Fora Levy: Brincando com Fogo

O PT começou a brincar com fogo muito cedo e não tem ideia do tamanho do problema que poderá ocasionar para o governo e para o próprio partido. Os senadores do PT têm todo o direito de criticar propostas que contrariam as bases históricas do partido.

Mas alguns desses mesmos senadores ficaram calados quando o governo do PT com a equipe econômica coordenada pelo Ministro Guido Mantega, Arno Augustin e com a supervisão do ex-presidente Lula e da presidente Dilma defenderam falsas soluções para os problemas do Brasil, com destaque para forte expansão da divida pública para emprestar para bancos públicos, congelamento de tarifas, plano de concessão com controle da taxa interna de retorno, etc.

Há alguns anos, um amigo professor do Departamento de Economia da PUC-RJ me enviou um texto do Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) de 2011 (clique aqui) que é uma verdadeira apologia ao aumento da divida publica para conceder crédito subsidiado. Diz o texto que:

“A visão crítica aos aportes Tesouro-BNDES desconsidera o estímulo ao micro, pequeno e médio negócio, a redução de desigualdades regionais, a geração/manutenção de empregos e renda, a melhoria da qualidade de vida da população e, sobretudo, a arrecadação gerada, que mais que compensa hipotéticos prejuízos à União. …..

….de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME/IBGE) divulgada em junho (de 2011), o ganho real médio do trabalhador por mês de janeiro a maio foi de R$ 1.567,65. Logo, se aceito esse valor como base, somente em termos de renda do trabalho, o empréstimo da União ao BNDES, poderá gerar/manter mais que R$ 2,7 bilhões por mês (aceitando-se que mais que 1,7 milhão de empregos foram gerados ou mantidos).

Se considerarmos um carga tributária sobre os ganhos do trabalho da ordem 34%; em um ano, unicamente a atividade do trabalho, estimulada por esta operação de empréstimo Tesouro-BNDES, geraria uma arrecadação de mais de R$ 11 bilhões. Cabe lembrar, que empresas e bancos também geram arrecadação quando a economia é estimulada – a arrecadação gerada por estes segmentos aumentará o valor mencionado de R$ 11 bilhões.”

Há tantos erros nos parágrafos acima que é difícil até decidir por onde começar. Quem explicou isso ao senador, esqueceu de falar que o aumento da divida bruta de forma continua afeta o custo do financiamento do governo. De 2007 a 2014, o governo aumentou os empréstimos dos bancos públicos de 0,4% do PIB para 10% do PIB, um crescimento absurdo que nos deixou como herança uma divida bruta alta e cara que afetará a economia brasileira não por anos, mas por décadas e compromete hoje ate mesmo programas sociais.

Segundo, quem assessorou o senador acha que o aumento do crédito subsidiado leva, necessariamente, a mais investimento, mais empregos e, logo, a um crescimento maior que gera a receita para pagar o aumento da divida. Há um pequeno problema. Isso simplesmente não aconteceu e, com um agravante, os subsídios do PSI não foram pagos e essa divida hoje é de R$ 26 bilhões. Apenas de subsídios concedidos nos últimos anos e não pagos, essa dívida hoje é de mais de R$ 50 bilhões. Quando o governo for pagar essa divida, terá que sacrificar outras despesas e/ou aumentar a carga tributária.

Terceiro, pelos indicadores que temos hoje da economia brasileira, confesso que é difícil entender porque o Brasil não perdeu ainda o grau de investimento. O país precisa fazer um ajuste fiscal que, em quatro anos, poderá alcançar 3,5 pontos do PIB; um ajuste que poderá vir, mais uma vez, de aumento de carga tributária; a perspectiva de crescimento médio do PIB de 2015 a 2018 é hoje de 1% ao ano; e os juros deverão permanecer acima de 10% ao ano. Isso não é compatível com a estabilização da divida (% do PIB) mesmo com superávit primário de 2% do PIB.

Então, por que o Brasil não perdeu o grau de investimento? Não perdeu pela imensa confiança que todos têm que, mesmo fracassando, Joaquim Levy fará muita coisa positiva e corrigirá alguns dos erros da equipe econômica anterior. Assim, há um imenso equívoco quando se pede a cabeça do ministro Joaquim Levy. Ele não precisa do PT e/ou do governo. O PT que precisa desesperadamente dele.

Sugiro a leitura de duas boas colunas sobre esse tema. A coluna de hoje do Demétrio Magnoli na folha – o governo da mentira (clique aqui)– e a coluna do jornalista Reinaldo Azevedo (clique aqui) da Veja sobre a ausência do ministro Levy na entrevista sobre os cortes do orçamento.

17 pensamentos sobre “Fora Levy: Brincando com Fogo

    • Arno Augustin, junto com Mantega e Coutinho deveriam estsr presos por crime de responsabilidade.

      É óbvio que passaremos por um longo periodo recessivo. E isso não é pelo ajuste fiscsl, mas sim pelas feitiçarias que estes senhores promoveram na economia brasileira do primeiro mandato Dilma. Havendo ou não o ajuste a crise viria. A diferença é que sem o ajuste talvez desse para segurar mais 1 ano ou 2 embromando antes que o país fosse tomado por uma espiral inflacionária sem precedentes no plano real, além de forte paralisação económica.

      Os dois textos acima são de uma desonestidade incrível. A economia não vai mal pelo ajuste. Vai mal porque as ideias economicas destes senhores levam invariavelmente a isso. Desde os tempos dos militares esta fórmula é conhecida. Não sei como eles esperavam que o resultado fosse diferente.

      O lado petista perde o debate sobre o modelo económico tanto na teoria quanto na prática. Perda de tempo ler estes senhores. A vida real já mostrou que esses pensadores são nada muito diferentes de inocentes insensstos. Não há nada pior que incapazes bem intencionados.

      O PT que abra o olho com este desrespeito e estes ataques ao Levy. Não estão lidando com um capacho do petismo. Levy tem emprego em qualquer equipe económica do mundo e salário milionário. O PT não deveria atacá-lo como tem feito. O resultado pode ser catastrófico pra nossas vidas.

      Se querem ter um futuro político que nao seja o ostracismo, melhor trabalharem a favor do governo, não como se fizessem oposição a si mesmo.

  1. Depois de tantas mentiras e uma campanha baixo nível quero ver o circo pegar fogo mesmo!
    Se os que ganharam a eleição valendo-se de baixarias disseram que não precisa de ajuste, que não se faça ajuste. Levy não os representa, não faz parte e nunca fez do projeto político vencedor. Pior, trabalhou arduamente para a campanha adversária. Já que ele não representa o projeto político que venceu em 2014 e que não representa a massa que votou na “Mônica Disléxica”, nada mais justo a pretensão do movimento Fora Levy!. O ministro que pegue o boné e deixe o Augustin, Mantega e Beluzzo pilotarem a economia. Fora Levy! Até quando o PT pedirá arrego pra economista simpático ao PSDB? Até quando gente ligada aos tucanos aceitará dar arrego, aliviar a barra das besteiras feitas pelo PT?
    Aposto que o estouro da boiada será bem perto do Natal com EUA aumentando a taxa de juros. A Yellen disse que esse movimento terá início no 2º semestre desse ano………
    Fora Levy! Você pedindo o boné dará uma contribuição didático – pedagógica sobre economia para a geração mais “novinha” e “revoltadinha” que não viveu os anos 80, época da inflação e do desarranjo fiscal do governo. Moçadinha de 20 anos que torce o nariz pro FHC!
    Fora Levy!

    • Desde quando Levy é ligado aos tucanos ? Ele surgir no meio político como vice do Palocci na fazenda, no primeiro Governo Lula, do PT. Depois foi sec do tesouro no RJ, governo do PMDB.

      • Então deve ter sido um homônimo Joaquim Levy que participou da campanha de Aécio (PSDB) em 2014. Também foi um homônimo chamado Joaquim Levy secretário adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda de FHC (PSDB) nos anos 90, quando ele “surgiu no meio político”.
        Levy no 1º mandato de Lula era da STN em 2006 e saiu depois de ver um plano extremamente bem elaborado cunhado pela mídia da época como “déficit nominal zero” foi por água abaixo devido aos ataques de Dilma. Olha a única coisa que Cabral, como governador do RJ, fez de decente em sua atabalhoada gestão foi tê-lo colocado como secretário da Fazenda daquele estado

      • Puxa, Nelson, muito bem lembrado este plano do Levy de Déficit Nominal Zero. Como eu gostaria de que isso tivesse sido implantado na época de vacas gordas. Fico imaginando como estaria nossa classificação de risco e nossa taxa de juros se aquilo tivesse saído do papel bem no começo do ciclo de alta das commodities… Agora vai doer demais. Demais MESMO! Mas é necessário. Precisamos caminhar rumo ao conceito A de classificação de risco e rumo a taxas de juros abaixo de 6%aa.

  2. Algumas observações:
    a) hoje no Brasil existe uma disputa entre os poderes executivo e legislativo para ver quem manda mais. Renan Calheiros e Eduardo Cunha representam a podridão e a escória da classe política brasileira;
    b) a classe política brasileira esta doente e sofre de uma esquizofrenia sem precedente. Não sou partidário do “Lúcifer of nine fingers” (Lula), mas ele tinha razão quando disse na década de 80 que o Congresso Nacional está cheio de picaretas. De lá para cá, só aumentou este número. Um Congresso Nacional que tem Imunidade parlamentar, abriga inclusive bandidos;
    c) o PMDB é o partido do conchavo, sempre está em cima do muro; o PT é um partido que agrupa as mais diferentes tendências ideológicas, sendo que se mostrou igual aos outros partidos quando chegou ao poder, ou seja, só queria o poder; o PSDB é um partido de políticos covardes, frouxos, indecisos e que só sabem lamentar a derrota nas eleições de 2014; o resto dos partidos é um bando de agrupamentos de políticos ignóbeis e abjetos. Nenhum partido até o momento, foi capaz de apresentar soluções para os problemas brasileiros. Os políticos só sabem falar mal dos seus pares adversários. Aécio Neves é o melhor exemplo, só sabe falar mal do atual governo. Que contribuição os partidos políticos tem a dar para resolver os problemas nacionais? Políticos no Brasil é sinônimo de picaretagem.
    d) o STF, pelo perfil de seus membros, é a representação petista do poder Judiciário. O que esperar desta Corte Suprema? É assim que se constitui uma Suprema Corte?;
    e) o Brasil é um país onde as leis não são cumpridas; onde a classe política é corrupta e desonesta; onde o Estado financia movimento anarquista e de bandidos como o MST;
    f) no Brasil, a melhor profissão é a de político, pois se são corruptos, cumprem pena domiciliar. A corrupção permeia todos os partidos políticos no Brasil; e,
    g) com base no quadro atual, o Brasil não tem solução.

  3. A propósito, o Senador Lindbergh Farias (PT-RJ), é um traidor, mal caráter, oportunista, interesseiro e petista da pior espécie. Este Senhor usou a UNE para se projetar como político. Quando Collor foi expulso da Presidência da República, este “mala” era presidente da UNE. Hoje ele vive de abraços com ele, Collor. Alias, não conheço nenhum petista que tenha o perfil de pessoa integra e ética.

  4. Senhor Rui, eu jamais vi um comentário descrevendo nosss classe política tão aderente à realidade quanto o seu.

    A descrição do lindjeg então foi portentosa.

    O Brasil evoluiu da oca e senzala à barbárie sem passar pela civilização. Aqui não temos complexo de vira latas. Temos é mania de sermos chihuahua arrogantes. Politicos então se acham tão sabios que podem pelo estado controlar cada variável da vida humana e induzir o desenvolvimento. Risível.

    Eu só acho que com o PSDB seria menos pior porque eles possuem curso superior completo. O petismo ainda não concluiu o ensino médio. No fundo as ideias deles são parecidas, mas os tucanos pelo menos são mais sensatos e não são golpistas.

    Parabéns.

  5. Fragorosamente derrotado pelo PMDB do RJ em 2014, e enrolado na história do petrolão, qual o futuro político do Senador Lindbergh Farias?

    Lindbergh é um político sem brilho próprio. No PT, faz o que faz e diz o que diz a mando de alguém. Lindenberg é tão somente um subalterno executor de ordens superiores.

    A participação de Lula na abertura do Congresso Estadual do PT estava prevista e ele não foi.

    A participação de Levy no anúncio do corte no Orçamento estava prevista e ele não foi.

    As decisões de alçar o ex-diretor do Bradesco à chefia da Fazenda e de nomear Nelson Barbosa para o Planejamento foram tomadas no Instituto Lula e comunicadas a Dilma. A Dilma restava fazer o quê? Nada.

    Não é crível que o ministro Levy e alta diretoria do Bradesco desconheçam que Lula é o títere que manipula o fantoche de Nova Iguaçu.

    Não é crível que Dilma ignore que a oposição que sofre no PT tem o beneplácito de Lula.

    • Leia a coluna do Vinícius Motta na Folha de hoje.
      Acredito que tudo depende do ambiente onde o profissional está inserido. Ele faltou à apresentação do plano de ajuste. Talvez, esse gesto não faça mais sentido daqui em diante e os desenvolvimentistas remanescentes deem de ombros na próxima queda de braço, já que a presidentA é um exemplar desse pensamento. Não estou dizendo que isso seja bom, estou comentando só as atitudes

  6. Mansueto, parabéns pelo post. É absolutamente catastrófico o que o PT está fazendo com o Brasil. Sempre tivemos fragilidades políticas mas ninguém foi tão “expert” em fazer uso destas fragilidades como o PT. Economicamente, os absurdos que estão sendo realizados, com o falso objetivo de privilegiar os “menos favorecidos”, são bombas atômicas. Levaremos muitos anos para nos recuperarmos……

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