Dia de protestos

Neste domingo há protestos em várias cidades do Brasil contra a corrupção, em defesa da Petrobras, contra o sistema politico e contra o governo. Impressiona como várias pessoas estão indo às ruas em um movimento organizado pelas redes sociais. Aqui no DF, a Policia militar estimpu que por volta de 11:40 am o número de pessoas na Esplanada dos Ministérios era de 30 mil.

Há placas de todo tipo: contra corrupção, contra o governo, alguns pedindo o impeachment da presidente Dilma e outras com a frase: “Fora PT”. Podemos interpretar o “Fora PT” de diversas formas. É possível que, para alguns, seja uma frase preconceituosa contra o partido. Mas pode ser uma frase que sintetiza a decepção de muitos com um partido que se destacou ao longo da sua história pela defesa da ética, transparência, melhor distribuição de renda, etc. Hoje, o partido está envolvido em vários escândalos e corrupção e teve parte de sua cúpula condenada no caso do mensalão.

Confesso que não gosto de frases do tipo “Fora PT”ou “Fora PSDB” ou mesmo fora qualquer partido. Acho que o o fora deve se dá por meio do voto com a punição de políticos e partidos que não agradaram a população. Mas o PT sempre estimulou o embate radical do “nós” contra “eles”, o debate superficial que “nós (do PT) gostamos dos pobres” e todo o resto é elite que não gosta de ver pobres viajando de avião. Essas coisas absurdas fartamente explorada pela propaganda oficial na campanha eleitoral recente levou a uma radicalização da política que há muito tempo não se via.

O resultado é que temos hoje uma país dividido, um presidente da República impopular que não pode sair nas ruas, pois corre o risco de ser vaiada. No mais, as passeatas de hoje podem desaparecer ou ser o início de outros protestos que podem aumentar a oposição das ruas ao governo. Ninguém sabe ao acerto. Mas o fato de termos protestos no terceiro mês de um novo governo é um péssimo sinal dado o ajuste fiscal longo que teve inicio e com a tendência de piora nos dados de emprego e renda.

Vários analistas de consultorias e bancos independentes já apostam em inflação este ano de 8% ou mais, “crescimento” do PIB de -1,5%,  queda do emprego formal em mais de 200 mil postos (o pior resultado desde 1999), queda de renda real do trabalhador, aumento de impostos e aumento da taxa de desemprego. Ou seja, a população ao longo do ano sentirá de forma mais clara o custo do ajuste.

A propósito, a culpa da recessão não é a política econômica atual, mas a política econômica de 2008 a 2014 e os governo  (segundo governo Lula e primeiro governo Dilma) que apoiaram essas políticas. O erro não foi dar subsídios e/ou aumentar o gasto público para conter a crise de 2009. O erro foi insistir por mais cinco anos na agenda de política anticilica de 2009 e ainda intervir de forma desastrada no setor de energia e de petróleo e gás.

Hoje, o governo corre atrás de desfazer tudo que fez ao longo dos últimos cinco anos. Mas esse ajuste começa com um governo politicamente fraco, com uma presidente com índices de aprovação muito baixos (vamos ver a próxima pesquisa), e ainda no meio de uma crise que envolve a Petrobras e as grandes empreiteiras brasileiras.

Vamos passar por um período difícil, mas é excelente ver a população do Brasil ir para às ruas tanto para defender quanto para protestar contra o governo. Isso é bom para democracia, principalmente, em um país que o Executivo goza de super poderes.

5 pensamentos sobre “Dia de protestos

  1. Estou acompanhando o protesto pela Globo International e o que mais me chama a atencao e’ a diferenca entre as demonstracoes do PT e esta de agora. Na primeira um muito vermelho, na segunda um mar de verde e amarelo. Nao ha vermelho na bandeira do Brasil. Isto lhe diz algo?

  2. “Essas coisas absurdas fartamente explorada pela propaganda oficial na campanha eleitoral recente levou a uma radicalização da política que há muito tempo não se via.”

    O discurso petista de “nós contra eles” é de fato absurdo, mas vejo com muito ceticismo a conclusão de que foi isso que levou à radicalização que vemos hoje. Acho que faltam evidências mais concretas que liguem uma coisa (discurso do PT) à outra (radicalização). Além disso, se o PT “sempre estimulou” tal debate, como você coloca, por que a radicalização é algo mais recente?

    Nos EUA, onde uma radicalização semelhante ocorre há mais tempo, discute-se melhor o papel da internet (e das redes sociais) nisso. Claro, até por ser algo recente, não há um consenso, mas acho mais razoável relacionar essa radicalização com a popularização da internet do que com o discurso do PT, pelo menos no que diz respeito ao comportamento dos eleitores.

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    “A propósito, a culpa da recessão não é a política econômica atual, mas a política econômica de 2008 a 2014 e os governo (segundo governo Lula e primeiro governo Dilma) que apoiaram essas políticas. O erro não foi dar subsídios e/ou aumentar o gasto público para conter a crise de 2009. O erro foi insistir por mais cinco anos na agenda de política anticilica de 2009 e ainda intervir de forma desastrada no setor de energia e de petróleo e gás.”

    Concordo com esse argumento, mas fiquei com uma dúvida: se “o erro foi insistir por mais cinco anos na agenda da política anticíclica de 2009”, por que você culpa a política econômica desde 2008 — um ano antes?

    • Porque muito do que aconteceu em 2009/2010 começou a ser gestado em 2008. Por exemplo, em 2008 foi lançada em maio a PDP que começou a dar benefícios para vários setores e exigia quase super poderes do BNDES para dar certo. No mesmo ano governo decidiu criar Fundo Soberano (FS) que não fazia sentido e que depois foi usado para ajudar a fabricar o primário. E no mesmo ano que o FS foi criado ocorreu o primeiro empréstimo grande do Tesouro para o BNDES que depois se tornou algo recorrente. Mas você tem razão. O ponto de partida foi mais para o final de 2009. No primeiro semestre o governo fez o que tinha que ser feito. Depois as coisas pioraram inclusive com o truque que usaram na capitalização da Petrobras em 2010. Em 2011, governo lança o Plano Brasil Maior e começa a conceder subsídios sem critérios e sem se preocupar com o custo fiscal. Depois tudo piora e hoje somos forçados a fazer um ajuste porque governo adiou medidas que deveriam ter sido adotadas muito antes.

  3. Esta mais que na hora de trocar o regime presidencialista de coalizão, com um novo plebiscito entre parlamentarista e presidencialista desde devidamente explicado população antes do evento como funciona os dois regimes pois creio que a maioria de população não sabe o que é e como funciona esses regimes. Depois então submete-se a voto popular com embate das duas correntes.

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