A culpa foi do Mantega

Não gosto de escrever posts muito curtos. Mas na sua apresentação esta manhã na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal o presidente do Banco Central,Alexandre Tombini, quando questionado sobre a inflação alta e a política monetária, falou diversas vezes que a redução da inflação (ou o sucesso da política monetária) depende do comportamento da política fiscal. Verdade, mas depende também do Banco Central.

Não sei se o o presidente do Banco Central quis falar isso, mas deixou o recado que o culpado foi o Ministério da Fazenda com a sua política fiscal expansionista. O mais correto seria dizer que a culpa foi da Presidente da República e que o Banco Central, como não é independente, ficou de mãos atadas e aceitou uma inflação maior.

Bom, e agora que o Mantega está fora? Bom, agora a culpa recairá no novo ministro da fazenda porque este falou muito sobre o fim das operações de swaps e permitiu um forte reajuste dos preços administrados. A inflação no Brasil é alta, o Banco Central não conseguiu reduzir as expectativas de inflação nos últimos quatro anos, e o Banco Central aceitará este ano uma taxa de inflação acima do teto da meta. De fato, o Banco Central não é independente.

 

5 pensamentos sobre “A culpa foi do Mantega

  1. Infelizmente temos o pior presidente do Banco Central nos últimos governos. Como se trata de um funcionário de carreira do banco cumpre ordens. Aceitou a inflação alta, coisa que nenhum presidente aceitaria e vem sempre com desculpas que não convence. Que saudades do Meirelles.

  2. O Alexandre Tombini tenta se eximir de culpa invocando uma citação de Ortega y Gasset (1883-1955): “Eu sou eu e minha circunstância”. Ou seja, implicitamente diz que a culpa é de outro (bem petista, não?!). Sua capacidade de manejar a política monetária no primeiro mandato foi tolhida pelas medidas do lado fiscal e (embora jamais afirme) pelos brados da atual incumbente da Presidência da República. Pena que não tenha prosseguido na leitura, pois saberia que o filósofo espanhol completou afirmando ” e se não salvo a ela, não me salvo a mim”. Nesse sentido, vale outra máxima Gassetiana: “Pouco se pode esperar de alguém que só se esforça quando tem a certeza de vir a ser recompensado.”

  3. Pobre Bacen!
    A referida instituição que outrora teve brilhantes economistas, hoje carece de profissionais com “p” maiúsculo. Por todos os lugares que ando o semblante das pessoas é de desesperança. Em um ponto de táxi, os taxistas usavam adjetivos desabonadores de “A” a “Z” contra a “poste supergestora” . Os preços dos alimentos sobem, o pão sobe ainda mais. Estamos num estado real de coisas que é difícil começar a discorrer, pois há tantas coisas erradas , falsas premissas e projeções de crescimento otimistas demais, que noto um futuro bem sombrio para o Brasil. Instituições que deveriam ser independentes acabaram se transformando em anexos. Realmente acho que é muito difícil crescermos qualquer coisa até 2018.

  4. Triste a conduta do Banco Central. Como pode o presidente da instituição com meta de 4.5% falar que ele vai cumprir isto em 24 meses! Previsão de 24 meses de inflação é pó! Isto equivale dizer que não vai cumprir a meta.

    Hoje ele falou que não vai ocorrer repasse da taxa de câmbio para o nível geral de preço! Como ele sabe disso? Provavelmente como ele sabe que em dezembro de 2016 a inflação será 4.5%! É um show de horror!

    Para piorar, a lógica do argumento dele é assim: como teremos retração da atividade econômica, a demanda vai car logo o nível geral de preços não sobe. As duas únicas chances disto ocorrer são: (ii) ele tem uma previsão de recessão profunda e não torna pública, ou; (ii) sorte. Volto a afirmar, não existe base para afirmar não vai ocorrer repasse. É mais um triste chute do homem que diz estar no leme do BC.

    Abs Mansueto.

  5. Entendo que seja necessária uma correção no texto:

    “A inflação no Brasil é alta, o Banco Central não consegui reduzir as expectativas de inflação nos últimos quatro anos, e o Banco Central aceitará este ano uma taxa de inflação acima do teto da meta.”

    O correto seria:

    “A inflação no Brasil é alta, o Banco Central não CONSEGUE reduzir as expectativas de inflação nos últimos quatro anos, e o Banco Central aceitará este ano uma taxa de inflação acima do teto da meta”.

    Um forte abraço!

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