Joaquim Levy vs. Luciano Coutinho

Não quero polemizar com esse assunto. Mas me causou imensa supresa a exposição do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal na última terça feira. Você pode ver as notas taquigráficas da exposição, audio e a apresentação em power point na página da comissão na internet – clique aqui.

O que me chamou atenção foi o fato de exposição do Professor Coutinho ser muito semelhante ao que ele já falava no primeiro governo Dilma. Em especial, quero chamar atenção para o seguinte trecho quando presidente do BNDES comenta a última transparência de sua exposição às 13:33 hs:

“Queria apenas mostrar que, dependendo das hipóteses que façamos sobre um multiplicador do investimento, o custo dos empréstimos do Tesouro ao BNDES é neutralizado pelo impacto fiscal positivo que os novos investimentos geram. Todo investimento novo começa pagando imposto, e um impacto posterior esse investimento gera, criando renda, emprego, pelo próprio funcionamento daqueles ativos produtivos ao longo da vida. Então, esses cálculos mostram que, dependendo do multiplicador e da adicionalidade, mesmo com as hipóteses do momento, que são muito desfavoráveis, em que o spread entre a TJLP e a Selic é muito alto – vai cair no futuro certamente, em algum momento, eu não estou dizendo quando –, esse processo mostra que olhar só o lado do custo, sem olhar o lado do benefício, pode ser uma visão incompleta do problema.”

Com esse trecho acima, o presidente do BNDES falou exatamente o contrário do que fala o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ao defender o fim dos empréstimos do Tesouro Nacional para os bancos públicos. O mais interessante é que os empréstimos do Tesouro para o BNDES cresceram depois de 2010, justamente no período que a taxa de investimento da economia brasileira deixou de crescer e a arrecadação caiu.

O dilema é bem simples. Se acreditarmos no que o presidente do BNDES falou, a política econômica adequada seria aumentar a divida para aumentar a arrecadação por causa do “efeito multiplicador”. Acredite se quiser. Mas se acreditarmos no Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o governo deveria fazer exatamente o contrário: reduzir os repasses do Tesouro para o BNDES, para não aumentar mais ainda a divida bruta e os juros.

Entendem agora quando digo que tenho uma imensa desconfiança do comprometimento do governo, com exceção do Ministério da Fazenda e Planejamento, com o ajuste fiscal e reformas modernizantes. Se parte do governo ainda pensa que divida cria sua proporia receita, então vamos aumentar a dívida e dar subsídios para todo mundo, apesar do que fala o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

9 pensamentos sobre “Joaquim Levy vs. Luciano Coutinho

  1. Eu não sei o que acontece com esses caras que mesmo com o fracasso retumbante do desenvolvimentismo, eles ainda insistem nessas explicações. Queria muito perguntar a ele, com todos os multiplicadores que ele tem, qual deveria ser a carteira de crédito do BNDES para zerar o déficit nominal de 7% do PIB?

  2. “Efeito multiplicador” é poderoso. Tira quebrante e levanta espinhela caída

    Vamos recordar:

    “porque esse é um projeto [a desoneração permanente] que se auto paga em função do poder multiplicador que ele tem” (Mantega, 27/05/2014)

    “Você aplicou um negócio que era muito grosseiro. Essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano, e estudos mostram que ela não tem criado nem protegido empregos” (Levy, FSP, 27/02/2014)

    Infelizmente, o ministro Levy moderou a franqueza.

  3. Levanto outro ponto Mansueto: Poderíamos perguntar ao Sr. Presidente se o suposto acréscimo de arrecadação também iria compensar o efeito inflacionário que centenas de bilhões de reais causam na economia.

  4. O presidente do BNDS não explicou como tomar dinheiro emprestado a 13% ao ano e emprestar a 7% para alguns privilegiados e quem paga a diferença é o contribuinte de impostos que não param de subir para tapar rombos orçamentários.

  5. O Senhor Luciano Coutinho, que a propósito, sempre admirei seu conhecimento cognitivo, me decepcionou muito como gestor de um grande banco de fomento como o BNDES. Nunca imaginei que o Senhor Luciano Coutinho fosse tão inescrupuloso e cara de pau em defender e trabalhar para um partido politico corrupto, safado e bandido como o PT. Tem que haver uma CPI do BNDES para apurarmos as maracutaias dos empréstimos do BNDES para governos bolivarianos como o de Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua etc.
    A Unicamp é o reduto de petistas recalcados e frustados. Não preciso nem listar os. Vários amigos da Unicamp já conhecem a minha posição
    .

  6. Retificando a última frase: ” Não preciso nem listar os nomes dos vários amigos da Unicamp que conhecem a minha posição”.

  7. Caro Mansueto, estou muito preocupado com os rumos do Brasil. Em termos políticos, a grande maioria de nossos representantes no Congresso Nacional não passam de um bando de corruptos e ladrões. A nossa justiça é vergonhosa. Digo isto por experiência própria. Tenho dois processos contra a União que estão parados na Segunda Instância e que não se movimentam, sendo que um dos magistrados responsáveis, não vou citar o nome, estava envolvido com a venda de sentenças no Estado de Minas Gerais.
    Que pais é este, que nós brasileiros, sensatos e intelectualmente capazes, não temos a capacidade de mudar?

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