Dados fiscais do governo central janeiro a abril.

Tesouro divulgou dados do superávit primário de abril. Por enquanto só noticia ruim e se voce assistiu a minha palestra  no INSPER no dia 08 de maio ou a minha palestra no Banco Plural no dia 19 de maio ou participa do grupo restrito que tenho como cliente não teve supresa alguma. Com já havia dito, o forte da economia no ano veio do corte real do investimento público de R$ 10,3 bilhões – exatamente o numero que coloquei neste blog nesta semana. Na verdade errei por R$ 200 milhões – ver aqui.

O que os dados mostram? Primeiro, no acumulado do ano até abril, o governo teve um superávit primário de R$ 14,8 bilhões, uma queda real de 54% em relação ao mesmo período do ano passado. O governo ainda tem que economizar pelo menos R$ 40 bilhões até o final do ano para cumprir a sua meta. Acho difícil, mas não impossível se eles atrasar despesas, mas ai criar um novo problema para o próximo ano.

Segundo, notem o crescimento real de 76% no pagamento de subsídios, que está ligado ao pagamento de subsídios do PSI. Como já falei antes, não sei se isso foi um pagamento isolado ou se o governo vai tentar pagar toda a conta atrasada: R$ 8,8 bilhões ao BNDES, R$ 5 bilhões que vencem este ano mais R$ 12 bilhões do Banco do Brasil. Conta muito alta. Não dá para pagar em um ano.

Terceiro, despesa do governo central nos primeiros quatro meses do ano teve crescimento real de R$ 1 bilhão, apesar da queda real do investimento em R$ 10 bilhões. O governo está com uma imensa dificuldade de controlar custeio devido as contas do passado. Crescimento real da despesa de 0,3% com PIB caindo não é pouco.

Quarto, como já havia antecipado nas minhas apresentações, a despesa do Tesouro com a compensação ao RGPS cresceu em quatro meses do ano R$ 3,7 bilhões, crescimento real de 65%! já havia antecipado este dado e  escrevi post sobre esse assunto no início de maio: A dor de cabeça de Joaquim levy. – clique aqui.

Quinto, o governo continuará cortando o investimento e não sei bem o espaço que tem para cortar custeio. Mas vai atrás pagamentos como já está sendo feito, em especial, com programas de transferencias voluntárias para estados e municípios.

Sexto, a receita liquida do governo central teve queda real de R$ 16,5 bilhões de janeiro a abril frente mesmo período do ano passado – queda real de 4,4%. Vale lembrar que o ministro Nelson Barbosa espera que essa receita tenha no ano crescimento real de 5%. Como? eu não sei.

Comentário final. O trabalho da equipe econômica está sendo prejudicado pela herança maldita do governo Dilma I. A grande economia do lado da despesa foi um corte real de R$ 10 bilhões do investimento em quatro meses, que corresponde a metade da expansão real do investimento público nos últimos quatro anos. Mesmo assim, a despesa primária real do governo central cresceu R$ 1 bilhão – pouco, mas muito para um economia com queda do PIB.

Não há motivo algum para comemorar a não ser o fato que está cada vez mais claro que parte de vocês (eu inclusive) pagaremos mais impostos. Governo terá que ir atrás de carga tributária. Amanhã viajo para o Espirito Santo para dar palestra no sábado de manhã em Pedra Azul. Prometo não assustar muito quem estiver por lá.

16 pensamentos sobre “Dados fiscais do governo central janeiro a abril.

  1. Caro Mansueto, por que as receitas da CIDE-combsutiveis ainda não começaram a aparecer no resultado do tesouro, se o imposto foi restaurado ainda em fevereiro?

    • Não sei. Há duas explicações. Ze Roberto Afonso uma vez em explicou que parte é retida pela Petrobras para compensação e consumo pode ter caído, Vou checar.

  2. Meus caros,

    Espero que esteja ficando bastante claro a todos como não se deve brincar com as contas públicas. A dificuldade de correção de rumos é imensa.

    Estamos, sim, correndo sério risco de perdermos o grau de investimento. Se perdermos, preparem-se para SELIC de 20% e dólar a R$ 5,00, com inflação acima do teto da meta por alguns anos.

    É o preço a pagar por política econômica idealista, não profissional. Um grupo de feiticeiros tomou conta da política econômica nacional a partir de 2006.

      • Eu acho uma tremenda pena que isso tenha acontecido. Tanto trabalho e oposição raivosa pro governo federal arrumar a casa nos anos 90, inclusive auxiliando os estados a arrumarem suas casas, pra que esse disparate tenha ocorrido agora. E o pior é que isso é extremamente difícil de explicar para o povo comum, ou seja, é capaz de daqui a alguns anos esta turma voltar e estragar o que o próximo governante vai se esforçar pra arrumar.

        Ainda corremos o risco de que em 2017 ela troque o ministro da fazenda por outro feiticeiro.

  3. Caro Mansueto, eu tenho uma dúvida sobre a questão do RGPS. Nós temos três componentes: previdência do servidor público, previdência urbana e previdência sem receita (rural, por idade, entre outras). Você teria a posição de cada uma delas, em termos de resultado? Porque, outro dia, assistindo a Globo News, o deputado Arnaldo Faria de Sá e, também, em outra ocasião, o ministro Gabas, disseram que a previdência urbana não tem déficit. Isso não quer dizer que não se terá problemas a longo prazo, mas, no curto, ela não é a responsável pelo “buraco”. Você teria uma explicação?

  4. Mansueto, o planejamento colocou no contingenciamento uma projeção de R$ 42 bi para despesas do FAT. Ano passado tivemos R$ 54 bi. Com o desemprego subindo e MPs águadas que tivemos, esse número tende a ser bem maior, não?

  5. Mansueto: eu torci pra que você estivesse errado em todas as suas projeções… mas a consistência de suas análises lhe dão enorme credibilidade no debate, e nós, seus seguidores, nos beneficiamos desta partilha de conhecimentos. Só acho que a primeira frase do seu “comentário final” merece um ajuste: [“O trabalho da equipe econômica está sendo o de DESCONSTRUIR a herança maldita do governo Dilma I”]. Parabéns pelo seu trabalho!

  6. O quadro atual das contas públicas é o reflexo do desgoverno do primeiro mandato da atual presidente Dilma. A política preconizada e adotada pelo “pseudo economista” Guido Mantega foi um desastre para o país. Os incentivos dados ao setor produtivo não surtiram em nenhum benefício para o país. O custo de oportunidade dos subsídios concedidos pelo Governo, foi altíssimo quando comparado com os resultados obtidos em temos da expansão da produção de bens e serviços – crescimento do PIB – que foi medíocre nos primeiros quatro anos do mandato de Dilma.
    A formação acadêmica da Presidente Dilma, pelo que sei, é na área econômica. Se isto for verdade, a única explicação que encontro para ratificar o fracasso da política econômica de seu primeiro mandato, é que ela, juntamente com Mantega e Arno, são simpatizantes e seguidores fervorosos da teoria desenvolvimentista, que a propósito é defendida pelos “iluminados e doutos” da Unicamp.
    A presidente Dilma representando o partido dos Trabalhadores, cujo chefe maior é o “Lúcifer of nine fingers” (Lula), e o ex-ministro Guido Mantega, são os únicos responsáveis pela atual crise fiscal do país.
    Não vislumbro outras alternativas para reverter este quadro desfavorável das constas públicas senão a adoção das seguintes medidas:
    a) redução do número de ministérios e dos cargos comissionados;
    b) elaboração de um planejamento de curto e médio prazos que seja compatível com a realidade do país. e não de um PPA que não passa de peça irreal, factoide e esquizofrênica, a exemplo de todos os PPA’s até hoje elaborados;
    c) avaliação da efetividade do gasto público, em consonância com os objetivos e metas das políticas públicas, materializadas no Orçamento da União;
    d) estabelecimento de um pacto nacional de reconstrução da economia do país, entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e o setor produtivo;
    e) cumprimento a Lei de Responsabilidade Fiscal, evitando desta forma as “pedaladas e mágicas” fiscais;
    e) segurança jurídica;
    f) prosseguimento ao processo de privatização, haja vista que o Estado além de ser um péssimo empresário é corrupto; Reflexão: “Privatização já da Petrobras, Eletrobras, entre outras;
    g) acabar com a promiscuidade orçamentária entre o Governo Federal e as entidades privadas – representativas da sociedade civil – a exemplo das ONG’s e o MST, no repasse de transferências;
    h) proibir o Tesouro Nacional de repassar recursos da sociedade brasileira ao BNDES, para que o banco realize operações de empréstimos a países bolivarianos (Bolívia, Venezuela, Equador, Argentina, Cuba, etc.), e países africanos que não tem a mínima capacidade de quitação da dívida; e
    i) e etc, e por por vai………………………………..

    Conclusões:
    a) Pelo atual modelo político brasileiro, podemos inferir que os nossos representantes no Congresso Nacional não passam, com raríssimas exceções, de um bando de aproveitadores, achacadores, corruptos e interesseiros, sendo que os maiores representantes desta classe, são os Presidentes do Senado e da Câmara Federal, ou seja, Senhores Renan Calheiros e Eduardo Cunha, respectivamente, e
    b) O partido político responsável pelo quadro atual é o PT.

  7. Pelo menos no passado no período de 2009 a 2010 o governo para se proteger da crise internacional, da bolha imobiliária americana que afetou o brasil aumentando seus gastos reduziu impostos sobre carros e eletrodomésticos gasolina e nesse mesmo período o banco central reduziu os juros para 8,75%. Com os preços baixos e credito mais fácil os brasileiros foram as compras e isso teve como efeito colateral no brasil a alta do PIB de quase 8%. Os royates do petróleo e da mineração não teria sozinha esse efeito todo na economia. Mas o crescimento econômico expressivo e expontâneo tem como efeito colateral a inflação. Uma preocupação que já existia no 1° mandato de Dilma tanto que os juros subiram no primeiro ano. E preocupada com a desaceleração da economia voltou a baixar os impostos dos eletrodomésticos, automóveis e gasolina anulando a intençao da alta de juros do bc que seria reduzir a demanda sobre a oferta. Mas os investimentos no Brasil diminuiram provavelmente por causa da sociedade baseada em consumo não gerar poupança e com a demanda de crédito mais alta que de oferta os juros do credito é mais alto e a obtenção do credito é mais difícil. Em seguida foi anunciada pelo governo a queda na conta de luz no período onde a demanda de energia era alta e a redução artificial dos juros e terminou o mandato com o país super individuado.

    • Traduzindo: os problemas que levaram o Brasil a crise econômica foi o incentivo do governo a sociedade de consumo que no primeiro momento fez o Brasil crescer mas que depois gerou a inflação e reduziu muito a popança encarecendo o credito para o investimento e consequentemente redudindo-o como também o aumento dos gastos públicos com empréstimos alguns subsidiados.

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