Despesa da previdência (INSS) – 2014-2050

Todas as vezes que o governo manda para Congresso Nacional a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), o ministério da previdência faz uma estimativa da evolução da despesa, receita e déficit da previdência do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

Na LDO de 2016, o governo apresentou o Anexo IV.6 – Projeções Atuariais para o Regime Geral da Previdência Social (RGPS) – no qual mostra que a despesa do INSS em relação ao PIB crescerá quase que continuamente até 2060, como também o déficit da previdência.

No gráfico abaixo reproduzo o dado da despesa do INSS em relação ao PIB até 2050. Se você não gostou das previsões reclame com o governo e não comigo, pois estou aqui apenas reportando a projeção oficial do governo.

 Despesa da Previdência (INSS) – 2014-2050 – % do PIB

Untitled2Fonte:   Anexo IV.6 – Projeções Atuariais para o Regime Geral da Previdência Social (RGPS), LDO, 2016.

Quero fazer dois rápidos comentários. Primeiro, o governo espera que a despesa do INSS passe de R$ 394,20 bilhões ( 7,14% do PIB), em 2014, para R$ 575,96 bilhões (7,87% do PIB), em 2018. Ou seja, no segundo governo Dilma, mesmo com o baixo crescimento do PIB e, logo, apesar da correção real raquítica do salario mínimo, a despesa do INSS crescerá 0,7 ponto do PIB.

Isso significa que o governo precisará de um crescimento da receita de 3,3 pontos do PIB para levar o superávit primário para a casa de 2% do PIB, cobrir o déficit primário do ano passado de 0,6% do PIB e o crescimento da despesa do INSS de 0,7 ponto do PIB. Por que não falei em cortes da despesa? porque não acredito que o governo consiga fazer algo relevante nessa área além de cortes do investimento.

Segundo, a despesa do INSS como % do PIB crescerá continuamente e, logo, a tendência de longo prazo será o Brasil manter carga tributária elevada. Vamos chegar em 2030 ainda reclamando da carga tributária, o governo possivelmente falando em mais uma reforma tributária e sem ter resolvido o problema da previdência. É claro que poderemos debater esses temas antes de 2030.

15 pensamentos sobre “Despesa da previdência (INSS) – 2014-2050

  1. Se temos um percentual do PIB em gastos do INSS projetados para o ano de 2050, é porque temos uma projeção de PIB para tal ano. E como isso é possível?

    • É uma projeção – o crescimento do PIB pode ser maior ou menor. Você pode consultar a publicação na pagina do Ministério do Planejamento que tem a serie toda do PIB projetado e o crescimento real do PIB projetado.

  2. Mansueto, precisamos convir que o problema não é com as contribuições e o pagamentode aposentadorias e pensões, mas com o custo da administração do sistema, isto é, a quantidade de apaniguados enxertados no sistema, além da pouquíssima criatividade na elaboração do competente sistema administrativo. Nenhum beneficiário regular do sistema recebe algo remotamente correspondente a suas contribuições. Onde anda o balanço juntando as contribuições ao e pagamentos pelo INSS + COFINS + PIS/PASEP? Até que isso apareça (e seja discutível), não é nada sério!

    • há vários problemas com a nossa previdência e não estou aqui fazendo juízo de valor. Eu gostaria de um debate mais claro sobre o assunto dos dois lados – dos defensores e dos críticos- para evitar que, no fim, o aposentado pague a conta sem saber porque. Por exemplo, poderíamos definir uma idade mínima para daqui ha 10 ou 15 anos e não necessariamente para os próximos anos. Mas com a forma que o sister funciona hoje ele só se torna viável se aumentarmos a carga tributária, segundo as projeções do governo.

    • Como não. Recebe, amigo?

      Tu contribui 35 anos com 11% do seu dinheiro (que é usado pra pagar a aposentadori dos outros) e recebe cerca de 25 anos o equivalente a uns 50% do seu último salário. É lógico que a conta não fecha.

  3. Com a atual quadro da economia brasileira, este aumento de receita da ordem 3,3% do PIB, é, na minha opinião, impossível de ser alcançado, haja vista que a previsão de crescimento do PIB para este ano é menos de 1%. Resta então ao governo três alternativas: a) redução de gastos, que é impossível de acontecer; b) emissão de títulos públicos, aumentando desta forma a dívida pública; e c) aumento da carga tributária, o que pode acelerar, ainda mais, a inflação.
    Se não fosse a irresponsabilidade da política econômica do Ministro Guido Mantega, com a anuência da Presidenta Dilma, a situação poderia estar menos pior.
    Tempos tormentosos nos esperam.
    .

  4. O Brasil deveria cair na real. Jamais teremos um ritmo de crescimento chinês e, provavelmente, não acompanharemos também a Índia. O governo e os formuladores da política econômica deveriam compôr estratégias já levando em consideração que o Brasil é um país de velhos e de renda média.Logo o enfoque das políticas deveria ser a reestruturação do SUS e a Previdência.
    Ah! Nada a ver o governo já faz isso! Não faz não. Aliás, não faz coisa alguma.
    Se fizesse, pelo menos, observaria o que o Shinzo Abe está construindo no Japão. Está pegando o FGTS deles (sei lá qual o nome do fundo de previdência japonês) e transformando em uma baita duma carteira de investimentos bem agressiva. Está colhendo resultados modestos, mas está agindo. Enquanto o “velho” Japão age agora “velho” Brasil se debate sobre o que fazer. Ainda temos um gente nova pra trabalhar e deveríamos adotar uma “estratégia japonesa” para fortalecer o FGTS e o FAT como poupança pública para alavancar investimentos nesse país, restringindo a quantidade de vezes que o trabalhador tem acesso, colocando controles para a liberação de recursos por parte do governo como projeto executivo, análise de viabilidade econômica, certidão negativa de débitos junto ao Tesouro, a Receita e ao INSS para que, dessa forma, fosse liberado recursos. E em relação a iniciativa privada também. Quantas vezes vimos recursos do FGTS sendo, de forma arbitrária, emprestados para empresas que não reuniam condições financeiras para tocar os empreendimentos que se dispunham a realizar? (vide empresas do Grupo X). Assim como o governo, as empresas privadas deveriam apresentar estudos de viabilidade técnico-financeira, laudos ambientais, certidões negativas de débito perante a Receita e INSS.
    Se eu fosse ministro da previdência proporia esse modelo de reforma e não um aumentozinho de idade porque o brasileiro tá vivendo mais e, portanto, pesa para o governo. Isso é um acinte! Um desrespeito com quem contribuiu 35 anos nessa $#&% !

  5. Pelo amor de Deus. Para haver um debate e não um bate boca, é preciso definir sobre o que se discute. Em primeiro lugar, não existe mais previdência desde 1988. Não existe cálculo atuarial para ASSISTÊNCIA SOCIAL. Portanto, a discussão tem fundamento em tempo de contribuição ou idade. Como se sabe, para resolver um problema é preciso identificá-lo.

  6. Talvez ainda neste mandato o governo tenha que cometer outro estelionato e reformar a previdencia. E ainda tem gente acima insinuando que não há problemas com a previdencia kkkkkk

    Aqui vão minhas contribuições que já escrevi outras vezes.

    1 idade de aposentadoria em 65 anos
    2 equiparação de idade pra homens e mulheres
    3 fim do regime de repartição e substituição pelo de capitalização
    4 aumento da aliquota para 13%
    5 instituição de Cálculo atuarial no sistema. Não há este calculo ate o momento. Fator previdenciário não é cálculo atuarial.

    Não adianta chorar nem resistir. É o cúmulo o Brasil conviver com cinquentões aposentados. Todos eles acabam voltando ao mercado. Então que não se aposentem.

    Somos uma nação POBRE! Pobre. É ridícula qualquer comparação do Brasil com o primeiprimeiro que, por sinal, já aplica grande parte da lista acima.

  7. Quando o governo resolverá a desorganização do sistema?
    Quando o governo criará mecanismos que inibam fraudes nas concessões dos benefícios? (Lembre do estudo que mostra que 1/4 dos benefícios é concedido mediante fraude)
    Quando é que combaterão a sonegação dos recursos que servem para o custeio da seguridade social? Montante esse calculado pelo não recolhimento do PIS/COFINS, PASEP, CSLL……….
    Quando é que o governo cobrará débitos do INSS e, efetivamente, aplicará o art.195 da CF? Não me lembro se o governo efetivou a “anistia” de débitos fiscais e previdenciários aos times de futebol (outro acinte).
    Ainda deixarão empresas com débitos previdenciários participarem de concorrência públicas?
    Quando é que o governo vai criar mecanismos de transparência na utilização de recursos do FGTS e do FAT?
    Ainda vão querer fazer cortesia em outros países com esses recursos? Tapar rombos no BNDES com grana do FGTS?
    Qual foi a rentabilidade que o FGTS ou o FI-FGTS (estranho no ninho) teve com a compra de ações das empresas do “homem que fazia Power Point”?
    Por que o FGTS rende miseravelmente pouco?
    Enquanto outros países se esmeram em ofertar bons sistemas previdenciários e de saúde para a população idosa há um certo país da América do Sul que possui 31 milhões de aposentados. Desses 21 milhões ou 71% de “privilegiados e felizes aposentados”recebem 1 salário mínimo. Há estimativas que até 2025, 90% dessa “elite privilegiada” ganhe um mínimo! São ricos! Vão poder comprar remédio, ir pra praia e brincar com os netos.
    Lembro-me de um trecho do discurso do ex-presidente paraguaio Nicanor Duarte Frutos que dizia: ” O Paraguai deve ser um estado que age conforme a lei”.
    Parece-me que isso vale para o Brasil, O país da leniência, da complacência, da impunidade………

  8. Preocupante, e o pior é que ainda por cima, quem depender só do INSS para sua aposentadoria, não vai ter uma velhice muito tranquila.

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