O lado real do ajuste fiscal: corte de 30% do investimento público.

Sempre que falei que, INFELIZMENTE,  o governo cortaria fortemente o investimento público para tentar alcançar a meta do primário, as pessoas se revoltavam contra mim. Bom, peço para não atacarem o mensageiro. Levantei os números do investimento público para o primeiro trimestre do ano, completando a série com os dados do SIAFI para março de 2015.

O que os dados mostram? a valores de março de 2015, o investimento público da União (exclui estatais) passou de R$ 22,3 bilhões no primeiro trimestre de 2014 para R$ 15,6 bilhões no primeiro trimestre de 2015. Uma queda real de R$ 6,7 bilhões ou de 30%!

E quem são os grandes perdedores? Olhem na tabela abaixo:  (1) Min da Defesa: – R$ 1,8 bilhões; (2) Min do Desenvolvimento Agrário: – R$ 1,2 bilhão; (3) Min da Educação: – R$ 1,2 bilhão; (4) Min dos Transportes: – R$ 1,1 bilhão e (5) Min da Saúde: – R$ 941,8 milhões. Sinto informar que as áreas de educação e saúde tiveram cortes. Por enquanto, não se nota corte no Minha Casa Minha Vida (ver Ministério das Cidades) mas isso é questão de tempo. A propósito, eu espero um corte de investimento de, no mínimo, uns R$ 30 bilhões este ano. Em três meses governo já cortou quase R$ 7 bilhões de investimento e nada do custeio.

Investimento público da União (exclui estatais) – 1o TRIM de 2014 vs 1o TRIM de 2015 – R$ milhões de março de 2015

INV

Fonte: Tesouro Nacional e SIAFI. Elaboração: Mansueto Almeida

OBS: inclui o Minha Casa Minha Vida no Ministério das Cidades.

10 pensamentos sobre “O lado real do ajuste fiscal: corte de 30% do investimento público.

  1. O governo deveria zerar o investimento de 2015. Já disse isso em outros comments. Como não cortará o custeio, não há outra alternativa e eu sei que isso é terrível. BR terá uma queda de uns 2% no PIB e uma inflação de dois dígitos esse ano.

    • De quebra forte desaceleração dos preços dos imóveis.
      E não espere algo muito diferente disto no ano que vem pra entregar 2% do PIB de primário.

      Arrumar a bagunça vai sair muito caro pro povo.
      13confirma>receba!

  2. Tento imaginar por quanto tempo o povo pagará pelos desmandos dos governos do PT. Juscelino construiu Brasilia que se transformou no monumento da corrupção. Esvaziou o emprego no Rio. Getúlio quis barrar o socialismo e fundou a república sindicalista. Isso tudo tem mais de 50 anos.

  3. É impressionante a irresponsabilidade econômica/fiscal do primeiro governo Dilma. Fico pensando, como que uma pessoa que se diz formada em Economia, como é caso da Presidenta, não conseguiu perceber que o descontrole dos gastos públicos não traria nefastas consequências sobre o funcionamento de todo sistema econômico do país. Resultado desta irresponsabilidade fiscal: a) incerteza das expectativas empresariais; b) redução da atividade econômica com queda do PIB, aumento do desemprego e queda na arrecadação tributária: c) aumento dos preços públicos; d) aumento da taxa de juros; e) aumento da carga tributária; f) elevação do nível geral de preços; e por ai vai.
    Conclusão: “Governo populista é tudo igual”

  4. Mansueto, tudo bem? Perdão pela ignorância, mas você saberia nos dizer a que se refere a linha PRESIDENCIA DA REPUBLICA, que apesar de ter sofrido também um corte é quase o mesmo montante dos gastos com SAUDE?

    Obrigado.

    • Posso abrir para voce. Me dá um tempo. Mas uma conta que entra aqui são investimentos da infraero. Vou abrir e te mando.

  5. Prezado, ao colocar tudo junto você não deu destaque ao que importa. O corte na Educação de mais de 40%, Na Saúde de quase 60% e para enfraquecer ainda mais as Forças Armadas, nesse momento atual, 53%.

  6. Pois é… Se o planejamento já não era o forte do governo, com o tamanho do corte de investimento no ministérios de planejamento, orçamento e gestão, não dá pra esperar muita evolução nesse quesito.

  7. Mestre Mansuetto…..poderia explicar melhor esse trecho ? Na sua visão , o mercado imobiliario terá o seu funding abalado ?

    ” Por enquanto, não se nota corte no Minha Casa Minha Vida (ver Ministério das Cidades) mas isso é questão de tempo”.

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