Investimento Público

Nesta semana saberemos como foram as contas publicas do mês de abril. Pelo meu levantamento não há nada para comemorar no ajuste nos primeiros quatro meses do ano. Não houve queda real do custeio e da previdência que, no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, mostraram crescimento real positivo entre 4% e 5%.

O que foi determinante para a economia do governo central ao longos dos primeiros quatro meses do ano foi a queda monumental- corte real de 35% ou de R$ 10 bilhões- nas despesas de investimento que se concentraram em seis ministérios: (1) Saúde; (2) Educação, (3) Defesa, (4) Transportes, (5) Desenvolvimento Agrário (MDA), e (6) Cidades.

Os dados são oficiais até março e, para o mês de abril, puxei os dados pelo SIAFI que, com exceção de dezembro e janeiro, são bem próximos aos dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Na tabela abaixo mostro quais ministérios tiveram os maiores cortes do investimento público até abril.

Investimento Público – Janeiro a Abril – R$ milhões de abril de 2015

INV

Fonte: SIAFI e Tesouro Nacional.

O que há de interessante para comentar? três coisas. Primeiro, da lista acima dos seis ministério com maiores cortes, o min dos transportes, ao longo do primeiro governo Dilma, teve uma queda de investimento real de 16% ou de R$ 2,5 bilhões. Assim, o governo colocou na lista de corte um ministério que nos últimos anos investiu menos e não mais que no final do segundo governo Lula.

Segundo, o forte corte do investimento do MDA já era esperado. O principal programa deste ministério nos últimos dois anos foi a compra de retroescavadeiras, moto niveladoras e caminhões caçambas para distribuir para municípios. Agora os municípios não tem recursos para operar as maquinas e nem obras, já que também estão cortando  investimento.

Terceiro e último ponto, fazer ajuste fiscal via corte de investimento em mais de um ano não é sustentável. Quanto mais o governo cortar este ano, mais será difícil entregar o primário de 2% do PIB no próximo ano. De janeiro a abril de 2015, o governo central cortou R$ 10 bilhões de investimento. Isso é muito porque, ao longo dos quatro anos do primeiro governo Dilma, o crescimento real do investimento foi de R$ 20 bilhões, sendo R$ 11 bilhões crescimento do Minha Casa Minha Vida.

Se o governo cortar mais R$ 10 bilhões além do que já cortou até abril, ele anulará todo o crescimento real do investimento púbico do governo central dos últimos quatro anos. Aliás, se retiramos da conta o Minha Casa Minha Vida, toda a expansão do investimento público do governo central  dos últimos quatro anos (2011-2014) já foi anulada. Eu acho que o governo contará perto de R$ 30 bilhões do investimento, o que significará uma redução de 0,6% do PIB da despesa – uma redução substancial mas que terá ser relaxada nos anos posteriores, mesmo que essa recuperação se dê de forma muito gradual.

4 pensamentos sobre “Investimento Público

  1. Na minha modesta opinião, cortar investimentos é cortar vento, pois esses programas precisam de gestão eficiente e fiscalização da aplicação de recursos. Cortas despesas seria muito melhor, pois do contrario estaremos vivendo com gasto maior que arrecadação pois a recessão pela qual passaremos deixará as condições econômicas cada vez mais difícil de consertar lá na frente.

  2. Ninguém comenta os problemas da centralização. Não adianta somar como investimento obras ou equipamentos que ficam paralisados ou sem uso. Se fizerem um levantamento país afora, o total desperdiçado desde ambulâncias, escolas, etc. e etc. mostrará que entre os números do orçamento e o efetivo investimento existe um abismo.

  3. Na China, investimentos feitos na década de 70 e 80 só foram percebidos e medidos 30 anos depois. A política de tolerância zero em Nova York só surtiu efeitos 10 anos depois. O que quero dizer é que a redução dos investimentos na educação, saúde, transportes, etc, Mansueto, não aparecerá nas contas públicas de abril. O corte no investimento gera efeito de longo prazo e o pior: é imensurável. Vamos apenas sentir os efeitos, quais sejam: educação lastimável, saúde pior ainda, infraestrutura ultrapassada, e o pior: cultura social degradante!

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