Ajuste Fiscal: Debates.

No ultima quarta feira estiva na FIRJAN para debater o ajuste fiscal em andamento. Mostrei de que forma vejo o quadro atual e da minha incapacidade de conseguir enxergar ainda um verdadeiro ajuste fiscal pelo lado da despesa. O que estamos fazendo é um ajuste muito baseado no corte do investimento público e que, dado o tamanho do esforço fiscal que teremos que fazer em quatro anos, algo superior a 3 pontos do PIB, desconfio que a maior parte desse “ajuste” virá de um aumento da carga tributária.

A FIRJAN vez um resumo do debate que tivemos no Conselho Econômico – clique aqui. Esta semana vou falar sobre o mesmo tema em reuniões fechadas em São Paulo e Fortaleza. Na próxima semana embarco no dia 29 de maio para Vitória no ES.

Essas discussões que participo pelo Brasil são muito boas para eu ver como empresários, politicos locais, analistas financeiros, etc. vêm o ajuste fiscal em curso e os dilemas do nosso crescimento. Pelo que tenho conversado nesses encontros, há muita esperança que o governo acerte mas muito pessimismo pelas confusões que o próprio governo cria, em especial, com declarações da Presidente que são contraditórias com as as declarações de seus ministros. Tem-se a impressão que os ministros e presidente ainda não sabem exatamente o que fazer.

Vamos torcer para que isso passe logo e que o governo consiga mostrar um plano coerente de ajuste fiscal e de crescimento. Mas, por enquanto, e ao contrário do mercado, continuo com mesmo pessimismo de três meses atrás.

6 pensamentos sobre “Ajuste Fiscal: Debates.

  1. Pingback: Os tucanos fazem uma oposição irresponsável? Ou: O PSDB deveria apoiar o ajuste fiscal do governo? | Rodrigo Constantino - VEJA.com

  2. Mansueto,

    Tudo indica que as economias não vão mais crescer em cima de boas razões (ganhos demográficos e tecnológicos expressivos com gastos domésticos financiados por rendas). E mesmo o crescimento em cima das más razões (dívida e bolha de ativos) está sujeito a um rude despertar: os ganhos desse crescimento são menores que as perdas produzidas, sejam elas sociais ou ambientais ou econômicas, mesmo antes da bolha estourar. Temos já um exemplo singular mas contundente: o fim da água em vários lugares do mundo, o mais assustador o dos EUA que caminha para um colapso agrícola de fazer inveja aos Maias. No Brasil, o fim da água na região sudeste tem dois vetores: (1) transformação do Cerrado e Amazônia em monocultura e (2) ocupação urbana desenfreada e aumento exponencial de demanda. Até agora conseguimos mascarar a finitude planetária em cima dos recursos da crosta terrestre, mas não conseguimos aplacar a degradação dos ecossistemas, o que traz um sério lembrete dos últimos 50 anos de rapinagem: o planeta nos recursos tangíveis (minérios, petróleo, etc.) não oferece restrição alguma como fornecedor, pois sequer exploramos nem 1% da crosta terrestre; no entanto, o planeta como absorvedor das nossas atividades já esgotou sua resiliência por volta dos anos 1980 e já está em colapso a regeneração do ar, do solo e da água através da degradação de vários serviços ecossistêmicos finitos e irreplicáveis do qual toda a vida na Terra depende.

    O que isso tem a ver com fiscal? Simples. A saúde financeira de todos os sistema econômicos conhecidos (fiscal, empresarial, previdenciário, bancário, de saúde, etc.) depende do crescimento contínuo. O ajuste fiscal vai ser feito através da redução drástica do investimento público que, ao recuperar a confiança, deve trazer a economia para um crescimento positivo em 2016 e a segunda perna do ajuste virá da recuperação cíclica das receitas. Reformas não são nem tão efetivas, nem tão levadas a sério como se imaginam e não passam de elocubrações com pouquíssima evidência empírica. Um jargão de mercado por assim dizer para tudo que vai errado nas economias ao redor do globo, essa é sempre a recomendação de sempre. A principal reforma, portanto, não é essas que são citadas, mas aquela que pretende acreditar que o crescimento será sempre possível em um planeta finito como a Terra, a ponto de termos criado uma enorme dependência da saúde financeira das contas públicas e de todo o resto de algo que claramente deixou de ser uma possibilidade prática, sem nunca ter deixado de ser um absurdo teórico. Desvincular esses sistemas do crescimento é o grande desafio, ou podemos aguardar o colapso, que virá não importam nossos esforços para evitá-lo, dado que não temos uma estrutura de pensamento adequada para corrigi-lo. O erro epistemológico da teoria econômica tradicional evidenciado há mais de 60 anos por uma crítica não derrubada leva os economistas às seguintes crenças: (i) os recursos da natureza são totalmente irrelevantes para o processo econômico, que é neutro para o meio ambiente, (ii) a total separação teórica entre economia e natureza não traz nenhuma alteração nas conclusões teóricas obtidas em todas as suas vertentes, (iii) os processos econômicos são totalmente reversíveis, previsíveis, não geram mudanças qualitativas no sistema natural, (iv) o planeta pode ser considerado um subsistema da economia, (v) não há nenhuma troca de matéria e energia entre o sistema natural e a economia, que é considerada um sistema isolado (cujo único exemplo conhecido pela física é o Universo). A conta da destruição ambiental é zero e assim será até a vizinhança de um colapso, como o fim da água. Aí iremos nos perguntar porque o mercado não corrigiu isso antes e quais seriam as soluções tecnológicas e ficaremos desesperados com a resposta obtida. Por exemplo, só um serviço da Amazônia (rios aéreos) para ser replicado requer segundo a NASA e energia equivalente a de 50.000 Itaipus. Por isso, até gosto do ajuste do Levy, mas que em poucos anos tudo será um fiasco, pois na verdade a economia é que é um subsistema da Terra e não o oposto e a Terra é e sempre será finita, em dois itens mais óbvios, solo e água, mas em outros muito menos óbvios, mas ainda mais importantes para a continuidade da vida nesse planeta.

    Mas quem sabe ainda temos tempo de resolver um problema de cada vez (ajuste fiscal e ajuste na visão do mundo…)?

    Abraço

    Hugo

  3. AUMENTO de IMPOSTOS.
    É uma politica publica predatória e assassina que visa sacar mais e mais ao pobre cidadão indefeso e tem como resultado a MORTE ECONOMICA das empresas e cidadãos contribuintes…
    Aumento de Impostos não é , nem nunca será , “”ajuste fiscal””.
    “”ajuste fiscal”” é , e sempre será , DIMINUIR os GASTOS COLOSSAIS do governo , por forma a que sejam IGUAIS ou MENORES do que a Receita…
    Um ESTADO PREDATÓRIO e ASSASSINO das pessoas e dos cidadãos CONTRIBUINTES chama-se de DITADURA e nunca será uma verdadeira DEMOCRACIA…
    Por isso defendo uma Reforma Tributária Urgente…
    Com apenas 4 impostos UNICOS , sobre o Consumo , a Poluição , os Vícios e as Importações … abolindo todos os outros.
    O PAÍS recebe o mesmo valor , mas só de impostos reais , indiretos e justos.
    Só assim se faz uma verdadeira , correta , e honesta JUSTIÇA SOCIAL.
    Obrigado por LER e PENSAR sobre este assunto.

  4. HUGO, parabéns, até o presente nunca li ou vi aqui análise tão abrangente, holística.. O planeta em que vivemos é tal como nós, um ser vivo. Os postulados econômicos a que vc se refere provavelmente contém em seu bojo aquela velha máxima latina, o famoso “coeteris paribus”, que agora deriva em erro epistemológico como vc bem assinalou.. Tal modelo tem funcionado muito bem, porém as inflexões já começaram. A primeira delas, é o degelo dos polos, depois virão em seguida as outras a que vc alude. A humanidade terá muitos dias desafiantes daqui para a frente. Adorei sua análise. Vou copiá-la para mostrar aos meus netos quando tiverem capacidade para compreender como se dão as coisas na espaçonave Terra. Forte abraço.

    bergenriise

  5. O aumento da carga tributária não é necessaria desde que este governo acabe de uma vez por todas com o despesismo, começando pelo corte de 60% dos ministérios, a constante ajuda ilegal externa pelo BNDES aliviando o Tesouro e por ai vai.

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