Nem tudo que reluz é ouro

Hoje de manhã li a interessante coluna do Ribamar Oliveira e fiquei alegre. Mas a alegria durou pouco. Por que? porque a única novidade ali é que o governo fará um brutal corte no investimento público – algo que estimo seja por volta de R$ 30 bilhões e, assim, será possível chegar a um primário de 0,6% do PIB.

Apesar do que mostra de forma clara a coluna que reporta os cálculos do governo, e diga-se de passagem que Ribamar Oliveira é leitura obrigatória, é importante também destacar que já há no orçamento de 2015 um crescimento de despesa obrigatória contratada de pelo menos R$ 70 bilhões frente à despesa de 2014. O corte das despesas discricionárias que o governo se refere que é abordado na coluna de R$ 64 bilhões é em cima do projetado e, assim, o corte em relação ao executado de 2014 será muito menor.

Adicionalmente, mais da metade do custeio discricionário é com saúde e educação. É mais fácil O Brasil perder o grau de investimento e pagarmos juros de 17% ao ano do que alguém cortar R$ 10 bilhões ou mais das despesas de custeio de saúde e educação em um ano.

Em resumo, mesmo que o governo corte R$ 30 bilhões de investimento público, e acho que fará isso,  conseguirá economizar, no máximo, 0,6% do PIB. No mais, com um corte dessa magnitude, o investimento e a despesa  voltarão a crescer no ano seguinte. O detalhe de tudo isso com as tabelas serão enviadas para os clientes da newsletter.

A propósito, o governo terá que continuar dando o calote nos bancos públicos – não pagará os subsidios do PSI e do crédito  agrícola que são despesas discricionárias de custeio. Como os subsídios já foram dados e terão que ser pagos em algum momento, parte dessa economia vem do acumulo de passivos para o futuro não contabilizados na divida bruta e liquida.

Sem um brutal aumento de carga tributária de dois pontos do PIB (se quiser podem chamar de recomposição de alíquotas ou de reversão de política anticilica) não vejo como entregar primário de 1,2% do PIB este ano e de 2% do PIB no próximo. Todos os dias eu rezo para estar errado e vou continuar rezando.

5 pensamentos sobre “Nem tudo que reluz é ouro

  1. Mansueto, acho que a gente ainda está “em negação” com relação à saída óbvia para o fiscal: a inflação (vulgo imposto sobre pobre) vai ficar alta (bem mais do que o teto da meta) até que se consiga uma trajetória fiscal razoável. O resto vem a reboque.

  2. E aí, Mansueto, quando é que o governo virá a público contar pra gente que não vai conseguir entregar o primário prometido e divulgar a nova meta? Junho?

    E a Curva de Laffer fazendo efeito sobre a arrecadação? rsss

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