A dor de cabeça de Joaquim Levy

Um das medidas do governo anterior, o governo Dilma-1, foi a política de desoneração da folha salarial, a redução dos encargos trabalhistas em troca de uma contribuição de 1% a 1,5% no faturamento das empresas para compensar a perda de arrecadação.

O ministro Nelson Barbosa do planejamento e o ex-ministro da fazenda, Guido Mantega, eram grandes defensores dessa medida, que poderia vitalizar o mercado de trabalho e contribuir para expansão do emprego e da renda. Em 2014, o programa foi ampliado para mais de 40 setores e se tornou permanente.

Mas como tudo do governo anterior, “permanente” pode durar apenas meses, pois, segundo o ministro da fazenda atual, a desoneração da folha de salários foi um “brincadeira que saiu muito cara”. Quando o ministro fala que o custo é alto, ele está coberto de razão. Mas por que o governo não falou isso em maio do ano passado quando ampliou de forma irresponsável o programa, pois não tinha os recursos para fazê-lo?

Agora é tarde e não será fácil reverter esse “benefício”. De janeiro a abril deste ano, o custo para Tesouro com as compensações que tem que fazer ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS) devido a perda de arrecadação com essa política passou, em valores reais de abril de 2015, de R$ 5,6 bilhões para R$ 9,3 bilhões, um crescimento real de R$ 3,7 bilhões ou de 65%!

Para se ter um ideia do que isso significa, esse valor de R$ 3,7 bilhões é quase 50% maior que o todo o investimento em educação e saúde ao longo do primeiro trimestre do ano!. Agora vocês entendem a dor de cabeça do ministro da fazenda.

Custo para o Tesouro com a Desoneração da Folha Salarial – JAN-ABRIL – R$ bilhões de abril de 2015

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Fonte: SIAFI

Custo para o Tesouro com a Desoneração da Folha Salarial – Acumulado de JAN-ABRIL – R$ bilhões abril de 2015

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2 pensamentos sobre “A dor de cabeça de Joaquim Levy

  1. Talvez a dor de cabeça dela passe logo. Se continuar no ritmo da votação de ontem, logo os jornais anunciarão o segundo ministro da fazenda do Dilma II.

  2. O senador Aécio deveria ficar grato aos eleitores do PT e coligados que impediram que essa bomba fosse cair no colo dele. Há tempos venho escrevendo sobre a vaca que foi pro brejo e esse brejo parece de areia movediça pois será muito difícil tira-la. É pesada (altamente endividada, pagando taxas de juros absurdas para cobrir os encargos da divida).
    Pobre do povo brasileiro que está pagando e vai continuar apertado por no mínimo mais três anos, desde que vários ajustes sejam aprovados.
    No entretanto, esse governo de coalisão com 39 ministérios e um maquina publica inflada, com sindicatos deitando e rolando há 12 anos tinha que dar nisso.

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