Um choque de realidade: mudança no regime de partilha

No dia 24 de fevereiro de 2015, o presidente Lula em ato em “defesa” da Petrobras no Rio de Janeiro falou que: ““Eu sei o que significou aprovar a Lei da Partilha. Quando nós descobrimos o pré-sal, logo os americanos inventaram uma história chamada a Quarta Frota e passaram a ter navios patrulhando o Oceano Atlântico. Nós sabemos o que significou a Lei da Partilha. Sabemos o que significou os 30% para a Petrobras. Sabemos o que significou a construção desta empresa

Ao que parece, o Ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, não sabe muito bem “o que significou os 30% para a Petrobras” como fala o ex-presidente Lula ou tem a mesma opinião que muitos analistas sobre o erro dessa exigência dos 30% de investimento da Petrobras nos campos do pré sal.

O ministro declarou hoje, em Houston, onde participa de uma feira do setor de petróleo que o governo estuda mudanças na exigência para a Petrobras participar de todos os blocs do pré sal (clique aqui). Essa exigência é criticada inclusive pela própria Petrobras que esta com um limite muito alto de endividamento e, assim, se houvesse um novo leilão do pré-sal a empresa para participar teria qua aumentar ainda mais a sua divida.

Enfim, o governo está preso em um dilema. Ou arranja um novo discurso para justificar a mudança da exigência de a Petrobras participar de todos os campos do pré sal com um mínimo de 30% ou atrasa os leilões do pré sal até que a Petrobras volte a ter fôlego para participar desses novos leilões. Talvez prevaleça o bom senso.

5 pensamentos sobre “Um choque de realidade: mudança no regime de partilha

  1. Leiloar pré-sal com óleo a 100 dólares é fácil – a 50 é outra coisa.
    Mais um prova de que falta um calendário à Presidente. Digo isso, em vista de um sem número de decisões que simplesmente foram atrasadas, pois a postura final, premida pela realidade, acaba sendo aquilo que deveria ser feito inicialmente, mas que sofreu alguma resistência – ou teimosia, diriam outros.
    Caso semelhante é o das concessões na área de infraestrutura.
    O pior é quando da demora surge apenas a tentativa da repetição dos erros da política econômica da década de 70.

  2. O ministro falou ontem sobre a posição do governo na atual conjuntura e no dia seguinte é afrontado por colegas do governo contra e que não existe essa possibilidade. Isto tem acontecido em outras áreas com um pronunciamento num dia e o desmentido no dia seguinte, ou seja, é um governo trapalhão que não se entendem e não conseguem falar a mesma língua. Os trapalhões colocaram a Vaca no Brejo e fica cada vez mais difícil de tira-la.

  3. A citação do Senhor Lula, em defesa da Petrobrás, em 24/02/2015, não passa de uma alucinação esquizofrênica, factoide e desprovida de qualquer senso crítico sobre a real situação financeira da empresa e da capacidade de realização investimentos no curto prazo.
    A Petrobrás com a imagem arranhada tanto no Brasil e, notadamente, no exterior, com uma dívida astronômica em moeda forte, e com uma desvalorização significativa de seus ativos, a empresa se não contar com um modelo de gestão altamente profissional, e em estrita consonância com a sua realidade econômica/financeira, corre o risco de se torna cada vez mais inviável.
    A afirmação do Senhor Lula: ” Quando nós descobrimos o pré-sal, logo os americanos inventaram uma história chamada a Quarta Frota e passaram a ter navios patrulhando o Oceano Atlântico”, isto nada mais é do que fruto de uma mente doentia, esquizofrênica e portadora de neurônios deformados cognitivamente. Esta afirmação é uma apologia ao anarquismo.
    Concordo plenamente com sua afirmação ” … o governo está preso em um dilema. Ou arranja um novo discurso para justificar a mudança da exigência de a Petrobras participar de todos os campos do pré sal com um mínimo de 30% ou atrasa os leilões do pré sal até que a Petrobras volte a ter fôlego para participar desses novos leilões”. A empresa tem rever o seu planejamento estratégico de curto, médio e longos prazos. Neste difícil momento, há que prevalecer alem do bom senso, o espírito empreendedor da direção da empresa.

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