Confiança da indústria – 2

Achei bastante interessante a reação do leitor Joaquim, um pequeno industrial, quando mostrei a forte queda da confiança dos empresários do setor industrial no post anterior. Seguem suas observações que mostram mais ou menos uma lista de problemas que deveríamos estar discutindo, além do ajuste fiscal.

“Como pequeno industrial tenho uma visão muito pessimista da situação e vou lhe fazer algumas perguntas de resposta fácil, mas de difícil solução. Por que produzir no Brasil? Temos uma legislação trabalhista que valoriza o trabalho e o emprego? A justiça trabalhista no Brasil é justa para ambos os lados?

Temos sindicatos modernos comprometidos com o emprego? Nosso sistema de transporte é eficiente e barato? Sistema elétrico é confiável e barato? Nosso legislação ambiental é clara, de fácil entendimento e transparente? O relacionamento da empresa com os diversos governos é fácil, transparente e objetiva? Os diversos órgãos de fiscalização tem um carácter educacional? Nosso judiciário é ágil e nos dá segurança jurídica? É fácil cobrar um divida no Brasil ?

Não vou entrar nem no tema da qualidade da mão de obra. Hoje é muito melhor produzir no Paraguai, China, Índia que em nosso pais. Simplesmente por que é muito caro e difícil se produzir no Brasil. O simples ato de trocar uma lâmpada em uma empresa no Brasil, um ato simples que era feito com um escada e pronto, se tornou um operação de alto risco e complexa e, portanto, com alto custo.”

Acho que esse desabafo do leitor é um bom exemplo do que precisamos faze. Empresários têm razõa de estarem pessimistas ainda  mais em um cenário que ele corre o risco de pagar mais impostos ou ter que repassá-los para o preço dos produtos.

14 pensamentos sobre “Confiança da indústria – 2

  1. Eu tb tenho uma pequena indústria, uma confecção, coisa de 40 empregos. A cada 15 ou 20 dias aparece uma surpresinha nova para se arcar. A última foi a ampliação de 15 pra 30 dias de INSS a cargo das empresas quando do afastamento de um funcionário. Sem contar os outros custos que simplesmente explodiram nos últimos meses, seja pq o governo errou a mão (energia), seja por puro aumento de impostos mesmo.

    O governo tem que lembrar da história da galinha dos ovos de ouro. De um lado, o setor privado sendo espoliado para pagar impostos. Do outro, uma miríada de milhões de brasileiros que vivem do dinheiro do governo (servidores + pensionistas + beneficiarios de programs sociais) a quem o governo não ousa cortar direitos, ou quando o faz (como nessas MPs) é de forma tão tímida que nem passa perto de resolver o problema.

    Não é mesmo de graça que o Brasil retrocede a passos largos para a década de 80. Será que teremos que recomeçar os ajustes novamente do meio do caos, depois que a água passou dois palmos para cima do nariz, como foi no final dos 90?

  2. Sou ex-empresário. Tive várias empresas sempre procurando inovar e melhorar a produtividade. O pequeno empreendedor não sabe no que está se metendo. Economista falam em risco Brasil se reportando apenas à capacidade de pagamento. Risco Brasil, na realidade, é produzir. Se me convidassem para falar sobre empreendedorismo, meu conselho seria: escolham outro país. Isso que o “pequeno industrial” não listou todas as adversidades, inclusive corrupção.

    • Pra que você vai se aporrinhar de investir seu dinheiro numa atividade produtiva se pode ganhar 13%aa ou mais via renda fixa?

  3. Sobre a pergunta “Temos sindicatos modernos comprometidos com o emprego?”, basta ler esta matéria do Globo de hoje:

    http://oglobo.globo.com/economia/petroleo-e-energia/apos-prejuizo-recorde-em-2014-petrobras-vai-pagar-104-bi-em-bonus-funcionarios-informa-sindicato-16284193

    Inacreditável que uma empresa com prejuízo de 21 Bilhões se veja obrigada a distribuir mais de 1 Bilhão em Bônus por PLR. Só no Brasil, só numa estatal, só numa gestão petista, onde os sindicatos gozam de proteção e benesses que não existem em economias maduras.

  4. Precisamos de mudanças urgentes no mercado de trabalho, na justiça trabalhista, enfim, no ambiente de negócios.

    O PT não tem nem expertise nem vontade para promovê-las. É preciso de outro grupo, com outra visão de mundo. O grupo atual é um grupo de feiticeiros. Nada mais que isso.

  5. Esse é o motivo de eu não botar fé no Brasil.

    Muita atenção é dada para a política fiscal/monetária, enquanto a questão sobre o ambiente de negócios é solenemente ignorada.

    Claro, a política macroeconômica dos últimos anos foi péssima. Se eu fosse escrever um livro-texto de macroeconomia, a nossa política econômica seria um excelente exemplo de o que não fazer. Coisa de quem matou a aula em que aprendeu sobre IS-LM.

    Mas ao mesmo tempo, pouca ênfase é dada sobre o que realmente influi no crescimento de longo prazo.

    Um exemplo: duvido que uma reforma trabalhista aconteça. Questões ridículas como a mudança do seguro desemprego e terceirização causam um barulho enorme e quem vota a favor é “inimigo do trabalhador”. Do nada, colocam adcional de periculosidade pra Motoboys. Quer dizer, quem contrata motoboys, de um dia para o outro teve seus custos aumentados em 30%. E todo mundo achou lindo. Quem é contra é porque é ruim.

    Duvido que uma reforma tributária que simplifique os tributos aconteça.

    Esse é um pais em que as pessoas possuem uma populista que vai continuar sendo de terceiro mundo enquanto essa mentalidade continuar. E não acho que ela vai mudar.

    • No geral concordo contigo com relação ao péssimo ambiente de negócios.

      Mas vem cá, na questão dos moto boys, pode até ter sido feito de maneira equivocada, mas pelo tanto que morrem por dia, é uma medida justa, sem dúvida.

    • Concordo. O único jeito de conseguirmos melhorar esse país é ‘quebrar as pernas’ das esquerdas parasitas do Brasil. Um bom começo seria acabando com o imposto sindical e a obrigação dos trabalhadores em se filiarem a sindicatos. Infelizmente discursos sensatos e de bom senso não bastam enquanto o outro lado te da o punho fechado como resposta.

      Precisamos diminuir a influencia que essa gente possui por todas as camadas da sociedade. Sem isso, nunca teremos reformas de verdade.

      Basta ver o que aconteceu depois que eles perderam o poder sobre a presidência da Câmara. Magicamente uma reforma politica começou a andar.

  6. Não se iludam sobre as leis trabalhistas. Mesmo que mudem as regras, os juízes do Trabalho, TRTs e TST irão continuar com uma interpretação enviesada das leis de forma a manter o status quo. Já vi inclusive Desembargador do Trabalho encher a boca em sala de aula para dizer que os legisladores podem aprovar a lei que for, que a decisão no fim é dele e ele não vai deixar o trabalhador desamparado. Metade dos Ministros do TST são comunistas/socialistas declarados, os outros tem vergonha de admitir.

  7. Parabéns para o Senhor Joaquim, pequeno industrial, que de maneira clara e objetiva relacionou uma série de entraves e dificuldades que enfrentam os empresários brasileiros no processo produtivo.
    A atual situação econômica brasileira, pode ser resumida pela famosa frase proferida pelo economista e ex-ministro Roberto Campos, falecido em 2011, e que remonta à década de 1970, disse ele:
    “O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar”.

  8. Só otários ainda procuram produzir algo que interesse nessa pátria inútil……enquanto nosso povo for recalcado, invejoso, que odeia ver o outro progredindo e faz de tudo pra amarrar qualquer passo de liberdade e progresso…empreender aqui será crime.

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