Marketing politico e lobby: ajuda ou atrapalha a democracia?

No ano passado tivermos uma campanha eleitoral para presidente na qual o grupo de marqueteiros da candidata eleita fez uso eficiente do medo da volta ao passado, supostas mudanças contras os trabalhadores (mudanças de direitos trabalhista) e contra empresários (aumento dos juros e fim do crédito subsidiado) que ocorreriam se o PT não fosse eleito, e ainda abusou da tática de desconstrução da candidata Marina Silva da Rede/PSB, que seria ligada aos banqueiros na propaganda enganosa do PT.

Apesar dos excessos, tudo isso foi feito de acordo com as regras do jogo, por mais imorais e condenáveis que sejam. O que fazer depois das eleições seria problema para depois das eleições, mas antes havia uma eleição a ser ganha e para isso, a propaganda política estava disposta a tudo, até usar a propaganda enganosa da comida que desapareceria da mesa dos mais pobres e que os ricos seriam agraciados com mais recursos para seus bolsos caso o PT não fosse eleito.

Esse tipo de propaganda destrutiva não é algo novo. Esse tipo de propaganda teve origem na década de 1930 no estado da Califórnia nos EUA com Clem Whitaker and Leone Baxter, quando fundaram a Campaigns, Inc.

Ontem li um artigo interessante da revista The New Yorker da edição de setembro de 2012 – The Lie factory: how politics became a business– que mostra todo o histórico Clem Whitaker and Leone Baxter na destruição da reputação de políticos e na campanha milionária contra a proposta de um sistema de seguro saúde universal e obrigatório, uma politica proposta incialmente pelo governador da Califórnia, Earl Warren, in 1945 com amplo apoio popular e depois pelo presidente Harry Truman no mesmo ano.

O que parecia ser um vitória certa de uma boa proposta não passou na Califórnia e nem no Congresso americano porque Clem Whitaker and Leone Baxter, contratados pela the American Medical Association (A.M.A), conseguiram vender para o público americano que o seguro saúde universal e obrigatório era uma proposta socialista que obrigava o cidadão a visitar um médico do setor público.

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Pare quem se interessar vale a pena ler o artigo – The Lie factory: how politics became a business – que mostra com detalhes estratégias eleitorais para ganhar eleições ou mudar a opinião pública sobre determinados temas sem ter que recorrer ao debate profundo de ideias, mas sim por meio do uso eficiente de slogans fáceis que não precisam levar o eleitor a pensar, destruição do adversário com a utilização de declarações fora do contexto que foram originalmente dadas, etc.

Se isso ocorre nos EUA desde a década de 1930, o que fazer para mudar esse tipo de prática em democracias em pleno sec. XXI? Será que esse tipo de marketing politico com o uso de frases fora do contexto, destruição do adversário, etc. continuará a ser uma estratégia efetiva para ganhar eleições?

Será que a demonização de tópicos como terceirização, privatização, abertura comercial, etc. pela propaganda política continuará nos desviar de um debate sério sobre esses temas? Será que as redes sociais poderiam informar melhor ou apenas reproduzem a mesma campanha de desinformação que antes se dava por outros meios? Não tenho resposta.

13 pensamentos sobre “Marketing politico e lobby: ajuda ou atrapalha a democracia?

  1. A P&P (Publicidade & Propaganda) desenvolveu grandes técnicas sobre como levar mensagens para o público em massa, porém elas funcionam de maneira inconsciente, com retóricas baratas, tocando na emoção ao invés da discussão. Eu poderia ver como os meios de comunicação de hoje poderia sim ser usados a favor da democracia, mas da maneira que realmente é utilizado? Difícil de imaginar.

    Você cita as redes sociais, mas elas apostam na agilidade, no imediatismo atual da nossa sociedade, a verdade, a democracia, a discussão, pede muito mais que isso. É preciso antes de tudo, claro, uma mudança cultural, mas ela se torna mais difícil enquanto usarmos das técnicas de P&P e meios de comunicação da forma que utilizamos.

  2. O tema é bastante complexo e caba várias interpretações. Vou tentar dar a minha contribuição.

    Lobby sempre existiu no Brasil. Deveria ser legalizado e regulamentado como é nos EUA.

    Marketing político vem avançando cada vez mais, como tudo no País.

    A situação ideal seriam campanhas mais baratas, com reduzidas cenas externas, quase que apenas o candidato falando para o público e mais debates entre candidatos. Talvez financiamento exclusivamente público, aonde todos saberiam o quanto cada um está gastando e com fiscalização maior para inibir o caixa 2.

    Mas da maneira que é atualmente, com as regras que estão é natural que haja uma maior profissionalização, como ocorre nos países mais avançados que no nossa, notadamente nos EUA, aonde a campanha é muito mais dura que a nossa.

    Dessa forma, não se pode censurar, a priori, a propaganda eleitoral, ou nenhuma outra propaganda.

    E também não se pode tratar do tema com hipocrisia, como se só um lado usasse de campanha destrutiva ou slogans fáceis. E a última campanha eleitoral da oposição, não foi destrutiva ?

    Na campanha eleitoral do ano passado houveram exageros e erros para todos os gostos. Porém, havia uma candidata com a vida muito mais aberta que a dos outros dois. Aberta pela imprensa, que neste caso fez o seu papel. Mas não fez, com os outros dois ou mesmo tres candidatos. Era preciso que a campanha dela mostrasse a respeito dos outros dois candidatos, já que a imprensa não o fez. Claro que se há exagero tem que ser coibido, tanto pelo TSE como pelos outros candidatos, trazendo os contrapontos.

    Eu vejo isso como natural.

    Já nas redes sociais ai é terra de ninguem Mansueto, o que rola mesmo é muito slogam e pouco discernimento. De todos os lados.

    • Nada disso que você escreveu corresponde com a realidade, como sempre.

      Aponte uma campanha da oposição, qualquer que seja ela, que tenha sido destrutiva para o discernimento das pessoas, por favor.

      Tudo o que você escreveu foi apenas para embasar a tese petista de financiamento público exclusivo, no qual o PT, já está acostumado ao banditismo, continuará usando dinheiro de propina e ainda dos 5 bilhões anuais de verba para publicidade estatal e deixa o resto dos partidos vivendo do dinheiro do fundo partidário, que sequer chega a 1 bilhão (e isso pra ser dividido). Só aí já se percebe-se a enorme desigualdade desta tese esdrúxula que não encontra respaldo em lugar algum do mundo. Estatizar o financiamento de campanha não elimina o caixa 2, e ainda desiguala a disputa a favor do partido no governo.

      Apresente um estudo no qual seja possível concluir que a extinção do financiamento privado de campanhas impeça o dinheiro privado de continuar chegando aos cofres partidários.

      • E vc respondendo com falta de educação, de certo como voce aprendeu, não é mesmo.

        Se voce acha que campanha destrutiva, como a última da oposição, é benéfica para a sociedade, tudo bem. Só mostra que voce tem dois pesos e duas medidas.

        Eu disse talvez financiamento público. Claro que cabem outras alternativas.De a sua opinião ora, qual o problema ? Eu não disse que acabaria totalmente com o caixa 2, mas que poderia inibir, dificultar, reduzindo o custo e todos sabendo quanto cada uma está gastando fica mais fácil de uma campanha fiscalizar a outra.

        O critério para se receber recursos seria o número de deputados eleitos e não ser Governo ou nao, da mesma forma que é atualmente. Qual critério vc sugere ?

        Deixem de fantasias. Voces acham mesmo que as empreiteiras doam mais ou menos as mesmas quantias para todos os grandes partidos, mas para alguns é propina e para outros é caridade, espírito público ? Vamos acordar né.

        Enquanto o discurso ficar na base da hipocrisia não vamos avançar.

      • Aponte aonde faltei com educação. Não confunda discurso duro com falta de educação. Isso se chama vitimismo, coisa que o PT ama de paixão fazer. Reitero todo o meu discurso anterior.

        Aponte aonde a oposição fez campanha destruiva.

        Aponte formas de se reduzir o custo de campanhas. O aluguel do jatinho não vai cair com a proibição de doações privadas. O preço do combustível, idem. O preço do milheiro de santinhos idem. O dinheiro dado ao garoto que panfleta no sinal também não vai ser menor por causa disso. Muito menos os custos de comitês regionais.

        Custos de campanha podem ser reduzidos modificando a forma de eleição, mas o PT prefere ficar no campo do delírio clamando por voto em lista fechada, ou seja, se recusa agir com respeito e responsabilidade. Todo mundo já sabe hoje quanto cada um gasta. As contas de campanha ficam disponíveis no site do TSE e modificar a forma de financiamento eleitoral não melhora nem piora a transparência.

        Aponte estudos que embasem a sua tese de que há relação entre a proibição de financiamento privado e a redução do dinheiro privado nas campanhas.

        O critério do dinheiro do fundo partidário é este que você disse e não há problema com ele. Mas você não está sendo honesto quando ignora que o partido no governo possui um orçamento bilionário de publicidade estatal para usar e que este dinheiro é usado como forma de propaganda política velada. Para debatermos financiamento exclusivamente público nas campanhas temos que, no mínimo, acabar com a publicidade estatal em todas as esferas de poder. A ideia defendida pelo seu grupo amplia a desigualdade entre situação e oposição, e é por isso que todos os aparelhos petistas estão engajados neste discurso.

        Minha opinião é de que é impossível afastar o dinheiro privado das campanhas. Se estatizarem o financiamento, o dinheiro virá do caixa 2. se permitirem apenas pessoas físicas, o dinheiro virá via milhares de CPFs laranjas. Por mim, continua tudo como está. Empresas, pessoas físicas e fundo partidário. Isso não é clamor da população. É clamor da militância petista, apenas.

        Aponte indícios de que toda a oposição sabia que o PT em conluio com as empresas do cartel nacional de obras públicas estava usando dinheiro fruto de corrupção que poderei concordar com a sua tese do penúltimo parágrafo.

        O dinheiro é de propina, o PT sabia, o PMDB sabia, o PP sabia, contudo, esperar que pessoas instruídas acreditem que este trio incorreu em todos os riscos envolvidos na construção do maior esquema de corrupção mundial pra fornecer dinheiro fácil para a oposição se financiar é ideia de jerico. Principalmente sabendo-se da richa histórica entre PSDB e PT. Eu não caio nesta. Se você cai, problema seu.

      • Prezado, não entendi o seu ponto.

        Em primeiro lugar eu não tenho grupo nenhum, não sou filiado a nenhum partido.

        Por que essa instistencia em querer taxar as pessoas, como pertencentes a grupos ou desonestas ? Desonesto deve ser voce e pessoas com as quais está acostumado a conviver. Só porque eu não levantei um ponto que voce citou, isso não lhe dá o direito de me chamar de desonerto. Nâo sabe debater civilizadamente ?

        Em segundo lugar eu sou favorável a se acabar com propaganda estatal, só que também sei que isso é impossível.

        Mas de qualquer forma esse fator não muda nada. Nâo é porque existe propaganda estatal que, necessariamente, deve haver também o financiamento privado das campanhas eleitorais. Nâo tem nada a ver. Vários candidatos, com a máquina na mão perdem as eleições, mesmo tendo mais dinhheiro público, privado e ainda campanha estatal, como foi o caso do Serra, em 2002, por exemplo. Nada indica, que à época, se apenas financiamento público houvesse, Serra teria sido o vencedor.

  3. “Política é guerra disputada por outros meios”. Na política, ganha quem cola no outro a imagem do medo e em si próprio a imagem da esperança.

    O PT entendeu isso. Lamentavelmente o PSDB ainda não entendeu e continua nessa ideia de “oposição crítica responsável”. Novamente preciso dizer que não somos uma nação escandinava e jamais seremos. Não adianta tratar o petismo como um simples grupo político. O petismo é um modo de pensar. Se você não está alinhado, é automaticamente transformado em inimigo.

    Enquanto não aprenderem isso, continuarão tomando surra do PT na guerra política e tendo a imagem injusta de elitistas, vendilhões e coxinhas. Eles não vão parar de trabalhar da forma que trabalham.

    Mansueto, transmita isso para o comando do PSDB. Eles precisam entender isso pra ontem.

  4. Respondendo mais diretamente a pergunta do post.

    Lobby e marketing político são parte da democracia e com ela devem conviver.

    A própria democracia tem meios para conter e coibir seus possíveis excessos.

  5. Não tenho uma resposta, obviamente. Mas partes da questão tenho a certeza de que não deve nunca ser implementado, o financiamento público de campanhas. Recursos públicos devem ter outros fins que não o de financiar partidos.
    Já o diapasão das campanhas, creio ser impossível deter o massacre, a tergiversação, a simulação, propostas que nunca serão implementadas, acusações etc. deveria ser julgado mais rapidamente pela Justiça eleitoral e as multas aplicadas deveriam ser bem maiores que as atuais e caso não serem pagas ainda durante as eleições, as candidaturas acusadas e que fossem condenadas deveriam ser canceladas.
    Outro ponto, creio que o voto distrital poderia ser mais adequado ao Brasil, juntamente com o sistema parlamentarista. Assim, acabaria a grita contra a reeleição. Pois, enquanto obtiver a maioria, o partido nomeará o primeiro ministro.

    • O atual sistema é misto, já há grande parte de financiamento público.

      O grande problema do financiamento privado é que quem doa quer receber de volta depois, isso nos três entes federativos, de todos os partidos. Como deter ou mitigar isso é algo que a sociedade terá que enfrentar.

      Concordo que se deve haver uma resposta na legislação, talvez mais dura, mas da forma como voce coloca, o que pode ocorrer é que a justiça é que vai decidir a eleição. Se uma campanha passa do limite uma multa é razoável, mas não uma cassação da candidatura, a meu ver.

      Com o sistema parlamentarista não concordo. Nosso parlamento é muito baixo nível e a história nos mostra que nossa nação avançou mais em momento de executivo mais forte – D. Pedro II, Vargas, JK, militares, FHC e Lula.

      O problema do voto distrital é justamente a divisão em distritos, que não existe em nosso País. Outra questão é a aproximação do eleito ao eleitor, que se tem a virtude de se conhecer os problmeas e soluções, tem também o defeito de possivelmente aumentar o compadrio, a corrupção e a compra de votos.

      Mas sem dúvida nenhuma é preciso que pensemos algo novo para a politica de coalizão e formação de maioria legislativa para o executivo governar.

  6. Os eleitores avaliam os programas apresentados e votam a partir dessas informações. A falsidade do programa ludibria o eleitor e o leva a desperdiçar o voto. A mentira jamais deveria ser tolerada e quem recorresse a essas estratégias deveria ser cassado.

    Já em relação ao financiamento, acho que os partidos deveriam recorrer exclusivamente aos filiados: acabaríamos com o financiamento público e de empresas. E nem seria mais necessária a tal cláusula de barreira, já que os partidos de aluguel seriam asfixiados pela falta de financiamento (por exemplo, um partido com 10 milhões de filiados que contribuíssem mensalmente com 5 reais, arrecadaria 50 milhões por mês – nem precisaria de tanto).

    Em relação ao sistema eleitoral, como sou a favor do fortalecimento dos partidos, acho que o atual sistema proporcional não é culpado pelas mazelas da nossa democracia. Mas, considerando a possibilidade de baratear as campanhas, o distrital misto poderia trazer algum ganho nesse aspecto, desde que a lista dos candidatos pelos partidos fosse elaborada de forma transparente e obedecendo a critérios gerais estabelecidos legalmente para evitar o coronelismo.

  7. O que o país assistiu nas eleições presidenciais em 2014, foi a constatação de que a classe política brasileira está podre, doente e que vem sofrendo um processo de esquizofrenia de perda de valores moral, ético, político e social, sem precedentes.
    O que se viu foi uma verdadeira guerra entre os candidatos de acusações na maioria das vezes permeando a ignorância e a irracionalidade.
    Os candidatos, notadamente do PT, infringiram as leis da civilidade humana, demonstrando um comportamento desprezível, repugnante, vil, ignóbil, canalha e abjeto. O que os eleitores assistiram foi uma guerra de baixarias e de acusações entre os os candidatos, seja através das propagandas veiculadas na mídia, seja através dos espaços televisivos quando da realização dos debates eleitorais. Toda aquela palhaçada a que assistimos, é fruto de uma mente vazia e suja dos marqueteiros dos partidos.
    Nenhum candidato foi capaz de apresentar efetivamente um programa de governo que pudesse ser discutido e avaliado pelos eleitores. O que os candidatos apresentavam, além das acusações mútuas, eram meramente um rol de problemas econômicos e sociais que afligem o país, nada mais.
    A classe política brasileira é vergonha deste pais.
    O que esperar da classe política brasileira, se tem como presidentes do Senado e da Câmara Federal, dois exemplos de políticos escroques, Senhor Renan Calheiros e Eduardo Cunha, respectivamente?
    O que esperar de políticos como “O Lúcifer of nine fingers” que sempre criticou outros políticos como José Sarney, Fernando Collor, Paulo Maluf, entre outros, e hoje são aliados do Governo?
    Político no Brasil é sinônimo de podridão, nojo, maracutaia, e por ai vai.

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