Sobre os protestos…

1) O número de pessoas que compareceram aos protestos foi muito maior do que esperado pelo governo. Se for metade do número divulgado já seria muita gente. A PM falou que na Av. Paulista compareceram mais de 1 milhão de pessoas e o Datafolha falou em 210 mil. Mas mesmo pelo critério do Datafolha este teria sido o maior ato politico desde a campanha das Diretas Já em 1984 (clique aqui).

2) Os protestos não defenderam este ou aquele partido politico. Os protestos foram marcados por pessoas vestidas de verde e amarelo, contra corrupção, contra o governo Dilma e contra o PT. Este foi um movimento muito diferente das passeatas de sexta-feira onde se destacavam as bandeiras vermelhas e movimentos organizados ligados ao governo como, por exemplo, a CUT e o MST.

3) A reação ao pronunciamento de dois ministros de estado foi mais um panelaço em vários bairros do Brasil. Me assustei quando meus vizinhos começaram a buzinar e bater panelas aqui na Asa Norte em Brasília.  As pessoas não têm mais paciência de escutar pronunciamentos oficiais baseado em uma negação da realidade e em promessas vazias que, no segundo semestre, a economia estará melhor.

4) Há muita gente preocupada porque vê no governo um imobilismo e uma falta de vontade de mobilizar a sua base de apoio para aprovar uma agenda mínima de reformas com medidas de ajustes duras de curto prazo, mas também com uma agenda positiva de longo prazo. O governo e sua base aliada passam insegurança quanto a aprovação do pacote de ajuste fiscal e de uma agenda positiva mínima no Congresso Nacional. A melhor oposição ao governo é a sua própria base aliada.

5) Já começou um boato em Brasília e nos jornais sobre uma reforma ministerial com três meses de governo. Isso é uma prova do amadorismo politico do governo que não soube montar uma boa equipe de coordenação política e ainda tentou brigar com o PMDB que hoje controla o Congresso e pode inviabilizar qualquer ajuste proposto pelo governo.

6) A tendência no curto prazo é de piorar o ambiente econômico. O ajuste fiscal será baseado em uma contenção forte de gastos, mas para as metas prometidas serem cumpridas será necessário forte aumento de carga tributária no biênio 2015-2016. Não há perspectiva de crescimento do investimento público e privado, crescimento será baixo com aumento do desemprego. Não haverá a recuperação rápida da economia como ocorreu em 1999 e 2003. Agora o ajuste será mais longo e com menos crescimento.

7) O governo parece perdido e a nova “equipe” econômica é formada apenas por cinco pessoas novas no governo.  As demais apenas mudaram de cadeira e a única pessoa que fala todas as semanas sobre a necessidade de ajuste com convicção é o Ministro da Fazenda. Os demais economistas da “equipe” econômica não se manifestam e vários políticos da base aliada se manifestam contra as medidas propostas pelo próprio governo.

8) Qual o resultado disso tudo? Não sei, mas há vários motivos para ficarmos preocupados. Se o Brasil passar por mais um ciclo de crescimento baixo, isso significará uma grande frustração da população com o governo, pois as demandas das ruas por melhores serviços de saúde, educação, segurança etc. não serão atendidas por falta de recursos financeiros (arrecadação).

Vamos ter ainda muitas emoções ao longo das próximas semanas e meses…..

3 pensamentos sobre “Sobre os protestos…

  1. Nesse momento, apenas uma certeza: a segunda metade do Dilma II será melhor do que a primeira. Já pensou se for igual ou pior. Será possível?

  2. Além do que e infelizmente, a fala da presidente ontem, conversando com jornalistas, não convenceu. Pareceu que ela quis dar a entende, de forma pouco sutil, que as manifestações forma uma benesse do governo e não um descontentamento dos cidadãos ciosos da crise que se avizinha, além das constantes descobertas de desvios de recursos para outros fins, que não os para produção, como no caso da Petrobras.
    Parece prevalecer uma “miopia” intencional. E uma empáfia, ao dizerem, ministros e presidente, que as manifestações só ocorreram porque eles assim o quiseram, por serem democratas.
    Tato que no segundo pronunciamento de ministro e da presidente, tiraram fora o Sr, Rossetto, cuja tese é a de que quem se manifestou não foi eleitor da presidente. Bem, se ele fizesse as contas, descobriria que somando todas as pessoas que se manifestaram em todo o Brasil, a presidente ou teria perdido as eleições ou a diferença para o candidato das oposições seria extremadamente menor do que os 3,4 milhões.
    Em suma, a levar a sério as últimas falas do governo, é de crer-se que o ajuste ou não sairá ou será inócuo, caso saia.

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