A oposição e o ajuste fiscal

Recebo vários e-mails de amigos. questionando porque a oposição não sai em defesa do pacote de ajuste fiscal. Alguns desses meus amigos têm um discurso muito duro e separam as coisas entre o que é bom e o que é ruim para o Brasil, como se o debate sobre os rumos de um país fosse meramente um debate técnico no qual os economistas sabem exatamente o que seria bom e ruim.

Se a oposição fosse seguir a risca a sugestão de alguns dos meus amigos, excelentes economistas que se preocupam com o futuro do Brasil, talvez fosse melhor a oposição se coligar ao PT e ajudar, com muita paciência, os políticos do PT a entenderem o que é responsabilidade fiscal.  Claro que uma parte da oposição teria que deixar a política porque o governo talvez não queira na sua base aqueles com discurso mais liberal.

Estabelecer que aqueles que votam contra ou a favor do pacote de ajuste fiscal é o mesmo que votar “contra” ou a “favor” do Brasil é de um simplicidade espetacular e fere o cálculo politico de deputados e senadores de oposição. O PT com a sua política de confronto e com o seu discurso dúbio em relação ao pacote de reformas, a insistência que a crise é fruto de problemas externos e não de erros de política econômica, e ainda um Ministro da Casa Civil que é tido pelos seus ex-colegas do Senado como excessivamente arrogante impossibilita, pelo que observo nas minha andanças no Senado, qualquer acordo multipartidário “a favor” do Brasil.

As pessoas, em especial vários dos meus amigos economistas, deveriam cobrar da base do governo a fidelidade necessária e a convicção para aprovação das reformas. Querer jogar a defesa dessas medidas do que é “certo” e “errado” para oposição, dado o jogo politico atual, não faz o mínimo sentido. Como corretamente fala o ex-minitro Delfim Neto no final do seu artigo no Valor Econômico de hoje:

“A necessária “ordem” fiscal que precisamos apressar é apenas o primeiro passo. O PT não tem ajudado. É bom lembrar que foi ele quem deu aval e beneficiou-se eleitoralmente do “desastre fiscal” apontado acima. Agora, com outro movimento oportunista, tenta beneficiar-se, de novo, da desinformação dos cidadãos, esperando que as “maldades” corretivas sejam aprovadas pelo “patriotismo” dos outros. Pode parecer esperto, mas tem uma dificuldade. Supõe que os “outros” sejam idiotas…”

A crise atual decorre de irresponsabilidades do governo nos últimos anos, de sua política econômica desastrada, além do uso politico das estatais. O PT deveria estar em uma cruzada para dar apoio ao ajuste fiscal e convencer  oposição de ajudá-lo no que “é melhor para o Brasil”.

Sem uma atuação mais firme do PT e da Presidente da República na defesa do ajuste fiscal, acho que muitos dos senadores da oposição votarão contra as medidas que serão apreciadas no Senado esta semana (MP 664 e MP 665) e outras medidas que estão por vir, em especial, as medidas de aumento de carga tributária que é a preferência do PT como falam os jornais hoje.

Se há uma coisa que aprendi conversando com políticos é que eles são muito inteligentes. Nós economistas, muitas vezes, queremos colocar tudo no preto e no branco, quando, em geral, as coisas não são tão simples assim a começar pelas declarações de nossos pares que, certas vezes, utilizando da reputação que carregam de um titulo de professor titular de uma universidade, falam coisas que assustam estudantes do primeiro semestre da graduação de economia e todos nós ficamos calados.

Uma vez escutei de um professor titular de economia que se auto intitulava de “keynesiano jurássico” que todas às vezes que o governo aumenta a carga tributária e transfere de volta para a sociedade por meio de gastos com previdência, LOAS, abono salarial, etc. isso não seria problema. Ou seja, se o governo aumentar a carga tributária em 10 pontos do PIB na próxima década e transferir de volta para sociedade como despesa da previdência não seria problema porque a renda “ficaria” na economia. Pasmem, mas tem economista professor titular que pensa assim.

Em resumo, em um momento que alguns senadores do PT começam uma cruzada aberta contra o ajuste e o ministro da fazenda, não esperem que o socorro venha da oposição, a mesma que, por tantas vezes, defendeu o governo de 2003 a 2005. Para terminar, apenas para mostrar a que ponto chegamos, recebi na semana passada um relatório de um amigo de um banco no exterior muito otimista sobre as mudanças da lei do pré sal e de revisão do conteúdo nacional. Achei esquisito porque há duas semanas a Presidente Dilma negou essas mudanças. Telefonei para ele para entender o relatório e escutei: “Sim, a Presidente falou mas não acreditamos na presidente”.

Ou seja, chegamos em um ponto no qual, para ser otimista, alguns se negam a acreditar na presidente e esperam que o PT critique as medidas de ajuste publicamente mas vote a favor dessas mesmas medidas. E tem gente que quer ver a oposição defendendo as medidas do governo pensando no futuro do Brasil?

Por favor, há situações que um pouco mais de crise, algo muito ruim no curto prazo, pode ter um efeito benéfico tanto institucional quando de longo prazo. É claro que se as coisas piorarem todos os partidos precisarão sentar à mesa para negociar, mas ainda estamos longe desse ponto como alertou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em palestra que escutei dele em Fevereiro. Cabe ao governo liderar o esforço do ajuste fiscal e abrir canal de comunicação com a oposição como fez de 2003 a 2005. Não esperem que a oposição seja governo.

35 pensamentos sobre “A oposição e o ajuste fiscal

  1. O ajuste fiscal é necessário e eu apoio. Porém é dever da situação aprová-lo, não da oposição. Se o PT e a base aliada não estão articulados, não é a oposição que tem a obrigação de salvar a lavoura. O papel da oposição é denunciar os inúmeros erros da administração econômica do PT, e só.

    O PT passou a vida inteira fazendo oposição por oposição. O PSDB tinha que formar maioria e governar, e conseguia. Ele não tem culpa que o PT atual perdeu competência para desempenhar esta tarefa.

    Isso é política, não reunião de bairro pra fazer mutirão de limpeza.

  2. Pingback: Não esperem que a oposição seja governo | Rodrigo Constantino - VEJA.com

  3. E outra coisa: se a oposição votar a favor de qualquer aumento de tributo, por menor que seja, não tem mais meu voto e nem mais minhas contribuições de campanha (tanto em dinheiro quanto em divulgação). O ajuste tem que ser 100% baseado em corte de despesas. E cortes reais, não apenas diminuir o ritmo de crescimento.

  4. Concordo plenamente, discuti um dia desses com pessoas que disseram a mesma coisa. “é melhor para o Brasil”. Melhor para o Brasil é mudar de rumo e para isso precisamos tirar esses caras de lá, simples assim. O Brasil aguenta um pouco mais, já passamos por coisas piores e estamos aqui, aos trancos e barrancos, mas sempre dando um pequeno passo adiante.

  5. Desculpe, mas não concordo. Votei nos senadores/deputados do PSDB para melhorar o Brasil, não para que eles fiquem jogando contra as necessidades do país no intuito de piorar os resultados do país no governo do PT e conseguir voltar ao poder em 2018.

    O que eles estão fazendo agora é oposição por oposição, não importa a proposta que venha, eles são contra.

    E venhamos e convenhamos, base aliada nada mais é do que distribuição de cargos, nunca teve nada relacionado a plano de governo de fato.

    Gostaria de ver o dia que políticos defendessem o Brasil de fato, e não interesses próprios (e isso vale para os dois lados, situação e oposição)

    • “Oposição por oposição”, não senhor ! Então O PT formula um ajuste fiscal porco, todo remendado, e o PSDB deve ratificá-lo? Pois se nem o próprio PT dá crédito à política econômica de sua equipe, cabe ao PSDB ou á oposição suportar o pseudo ajuste? Releia o texto do Mansueto e dispa-se de tratar este caso como questão de “patriotismo”! É mais sinuoso e complexo do que sentimentos ufanistas levam a crer. Posições iguais à sua é tudo o que o PT deseja. Preste atenção ao discurso que a caterva petista tem divulgado, consulte o jornalismo chapa branca, vai exatamente ao encontro do seu!

      • Obrigado pela resposta André,

        Se o ajuste está ruim, na minha opinião cabe a oposição não aprovar e propor algo melhor, ou o que deve ser corrigido.
        Não vi a oposição fazendo isso, e se fez e tiver alguma notícia do assunto, por favor compartilhe comigo.

        Não estou aqui defendendo o PT de forma alguma, eles estão pagando o preço dos erros do passado na economia, com o agravante de ter mentido para ganhar a eleição.

        No entanto, não concordo com a tese do “quanto pior (o país) melhor” para a oposição. Entendo que o PT faz o mesmo quando oposição, mas não é isso que acho o melhor caminho.

    • Você e o Giovanni são inocentes de achar que podemos no Brasil ter uma gestão política escandinava de “responsabilidade com o país”. Não somos escandinavos. Nunca seremos.

      • Pedro, temos que ter o ótimo como exemplo para caminharmos em direção ao bom. Se os escandinavos conseguem exercer o construtivismo político, vamos nos espelhar. Hoje continuamos patinando na disputa pelo poder. Precisamos de uma visão de longo prazo embasada em ações duradouras, não de ciclos de 4/8 anos onde um tenta construir enquanto o outro desconstrói achando que assim terá o trono. Estamos empurrando com a barriga os mesmos problemas gestão após gestão. Continuamos absurdamente péssimos em planejamento.

        E não me importo em ser taxado como inocente por desejar uma legislatura patriota e pautada no construtivismo.

      • O caminho que eu sugiro é o do meu primeiro comentário lá em cima. Quem tem que se organizar pra aprovar projetos é a base de sustentação do governo, não a oposição.

        É assim que funciona na política mundial. Oposição se opõe. Situação se organiza e governa. Nunca vi o PT fazer este tipo de oposição que vocês desejam que o PSDB faça. Aliás, o PT sempre votou contra o país durante o período em que foi oposição.

        Se você acompanha a política sabe que o PT está fazendo “oposição a si mesmo” desde o fim do ano passado e movimentando seus tentáculos para acusar a o restante da base e a oposição verdadeira de jogarem contra o Brasil. A intenção é aprovar o que desejam sem que suas bases se sintam traídas. Não foi pra isso que 51 milhões de pessoas votaram em Aécio Neves.

        A situação que trabalhe e aprove o que deseja. Não é obrigação de oposição alguma votar com o governo. O PT não fazia isso pelos outros (e olha que eram projetos muito mais importantes do que esse ajuste fiscal fajuto). Não tem moral para exigir que façam por ele.

        Isso é política.

      • Giovanni,

        Não existe construtivismo quando se tem um partido como o PT no poder. O PT precisa ser derrotado a qualquer custo.

      • Pedro, acho que eu estou esperando muito da nossa política atual, por isso essa minha visão.

        Não acho que seja obrigação da oposição votar com o governo, mas acho que eles deveriam aprovar o que eles concordam. Se eles não concordam com o ajuste, que proponham a forma que seria a correta.
        Reconheço a simplicidade da minha visão.

        Mas talvez isso seja mesmo impossível, pois isso pode arrumar a casa e fazer a oposição perder as próximas eleições, pois o povo jamais conseguiria separar o que a oposição “arrumou” das decisões erradas do governo no ajuste.

        Fico triste de qualquer forma, pois pelo jeito serão 4 anos patinando.

        Obrigado pelo seu tempo e opinião.

    • Fábio,

      entendo seu desejo de que a política fosse assim, mas entre esse mundo utópico e o mundo real há uma distância gigantesca. Todo grupo político quer chegar ao poder (algo absolutamente legítimo) e depende da sua imagem junto à população para alcançar esse objetivo. Muitas vezes as medidas para “o bem do Brasil” contrariam interesses, significam aperto no curto prazo, perda de renda e privilégios. Quem deve tomar as rédeas para aprovar esse tipo de medida amarga é o governo, que tem a responsabilidade de estar no poder. O governo tem base enorme e agraciada com inúmeros cargos, tudo às nossas custas. Ele que se vire para convencer essas pessoas a arcarem também com os ônus de governo.

      Sua sugestão em uma réplica de que “se o ajuste está ruim, cabe a oposição não aprovar e propor algo melhor, ou o que deve ser corrigido” é, convenhamos, ingênua. O governo não consegue convencer o próprio PT a aprovar o ajuste, e vão aderir a um pacote proposto, por exemplo, pelo Aécio? Não dá para acreditar numa coisa dessas. A oposição sozinha não tem 1/5 do congresso, não é dela que virá os fundamentos de um pacote de ajuste.

      • Bruno,

        Se o ajuste proposto pela oposição não será aceito (concordo, provavelmente não será) pelo menos serve de embasamento em não aceitar o que está sendo proposto pelo governo.

        Não seria esse o papel de uma oposição descente?

        Sinceramente não me agrada em nada ver a oposição jogando contra itens de interesse nacional, sem propor algo melhor.

        De qualquer forma, compreendo o que você escreveu, e entendo que eu é que estou “por fora” do jogo politico, e as coisas são como são, não como desejaríamos que fosse.
        Nossos políticos não estão lá por interesses nacionais, e sim por interesses próprios.

    • Fábio,

      E quem é a favor da tese do “quanto pior (país) melhor”? Quem em algum momento aqui pregou isso? De onde vem a “tese” de que ser contra o “ajuste” petista é ser a favor do “quanto pior melhor?” Pois entendo a postura da oposição exatamente como a favor do Brasil.

      Do jeito como vc coloca, desconsidera e desqualifica as razões expostas fazendo crer que os motivos da oposição e os do Mansueto – com os quais concordo – não passam de revanchismo ou cálculo político. A troco de que a oposição, com o PSDB a frente, apoiará um esparadrapo chamado “ajuste” que não contempla a diminuição da máquina pública, reformas e a reversão DE FATO da chamada “nova matriz econômica”?

      Cito o exemplo DO BNDES, uma montanha de dinheiro movida à margem do orçamento do público. Entre 2007 e 2014, os repasses do Tesouro aos bancos públicos passaram de R$ 14 bilhões (0,5% do PIB) para R$ 545 bilhões (10,6% do PIB), sendo que mais de 80% foram para o BNDES e são utilizados só deus sabe lá como. Ainda este ano foram autorizados mais
      R$ 30 bilhões para o orçamento do BNDES. E ainda O PT manobra p conseguir lançar mão de mais R$ 10 bilhões do FGTS para o banco.

      Trata-se de um contexto, “band aid” aqui e ali não resolve e muito menos recupera a confiança perdida na economia brasileira ou as finanças do estado. A oposição aprovar um “ajuste” de péssima qualidade, limitado e que não goza de credibilidade do próprio PT para, no final, levar fama de “inimigo do povo? A troco de quê? Para O PT continuar , por exemplo, esbanjando dinheiro do tesouro via BNDES? Ou folgadamente refestelado nos absurdos 38 ministérios?

      • Não há nada mais a favor do Brasil do que trabalhar para a eliminação do petismo e tudo o que ele representa. Mesmo que muitos não percebam.

      • André,

        Minha crítica é ao não aprovar o ajuste e não propor melhorias para que seja aprovado, me fica essa imagem negativa.

        No mais, muito bom seu raciocínio, agradeço sua mensagem.

  6. Esses economistas parecem viver no mundo da lua. Santa ingenuidade!

    É curioso constatar que caras que são feras na análise da economia sejam tão simplórios ao fazer análise política.

    Por que é tão difícil enxergar e aceitar que a oposição ao ajuste do Levy conta com o apoio cada vez mais explícito do chefão do PT?

    Se Lula não quisesse, Lindberg jamais teria pedido a cabeça do Levy no Senado.

    Se Lula não quisesse, não se teria ouvido no Congresso paulista do PT: “Ei, Levy, pede pra sair e leva com você o FMI”.

    Se Lula não quisesse, Nelson Barbosa não estaria pondo as manguinhas de fora pra cima do Levy.

    O jornal Valor noticia a ausência de Levy na reunião de hoje do Temer com líderes de partidos aliados no Senado. Levy justificou-se alegando problemas de saúde.

    Antes, o mesmo jornal deu notícia sobre o desejo de Lula de colocar Nelson Barbosa no lugar de Levy.

    Os jornais noticiam que Lula quer que Dilma mande um cheque de R$ 9 bilhões para o prefeito Haddad salvar a cara da gestão petista na prefeitura de SP.

    E aí os caras vem cobrar que a oposição assuma a defesa do ajuste do Levy?

  7. Se a oposição ajudar a aprovar o ajuste fiscal e o processo funcionar – o que é questionável – em dois ou três anos o PT voltará a demonizar o “neoliberalismo” e a gastar desenfreadamente para eleger Lula, com o apoio entusiasmado da turba. Se não funcionar, a culpa também terá sido da oposição neoliberal. Não é por aí. Precisamos de uma profunda e abrangente mudança cultural. Infelizmente, a única maneira de os brasileiros perceberem que não existe almoço grátis é deixar o drama atual se desenrolar até o fim. Nesse ponto, sim, caberá à oposição mostrar que existem alternativas econômicas e expor o seu projeto – algo que de fato ela está nos devendo.

  8. Entendo perfeitamente o papel interpretado pela oposição, mas a grande questão é que estão mais preocupados com 2018 do que com o país. Querem fazer o governo sangrar o máximo que puder, pra que possam reassumir o controle da máquina nas próximas eleições. Se unir ao PT seria abrir espaço para uma terceira via que vem despontando nos últimos anos e que não é interesse para nenhum deles. Não por acaso Aécio e Dilma se uniram para minar Marina nas últimas eleições.

    Se fossem sérios mesmo, ao invés de serem contra o ajuste fiscal apenas para “marcar território”, mesmo sendo um movimento calculado. Deveriam usar da fragilidade do governo para promover um ajuste de verdade e muito maior que esse. Mas pelo contrário usam da fragilidade para se capitalizar politicamente no caso da previdência e colocando em risco o futuro da nação, estão “brincando com fogo” muitas vezes. Ambos tem interesse em um estado grande e inchado e por isso o levy está sozinho nessa.

    • Pedro, em um país mais racional e acostumado à alternância democrática, de fato a oposição deveria ser mais propositiva. A questão, porém, é que reelegemos Dilma apesar do desastre evidente do primeiro governo e, se a situação econômica se ajeitar até 2018, teremos Lula outra vez e será preciso um desastre ainda maior para tirá-lo de lá. Em um país estatólatra e desinformado como o nosso, a catástrofe econômica talvez tenha um efeito pedagógico. A meu ver, tirar o PT do poder em 2018 de fato é mais importante do que ajudar a aprovar o pacote fiscal agora.

  9. Mansueto, boa tarde. O fórum não é o mais apropriado, não gostaria de atrapalhar a discussão deste assunto, mas gostaria acabei de ler um reportagem na Folha em relação a taxação de grandes no qual você defende, de acordo com a reportagem, que a tributação sobre heranças é mais eficiente do que em relação a grandes fortunas. Eu gostaria de ouvir mais em relação a sua opinião sobre esse assunto, acompanho seu blog semanalmente mas não me recordo de alguma postagem tratando deste assunto.
    Espero não atrapalhar a discussão sobre o ajuste fiscal

  10. A oposição deve, a qualquer custo, evitar que o PT siga com o projeto, na forma do seu estatuto,ainda que a estratégia do “mensalão” e do “petrolão” tenha fracassado. Eles não desistirão.
    “Art. 1º. O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma associação voluntária de cidadãos e cidadãs que se propõem a lutar por democracia, pluralidade,solidariedade, transformações políticas, sociais,
    institucionais, econômicas, jurídicas e culturais, destinadas a eliminar a exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria, com o objetivo de construir o socialismo democrático.”
    É esse “socialismo democrático” que é melhor para o Brasil? Sou bel. em Ciências Sociais”. Por isso entendo a ingenuidade dos economistas.

  11. Para reflexão.
    Indistintamente, a classe política brasileira pode ser definida pela brilhante frase do inglês Sir Winston Churchill, que diz:
    “A diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações”.

  12. Eu espero que as coisas piorem muito. Eleições tem consequencias. Não quiser socialismo democrático? Então vão pagar por isso. Quero mais é que tenha desemprego, falências, sofrimento. Aqui se vota, aqui se paga.

  13. Há algumas premissas equivocadas nesta discussão. A primeira é que se tivéssemos “políticos nórdicos” as coisas seriam diferentes. Na verdade, eles não seriam eleitos, e, se o fossem, seriam marginalizados. Para o bem ou para o mal, o Congresso que temos representa majoritariamente o povo brasileiro. Para que haja uma mudança de qualidade na política, é preciso que haja uma mudança de qualidade no eleitorado.
    A segunda, decorrente da primeira, é que os tais “políticos nórdicos” se guiariam pelos interesses superiores do país. Políticos em qualquer lugar buscam atender à sua clientela, pois estão competindo pelo mercado da reeleição. Quando a clientela – essa sim, “nórdica” – exige que não se metam em falcatruas e trabalhem em prol do bem coletivo, é assim que eles se comportam. O bem do país – com raríssimas exceções – é uma decorrência, não um objetivo prévio.
    Finalmente, cabe perguntar se os interesses brasileiros de longo prazo estariam melhor atendidos pela ajuda da oposição para aprovar o ajuste fiscal, que provavelmente resultará na permanência do PT no poder, ou pelo aprofundamento da crise. A meu ver, o ajuste fiscal é o objetivo de curto prazo. A médio prazo, é importante remover o PT do poder, e a longo prazo é fundamental mudar a percepção do brasileiro médio de que o Estado é a solução de todas as coisas. Portanto, se me perguntarem o que desejo para o futuro dos meus filhos, numa avaliação – até onde isso seja possível – racional e desprovida de partidarismo, eu seria favorável à catástrofe purificadora e didática agora, como vem acontecendo na Petrobrás, para que não tenhamos mais a tentação de cometer os mesmos erros.

    • “se tivéssemos “políticos nórdicos” as coisas seriam diferentes. Na verdade, eles não seriam eleitos, e, se o fossem, seriam marginalizados.”

      perfeito alexander,

      Pessoal nao se esquecam que a populacao NAO VAI aprender com o desastre economico do PT e deixar de ser estatolatra. A razao disso é tao obvia quanto invisivel para a maioria: a formacao mental de explicar o mundo para os brasileiros se da pela escola publica, universidade publica, jornais, sindicatos e igrejas. Estes grupos sao esmagadoramente anti capitalistas portanto vao “explicar” para a populacao e as proximas geracoes na escola que o desastre economico petista foi culpa do capitalismo selvagem.

      O que se discute aqui NUNCA vai chegar aos ouvidos do povo ou se chegar vai ser explicacao de uma hora versus multiplas horas de explicacao socialista a vida toda deles. Enquanto que nao desmontarmos esta “infraestrutura de formacao mental socialista” que existe no Brasil que explica a populacao como o mundo funciona do ponto de vista socialista, a populacao NAO VAI mudar de opiniao.

  14. Muito bom o texto Mansueto. Tenho uma pergunta a parte. Qual a fonte de dado que você utiliza para a dívida bruta do governo? Encontrei a série do banco central em valores e uma percentual pelo FMI. Gostaria de saber qual seria uma boa referência. Muito obrigado.

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