O bode expiatório e a burguesia.

Eu não deveria escrever sobre isso. Mas vou escrever porque o colunista é professor universitário e, assim, deveria ser um pouco mais cuidadoso com as suas teses. Hoje, o professor da USP e colunista da Folha de São Paulo, André Singer, fala no seu artigo (clique aqui) que:

 “…Com apoio passivo da classe trabalhadora organizada, Dilma tentou efetivar o anseio rooseveltiano por meio de uma política desenvolvimentista em 2011/12. Mas foi derrotada pela reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade.”

Isso não está correto. Não foi a “reunificação da burguesia em torno do rentismo” que forçou a presidente aumentar conteúdo nacional.

Não foi a “reunificação da burguesia em torno do rentismo” que ocasionou bilhões de prejuízo à Petrobras com uma política desastrosa de investimento e corrupção.

Não foi a “reunificação da burguesia em torno do rentismo”que  fez lobby para o governo aumentar a sua divida em 10 pontos do PIB (R$ 500 bilhões) para emprestar a juros menores do que a inflação ao invés de adotar um pacote de reformas para aumentar a nossa competitividade. Aqui se poderia até falar de uma parte da burguesia, mas não seria a “rentista”.

E não foi a “reunificação da burguesia em torno do rentismo” que pediu ao governo para esconder contas da sociedade e atrasar pagamentos junto a bancos públicos, uma prática denominada de pedaladas fiscais e condenada pelo TCU.

Uma parte da “esquerda” precisar aprender que: (1) estamos pagando hoje por sucessivos erros de política econômica desde 2008/2009; (2) que o grande progresso do Brasil pós-2004 decorreu também de reformas anteriores a 2004 em conjunto com um boom impressionante nos preços de commodities, que ocasionou aumento real de 118% no preço de nossas exportações de 1999 a 2014, depois de mais de duas décadas de estagnação; (3) que o PT não tem nada parecido com um plano de desenvolvimento de longo prazo. O partido e o governo não têm um projeto para o país.

Nem mesmo a presidente consegue concordar com aquilo que os seus ministro dizem, que são forçados a mudar de opinião para se adequar a vontade de sua chefe. Em dezembro de 2014, o indicado para ministro da fazenda, Joaquim Levy, falou que:

“…. a aprovação do projeto de lei sobre terceirização, em trâmite no Congresso, ajudaria a superar a “dualidade” do mercado de trabalho e intensificaria a formalização da economia.” (clique aqui).

Hoje, a presidente para recuperar parte de sua credibilidade critica o projeto de terceirização sem discutir os méritos e problemas do projeto. O objetivo é demonizar a palavra “terceirização” como se fez com “privatização”, ao invés de discutir o mérito das propostas. O ministro precisou ficar mudo ou mudar de opinião.

Na semana passada, o ministro das minas e energia nos Estados Unidos, Eduardo Braga, declarou que, em 60 dias, o governo poderia apresentar propostas para mudar a exigência de conteúdo nacional do setor de petróleo e gás (clique aqui). Depois de uma semana a presidente lembra que:

“A política de conteúdo local não é algo que pode ser afastado. A política de conteúdo local é o centro da política de recuperação da capacidade de investimento deste país”. ……A política de conteúdo local veio pra ficar. É uma opção que fizemos ainda no governo Lula”. (clique aqui)

Dizer que os problemas do Brasil de hoje decorrem de uma suposta vitória da “reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade” é, na minha modesta opinião, uma grande tolice.

Difícil ser otimista com um governo, quando a “elite” do partido pensa que todos os erros de politica econômica decorrem da “reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade”. Agora vocês entendem porque há motivos de sobra para os empresários adiarem o investimento. A propósito, segue abaixo gráfico do índice de confiança dos empresários da indústria da FGV, que está no menor nível histórico desde o início da série mensal em 2005 (será que a culpa é “da reunificação da burguesia em torno do rentismo?”). 

Indice de Confiança da Indústria (ICI) – FGV – 2008-2015

ICI

67 pensamentos sobre “O bode expiatório e a burguesia.

  1. Acho o Singer mais do que uma analista que trabalha com pressuposições erradas. É o tipo que morre atirando econômica e politicamente. Este artigo aqui do Mansueto vai para meu arquivo: simples, pontual, e na mosca. Sobretudo porque não usando de linguagem abusiva como faz o Singer, informa sem ofender o ‘autor rentista’.

  2. Tolos somos nós que acessamos a fonte e lemos o texto. Esse pessoal do petismo deveria ser isolado do convívio social. São psicopatas e suas teses sempre levam ao atraso.

    • Aliás, há muito tempo que a Folha de São Paulo se tornou, predominantemente, um aparelho do petismo.

      Singer, Safatle, Jânio de Freitas, Duvivier, Boulos, Bergamo… um timaço de fazer inveja a qualquer partido stalinista. Até o Kfouri agora resolveu dar pitaco.

      Por isso não dou um centavo sequer à Folha, e também não leio estes colunistas.

  3. Mansueto, acho que sua interpretação do texto do Singer não está correta. Singer não diz que o aumento do conteúdo nacional, política de investimento da Petro, aumento da dívida e pedaladas são frutos da “reunificação da burguesia em torno do rentismo”. Estas coisas, segundo Singer, são “o anseio rooseveltiano por meio de uma política desenvolvimentista”. Ou seja, ele, assim como Dilma, não acha que conteúdo nacional, aumento de dívida e pedaladas são os culpados pela atual crise. Na verdade, são coisas certas a se fazer, mas foram barradas pela “reunificação da burguesia em torno do rentismo”, que seria a principal culpada pela atual crise. Em outras palavras, teoria da conspiração.
    Mansueto, enquanto não nos convencermos de que nao há diálogo possível com economistas que vivem em outro planeta, vamos continuar sofrendo.

    • Exatamente. Infelizmente o Mansueto ainda não saiu da campanha eleitoral. Está comentando cada vez com mais dureza contra o Governo. Se o Governo não tem projeto de País imagine só a oposição. E infelizmente o blog dele anda aceitando nos comentários até teses nitidamente fascistas. Como a de comentário acima que nem cabe repetir. Infelizmente um excelente economista e analista economico se perdendo nesta guerra que vai virando o País.

      • Na verdade, hoje pensamos o pais no curto prazo, mas o PT, em especial, André Singer, ainda acha que o “Lulismo” é algo novo, uma teoria nova de desenvolvimento. E falar a tolice da reorganização da burguesia rentista é de um falsidade enorme difícil de engolir.

        No mais, eu sou acusado de não ter saído da campanha e as tolices que Lula faz são coerentes? do ponto de vista institucional, um ex-presidente da Republica deveria ser muito mais cuidados com suas palavras, pois há milhões de pessoas que o admiram. E voce se cala quando ele diz que vai convocar o MST para colocar o exercito na rua em uma defesa frágil da Petrobras como se a corrupção an empresa fosse invenção dos jornais e da oposição?

        Na verdade, acho que o governo ainda não saiu das eleições e continua com a teimosia em manter elevado índice de conteúdo nacional, apesar de o presidente da Petrobras ter dito que a empresas não conseguem cumprir com os indiques acordados junto ANP desde os leilões de 2005. Seria o caso de a ANP multar pesadamente a Petrobras?

        Não tenho nada contra a esquerda, mas acho que o PT está sem rumo, Posso estar enganado. Mas isso caberá a população decidir. Mas tenho o direito de, educadamente, falar o que penso. E não me lembro de ter feito criticas levianas a pessoas, mas sim criticas a políticas do governo.

        Abs, Mansueto

      • Eu não sou a favor de defesa do Governo, cega ou não. Aqui sempre tentei fazer contraponto, mas sou crítico do Govenro em outros blogs, principalmente com relação à politica da Petrobras, com relação aos preços dos derivados. Eu penso que o Singer não está correto neste ponto (apesar que ele não fala pelo Governo), mas também não estão corretos os favoráveis a este circo da operação lava jato que vai custar ao País 10x mais que as possíveis corrupções existentes – que obviamente sempre existiram e não irão cessar de uma hora para outra.

        Mas de qualquer forma é apenas um toque Mansueto, sobre o tipo de comentários e comentaristas que está cultivando. Voce não quis tocar no assunto, tudo bem. Além do que eu não conheço a política de comentários do blog. vai ver eu é que estou errado.

        Um abraço.

      • Daniel, sua interpretação do meu texto também não está correta. Eu chamo a atenção para um erro de interpretação de texto, mas longe, muito longe, de não concordar com o Mansueto.

  4. Mansueto, acompanho todos os seus textos, mas parece-me que suas interpretações caem na vala da “armadilha do pensamento único”. Chamo de “armadilha do pensamento único” a suposição de uma aparente “meritocracia” entre todas as economias, ou seja, toda nação pode chegar a ser desenvolvida nos padrões capitalistas, desde que determinadas regras ou etapas sejam seguidas.
    Não vou me estender, mas recomendo revisitar um gráfico publicado num livro que contém um artigo seu, “o futuro da indústria no Brasil”. O gráfico ao qual me refiro está na página 49. Só para lembrar, em 1985 a participação da indústria no PIB foi de 25% e em 2011 foi de 15%. Sabemos que hoje a participação já é bem menor.
    É evidente que desde meados da década de 80, a indústria não retoma sua trajetória de crescimento. Mesmo com a série “amenizada” (num esforço de ajuste feito por Bonelli, Pessoas & Matos, das diversas mudanças metodológicas) a trajetória não muda. E de lá para cá, diversos fatores externos e internos condicionaram a trajetória da indústria nacional: desde a liberalização das finanças, do comércio e dos fluxos de capitais (externamente), até a abertura comercial, âncora cambial e manutenção de elevadas taxas de juros (internamente).
    Não vou dizer “é culpa do governo C ou do governo F ou do governo L ou do governo D”. É uma sucessão de erros que ocorre desde que houve um alinhamento político dos países centrais.
    O que mais me preocupa, na verdade, é que todas as suas análises, assim como as demais que tenho visto dos economistas que caem na “armadilha do pensamento único”, o horizonte de análise é sempre curtos (como, por exemplo, todas as análises do livro supracitado que, no máximo, analisam os dados de 2000 pra cá).
    Não vou entrar no mérito de “reunificação da burguesia em torno do rentismo” (ainda que eu concorde), mas acho que podemos ser mais profundos nas análises, fugindo do economicismo e tentando pensar a realidade brasileira a partir de nossos próprios parâmetros.
    Vale a pena revisitar a obra de Furtado.

      • Só faltou citar a MCT e seu “ninguém come pib”.

        Olha, está difícil encontrar supply side na nossa academia, nosso principal problema, oferta!

        Aí vem a turma que só leu Keynes e superaquece ainda mais a demanda, com 1/3 da poupança agregada necessária, e são os rentistas os culpados.

        Vai ver a taxa implícita da dívida federal, depois vem me falar de rentistas. Por sinal, onde estão? Só vejo saldo negativo no fluxo dos poupadores.

    • Então o governo que estimula o endividamento e perde controle das contas públicas depois diz que a culpa de tudo é dos “rentistas”? Mas eles são o fermento de todo esse “rentismo!”. O cara gasta, e mau, o que não tem, corre atrás de empréstimo e depois a culpa de estar na pior é dos “rentistas”? Num país que vinha mantendo taxas nacionais de emprego através do funcionalismo público o que podia se esperar? Que bela forma de investir, não? Tolice é fazer a mesma coisa sempre e esperar resultados diferentes. E não é que não aprendem, ou na verdade não querem aprender, ou talvez fingem não querer aprender porque o “buraco e mais embaixo” e “os fins justificaram a dissimulação…”

      A “armadilha do pensamento único” seria a “armadilha do pensamento realista, baseado em evidência”? Está me parecendo sim uma “armadilha da retórica”

    • Década de 80 estávamos bem? Emprego, educação, saúde estavam no lixo. Progresso inexistia. A macroeconomia era uma caos. Desigualdade de renda pior do planeta. Tens saudades disso? Fortalecer “os capitães da indústria” jogando o país no lixo é a proposta destes sindicalistas-esquerdistas-nacionalistas. Espero que o PT avance.

    • Essa teorização toda não me interessa e só sei que o Brasil sempre se perde em ” teorias ” pangarés e não percebe que o mundo mudou e que muita coisa caiu por terra. Que tal mirar-se no exemplo dos ganhadores e partir para diminuir esse estado doente?

  5. Infelizmente não adianta refutar o pensamento e o idealismo dessa turma de esquerdistas. Na minha modesta opinião, é apenas um briga pelo poder e para conseguir isso fazem aquilo que acreditam e foram doutrinados para tanto.
    Agora temos um pensador que criou a ARMADILHA DO PENSAMENTO ÚNICO. E durma com um barulho desses.

    • A questão não é ser de esquerda, centro, direita, petista ou tucano. O problema é não ter um projeto para nosso país.
      Felizmente, não fui “doutrinado”. Sou formado em ciências econômicas e, como tal, busco ler os grandes pensadores da economia, reconhecendo que cada interpretação é fruto de seu tempo.
      Tentei não ser irônico em minha fala, mas acrescentar um elemento ao debate. Se, por ventura, o termo que cunhei lhe pareceu pueril, por favor, refute-o. Não estou armado para simplesmente atacar, muito menos com escudos erguidos para defender um ponto de vista único.
      Mas acredito que precisamos ser mais profundos nas análises, fugindo do economicismo e tentando pensar a realidade brasileira a partir de nossos próprios parâmetros.

      • Infelizmente não existe ambiente para um debate sobre o futuro da sociedade brasileira, apenas polarizações radicais, cegas e vazias. Como você bem disse, doutrinação de todos os lados. Se você pensa diferente, logo é taxado de petista, comunista etc.

  6. Sério mesmo que você ainda acredita em cepalismo em pleno século XXI?

    Não bastaram as lambanças do período militar, dos anos 80 e do período Lula/Dilma e você ainda quer insistir nesta tese? 70 anos de CEPAL no Brasil e você ainda acha que precisamos de MAIS PROTECIONISMO?

    A indústria era 25% em 1985? A que custo? O custo dos anos 80? Não será porque o Cepalismo foi tão ruim que impediu o PIB de crescer mais? Será que a participação da indústria no PIB decaiu justamente por termos flexibilizado em parte políticas cepalistas e isto tenha trazido maior abertura comercial e consequentemente maior crescimento econômico? Uma conta de relação possui numerador e denominador. O cepalismo é tão ruim que inibe o crescimento do denominador (o PIB), o que torna a participação da indústria no PIB maior. Mais: quem disse que 25% de participação da indústria no PIB é bom? rssss O PIB não é um fim em si mesmo, é um agregado (na minha opinião pra lá de questionável, mas isso é outra conversa) que deveria servir para mensuração da qualidade de vida. Essa busca insana por PIB sem levar em conta o custo de oportunidade das nossas escolhas tem nos trazido um imenso atraso em desenvolvimento humano.

    A economia não é ciência exata, mas seus postulados são. Fechamento de mercado e políticas de conteúdo nacional não levam ao desenvolvimento. O Brasil é prova disso. Aí está a Singapura, um dos mercados mais abertos do mundo, pra confirmar. Hong Kong, China…

    Não precisamos de uma teoria própria da CEPAL pra atingir o desenvolvimento. Basta seguir o que a teoria econômica tradicional ensina. Propriedade privada, abertura econômica, moeda forte, inflação baixa. Este é o receituário do sucesso.

    • Não acredito em “cepalismo”. Não pontuei isso na minha fala, mas acredito que um dos grandes erros da interpretação cepalina foi não ter considerado, àquela altura, a importância do desenvolvimento de capital nacional. Permitimos a entrada de capital estrangeiro sem nenhuma contrapartida e, com as reestruturações do mundo a partir da década de 80, o nosso curso de desindustrialização teve início.
      E, bem, usei o PIB como parâmetro. Também acho que é um indicador vazio se não for analisado em conjunto com outros indicadores.
      Bem colocado, economia não é ciência exata, muito menos meus “postulados”. Fechar mercado não resolve, principalmente num mundo em que, por exemplo, as cadeias globais de valor são a regra da organização da indústria (principalmente de alta tecnologia). O problema é abdicar da soberania nacional, como tem sido feito desde Collor.
      Já que cita Singapura, Hong Kong, China, suponho que deva ter lido a excelente análise da economista do MIT, Alice H. Amsden, certo? Caso negativo, recomendo.
      Aliás, se ainda acredita que para um país subdesenvolvido e dependente como o nosso atingir o desenvolvimento basta seguir o que a teoria econômica tradicional ensina, realmente precisa ler “o mito do desenvolvimento econômico” de Celso Furtado, de 1974. Veja, não estou falando de CEPAL, estou falando de Furtado “pós-CEPAL”.
      Uma palhinha: “(…) à medida que avança o processo de industrialização na periferia, mais estreito tende a ser o controle do aparelho produtivo, aí localizado, por grupos estrangeiros. Em consequência, a dependência, antes imitação de padrões externos de consumo mediante a importação de bens, agora se enraíza no sistema produtivo e assume a forma de programação pelas subsidiárias das grandes empresas dos padrões de consumo a serem adotados.”
      Obrigado por responder ao comentário e pelas observações.
      Forte abraço.

      • Isso, hong kong, singapura e china já começaram hiperdesenvolvidos, por isso podem se dar ao luxo de adotar a economia tradicional. Aqui precisamos da feitiçaria de delfim, furtado, mantega, coutinho, belluzzo, maria tavares, marcelo miterhof e todo essa equipe sensacional que não come pib e enttega sempre descontrole fiscal e inflação no lombo.

        Todo esse testamento pra no final mandar a gente estudar furtado. Como se meio século disso já nao fosse suficiente pra atestar a ineficácia da teoria. Vocês gostam é de sofrer. O problema é que fazem milhões sofrerem juntos.

      • PIB é bobagem, independente de comparação, o cálculo do PIB é errado, então comparar algo errado com outras coisas é uma ideia tola.
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        Os países do leste asiático eram pobres e se industrializaram, essa sua teoria é pua balela. Ou então ocorreu uma mágica por lá? Não, sem mágica, sem bobagem de multinacionais dominando o mundo. Analise o que eles fizeram e pronto, eles fugiram dessa baboseira que você prega, só isso.
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        Para que estudar esse monte de autor nacional que não entende nada de economia? Para que desperdiçar tempo com um monte de bobagem?
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        O FATO é que os autores keynesianos, desenvolvimentistas, “neo clássicos” em geral, ignoram preceitos sólidos da economia clássica. E enquanto persistir nesse caminho, só vão errar.
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        Sinto muito, ler essas bobagens não vai mudar nada disso.
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        Se quer aprender economia, é preciso resgatar as origens. Chega de keynesianismo e desenvolvimentismo no Brasil.

    • Mas é a teoria econômica convencional que considera o PIB um fim em si mesmo e que ignora o custo de oportunidade do crescimento. Quanta incoerência e falta de conhecimento sobre teoria econômica no século XXI.

  7. Mansueto, parabens por seu brilhante texto. Sou economista e concordo contigo em gênero, número e grau! Nota 10!!!! Quem pensa ao contrário, parabens tambem, pois é um direito que tem, aafinal de contas ainda vivemos numa democracia! Aos esquerdistas de plantão, gostaria de lembrar que a URSS já morreu de inaniçao e o Muro de Berlim já caiu em 1989…..! Abraços

  8. Nossa, hoje dei uma chance para o André e fui ler sua coluna. E quando parecia que ía bem, ele vem com essa pérola cortada e colada no seu blog, que me brochou completamente. sem chance alguma agora.

  9. André Singer, como o seu pai, Paul Singer, sempre foram vermelhos e petistas xiitas. É impressionante a incapacidade intelectual e a ausência de uma lógica cognitiva por parte dos considerados “filósofos/pensadores” do Partido dos Trabalhadores, quando se arriscam expor suas ignóbeis opiniões e pontos de vista.
    Acrescento à lista apresentada pelo Pedro (comentário acima) os nomes de Leonardo Boff, Marilena Chaui e Paulo Henrique Amorim.

  10. De um lado um argumento vago e simplista: “reunificação da burguesia em torno do rentismo”.
    Do outro lado, fatos e números.

    Obrigado Mansueto, é um alívio ler argumentos que se baseiam em lógica e matemática.

  11. No Brasil, simpatizar com “esquerda” – e eu confesso que tenho dificuldade em diferenciar o que é ser da esquerda, da direita e do centro – é questão de “status quo”. Vejamos alguns exemplos: a) Chico Buarque que morre de amores por Cuba e pelos irmãos Castro, passa uma parte de sua vida morando na cidade de Paris onde tem um belo apartamento; b) Marilena Chaui que vive criticando “as elites do país”, não passa de uma ignóbil professora aposentada, alias com uma invejável aposentadoria; c) José Genoíno – segundo dizem dedurou alguns de seus companheiros no conflito do Araguaia – hoje vive com uma bela aposentadoria da Câmara Federal, em torno de R$ 30 mil; d) José Dirceu, corrupto (chefe do mensalão, conforme Roberto Jeferson); falsificador de identidade e revolucionário com afinidades capitalistas, vive hoje confortavelmente com os rendimentos de sua empresa de consultoria; e, por ai vai…………..
    Finalmente, não poderia deixar de citar a estrela maior de todo este processo, qual seja a figura do “Exu of nine fingers”. Preciso dizer de quem se trata? Como que este Senhor está até agora blindado? Como que este Senhor tem a cara de pau em dizer que não sabia de nada? Porque que a Receita Federal não investiga a origem do patrimônio deste Senhor e de seu filho, o conhecido Lulinha?
    Não tenho nenhuma vergonha em dizer, fui petista de carteirinha. Hoje tenho nojo, asco e vergonha de um dia ter simpatizado com um Partido de achacadores, corruptos e porque não dizer de bandidos.

  12. Perfeito. Os rentistas na realidade hoje estão no poder pois conseguiram atravez dele ascensão social e poder de consumo . hoje tomam vinhos caros , fumam charutos cubanos e fazem acordos comerciais de estado com ditaduras .

  13. Argumentos se prestam sempre a defender qualquer coisa; doutores são especialistas em argumentar – antes de mais nada. A universidade é apenas um nó na trama de aparelhos do Estado sindical-bolivarista. Um dos nós mais cegos e dispendiosos.

  14. Infelizmente, há no país um grupo de professores e intelectuais que não consegue apresentar seu argumentos com isenção, causando prejuízos aos alunos e a sociedade. O colunista citado é um professor a serviço do PT.

  15. Pingback: A incrível falta de capacidade da esquerda em aprender com os próprios erros | Rodrigo Constantino - VEJA.com

  16. Mansueto, creio que você tem ciência do foro de São Paulo, se você acredita ou até que ponto você acredita, eu já não sei. Sei que, discordando do 3° do que a esquerda precisa aprender, o PT tem plano sim, e é o poder pelo poder, somente. O problema desse país é a falta de representação ideológica, votamos porque somos obrigados e temos que escolher entre o sujo e o mal lavado. Entre a falsa dicotomia PT ou PSDB (como se um fosse diferente do outro).

  17. Não é preciso recorrer a Cingapura ou Hong Kong. As evidências estão bem aqui à nossa frente. Na América Latina, quais países estão indo bem e quais estão indo mal? O que há em comum entre os membros desses dois grupos? Uma dica: consultar o ranking de liberalismo da Fundação Heritage. O Brasil, que já estava por volta do 80° lugar, caiu para.além do 100°, à frente apenas de Cuba e Venezuela. O Chile é o 7°.

    Pouco importa o nome que se dê a isso. A pergunta elementar que todo economista deveria se fazer é: com base nos dados disponíveis e eliminando a fé irracional e o wishful thinking, o que parece funcionar melhor, ao longo do tempo, para gerar prosperidade? Se os médicos funcionassem como os economistas e receitassem com base em suas simpatias e preconceitos pessoais, a mortalidade iria às alturas. O problema é que a argumentação ideológica tende a enxergar qualquer refutação como igualmente ideológica, só que com o sinal invertido; nesse embate, a primeira vítima é a lógica.

  18. É uma pena ter um artigo desse no jornal, com teorias conspiratórias mofadas. Deveria ser obrigatório um disclaimer…
    Mansueto, você mandou bem como sempre. É duro nesse país, em que o populismo ainda encanta pessoas, ter que trazer racionalidade.
    Quando os filhos desses caras tem pneumonia, será eles levam ao médico que receita um antibiótico e repouso? Ou será que eles procuram um clínico pos-marxista? Será que eles fogem do consenso opressor e deixam o moleque ouvindo Belchior na vitrola?
    Liberalismo não é um fim em si mesmo, a menos que estejamos na Albânia. Mas temos que debater idéias albanesas em 2015…

  19. Pingback: Os ricos segundo as novelas e os intelectuais de esquerda « O caçador de mitos – VEJA.com

  20. Mansueto, concordo com sua argumentação, mas também com Marcelo Guterman — sua interpretação do texto dele foi um pouco equivocada, e Singer apenas cita uma teoria da conspiração que me parece muito comum entre o pessoal da “esquerda”.

    Aliás, tenho a impressão de que são muito frequentes erros de interpretação entre pessoas que pensam diferente. Tenho uma tese (bem rasa) de que boa parte desses erros é causada por dois motivos.

    O primeiro são as próprias diferenças no mundo de cada um. Quando as pessoas pensam e vivem de maneira muito distinta, as falhas de comunicação entre elas tendem a ser frequentes. Talvez seja um problema de linguagem. Na minha experiência pessoal, quando essas falhas são corrigidas, é normal mesmo pessoas que pensam diferente descobrirem que, na verdade, concordam em muita coisa.

    O segundo motivo seria uma espécie de preconceito em relação ao outro. Ao interagir com uma pessoa sobre a qual já se tem um conhecimento prévio (que pode ser correto ou não), você monta uma imagem dela, e essa imagem inclui expectativas que influenciam a sua interpretação do que ela diz. Essa influência muitas vezes distorce a mensagem do outro sem que o ouvinte (ou leitor) tenha consciência disso.

    Às vezes essas diferenças todas nos provocam algumas peças. Lembro-me de um episódio do GloboNews Painel em que o Samuel Pessôa se arriscou a expor o que seria o pensamento do Belluzzo, e este logo o interrompeu, dizendo algo como “não coloque palavras na minha boca”. Nesse caso, acredito que o preconceito de Pessôa possa ter prejudicado sua interpretação sobre o discurso de Belluzzo.

    Talvez não haja solução para esses desentendimentos, mas, pessoalmente, procuro ler e ouvir com maior cuidado discursos de pessoas que sejam distantes de mim, pois é forte em mim essa ideia de que tais diferenças aumentam muito a chance de interpretações equivocadas.

    PS. Não estou dizendo que seu equívoco de interpretação necessariamente se encaixe nessa minha análise rasa; apenas aproveitei o espaço para expô-la.

    PPS. Sou grande fã de Pessôa; uso a palavra “preconceito” aqui sem a carga extremamente negativa associada a ela.

    PPPS. Também tenho muitas dúvidas em relação a esta frase sua: “o PT, em especial, André Singer, ainda acha que o ‘Lulismo’ é algo novo, uma teoria nova de desenvolvimento.” Não sei se Singer realmente pensa isso, e generalizar o PT, com todas as suas divisões, é arriscado demais.

    • Sim não dá para generalizar o PT. Equívoco meu. Mas no caso do Singer, me pareceu que ele acha que o baixo crescimento é fruto de uma reorganização da burguesia contra políticas de distribuição de renda ao invés de erros de política econômica do governo – citei algumas dessas políticas no texto. Esse é um grande erro porque nossos erros decorreram de escolhas do governo e não de uma organização da burguesia rentista contra Dilma. Não é a primeira vê que Singer faz isso. Já havia dito la atrás que aa eleição para presidente seria a disputa de dois projetos diferentes. Um a favor dos pobres, o do PT, e outro a favor do capital. Convenhamos que isso é de uma tolice tremenda. Vou recuperar o artigo e colocar aqui. Obrigado pelos excelentes comentários. Abs

      • Agora sim, Mansueto, ficou claro. É que, para que o texto original faça sentido, é necessário assumir que você e Singer concordem que as políticas desenvolvimentistas são a causa do baixo crescimento. Quando você diz “Ele está errado. Não foi a burguesia rentista que forçou o aumento da dívida”, dá a impressão que Singer afirmou isso. Para ter afirmado isso, ele precisaria não concordar com essa política. Mas nós sabemos que ele concorda! Portanto, o correto seria algo do tipo: “Ele está errado. Coloca nas costas de uma tal “burguesia rentista” o baixo crescimento e não reconhece os erros do próprio governo”. Não se trata, como escreveram por aqui, de partidarismo ou não entender o ponto de vista do outro. É só uma questão semântica.
        De resto, concordo com você em gênero, número e grau: Singer escreveu uma rematada tolice. Mas não se esqueça: a tolice deles tem método e objetivos políticos. Você acha que está debatendo tecnicamente, mas o outro lado não está nem aí para evidências empíricas ou estudos acadêmicos, o que importa é encontrar argumentos para manter o poder a todo custo.

      • O PT normalmente tem várias divisões, e em momentos como este elas se exacerbam ainda mais, como mostra o fogo amigo de Lula que você citou alguns posts atrás. Outro exemplo é essa teoria da burguesia rentista organizada — embora boa parte do partido concorde com isso, há também os que discordam dela e enxergam pelo menos alguns dos erros cometidos desde 2008/09, mas não podem admitir isso publicamente, claro.

        O cenário é tão caótico que há discordâncias mesmo dentro do governo, isto é, não se trata de um confronto entre os petistas da Dilma e os outros.

        Voltando a Singer, acrescento ainda que o parágrafo que você destacou expõe duas teses pouco críveis dele. Além de acreditar na “reunificação da burguesia em torno do rentismo” (tese 1, explorada no post), ele parece achar que a “política desenvolvimentista” poderia “efetivar o anseio rooseveltiano” se Dilma tivesse vencido a luta contra a burguesia (tese 2).

        (Digo “parece” porque, pelo menos nesse artigo, não está explícita a opinião de Singer sobre a política desenvolvimentista em si (apenas sobre a causa de seu insucesso, que seria a burguesia unificada) — e seria possível até argumentar que, no texto, ele culpa a burguesia unificada não exatamente pelo baixo crescimento, mas pelo fracasso da tentativa de Dilma. Mas isso provavelmente seria exagerar no benefício da dúvida, principalmente levando em conta o que ele já escreveu antes.)

        Enfim, Singer no geral expõe ideias muito comuns na esquerda e no PT, mas ele está longe de ser uma unanimidade tanto naquela quanto neste. Também por isso é arriscado fazer qualquer associação generalizante entre os pensamentos de Singer e o PT.

        PS. Eu é que lhe agradeço por este espaço e pela oportunidade de conversarmos, Mansueto. Abraços!

      • Mansueto, o Singer disso isso lá atrás, quando estava em campanha. Da mesma forma que a campanha do Aécio e da Marina e todas as outras disseram também um monte de inverdades que não iriam cumprir nunca. Da mesma forma que a Wolks na propaganda do gol mostra sempre algo nada a ver. Campanha política é propaganda Mansueto, não adianta levar a crítica por ai.

  21. Sobre o nível dos comentários, neste post ele está muito baixo por duas razões, basicamente: 1) Discussões que envolvem partidos são ímãs de leitores que pensam com o coração, não com o cérebro; 2) O post foi mencionado pelo Rodrigo Constantino, o que certamente atraiu leitores dele para cá. E não se pode esperar muito de fãs de Rodrigo Constantino…

    PS. Este comentário mostra como também sou preconceituoso.

  22. Olha só o tempo que gastamos para discutir as bobagens escritas pelo André, religiosamente seguidas por grande parte dos nossos estudantes. Não basta ser professor da USP, tem que ser inteligente. Lembrem-se que a estridente e popular Marilena Chauí, que odeia a classe média, também foi professora da USP.

  23. Todas, Todas as universidades brasileiras hoje estão cheias dessas “mentes brilhantes”, que fazem do centro universitário um grupo escolar de quinta categoria. As penas de aluguel, ou Jornalistas que recebem para escrever suas tolices com parcialidade, já deu! Cansou!!!! Esses idiotas úteis já deram prejuízo demais ao país.

  24. Mansueto, relendo os comentários postados, pude observar que tem seguidor que de maneira sorrateira, fez uma incitação para que o responsável do blog, no caso vc, passe a “censurar” a qualidade e o nível dos comentários postados.
    Este tipo de atitude, nada mais é do que um cerceamento a liberdade de expressão e uma privação ao direito da pluralidade de opinião,
    Este tipo de atitude é característica de pessoas que não conseguem conviver e não prezam pelo respeito a diversidade de manifestação de opiniões.
    Isto não deixa der ser uma atitude mesquinha, desprezível e ignóbil.
    Se o nível dos comentários está muito baixo, quem se sente incomodado com a qualidade que deixe de seguir o blog.
    Mansueto, parabéns pelo blog e Viva a Liberdade de Expressão e Manifestação.

  25. Só discordo de uma coisa do autor do post, o PT tem sim um plano a longo prazo para o País, este é o de destruí-lo!

  26. Mansueto,
    Seu texto ficou muito bom. De fato, houve certa agressividade em alguns comentários, mas concordo principalmente com a ideia de que as teses retrógradas de André Singer devem ser simplesmente ignoradas e que é perda de tempo debater com quem acha que o céu é vermelho e a grama é amarela.
    Alguém citou a boa posição do Chile no Índice de Liberdade Econômica. Seria possível um post com foco no Chile? Quais são os principais economistas chilenos? Quais os principais temas debatidos por lá? O que a oposição pode aprender com a experiência chilena (tanto política, como econômica), visto que por lá houve alternância de poder nas últimas 3 eleições, ao passo que aqui a oposição acumulou quatro derrotas consecutivas.

  27. Honestamente falando é difícil tentar escrever sobre o atual momento do Brasil. O país vive uma débâcle política com as sucessivas denúncias de corrupção, débâcle econômica com o afundamento da economia, os sucessivos diagnósticos de alta inflacionária e redução da atividade econômica e a débâcle moral com a destruição da maior empresa brasileira e o aumento do desemprego. Para mim era claro em outubro que o país passaria por um período longo de estagnação econômica, caso o atual governo fosse reeleito, mas fazer o quê? A vontade das urnas prevaleceu e um governo de realizações raquíticas foi reeleito.
    O que resta a nós que tivemos consciência naquela época e ao povo que votou no governo e que agora caiu na real é refletir e pensar com mais seriedade em 2018. Certamente o governo Dilma será um governo de aumento da desigualdade social e de concentração de renda. Assim como o governo Figueiredo deixou o Brasil mais pobre, o governo Dilma Rousseff será um governo que deixará o país mais pobre e com alta concentração da renda e sem perspectiva de melhora, sem perspectiva de futuro.
    Espero que a ampliação dos campi universitários federais estejam formando massa crítica nesse país e não “revolucionariozinhos” , “justiceirinhos sociais”.A minha decepção com o Brasil é tamanha que não consigo exprimir o que sinto.

    • Pode esquecer meu caro. As universidades são ambientes de formação de militância socialista analfabeta funcional, não de mão de obra qualificada.

  28. Mansueto,

    Na guera política quem ataca mais vence. Quem passa o tempo se defendendo geralmente perde. Pare de perder tempo se defendendo e se justificando para essa horda de militantes e continue seu trabalho.

    Você é oposição e está cumprindo o seu papel na democracia. É seu dever expor ao ridículo todos os delírios vitimistas desses caras. O espaço é seu e a sua audiência QUER que você continue fornecendo informação de qualidade.

    Os que te criticam precisam entender isso e, se estiverem insatisfeitos, que procurem outros portais pra se informarem. Recomendo o blog do nassif ou o brasil 171. São ambientes tão democráticos que sequer liberam comentários de oposição…

    O texto do singer é um dejeto que cheira a 1920 e qualquer cidadão de bem e com um pouco de instrução sente o mesmo asco que te levou à revolta.

    Parabéns pelo texto.

  29. Pingback: Os ricos segundos os intelectuais de esquerda - blog zeferino junior

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