Juros altos e prejuízo para os bancos? Não, lucro.

Em 2012, quando o governo começou a trajetória de redução forçada das taxas de juros, escrevi várias vezes neste blog que não acreditava que a redução fosse sustentável, pois parecia que o movimento era fruto mais do grito da presidente do que de mudanças reais na economia.

Lembro que li na época algumas colunas de economistas e jornalistas que falavam que, com juros mais baixos, a expansão do crédito seria maior e, logo, os bancos que adotassem uma redução maior dos juros poderiam lucrar mais.

Se isso fosse verdade, por que então os bancos não haviam reduzido os juros antes? Não o fizeram por maldade ou masoquismo? Depois de dois anos, hoje sabemos, como eu desconfiava na época, que a redução da taxa de juros não foi sustentável, não ajudou o crescimento da economia como muitos críticos dos bancos esperavam e ainda prejudicou a trajetória da inflação.

No mais, a CEF que antes se orgulhava da forte expansão do crédito e redução dos juros, hoje está cortando crédito para o financiamento habitacional e fazendo o mesmo que os bancos privados: elevando os juros das diversas linhas de empréstimos.

Li uma notícia hoje (clique aqui) que mostra que o lucro liquido recorrente (sem receitas extraordinárias) do Banco do Brasil, banco público, cresceu 25% no primeiro trimestre do ano graças a juros mais altos – resultado do aumento das margens de ganho nos empréstimos.

Ao que parece, hoje, nem mesmo a CEF acredita na possibilidade de juros mais baratos aumentarem o lucro dos bancos, como dizia o seu ex-presidente Jorge Hereda ao comentar o lucro da CEF no primeiro semestre de 2012:

“Com este resultado, que é o maior lucro da história do banco, conseguimos provar que estamos com a estratégia correta ao reduzir os juros em 31% e aumentar a base de crédito, mantendo a inadimplência sob controle”. (clique aqui).

O problema é que a expansão de 25% do lucro da CEF, no primeiro semestre de 2012,  mesmo com juros em queda resultou de uma expansão dp crédito de 45% em 12 meses, algo que não é normal. Assim, não houve mudança alguma de paradigma (clique aqui). Em circunstâncias normais, bancos ganham com aumento de juros e não o contrário.

Juros altos e um governo que gasta muito sãos bons para bancos privados e mais ainda para bancos públicos. Até mesmo a CEF que é um banco 100% público se rendeu novamente a tentação dos juros altos, o que mereceria um abraço dos companheiros na sede do banco para protestar contra essa “politica neoliberal”.

5 pensamentos sobre “Juros altos e prejuízo para os bancos? Não, lucro.

  1. Pontual sua colocação. Prova que ” miragem” é política econômica nos últimos 8 anos no país. O paradigma a ser alterado, é muito maior. Mas o bom começo citou, governo gastar menos e desperdiçar menos ainda . . . algo que que utópico, infelizmente . . .

  2. Mansueto, permita-me discordar de você. Principalmente quanto à afirmação “Em circunstâncias normais, bancos ganham com aumento de juros e não o contrário.” Trata-se exatamente do oposto! Vamos aos motivos:

    Em primeiro lugar, os ativos de um banco são, grosso modo: empréstimos e ativos financeiros. Comecemos pelos ativos financeiros. Para simplificar, vamos tratar de títulos prefixados tipo uma LTN. A LTN promete pagar um valor fixo no vencimento. Se os juros sobem, a única forma desse título respeitar a taxa de mercado é através da queda de seu valor de mercado. Assim, uma alta de juros, reduz o valor dos títulos. Grosso modo, exceto os indexados à Selic, a alta de juros deprime o valor desses títulos provocando perdas de capital.

    No empréstimos, algo similar ocorre, mas pela via do custo de oportunidade. Os empréstimos já estão contratados e sendo remunerados por taxas inferiores as taxas mais elevadas. Quando ocorre a queda, se dá o inverso. Não por acaso, ciclos de longos de queda de taxas de juros coincidem com lucros recordes dos bancos.

    A meu juízo, o movimento da CEF está mais relacionado com um processo de desalavancagem. Dado que a fonte do BNDES secou, não dá mais para irrigar a CEF TEM que se desalavancar

    • Mas bancos ficam carregados em LTN? e os empréstimos no Brasil de bancos são de curto prazo. Assim, rapidamente renovam empréstimos a juros mais altos. Tesouraria de banco opera no curto prazo, inclusive, na mesa de câmbio. O que critique foi a afirmativa do ex-presidente da CEF que falou que, quando um banco cobra menos juros que outros, pode lucrar mais pelo efeito expansão do crédito. Papo furado. Se pegares a lista do BACEN com taxas para diversas modalidades verá que, nem sempre, quem cobra juros menores são BB e CEF e não há correlação de juros menores com lucros maiores. Bobagem.

      No mais, o seu comentário da LTN -perda de capital- é quanto a mudança do juros. Mas compare dois equilíbrio estáticos – situação A juros menores e situação B com juros maiores. Qual das duas situações é melhor para o Banco X? não é possível responder essa questão mas o ex-rpesidente da caixa diria que seria a situação de juros menores. Pelo que sei das tesouraria que converso de banco eles ficam carregados no curto prazo – efeito LTN seria mais nos fundos e não na tesouraria dos bancos, ainda mais em um país com compromissadas em quase R$ 1 trilhão.

  3. Mansueto, esse tema é importantíssimo quando se discute finanças públicas, porque se trata exatamente das maiores despesas do governo.
    O editor do site do Instituto Mises Brasil, Leandro Roque, economista genial, mostra há algum tempo que o crescimento das carteiras dos bancos privados é cada vez menor, mesmo durante a redução forçada dos juros e que quem sustentou o crescimento dos meios monetários e, consequentemente, da demanda foram os bancos públicos com seus empréstimos direcionados e diretrizes de emprestar a qq custo. Isso que sustentou a inflação, não a queda da Selic.
    Como vc bem disse, atualmente as compromissadas estão em 1 tri, e já estavam bem altas há bastante tempo. Nenhum banco privado emprestava com força, mesmo com a selic em 10%. Juros reais lá fora seguem renovando mínimas históricas. Exceto pelo choque cambial e pelos últimos resquícios de crescimento do direcionado, inflação já tem td para cair. Selic nesses valores só serve para despesa com juros bater 7% do pib.
    Realmente há risco de rolagem da dívida com 1 tri em compromissadas? É só o bc deixar esse dinheiro no mercado que o governo vende os títulos que quiser.
    Não é a solução, mas pode ser parte dela pra reduzir o deficit nominal. Aproveitar esse dinheiro barato no mundo.
    Aguardo apontamento de falhas no raciocínio de alguém interessado.

  4. Nunca os bancos foram tão lucrativos quanto na época dos desgovernos do PT. Essa redução fake dos juros em nada afetou o crescimento dos bancos.

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