Fiscal: sinal amarelo

Hoje os jornais trazem matérias bastantes interessantes. Conversei com jornalistas sobre alguns desse tópicos e, por esse motivo, sou citado. Mas os jornalista fazem um trabalho minucioso de investigação e têm uma capacidade impressionante de resumo e de explicação que falta a nós economistas.

Para assinantes do Valor, leiam a matéria “Saúde faz gasto de custeio em janeiro superar expectativa” (clique aqui) do Ribamar Oliveira e Leandra Peres. Essa matéria mostra algo que descobri em janeiro bem interessante: apenas no primeiro mês do ano, as despesas de exercícios anteriores já superaram todo o valor pago em 2014.

Mas que diabos é isso? são despesas que ocorreram, mas que os recursos não chegaram nem mesmo a serem empenhados e, assim, não foram inscritas em restos a pagar. Esse é um tipo diferente de truque contábil e uma conta salgada deixada para nova equipe econômica.

A outra matéria no Estado de São Paulo com a jornalista Lu Aiko é sobre um levantamento que fiz sobre restos a pagar de subsídios (clique aqui). No início deste ano, o saldo desses restos a pagar que o Tesouro deve a bancos público alcançou R$ 34 bilhões, mas o valor real já ultrapassa R$ 50 bilhões ou 1% do PIB. Restos a pagar não são contabilizados como dívida, mas o governo mais cedo ou mais tarde terá que pagar essa conta seja com receita corrente ou com dívida.  Adicionalmente, o governo não tem nem mesmo espaço fiscal para pagar apenas a conta deste ano. Este ‘um problema ainda sem solução.

A matéria trata também do crescimento real negativo da receita em janeiro deste ano (clique aqui). Assim, por enquanto, o crescimento baixo e os “fantasmas do passado” estão dificultado o trabalho na nova equipe econômica. Apenas reforçando, a culpa é da equipe econômica que estava na Esplanada até 2014.

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14 pensamentos sobre “Fiscal: sinal amarelo

  1. Mansueto, essas despesas de R$50bn de restos a pagar teriam que ser pagos ainda esse ano? Ou seja, os dois anos dos 16 bilhões do PSI que você mencionou na matéria expiram esse ano? abraços e parabéns pelo trabalho

  2. Mansueto, não querendo ser pessimista, mas observadas as dificuldades políticas do Governo, a equipe econômica parece estar cada vez mais envolvida nas necessidades de mostrar resultados do Executivo. Ou seja, isso pode viciar, influenciar, as decisões da equipe econômica, em relação à implementação de medidas para colocar as contas em ordem. Os números mostrados pela equipe ou garimpados por jornalistas e especialistas e economistas independentes, pode quebrar a estratégia do poder político de mostrar algum resultado que não sejam desvios, lavagem de dinheiro, sucateamento da Petrobrás, obras paradas, apertos políticos advindos da sociedade e reivindicações do Parlamento, dentre outras coisas, incluindo a inapetência gerencial cada vez mais saliente do núcleo político governamental.
    Em suma, há algum túnel no fim do buraco?

  3. Seu blog é um serviço de utilidade pública. Estou aprendendo muito aqui, sobre economia e sobre as Contas Públicas. Mansueto, você não tem interesse em escreve um (ou mais) livro? Eu compraria, com certeza.

  4. Alguem sabe o tamanho do custeio das subvenções e investimento via BNDES?
    Mansueto, vc já se perguntou até que tamanho nossa dívida pública pode chegar antes de virar um problema e começar a melindrar a execução do orçamento, no meu ver o verdadeiro precipício?

    • Sim, é o tema da matéria do Estado de Sao Paulo. Mais ou menos R$ 26 bi de subsidio que governo deve ao BNDES e que ainda não foi pago. Aqui não tem o juros nominais da diferença entre Selic e TJLP que aumenta mais ainda a conta. Mas esse segundo custo não é despesa primária. Quanto divida, investidores de fora me falaram que um emergente com divida bruta de 70% do PIB não consegue grau de investimento. Alguém saberia dizer se isso é verdade?

  5. Alguém aí já comprou empresa falida? Eu já. Embora pequena, não se conseguia levantar todos os compromissos. A cada dia batia um credor desconhecido. Eu sei como deve estar se sentindo essa equipe de bombeiros que o governo contratou como última esperança de apagar o incêndio. Esses caras podem ser excelentes profissionais mais não são bruxos.

  6. Dizer que a culpa é da equipe econômica anterior é o mesmo que dizer que o culpado pela quebra de uma empresa é o diretor financeiro. Na verdade, o culpado é o dono, que toma as decisões estratégicas que levam à situação de inadimplência. No caso, Dilma Rousseff.

  7. Mansueto, apenas uma pequena correção formal: os restos a pagar compõem a dívida flutuante no balanço (Lei Fed. 4320/64, art. 92, I)

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