1 trimestre de 2015: não dá para comemorar

Consegui trabalhar um pouco na Páscoa. A grande conquista da nova equipe econômica foi manter o grau de investimento da S&P – um voto de confiança no ministro da fazenda Joaquim Levy. Tudo o mais no trimestre foi muito ruim.

Os dados fiscais do lado da receita e da despesa no trimestre foram ruins. Mais uma vez a arrecadação vai decepcionar em março. 

Do lado da despesa, o custeio teima em não  ceder, o que mostra que, apesar do decreto de contingenciamento de 1/18 avós para pagamentos antes da aprovação do orçamento do ano, ele pouco ajudou o governo. A única redução forte nas despesas foram os subsídios do setor elétrico e a queda real de 30% no investimento público no primeiro trimestre. 

E o custeio? Não teve redução real. Os detalhes das contas serão enviados para meus clientes. 

No mais, o primeiro trimestre terminou com a articulação política do governo ainda aquém do que seria desejável. O governo está politicamente frágil e não é certo ainda até que ponto o congresso está disposto a ajudar o governo a entregar o ajuste fiscal. 

No mais, veremos piora nas taxas de desemprego, renda real, crédito e vendas nos próximos meses, o que aumentará desaprovação do governo. 

A grande esperança neste segundo trimestre é se  e como o governo conseguirá resolver o problema do Balanço da Petrobras e iniciar uma agenda mais positiva. O primeiro trimestre foi muito ruim. Vamos torcer para que o governo tenha aprendido algo com os seus erros. Mas será outro trimestre difícil. 

5 pensamentos sobre “1 trimestre de 2015: não dá para comemorar

  1. Putz….um blog oposicionista que nao prega o odio e nao rosna…e ainda procura propor um debate sério sobre os aspectos economicos do momento. Raro isso nos dias de hoje. Parabéns.

    • Primeiro: Acredito que você votou na supergestora e acreditou que não precisávamos de ajuste fiscal. Portanto, mais uma vítima de estelionato eleitoral.
      Segundo: A candidata que – creio eu – você deve ter votado não propôs um “debate sério” na campanha, por omitir justamente a debilidade fiscal e os déficits na BP que nos acompanham.
      Terceiro: Quem pregou ódio pra se manter no poder é justamente o partido que você deve amar. Sempre fez campanha do “nós contra eles”.. Nem entrarei na questão dos Blogs da esquerdalha que existem pela web.

  2. Mansueto, em 1999 eu tinha 13 anos e foi a primeira vez em que ouvir falar em ajuste fiscal na minha vida. Rsrs, claro, depois estudei economia e tal, e pude estudar com mais detalhes aquele cenário… Tenho analisado soluções fiscais e tributárias diversas e parece que nenhuma se encaixa no alcance da meta de superávit de 1,2%, nem msm se combinarmos parte delas, sem contar o cenário político elas… Porém, vejo poucas análises a respeito de uma reforma do Estado em termos administrativos. Bem, não acho que o estado brasileiro seja grande também, mas sei que ele é equitativo demais em termos de carreiras, o que se reflete na baixa quantidade e qualidade de serviços públicos. Bem, não bastasse isso caminhamos pra uma situação de arrecadação previdenciária temerosa, mas não se fala nada sobre isso… Não sei se vc concorda com uma reforma administrativa (até nos moldes do adolfo salcshida), mas se sim, qual seria o cenário pra isso acontecer de acordo com sua experiência? Vamos esperar uma ruptura econômica abruta? O colapso da previdência? Enquanto isso, estou me acostumando a ficar sem café no ministério, tendo papel higiênico, tudo certo!

    Obrigado!

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