra resolver os problemas econômicos do Brasil que não seja reduzir despesa, reduzir investimento, aumentar impostos, se endividar e ao mesmo tempo respeitar as regras de demanda e oferta de mercado e lidar com a falta de confiança da economia brasileira?

  5. Ezequiel

    Bom Dia

    A minha preocupação é com a dívida que está se tornando impagável e na verdade eu gostaria de ver mais cortes de gastos e diminuição de impostos.
    P/ o governo o caminho mais fácil é aumentar impostos , sendo que esses recursos na mão da iniciativa privada gerariam riqueza p/ o pais.
    Eu sei que uma das poucas armas que o BC tem p/ conter a inflação é o aumento de juros , mas , como escreveu o Amir Khair hoje no estadão comparando uma pessoa que ganha R$ 10 mil e tem um superavit de R$ 3 mil, mas tem uma divida de 200 mil com juros de 4% ao mês .Ou seja essa pessoa vai quebrar.
    Com a economia em recessão , selic a 13.75% , qual o superavit que temos que ter p/ estabilizar a divida? Vamos conseguir estabilizar a dívida ?

    Att

  6. Muito bons apontamentos, Mansueto.

    Realmente o item 1 é um problema, que até comentei aqui outro dia. Todos falem em cortar gastos e tal, mas dificulmente alguem fala aonde cortar e ai sobra para o Governo fazer o corte em investimentos e ou políticas sociais e transferencias de renda.

    Por ex, sobre esse tipo de coisa, ninguem fala, ninguem critica o judiciário, o MP, o congresso e isso nos 3 níveis de administração. Ou o dinheiro que eles usam não vem também dos nossos impostos ?

    http://www.conjur.com.br/2015-jun-03/criticar-auxilio-educacao-siro-darlan-deixa-cargo-tj-rj

    Outro ponto que muitos defendem sem aprofundar o debate é uma redivisão de recursos, com maior participação para municípios e estados. Aparentemente é uma boa medida, mas nunca ouvi ninguem alertar que estes dois entes deferativos são MUITO MENOS fiscalizados, tanto institucionamente quanto pela imprensa que o Governo Federal. OU seja, poderia melhorar em algum investimento, mas o ralo também abriria muito mais.

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