Politica Econômica Bipolar-3

Matéria da Folha de São Paulo dia 27 de maio de 2014 (clique aqui):

“A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta terça-feira (27) a empresários que vai autorizar a desoneração permanente da folha de pagamento para todos os setores que já são contemplados pelo benefício.

 As áreas beneficiadas envolvem, entre outras, construção, automotiva, pneumáticos, têxtil, naval, aérea, material elétrico, meios de comunicação, móveis, brinquedos.

 Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), a medida passará a valer a partir de 2015 e o impacto da medida nas contas públicas é em torno de R$ 21,6 bilhões. A desoneração já estava garantida para este ano inteiro e, agora, não haverá data para terminar.”

 O Brasil real de fevereiro de 2015 (clique aqui) – matéria do portal UOL:

 “A redução dos tributos que incidem sobre a folha de pagamentos custa ao país R$ 25 bilhões por ano, e estudos mostram que isso não tem protegido o emprego, segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A medida se mostrou “extremamente cara”, disse ele.

 A declaração foi feita em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (27), após o governo ter divulgado, mais cedo, que vai reduzir o benefício fiscal para as empresas. Essa é mais uma medida para reequilibrar as contas públicas.”

Quando falo que a politica econômica do governo do PT  é bipolar é justamente porque para os empresários as regras ficam sempre mudando e, assim, qualquer planejamento feito ontem (ano passado) poderá se tornar inviável no ano seguinte devido as constates mudanças bruscas de regras, inclusive impostos.

A equipe econômica atual está fazendo o que dela se espera para consertar a casa, mas o governo do PT provou que as convicções são mutáveis. A desoneração da folha salarial que foi ampliada e tornada permanente ano passado agora é revertida porque é cara e não funciona, O governo deveria ter avaliado antes de tornar a medida permanente e amplia-la para 56 setores.

Ao que parece, o governo fará um grande esforço para voltar atrás de tudo que fez nos últimos quatro anos. Acho que vem mais aumento de impostos, redução do papel dos bancos públicos, redução do conteúdo nacional, abertura do capital da Caixa Econômica Federal, etc.

O que ainda não tenho certeza é se o aumento de impostos continuará sendo em ciam da receita das empresas ou se, em algum momento, o governo tentará recriar CPMF e imposto sobre grandes fortunas que o PT está pressionando. Mas que vem mais aumento de carga tributária vem e a lua de mel dos empresários com o governo acabou. Tempos interessante este que o mesmo governo que deu vários incentivos volta atrás e desfaz tudo que fez.

10 pensamentos sobre “Politica Econômica Bipolar-3

  1. A nova CPMF será um Cavalo de Tróia chamado CSS – (Contribuição pra Seguridade Social).
    Acho bem mais provável a volta da CPMF ou CSS do que imposto sobre grandes fortunas (pra mim é aquele discurso teatral que o PT faz sobre ricos e pobres que, desculpe, já encheu.

  2. Vale a pena ver de novo a coletiva com quase 23 minutos, na qual Guido Mantega e Paulo Tigre (CNI) anunciam a permanência e a ampliação da desoneração da folha de pagamento.

    São muitas as passagens interessantes na coletiva, principalmente no preâmbulo de Mantega.

    Destaco esta:

    Respondendo a pergunta de uma jornalista (inicia em 13:08 ) sobre o impacto da renúncia fiscal, Mantega aproveitou para a expor a lógica (mecanicista, ao meu ver) da medida anunciada.

    Para Mantega, a renúncia é causa de crescimento da indústria e de aumento da formalização do trabalho. E esses aumentos do crescimento e da formalização, induzidos pela desoneração, provocariam necessariamente um aumento da arrecadação no conjunto de tributos.

    Mantega, portanto, se permite concluir que o futuro será promissor: com o passar do tempo esse movimento de aumentos sucessivos e crescentes da arrecadação fatalmente anularia os efeitos da desoneração no equilíbrio fiscal do governo.

    Nas palavras de Mantega, “porque esse é um projeto [a desoneração permanente] que se auto paga em função do poder multiplicador que ele tem” (inicia em 14:00 e depois reafirma em 17:25)

    Tudo indica que a profecia não se realizou…

    Resta a Dilma II explicar porque a realidade não seguiu o script da equipe econômica de Dilma I.

    Desoneração da folha de pagamentos será permanente

      • Levy foi na veia: aplicaram “um negócio que era muito grosseiro”.

        A explicação do Mantega está fundada num determinismo grosseiro. É aplicação da ideia de causalidade linear, que parte do pressuposto de que todo efeito está sempre contido na causa que o precedeu. A relação entre causa e efeito é explicada linearmente, como uma cadeia causal completamente determinada (portanto, cognoscível) e, portanto, previsível.

        A linearidade causal fornece a suposta certeza da previsibilidade dos fins. E é está certeza que justifica e explica por que a desoneração é necessariamente permanente:

        “Mas não vamos nos esquecer que essas medidas de desoneração elas acabam levando a uma expansão maior da produção e portanto também no futuro da arrecadação que acaba compensando essa desoneração” (Manatega, 17:24)

        Ou: a desoneração causa expansão da produção (efeito), que por sua vez causa expansão da arrecadação (efeito), que por sua causa compensação da desoneração passada (efeito), que por sua vez causará desonerações futuras (efeito).

        É o perpetuum mobile aplicado à economia 🙂

  3. ““porque esse é um projeto [a desoneração permanente] que se auto paga em função do poder multiplicador que ele tem” (Mantega, 27/05/2014)

    “Você aplicou um negócio que era muito grosseiro. Essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano, e estudos mostram que ela não tem criado nem protegido empregos” (Levy, FSP, 27/02/2014)

  4. Bem, se fosse em outros tempos, daria para ter a impressão de que o novo ministro da Fazenda pegaria o boné e iria embora. Vendo como está a Petrobras e outras estatais, o pré-sal que era o que nunca foi etc. seria o que esperar. Mas, pensando bem, melhor que ele segure-se onde está e conclua o ajuste fiscal, para depois o partido chamar de seu. Vendo a presidente falar de Economia e Governo, agora, dá a impressão que ela nunca tinha ouvido falar que haveria coisas que poderiam se feitas da forma como estão sendo agora. Também aparenta que ela espera que o ministro desate o nó da área de petróleo e gás, deixe o pré-sal onde está, tire o trem-bala do dicionário. E aguarde o final de governo com o máximo de sossego possível. Pode-se não gostar de um ajuste duro, como o que se prenuncia. Contudo, melhor ter uma clara diretriz, doa a quem tiver que sentir dor, do que não ter nada, além da promessa de que tudo estará 100%.

  5. Levy foi diplomático. Creio que ele deveria dizer coisas muito mais duras sobre o “negócio grosseiro”. Na verdade foi uma ideia tosca, mal pensada, populista que ajudou o Brasil a ficar na lama. Infelizmente o Brasil colherá uma década perdida. O povo brasileiro ficará mais pobre na era Rousseff. Uma década de inflação elevada para um país que não cresce, não investe em infraestrutura e de expansão do desemprego.

  6. Notas rápidas:
    Governo Federal deve R$ 35 bilhões de reais para os 5.563 municípios brasileiros. A maior parte calote em transferências.
    Algumas estatais não pagam fornecedores desde outubro.

  7. Ontem, sobre desonerações, o Ministro da Fazenda criticou duramente o procedimento e a Presidente reagiu em favor da medidas. Não parece que seja, ainda, um caso de rompimento da Presidente com seu Ministro da Fazenda. Que, aliás, foi chamado para colocar a casa em ordem. E colocar a casa em ordem significa ou significaria, desmontar toda a chamada política econômica chamada de “nova matriz macroeconômica”. Esta não deu certo em nenhum dos setores e segmentos da economia que se analise, pelo que se pode aquilatar das análises de pessoal especializado. Contudo, não pode-se tirar de lado a possibilidade de atritos entre a Fazenda, o partido e a presidente. Os empresários estariam distribuídos nesse caldo todo. Não deverá ser uma quadra fácil para ninguém.

    • Dilma: “A desoneração foi importantíssima e continua sendo. Se não fosse importante, tínhamos eliminado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo”.

      10,00 mangos que ele abandona o cargo em menos de 6 meses!

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