Swaps e juros: o jogo errado do BACEN

Desde 2013, o Banco Central do Brasil vende dólar no mercado futuro com o objetivo de “evitar oscilações excessivas” da taxa de câmbio. Essas são as famosas operações de swaps no qual o Bacen Central se compromete com um determinado valor do dólar pré-fixado. Se no dia de vencimento da operação o valor de dólar for maior do que aquele fixado no contrato pelo Banco Central, ele paga a diferença a sua contraparte (mercado financeiro). Essa perda é contabilizada como despesa de juros setor público na contabilidade do setor público.

O problema com as operações de swaps feitas pelo Banco Centra é que, desde 2014, elas se tornaram excessivas, atingindo um valor de mais US$ 100 bilhões, e evitando uma desvalorização corretiva do Real que deveria ter ocorrido já no ano passado, pois apesar do crescimento da economia próximo de “zero”, em 2014, o nosso déficit em conta corrente cresceu para mais de 4% do PIB. O Real só não perdeu mais valor no ano passado porque o BACEN usou as operações de swaps para controlar a taxa de câmbio e não para evitar oscilações excessivas.

O resultado disso tudo é que o ajuste da taxa de câmbio veio com força este ano agravado por um novo ciclo de valorização do Dólar que pode ser longo. Com a desvalorização do Real em mais de 20% este ano frente ao dólar, o Banco Central teve um grande prejuízo com as operações de swap que, até o dia 20 de março, já foi de R$ 59,5 bilhões! Isso é mais de 1% do PIB!

Assim, quando Banco Central divulgar amanhã os dados fiscais de fevereiro já se poderá notar um forte crescimento da contas de juros do setor público agravada pelas perdas com as operações de swaps. Mas em março será ainda pior e, no primeiro trimestre do ano, a nossa conta de juros do setor público poderá chegar a mais de 7% do PIB em 12 meses. Aqui, o Banco Central tem muita culpa no cartório.

Custo Fiscal das Operações de Swaps – R$ milhões 

swaps

OBS: 2015 até o dia 20 de março.  Fonte: Banco Central.

14 pensamentos sobre “Swaps e juros: o jogo errado do BACEN

    • Depois escrevo sobre isso porque depende muito do cenário externo e se o resto do mundo acredita ou não nos ajustes que estamos fazendo.

    • Rafael, eu tenho um amigo que mora nos EUA e é Oficial de Chancelaria do Itamaraty. O Brasil não está pagando o aluguel dos imóveis onde moram os funcionários brasileiros. Aluguel lá é muito caro. Meu amigo mora num imóvel modesto, mesmo assim, está sobrando 1/6 do salário para viver. Quem mora em móveis mais luxuosos está usando todo o salário para pagar o aluguel.e está vivendo com as economias. Sim, o Brasil está quebrado. Por enquanto está deixando de pagar o que não repercute aqui diretamente. Mas, em breve, sei não…

    • Acho, mas sobre isso escrevo depois cm mais detalhes. Os economistas hoje se dividem em dois grupos. Um grupo que acredita em ajuste gradual com a tx de câmbio bem comportada – em torno de 3,30, e outro grupo que acredita em uma forte desvalorização com desemprego e inflação na casa de dois dígitos. Depois explico isso em um post com detalhes.

  1. Bom, combater inflação via controle/cotação dólar, só no Brasil de”ministro Mantega e Governo Dilma” . .. Resultado ta ai, Petr4, despesa com juros e inflação que era pra ser contida explodindo !!!

  2. Desde a década de 1970 acompanho o câmbio. Primeiro por ser exportador. Agora por curiosidade. Jamais vi alguém prognosticar a taxa com acerto. Agora sigo dois parâmetros:IPCA e SM:
    Julho de 1994;
    SM =R$ 64,79
    IPCA = 100
    US$ = 1,00
    Janeiro de 2015
    SM =R$ 788,00 = + 1,216,24%
    IPCA = % + 479,45%
    Se corrigido pelo índice acima os valores seriam:
    -IPCA = US$ = R$ 4,79
    -SM = US$ = R$ 12,16
    Quem viver verá.

    • Hélio, você tem que levar em conta também a diferença em relação à inflação americana (no primeiro caso) ou em relação à inflação de salários americana (no segundo caso).
      Você ainda encontrará taxas de câmbio bastante devalorizadas, mas certamente serão menores que estas que você calculou.
      Abraços.

  3. Mansueto,
    Perceba que houve uma valorização das reservas internacionais no mesmo período, pelo mesmo motivo (câmbio), o que faz com que o BC esteja com déficit neste item, mas ainda com valorização no ativo líquido.
    Ou seja, nesta magnitude citada por você (1% PIB) a questão é apenas de caixa x competência, pois o BC não vai ter problema de liquidez (escassez de caixa para pagar ajustes na BM&F), certo ?
    Acho que a perspectiva que importa neste caso, é que o BC tem estado defendendo o câmbio com um instrumento que vai aumentar a inflação ainda mais no futuro (via expansão de moeda), só que com defasagem.
    Ou por outra, com câmbio flutuante, temos de ter esse nível de reservas ? Com este custo? Só para servir de lastro para operações cambiais eleitoreiras do BC ?
    Abraços.

  4. Hola Mansueto,

    I think you might have made a mistake for the cost in 2013. I’m looking at Quadro 42 of the Nota Imprensa de Politica Fiscal of February (http://www.bcb.gov.br/ftp/notaecon/ni201502pfp.zip) and see that while the Resultado Bacen for Dec-13 was -49 (Cell F34), the result for the entire year was -1315 (Cell F22).

    Just as you write, the result for 2014 was -17329 (Cell F36).

    Now that report shows that during January the result of the Bacen ws +10781 (Cell F50). Where do you get the numbers for February and March from? I can’t find them on the BCB’s website.

    Obrigado,

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